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domingo, 1 de julho de 2018

Da euforia à depressão

  por estatuadesal

(Por Estátua de Sal, 30/06/2018)

ronaldoy

Era um sonho lindo a caminho do estrelato maior. A Europa, já não nos chegava. Queríamos abraçar o Mundo e subir ao pico mais alto- De Campeões Europeus a Campeões do Mundo. Sim, porque a Europa está meia moribunda e já não é o que já foi, o centro do Mundo, e já não nos bastava.

Em tempos abraçámos o Mundo e chegámos aos confins. Lá chegámos à custa de muita lágrima, destemor, e a nossa arma era a caravela. Agora, queríamos lá chegar e repetir o feito à custa da trivela. Em tempos foram os Gamas, os Cabrais, os Albuquerques. Agora seriam os Patrícios, os Quaresmas, os Silvas, os Carvalhos e os Ronaldos os grandes conquistadores. Mais plebeus, menos brasonados, com menos fidalguia, mas ainda assim com a mesma têmpera.

Enchemos as praças, e demos as mãos para criar um arco voltaico de energia que fosse de Sagres até Moscovo, ou melhor ainda, até às praias do Mar Negro, até Sochi. As cartomantes deitaram as cartas e leram nas estrelas que iríamos ser grandes de novo. Na ponta das chuteiras, os deuses protectores do nosso destino, iriam levar-nos outra vez para além da Taprobana, e suplantar essa apagada e vil tristeza, que tão bem cantou o nosso poeta maior.

Mas não foi assim. O Diabo era azul e cavou o nosso sonho numa sepultura de desilusão. Cavou, ou melhor, cavaniou, a nossa quimera e mandou-nos regressar mais cedo a Lisboa do que a nossas esperanças e fé ditavam. Lisboa onde o Velho do Restelojá tinha alertado para as fraquezas da nossa armada de conquistadores e proclamado que, desta vez, de Montevidéu não sopravam ventos favoráveis e que se insistíssemos em navegar à bolina, o naufrágio seria certo.

Agora, as praças estão vazias. Afogamos as mágoas na consolação de que, ainda assim, somos os melhores e que os nossos santos, anjos e arcanjos, não cumpriram a sua parte. Estamos estupefactos porque não sabemos bem porque o fizeram, nós o povo dessa terra de Santa Maria que sempre pagou as suas promessas e sempre evitou ofender as divindades.

E com a tristeza vem a dúvida. Se calhar somos menos capazes do que julgávamos. Choramos. Choramos menos de raiva do que de impotência e incredulidade. Quando a realidade nos derruba as nossas quedas causam sempre fracturas porque caímos sempre das altitudes da montanha, lá onde os nossos sonhos teimam em morar.

Choramos, e os jogadores choram. Já não vão ser recebidos como heróis, e aclamados como deuses, mas sim como simples mortais que não conseguiram da lei da morte libertar-se. Sim, é Camões, o poeta, de novo o nosso maior. Nem ele lhes valeu e lhes transmitiu a gesta necessária da Nação na hora do remate. Nem ele nem os nossos santos milagreiros, à excepção de um, São Marcelo. Ele sim, ele lá estava na hora do consolo e no tempo de afogar as mágoas.

Mas não chegou. Selfies e beijos não marcam golos nem impedem que as tormentas do desânimo nos assaltem. Amanhã é outro dia e vamos ter dificuldade em acordar com o choque da realidade a pesar-nos nos ombros. Já não vamos ser Campeões do Mundo, de novo conquistadores do mundo. Estamos outra vez reduzidos ao nosso cantinho,barões assinalados nesta ocidental praia lusitana.

sábado, 30 de junho de 2018

Há quem esteja disposto a pagar 12,5 milhões de euros por uma casa em Lisboa

30/6/2018, 14:40128

Um apartamento de 3 andares na Rua Castilho com 535 metros quadrados, terraço e piscina privativa está à venda por 12,5 milhões de euros e já tem comprador. É provavelmente a casa mais cara de Lisboa.

Getty Images/iStockphoto

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12,5 milhões de euros por um apartamento constitui o tipo de preços praticado em capitais como Londres, Madrid, Paris e Nova Iorque, mas parece que este é um valor que já se pratica em Lisboa.

Segundo o Expresso, estamos provavelmente a falar no apartamento mais caro da capital portuguesa e já está reservado: o comprador é estrangeiro. Localizado no número 203 da Rua Castilho, mais concretamente nos 12º, 13º e 14º pisos do edifício, a casa tem 535 metros quadrados, um terraço com 260 metros quadrados e uma vista de 360 graus para o rio Tejo, Baixa e Avenidas Novas. O triplex, cujo último andar é só o terraço, conta ainda com kitchenette, bar, lareira, barbecue, piscina privativa e solário.

São entre 20 e 22 mil euros por metro quadrado de área interior e que, caso se concretize a venda, será o valor mais elevado de sempre. O recorde de venda rondava os 14 e os 16 mil euros por metro quadrado por imóveis no Chiado, Avenida 24 de Julho e Cascais — ainda que há quem esteja a pedir entre 17 e 18 mil euros por metro quadrado, lê-se no artigo do semanário.

De ressalvar, contudo, que há dois anos, nas mesmas zonas, o preço (recorde) por metro quadrado era de 10 mil euros. Aliás, é precisamente este o preço por metro quadrados de um T1 com 70 metros quadrados no empreendimento The Cordon, na Rua Vítor Cordon (Chiado).

Para Ricardo Guimarães, diretor da base de dados Confidencial Imobiliário, garante que se trata de uma exceção. “Isto será sempre um caso isolado e nunca uma tendência do mercado em Lisboa”, disse ao Expresso.

Entre as brumas da memória


Uma imigrante como outra qualquer

Posted: 30 Jun 2018 01:16 PM PDT

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Oh!... Choro, pois

Posted: 30 Jun 2018 09:01 AM PDT

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Balanço de uma manhã de Sábado

Posted: 30 Jun 2018 06:56 AM PDT

Andei pelas redes sociais, na esperança de ler novas reacções ao comunicado dos 28 sobre Migrações, com aplausos ou críticas provocadas pelo mesmo. Em vão.

Encontrei fundamentalmente duas discussões transcendentes:

- Dezenas de ataques e defesas de políticos que estiveram ontem num palco a cantar, com discussões acaloradas para se decidir se se tratou de populismo ou antes pelo contrário, e com um tom apimentado por entoarem uma canção do tempo da outra senhora;

- Menos dezenas de discussões, mas também com louvor ou escândalo, porque Medina cedeu 15 lugares de estacionamento a Madona, perto da residência da mesma – de borla, evidentemente.

Entretanto, mais de 100 migrantes morreram ontem afogados no Mediterrâneo.

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A Europa a implodir

Posted: 30 Jun 2018 03:15 AM PDT

«Não é apenas o mundo global idealizado pelos americanos que está a ruir. É também a própria ideia de unidade europeia, criada à volta das sementes do Iluminismo, quando a Europa era considerada a autoridade moral que era olhada como referência moral, política e mesmo económica e social. Continente de migrações constantes e de fronteiras porosas, solidificada por uma moeda comum e por uma burocracia tentacular, a União Europeia foi um sonho que rapidamente começou a ser dinamitado quando a Grã-Bretanha decidiu não entrar no euro, impedindo que o petróleo do mar do Norte passasse a ser cotado nos mercados internacionais na moeda europeia. O dólar tinha aí a sua vitória. Hoje os EUA olham para a Europa unida como um alvo a abater. Washington não quer aliados: quer nações devotas. Por isso, dividir para reinar é a nova tese.

Quando Angela Merkel cair, que sobrará do sonho europeu de alguns? A crise migratória apenas pode acelerar a destruição da UE. Na era em que o dinheiro navega pela internet, os seres humanos viajam em barcos frágeis. É este o mundo da pós-verdade. E a UE continua sem ser capaz de dar resposta a este desafio que não vai parar, mesmo que Espanha receba umas centenas de migrantes e Portugal e França outros milhares. A política de destruição das zonas-tampão na Síria e na Líbia (a pretexto da "democracia", que como se sabe foi implantada naqueles países depois da intervenção militar dos EUA, de França e da Grã-Bretanha), a falta de investimento europeu na metade superior de África, e outros equívocos criaram a bomba-relógio que agora chegou à Europa. Afinal a globalização não alimentou uma "empatia global" (em que alguns acreditaram), e a conexão global ficou-se pelos cidadãos sem pátria que viajam nas classes executivas e tratam de tudo por via digital.

A política de austeridade cega e a forma como foram abandonados os países que têm fronteiras como o Mediterrâneo geraram esta situação. Não admira que Grécia, Itália e Malta estejam fartos. E os populistas bebem aí a água tónica. Donald Trump, Matteo Salvini ou Víktor Orban são apenas a linha da frente para o que aí vem. O problema é que, neste momento de grandes incertezas, a disparidade de interesses nacionais e mesmo os diferentes posicionamentos ideológicos estão a desintegrar a comunidade de países europeus. E como esta questão é muito emocional o problema torna-se ainda mais grave.

Conseguir travar o fluxo de migração africana de forma sensata só é possível com a criação de condições económicas, sociais e políticas de estabilidade e desenvolvimento sustentado na metade superior do continente africano. De outra forma será impossível fazer muros para evitar que os migrantes assaltem o "castelo europeu". É aqui que ainda existe um sonho de sobrevivência e possível sucesso para eles e é isso que os leva a arriscar a vida nas águas do Mediterrâneo. Porque, para trás, deixam lugares que lhes ameaçam a vida e não lhes oferecem nenhum destino. Ou seja, esta discussão é complexa, mas fácil de ser sintetizada por políticos, ora populistas ora burocratas. O destino da Europa unida também se discute aí.»

Fernando Sobral
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José Tengarrinha – um grande resistente que hoje desaparece

Posted: 29 Jun 2018 03:18 PM PDT

José Manuel Tengarrinha morreu hoje, 29 de Junho, às 14h30, em Lisboa, vítima de doença prolongada. Tinha 86 anos.

O corpo vai estar em câmara ardente na Basílica da Estrela a partir das 18h de Domingo, de onde sairá no dia seguinte, para ser cremado em cerimónia reservada à família e amigos próximos.

As cortinas de fumo e os spin doctors de serviço

Novo artigo em Aventar


por Bruno Santos

A agressão de que terá sido vítima uma cidadã portuguesa na cidade do Porto, agressão essa cujo autor foi, alegadamente, um elemento do corpo para-militar privado contratado pelos STCP para efectuar serviço de segurança, suscitou, como não podia deixar de ser, uma reacção imediata dos spin doctors do costume. A função desses spin doctors foi a de reduzir instantaneamente o acontecimento a um fenómeno racista, ocultando, distorcendo e falseando factos essenciais, sendo que o primeiro desses factos é que a responsabilidade pelos acontecimentos cabe, em primeira instância, aoConselho de Administração dos STCP, que já deveria ter sido exonerado e accionado criminalmente pelo sucedido, procedimento após o qual caberia analisar a responsabilidade solidária da tutela, designadamente dos seis municípios da Área Metropolitana do Porto responsáveis pela gestão da empresa.

Não podendo negar-se, à partida, a possibilidade de estarmos, na verdade, perante um crime com motivações racistas, hipótese que deve ser plenamente investigada, essa seria sempre uma qualidade acessória de um acto muito mais grave do ponto de vista penal, o de ofensa à integridade física qualificada, com a agravante de ter sido perpetrado por um agente ao serviço de uma empresa pública, crime cuja sanção pode chegar aos 12 anos de prisão.

Querer transformar este episódio, de gratuita e bárbara violência, em mais um argumento em favor daqueles que lutam diariamente pela destruição da memória e do legado universalista português e o significado profundo da sua História, comparando-a à de qualquer Reich sanguinário e racista, é uma ignóbil traição, essa, sim, com laivos discriminatórios e até racistas, aos nossos valores civilizacionais autênticos e uma inaceitável falta de respeito pela dignidade histórica dos portugueses e de todos os povos em comunhão com os quais esses mesmos portugueses evoluíram no mundo.

Decidam-se:

A pessoa no chão é Nicol Quinayas, 21 anos, nascida na Colômbia, desde os cinco anos em Portugal.
Diário de Notícias, 27 de Junho de 2018

Nicol Quinayas, de 21 anos, nascida em Portugal, mas de ascendência colombiana
Diário de Notícias, 29 de Junho de 2018

Mais um marco a caminho da ignorância atrevida e do deficit cívico

por estatuadesal

(José Pacheco Pereira, in Público, 30/06/2018)

JPP

Pacheco Pereira

Em 1864, o primeiro editorial do Diário de Notícias era um documento notável e absolutamente moderno. Repare-se nesta frase-programa: “registar com a possível verdade todos os acontecimentos, deixando ao leitor, quaisquer que sejam os seus princípios e opiniões, o comenta-los ao seu sabor.

Eu compreendo que os jornalistas que sobram no novo projecto a que se vai dar o nome de Diário de Notícias reafirmem que para eles o que se diz no velho editorial continua válido. Podem ter essa impressão subjectiva, mas não é verdade. Já não era verdade há muito para uma parte dominante do jornalismo português, incluindo o Diário de Notícias, e é-o muito menos agora. Isto porque a crise do jornalismo português antecede estas passagens ao online de publicações falidas em papel.

Não é modernização, é redução drástica de custos com a mudança do produto, beneficiando do valor residual de uma marca de prestígio. O que vai surgir não é um novo Diário de Notícias, é outra coisa, é um site de notícias sem dinheiro que chegue para pagar jornalismo de qualidade, investigação, opinião a sério, com um semanário em papel acoplado. Com tempo irá embora o semanário e o resto se verá. Desculpem a crueldade, mas é mesmo assim. Desejava e muito que não o fosse.

O “único fim” que o editorial de 1864 enunciava era este: “interessar a todas as classes, ser acessível a todas as bolsas e compreensível a todas as inteligências”. Repare-se na lista dos temas propostos para o novo jornal: política, ciência, artes, literatura, comércio, indústria, agricultura, crime e estatísticas. E se o critério for, como deve ser, ter notícias, esprema-se este primeiro número do Diário de Notícias e saem muitas notícias. Hoje, em muitos jornais, espreme-se e sai ar e vazio, ar muito parecido com o do jornal do lado. Mesmo saber que “Suas Majestades e Altezas passam sem novidade em suas importantes saúdes” era o equivalente da exigência actual de conhecer o estado de saúde dos governantes.

Os jornais portugueses, uns mais do que outros, deixaram há muito de querer “interessar a todas as classes”, deixando de fora das suas páginas uma parte maioritária dos portugueses, cujos problemas no trabalho, na escola, na casa, na vida quotidiana, de segurança, de violência e crime, não chegam aos jornais em contraponto com uma qualquer performance “artística” que ocupa duas páginas ou com as encomendas das agências de comunicação, cuja origem é ocultada aos leitores. Falta cobertura independente e isenta dos negócios, das empresas, em particular das grandes empresas e dos centros de poder fáctico, como os grandes escritórios de advocacia de negócios. Não é por acaso que todos têm agências de comunicação. A arte e a cultura, tantas vezes medíocre, mas urbana e trendy, tem uma cobertura particularmente acrítica, mas com lugar nobre. O que falta? Um exemplo: em plena luta dos professores, o que é que sabemos da condição de se ser professor hoje, numa escola comum, com alunos comuns, mas reais, os que existem, os que lá estão? Quase nada, muito pouco. Não é glamoroso, eu sei.

PÚBLICO -

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Outra preocupação do editorial era o “estilo fácil” e “conciso”, “compreensível a todas as inteligências”, hoje diríamos a diferentes graus de cultura e literacias, preocupação que há muito deixou de existir. Era possível fazer uma compilação do tamanho deste jornal de frases rebuscadas e incompreensíveis, muitas vezes apenas por pedantice ou ignorância em notícias e reportagens, mostrando a debilidade da edição, um dos grandes problemas do jornalismo actual e da fragilização das redacções. Mas a recomendação seguinte é ainda mais actual: "nele são vedados” “absolutamente” a “exposição dos actos da vida particular dos cidadãos”, e será “escrito em linguagem decente e urbana”. A hipocrisia de aceitar os comentários não moderados, ou, pior ainda, moderá-los no jornal e depois permitir o Facebook sem regras, mostra como o valor da “linguagem decente e urbana” é puramente retórico. É que esses comentários grosseiros e sem nenhum valor informativo fazem parte do jornal e, com a passagem ao online, ainda vão ser mais centrais devido à economia dos cliques.

O editorial define uma fronteira – “eliminando o artigo de fundo, não discute política, nem sustenta polémica” –? que o Diário de Notícias nunca cumpriu, em particular na direcção de Augusto de Castro. Foi um típico jornal de interesses e de regime, ligado à moagem e ao Estado Novo, até ao 25 de Abril. Depois foi também um típico jornal do PREC, com Saramago a fazer os estragos que esses anos trouxeram à vida pública portuguesa, de qualquer modo infinitamente menores do que os 48 anos de ditadura.

Eu não tenho nenhuma nostalgia do papel, embora saiba que há aí coisas que não emigram para o online e que são vitais para se fazer jornalismo e opinião numa sociedade democrática e livre. Mergulhar no online tem o risco de aproximar o jornal do implodir subjectivista e egoísta das redes sociais, uma das fontes do populismo e do afastamento da vida cívica democrática. Vamos ver como será, mas à partida não é brilhante. Seja bem-vindo o novo site de notícias e o semanário que usa o nome do Diário de Notícias. Boa sorte!