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terça-feira, 10 de julho de 2018

A formiga na carreira

Opinião

António José Gouveia

Hoje às 00:11

ÚLTIMAS DESTE AUTOR

Os professores andam preocupados com os nove anos, quatro meses e dois dias de serviço congelados. Com as sucessivas greves às avaliações, fizeram a vida negra aos pais e alunos. Não ao Governo, que tem fortes razões para não ceder. Desde logo, a caixa de Pandora que a cedência provocaria noutras profissões ligadas ao Estado. O país não está preparado para receber mais despesa e, apesar de os professores legitimamente reivindicarem os anos em que as carreiras foram congeladas, há outras equações que deveriam obrigar os docentes a repensar a sua estratégia. Qual é? Não olhar para o umbigo. É evidente que é com esse propósito que existem os sindicatos. Não se estranha o corporativismo e até é salutar que exista em doses razoáveis. Mas foi também graças a este ministro que andamos, pais e alunos, nesta novela rocambolesca: prometeu o que não devia a troco de, momentaneamente, manter os docentes sossegados. Os professores, em particular, e os funcionários públicos, em geral, foram os mais prejudicados pelos anos de resgate desde que a troika aterrou em Portugal. E apesar da intervenção internacional ter já levantado voo, o país continua sem capacidade para aguentar um impacto financeiro anual de tal escala. Pior. Se o Governo ceder, teria de "compensar" também os médicos, enfermeiros, juízes, maquinistas, auxiliares etc., etc. Uma lista infindável que poria qualquer ministro das Finanças com os nervos em franja e que destruiria qualquer esforço de recuperação. Para toda a sociedade ter orgulho nos professores - que assumem cada vez mais responsabilidades e, muitas vezes, ostracizados pelas famílias dos alunos -, a reivindicação não pode ficar só pelo dinheiro. Se falamos de carreiras, lembremos também que deveria haver um sistema de avaliações, de meritocracia, de dar ao docente o prestígio que teve em tempos. E isso é culpa do Governo, que não propõe, e dos sindicatos, que não estão interessados em discutir o tema.

EDITOR-EXECUTIVO

Sem tempo para nervosismos

Opinião

Mariana Mortágua

Hoje às 00:09

ÚLTIMAS DESTE AUTOR

No Bloco de Esquerda nunca vimos o acordo com o PS ou a maioria parlamentar como um embaraço ou uma contrariedade. O programa de Governo do PS, tal como a sua atuação, estão muito longe do que achamos necessário para construir um futuro melhor para o país. Mas, em 2015, fomos confrontados com dois desafios, que aceitamos: i) começar a responder às urgências sociais deixadas pela Direita, e ii) usar a relação de forças existente para negociar avanços em áreas essenciais: combate à precariedade, justiça fiscal, liberdades individuais, serviços públicos, etc.

Durante estes três anos, e em três orçamentos, fomos uma força empenhada em cumprir ambos os desafios. Propusemos e formamos grupos de trabalho com o PS; negociamos medidas ao cêntimo, às vezes durante meses. Sempre que possível, como na precariedade ou na reforma do IRS, fizemos compromissos, por vezes longe do nosso ponto de partida. Noutras matérias, como na venda de bancos ou no acordo com os patrões para a redução da TSU, não acompanhámos o Governo, nem o nosso compromisso eleitoral o permitiria. Somos críticos e exigentes, mas agimos sempre com lealdade e competência porque levamos muito a sério as expectativas criadas no país.

Nos últimos tempos, depois da ascensão de Rui Rio no PSD, a atuação do PS face à maioria parlamentar alterou-se. Nas carreiras, o Governo fez tábua rasa do compromisso orçamental sobre o tempo de serviços dos professores; na lei laboral, acordou em segredo com os patrões medidas contrárias ao acordo com o Bloco; na saúde, colocou Maria de Belém no caminho da elaboração conjunta de uma lei de bases proposta por Arnaut e Semedo; no ISP ignorou o compromisso de neutralidade fiscal.

Agora, membros de topo do Governo desdobram-se em declarações, dizendo-se vítimas de ultimato por parte do Bloco. Não houve nem há ultimato. O que há é a exigência de ver cumpridos os compromissos assumidos pelo Governo, para que o último orçamento seja negociado como os anteriores - atempadamente, de forma séria e consistente. Não nos interessam os simulacros. Estamos cá para negociar, resolver problemas e terminar a legislatura. E tudo será mais fácil se o PS controlar o seu nervosismo pré-eleitoral e regressar ao espaço da maioria parlamentar que sustentou até agora o Governo. Com vontade de diálogo e de soluções que reforcem - e não que enfraqueçam, como no trabalho ou nos professores - o sentido dessa maioria.

DEPUTADA DO BLOCO DE ESQUERDA

segunda-feira, 9 de julho de 2018

O BPN (ainda) compensa

09/07/2018 by João Mendes 2 Comments

A Parvalorem é uma empresa pública, que gere os activos tóxicos resultantes da trafulhice levada a cabo por um grupo de cavaquistas criminosos, que destruíram o BPN e imputaram uma factura estratosférica aos contribuintes portugueses, sem que rigorosamente NADA do particularmente grave lhes tenha acontecido.

Em 2017, a Parvalorem pagou prémios de desempenho a altos quadros da empresa, grande parte dos quais provenientes da administração do BPN que destruiu o banco e asfixiou a economia portuguesa, num total de aproximadamente meio milhão de euros.

Os funcionários da Parvalorem que auferem salários mais baixos, como não poderia deixar de ser, foram excluídos deste gesto de generosidade publico-privado. Já António José Duarte, antigo assessor e braço direito de Oliveira e Costa, foi um dos felizes contemplados.

O dirigente máximo da Parvalorem chama-se Francisco Nogueira Leite, fez escola na JSD e esteve com Pedro Passos Coelho numa outra festa publico-privada, chamada Tecnoforma.

O que vale é que temos o Bruno de Carvalho para capturar toda a indignação deste país. Ou qualquer dia ainda nos indignamos a sério com a pulhice do sistema bancário e com a promiscuidade politica que gravita à sua volta. Mas para isso teríamos que deixar de ser cordeirinhos fofinhos, não era?

Fonte: Aventar

USA e NATO esmagam a União Europeia em crise

  por estatuadesal

(Manlio Dinucci, In Rede Voltaire, 08/07/2018)

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Recusando-se imediatamente a assumir a sua independência perante os Estados Unidos e a submeter-se à influência dos contestatários europeus, um grupo de Estados liderados pela França optou por reforçar a sua subordinação à NATO.

O Presidente Trump continua limitado pelo sistema dos EUA a defender a NATO, presentemente, a principal ferramenta do imperialismo transnacional. Apesar das suas tentativas, os seus vassalos recusam libertar-se e agir por conta própria. Ele continua a política dos seus antecessores: infantilizar os europeus e instigá-los contra a Rússia. Antecipando uma possível dissolução da União Europeia, uma parte dos seus membros vincularam-se um pouco mais à NATO.


Duas Cimeiras, ambas em Bruxelas, num espaço de duas semanas, representam a condição da situação europeia.

A reunião do Conselho Europeu, em 28 de Junho, confirmou que a União, baseada nos interesses das oligarquias económicas e financeiras, relativos às grandes potências, está a desmoronar-se devido a conflitos de interesses e não apenas devido à questão dos migrantes.

O Conselho do Atlântico Norte – no qual participarão, em 10 e 11 de Julho, os Chefes de Estado e de Governo dos 22 países da UE (num total de 28) membros da Aliança (com a Grã-Bretanha de saída da União) - reforçará a NATO sob comando USA.

O Presidente Trump terá, assim, na mão, cartas mais fortes na Cimeira bilateral que acontecerá cinco dias depois, a 16 de Julho, em Helsínquia, com o Presidente Vladimir Putin, da Rússia. O que o Presidente dos EUA estabelecerá na mesa de negociações dependerá fundamentalmente da situação da Europa. Não é segredo que os EUA nunca quiseram uma Europa unida como aliada paritária. Durante mais de 40 anos, aquando da Guerra Fria, têm-na mantido subordinada e na primeira linha de confronto nuclear com a União Soviética.

Em 1991, acabada a Guerra Fria, os Estados Unidos temem que os aliados europeus possam questionar a sua liderança ou considerar a NATO como inútil, ultrapassada pela nova situação geopolítica. Daí a reorientação estratégica da NATO, sempre sob comando USA, reconhecida pelo Tratado de Maastricht como “fundamento da defesa" da União Europeia e o seu alargamento para Leste, ligando os antigos países do Pacto de Varsóvia ainda mais a Washington do que a Bruxelas.

Durante as guerras pós-Guerra Fria (Iraque, Jugoslávia, Afeganistão, novamente o Iraque, Líbia, Síria), os Estados Unidos negoceiam em segredo com as principais potências europeias (Grã-Bretanha, França, Alemanha) repartindo com elas, áreas de influência, enquanto das outras (incluindo a Itália) conseguem o que querem sem concessões consideráveis.

O objectivo fundamental de Washington é não só manter a União Europeia numa posição subordinada, mas, sobretudo, impedir a formação de uma área económica que abranja toda a região europeia, incluindo a Rússia, ligando-se à China através da Nova Rota da Seda que está a surgir. Daí, em 2014, com a crise na Ucrânia (durante a Administração Obama), a nova Guerra Fria que fez explodir na Europa, sanções económicas e a escalada da NATO contra a Rússia.

A estratégia de "dividir e reinar", isto é, de dividir para dominar, primeiro disfarçada sob roupagens diplomáticas, está agora exposta à luz.

Ao reunir-se em Abril com o Presidente Macron, Trump propôs que a França saísse da União Europeia, oferecendo condições comerciais mais vantajosas do que as da União Europeia. Não sabemos o que estão a decidir em Paris. É significativo, contudo, o facto de que a França tenha lançado um plano que prevê operações militares conjuntas de um grupo de países da UE, independentemente dos mecanismos de decisão da própria União Europeia: o acordo foi assinado em Luxemburgo, em 25 de Junho, pela França, Alemanha, Bélgica. Dinamarca, Holanda, Espanha, Portugal, Estónia e pela Grã-Bretanha, que assim, poderá participar após a sua saída da UE, em Março de 2019.

A Itália, especificou a Ministra da Defesa francesa, Parly, ainda não assinou por “uma questão de detalhes, não de substância”.

O plano foi, de facto, aprovado pela NATO, pois "completa e fortalece a prontidão das forças armadas da Aliança". E, sublinha a Ministra da Defesa italiana, Trenta, visto que “a União Europeia deve tornar-se um produtor de segurança a nível global; para fazê-lo, deve reforçar a sua cooperação com a NATO ".

Demissões no Reino Unido. Theresa May insiste no “soft Brexit”, Europa reage com ironia

BREXIT

HÁ UMA HORA

A primeira-ministra britânica agradeceu aos dois ministros demissionários, mas insistiu nos planos para um "soft Brexit". Prova de que há consenso no governo britânico, ironizou Jean-Claude Juncker.

OLIVIER HOSLET/EPA

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A primeira-ministra britânica, Theresa May, reafirmou esta segunda-feira os seus planos para um “soft Brexit”, depois das demissões dos ministros David Davis e Boris Johnson em desacordo com a líder do governo sobre o futuro das relações entre Reino Unido e União Europeia depois do Brexit.

Numa sessão parlamentar na Câmara dos Comuns, Theresa May agradeceu a David Davis e Boris Johnson pelo seu trabalho no governo. Segundo o The Guardian, May agradeceu a Davis por ter ajudado a fazer a legislação do Brexit passar no Parlamento britânico e lembrou a “paixão” de Johnson na promoção de um Reino Unido global no mundo.

David Davis (ministro para o Brexit) e Boris Johnson(ministro dos Negócios Estrangeiros) demitiram-se esta segunda-feira por não concordarem com um acordo aprovado na última sexta-feira entre os membros do governo britânico e que propõe que o Reino Unido negoceie com Bruxelas um “soft Brexit”.

Davis e Johnson, dois grandes defensores do Brexit — Johnson foi aliás um dos principais rostos da campanha pela saída do Reino Unido da União Europeia –, saem em desacordo com Theresa May num movimento que pode dar origem a uma moção de censura interna que pode levar à queda da primeira-ministra.

Apesar de ter agradecido aos dois ministros pelo seu trabalho, Theresa May sublinhou que vai manter os seus planos para o Brexit e insistiu que o caminho está descrito no documento aprovado pelo governo na última sexta-feira, lembrando que uma saída sem acordo com a UE teria consequências graves para as duas partes.

A primeira-ministra afirmou ainda que o Parlamento tem legitimidade para rejeitar qualquer proposta apresentada pelo governo, mas lembrou que uma rejeição terá “consequências”.

Líderes europeus irónicos

Os principais líderes políticos da União Europeia também já reagiram às demissões no governo britânico. O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, disse, irónico, que “isto claramente prova que havia uma grande unanimidade de opiniões no governo britânico”.

Pablo Pérez @PabloPerezA


Também o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, já falou das demissões, destacando que “os políticos vão e vêm, mas os problemas que criaram para as pessoas mantêm-se”.

“Só posso lamentar a ideia que a ideia do Brexit não tenha ido embora com Davis e Johnson. Mas… quem sabe?”, escreveu no Twitter.