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segunda-feira, 30 de julho de 2018

Portugal não é a Grécia? Não. Portugal é Moçambique

ladroes de bicicletas

Posted: 29 Jul 2018 02:46 PM PDT

Em 2007, as Estradas de Portugal apresentavam uma situação financeira “preocupante”. Precisavam de cerca de 10 mil milhões para fazer face aos compromissos financeiros de médio e longo prazo. O objectivo do executivo de José Sócrates era resolver o problema de endividamento das Estradas de Portugal, tendo escolhido Almerindo Marques para liderar o novo modelo de gestão e financiamento da rede de infra-estruturas rodoviárias e da transformação da EP em sociedade anónima.
Em 2009, o governo de José Sócrates decidiu avançar com a adjudicação de 11 concessões rodoviárias, financiadas em regime de parcerias público privadas (PPPs). Esta modalidade de financiamento público tem a particularidade de conciliar o esforço de desorçamentação e contenção da dívida pública imposto pela União Europeia, mesmo que isso implique um custo mais elevado para o erário público, com a pressão da banca nacional e estrangeira e dos grupos económicos para criar oportunidade de acumulação de lucro, mercadorizando a criação de infraestruturas e a provisão pública de serviços.
Ditam as regras que nos concursos públicos existam duas fases, servindo a segunda para melhorar custos ou aspectos técnicos, contudo, sem ser possível aumentar o custo do financiamento. Acontece que a crise financeira 2007-2009 veio debilitar a banca nacional, dadas as perdas que a actividade da banca de investimento impôs sobre os balanços, e dificultar o acesso aos mercados financeiros, causando uma erosão de liquidez e aumentando substancialmente o seu custo de financiamento. Neste contexto, existia uma pressão imensa por parte dos vários envolvidos para avançar com as PPPs, mesmo que o momento não se afigurasse o melhor e a sua implementação representasse um agravamento dos custos. Entre a fase inicial e a fase final do concurso público, esta deterioração das condições de financiamento representava, para 7 das PPPs, um agravamento dos custos em €705 milhões, considerando, em 2009, o valor presente dos fluxos de remuneração futura ocultos.
É neste contexto que a viabilização do chumbo ao visto prévio do Tribunal de Contas para aqueles projectos passa pelo recurso à mais habilidosa e perigosa engenharia financeira: cartas de acompanhamento (side letters) assinadas entre as três partes (governo, concessionárias e banca) que estipulam os termos e as condições financeiras dos contratos paralelos de swapque agravam os juros e permitem aos bancos adquirir a remuneração desejada. Para que os concursos fossem aprovados pelo Tribunal de contas, os contratos foram revistos e “corrigidos”. O agravamento das condições financeiras foi remetido para um anexo que não foi entregue ao Tribunal de Contas, aspecto agora denunciado em relatório da polícia judiciária.
Trata-se de um expediente usado para camuflar o agravamento dos custos e impor uma solução contrária aos interesses dos cidadãos portugueses. Em suma, uma situação de dívida ilícita e ilegítima, que recorre a expedientes onerosos, ilegais e imorais, não muito diferente do que acontece em países em desenvolvimento em situação de sobreendividamento do soberano, que pode mesmo conduzir ao incumprimento, como no caso de Moçambique.
Moçambique tinha o reconhecimento dos parceiros bilaterais e multilaterais, sendo considerado um país que maximizava a ajuda e o financiamento ao desenvolvimento. A sua reputação foi fortemente abalada por episódios que reportam a 2013 e 2014. Naquele período, três empresas públicas moçambicanas contraíram dívida no valor de USD 2.2 mil milhões para financiar projectos ligados à proteção e segurança costeira. A Proindicus com USD 622 milhões, a Moçambique Asset Management (MAM) com USD 535 milhões e a Empresa Moçambicana de Atum (EMATUM) com USD 850 milhões. A colocação destes empréstimos bancários foi intermediada pelos bancos Credit Suisse e VTB Capital, dois bancos de investimento de nacionalidade Suíça e Russa, que receberam cerca de USD 60 milhões em comissões. No caso da ProIndicus e da EMATUM, foram ainda pagas “contractor fees”, que não eram mais nem menos que compensações a pagar aos bancos membros do sindicato para dessa forma manter a taxa de juro artificialmente baixa (Libor+3.2%/3.7%, contra Libor+7% no caso da MAM).
Para libertar o balanço dos bancos membros do sindicato, os bancos que montaram as operações, possivelmente porque ficaram com parte substancial da dívida, procederam, em conjunto com o BNP à securitização da dívida da EMATUM, colocando lotes fracionados de dívida titulada em investidores privados – entre eles, em bancos moçambicanos. Perante os maus resultados da EMATUM, o governo Moçambicano foi confrontado com a necessidade assumir a dívida garantida desta empresa. Para se refinanciar lançou, em Abril de 2016, um eurobond com vencimento em 2023, designado “tuna bond”, aumentado substancialmente o stock de dívida pública. Esta solução não daria grandes frutos dado que posteriormente, em Janeiro de 2017 e seis meses depois em Julho, o governo moçambicano foi incapaz de fazer o pagamento dos juros, entrando em incumprimento.
Na mesma altura do lançamento do Eurobond, uma auditoria do FMI descobriu USD 1.4 mil milhões de dívida oculta da ProIndicus e MAM, levando a uma crise de confiança entre o governo moçambicano, parceiros internacionais, doadores e investidores. Mediante pressão internacional e doméstica, numa tentativa de reposição da confiança, em Outubro de 2016 o governo aceita realizar uma auditoria à dívida ilícita, tendo contratado a Kroll, uma auditora internacional.
O relatório Kroll revela USD 2.2 mil milhões (20% da dívida pública) em dívida desaparecida que o povo moçambicano tem de pagar. O caso mais gritante é o da dívida contraída pela EMATUM, no valor de USD 850 milhões. Não só este valor é substancialmente superior às necessidades, tendo duplicado no espaço de seis meses, como existem suspeitas de “invoice mispricing”, relativos a uma sobrevalorização do valor dos activos em USD 700 milhões. Neste contexto o auditor não consegue esclarecer o destino dado a USD 550 milhões dadas a declarações contraditórias entre o ministério das finanças, defesa e o fornecedor do material.
A ilegalidade [1] e ilegitimidade [2] das operações é clara. A contratação desta dívida ilícita beneficiou da garantia ilimitada do Estado, sem, contudo, observar os procedimentos legais [3]. O parlamento moçambicano não aprovou as operações, os parceiros internacionais, FMI e BM entre outros, não foram informados, e a dívida contingente não foi contabilizada no Orçamento de Estado. A própria selecção dos bancos e das empresas de fornecimento violou as normas de contratação pública e a execução dos contratos não foi sujeita à aprovação do Tribunal Administrativo, encarregue da auditoria da despesa pública. Por outro lado, foi contratada dívida que não era necessária e para a qual o país não tinha capacidade de cumprir o serviço da dívida, havendo mesmo necessidade de camuflar o seu verdadeiro custo (yield-to-maturity) com o reembolso de “contractor fees” aos credores. Finalmente, os proceeds (desembolso de capital líquido) nunca chegaram a entrar no país dado que o dinheiro foi automaticamente transferido dos lead-managers da operação para o fornecedor de equipamento.
Este parece ser também o entendimento das autoridades. O governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela referiu ao Jornal Verdade a 27 de fevereiro que a dívida era ilícita e ilegal não devendo ser paga, enquanto o actual Presidente, Filipe Nyusi, criticou, na Chatam House, a 17 de Abril, o comportamento dos bancos, acusando-os de “loan pushing”, forçando a contratação de empréstimos que não eram necessários e para os quais Moçambique não comportava arcaboiço para proceder ao seu pagamento, e apelando a uma co-responsabilização da sua actuação predatória.
Voltando ao princípio e à privatização das Auto-estradas de Portugal recorrendo ao financiamento por PPPs, situação agora investigada pela polícia judiciária. Tal como em Moçambique, o processo de emissão desta onerosa dívida não seguiu os trâmites legais e regulamentares, violando as regras da contratação pública. O processo também não foi transparente nem responsável, e os lucros das empresas privadas e da banca foram ilícita e ilegitimamente obtidos resultando em despesa acrescida para o erário público. Como tal, à semelhança das autoridades moçambicanas, insta-se as autoridades portuguesas a proteger os contribuintes, denunciando a situação e anulando o acordo secreto que carece de legitimidade e validade legal e moral.
____________________
[1] Dívida que não respeita o enquadramento legal nacional e internacional, os procedimentos regulamentares ou atenta contra a Constituição ou que resulta de má conduta por parte dos credores ou promotores da operação.
[2] De acordo com o Relatório Preliminar do Comité Grego para a Verdade sobre a Dívida Pública, trata-se de dívida viola os direitos humanos, que não beneficia o interesse da população ou que resulta da assunção de dívida privada por parte dos poderes públicos com o objectivo de resgatar esses credores privados. Por outro lado, o New Economic Foundation propõe uma tipologia que agrega, sob a designação de dívida ilegítima, a dívida ilegal, odiosa, onerosa, insustentável e mesmo dívida moral – dívidas ambientais e históricas devida pelos países do Norte aos do Sul.
[3] Algumas das garantias assinadas pelo Ministro das Finanças ou pela directora do Tesouro não apresentavam o montante máximo a que o estado se vinculava.

“Geringonça” tropeça em Espanha. Sánchez consegue evitar que caia?

HÁ UMA HORA

Pedro Sánchez enfrenta a primeira grande crise política, desde que assumiu as rédeas do governo espanhol. Bloqueio do parlamento aos planos orçamentais cria risco de eleições antecipadas.

EMILIO NARANJO/EPA

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Pedro Sánchez está a enfrentar a primeira grande crise política desde que assumiu as rédeas do governo espanhol, há dois meses, depois de apenas ter conseguido o apoio de 88 deputados (de um total de 350) para os seus planos orçamentais. Os analistas e os mercados financeiros já estão a admitir um cenário de eleições antecipadas, já que o socialista não está a reunir o apoio dos mesmos sete partidos que derrubaram Mariano Rajoy e o colocaram no poder.

O resultado da votação, que decorreu na sexta-feira, deixou grandes dúvidas sobre se Pedro Sánchez terá capacidade para levar este governo até às próximas eleições, em meados de 2020. Dos 350 deputados, só 88 deram “luz verde” aos seus planos orçamentais, com 173 a votarem contra e 86 a absterem-se. A votação foi o primeiro sinal concreto das dificuldades que Sánchez, cujo partido tem apenas 84 lugares no parlamento espanhol, irá enfrentar nos próximos meses com um governo minoritário.

“Com apenas 84 deputados, Sánchez sabia que nunca teria vida fácil e, como era expectável, não conseguiu convencer os sete partidos a apoiar os seus planos orçamentais”, comenta um economista do banco holandês ING, em nota distribuída esta manhã de segunda-feira pelos clientes do banco.

O líder do PSOE espanhol esbarrou no desejo de partidos como o Podemos, que queria metas de défice menos limitativas e despesa pública mais elevada. “Aqueles grupos que votarem contra os planos para o défice estarão a votar contra a reparação do Estado Social, a melhoria do serviço nacional de saúde e os progressos na área da educação”, tinha dito o chefe do governo espanhol.

Sánchez terá tido, antes da votação, reuniões com vários membros dos sete partidos que o colocaram no poder, mas não foi possível chegar a posições comuns. E os pontos de discórdia iam além de questões financeiras ou económicas: alguns partidos querem que os socialistas aceitem abrir uma investigação às notícias na imprensa que envolvem capitais do antigo rei Juan Carlos em sociedades offshore.

Sánchez quer ficar no governo até às próximas eleições, planeadas para meados de 2020, ainda que possivelmente poderia beneficiar da maior popularidade de que ele e o seu partido gozam neste momento. Mas se a oposição e aliados [do PSOE] continuarem a rejeitar as propostas apresentadas pelo governo, então a situação pode tornar-se insustentável”, diz o ING.

Por esta razão, o ING diz que “a probabilidade de haver eleições antecipadas é mais elevada hoje do que era há alguns dias”.

Venham a nós os "casos" políticos

Pedro Lima

PEDRO LIMA

EDITOR-ADJUNTO

30 de Julho de 2018

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Bom dia,
Não há nada como uma boa história política, onde se confronta a conduta de um político com as declarações que foi fazendo ao longo dos anos, para animar estes tempos em que parte significativa dos portugueses mergulha de férias. Ainda para mais quando essa história é apimentada pelo facto de incidir sobre o Bloco de Esquerda e sobre o tema tão na ordem do dia da especulação imobiliária. O Bloco é o tradicional partido da contestação em Portugal e raramente é alvo de polémicas, por isso é natural um certo frisson em alguns sectores mais à direita com este tema que marcou o fim-de-semana.
O “caso Robles”, iniciado com a notícia do Jornal Económico de sexta-feira que dava conta de que o vereador da câmara de Lisboa, Ricardo Robles, do Bloco de Esquerda, tinha a intenção de vender um prédio em Alfama, adquirido em 2014, gerando uma mais-valia de 4,7 milhões de euros, continua assim a dar que falar. Luís Marques Mendes, no seu comentário deste domingo da SIC, resumia desta forma a sua análise ao caso: compromete a carreira política de Robles e o Bloco e a sua líder, Catarina Martins, “saem muito mal desta história”.
Não está em causa qualquer ilegalidade, mas sim a incongruência do discurso contra a especulação imobiliária e a prática de Robles – é o que mais se tem ouvido por estes dias. Mas Catarina Martins reagiu, algo enervada, disparando contra a imprensa e contra o PSD, que pediu a demissão de Robles. Rui Rio reagiu, algo irónico, dizendo que achou uma “certa piada” à reação da líder do Bloco. O prédio foi vandalizado – alguém pintou na parede a frase “Aqui podia morar gente”, o slogan que o partido utiliza para colocar em edifícios devolutos. E o caso parece começar a ter consequências dentro do próprio Bloco, a julgar pela afirmação feita na edição de hoje do jornal “i” por Luís Fazenda, fundador e dirigente do partido: “O Bloco tem de fazer uma reflexão e tirar conclusões”. Aguardam-se por isso reações a esta reação.
Entretanto, o tema já envolveu a Presidência da República, que veio desmentir ter na sua posse, à espera de promulgação, qualquer lei relacionada com o direito de preferência dos inquilinos na compra dos imóveis colocados à venda pelos proprietários. Catarina Martins tinha dito que só faltava a promulgação do Presidente para que essa lei, que "põe em causa interesses mobiliários", fosse para a frente mas afinal o Bloco teve de vir esclarecer que a lei já foi aprovada no Parlamento e cabe aos serviços da Assembleia da República enviá-la ao Presidente – o que ainda não aconteceu.
E, como é tradição nestas coisas, vão surgindo novas revelações de um caso que parece ter vindo para ficar e que não vai largar o Bloco de Esquerda tão cedo. O dono de um café de Alfama conta como foi “despejado” por Ricardo Robles.

A troca de críticas entre Donald Trump e o ‘publisher’ do The New York Times

HÁ 11 MINUTOS

Poucas horas depois de ter dito que tinha tido um encontro "muito bom e interessante" com o 'publisher' do The New York Times, Donald Tump voltou a a imprensa, dizendo que está "moribunda".

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Donald Trump voltou a atacar os meios de comunicação social poucas horas depois te ter escrito no Twitter que tinha tido um encontro “muito bom e interessante” com o ‘publisher’ do The New York Times, A.G. Sulzberger. “Passámos muito tempo a falar da grande quantidade de notícias falsas que se divulgam nos media e sobre como se converteram naquilo que se tem chamado ‘inimigo do povo’. Triste!”, escreveu o presidente dos Estados Unidos.


O tweet mereceu resposta de Sulzberger, que quis mostrar sua versão da reunião que aconteceu no passado dia 20 de julho. “Disse ao Presidente diretamente que considerei que o seu discurso não é apenas um fator de divisão, mas que se está a tornar cada vez mais perigoso”, afirmou.

“Implorei-lhe que reconsiderasse os seus vastos ataques ao jornalismo, que considero que são perigosos e prejudiciais para o nosso país”, acrescentou. Além disso, lembrou que foi Donald Trump que começou a referir-se à imprensa como o “inimigo do povo” no início do mandato.

E horas depois o presidente norte-americano voltou a aparecer no Twitter, com novas críticas aos meios de comunicação social. “Quando os meios – motivados por um insano Síndrome do Transtorno de Trump – revelam deliberações internas do nosso Governo certamente põem em perigo a vida de muitos, não só de jornalistas. Que antipatriótico!”, disse no primeiro de uma série de tweets.


“A liberdade de imprensa também envolve a responsabilidade de “informar com exatidão. 90% da cobertura sobre a minha administração é negativa, apesar dos resultados bastante positivos que temos alcançado”, continuou.


“Não permitirei que se venda o nosso grande país aos anti-Trump da moribunda indústria jornalística”, prometeu, antes de apontar os jornais The New York Times e The Washington Post como dois claros exemplos que não fazem mais do que o atacar, sem nunca ter em conta os seus êxitos.

“Por exemplo, os fracassados New York Times e o Washington Post não fazem nada a não ser escrever más histórias mesmo sobre conquistas positivas – E nunca vão mudar!”, escreveu.

Se conduzir não beba, nem use o telefone… e leia este artigo

25/7/2018, 15:17

Conduzir é um ato que, com o passar dos anos, se torna tão natural como andar. O problema é que, por essa razão, os condutores acabam por adotar comportamentos de risco. Saiba com evitá-los.

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A primeira vez que se entra num automóvel pelo lugar do condutor, parece impossível algum dia vir a dominar toda aquela parafernália de pedais, manípulos e mostradores. Mas a verdade é que, com tempo e quilómetros percorridos, o ato de conduzir torna-se praticamente automático. Deixa-se de se pensar antes de fazer. Torna-se algo tão natural como mexer os braços e as pernas. E se isso tem um lado bom — o automóvel torna-se como que uma extensão do corpo humano e, por isso mesmo, mais facilmente controlável — tem outro que deve ser levado em conta: o excesso de confiança. Conduzimos tão facilmente, tão naturalmente que achamos que podemos fazê-lo em quaisquer condições: com sono, depois de uma noite de copos, enquanto enviamos uma mensagem ou selecionamos uma música no Spotify. Mas é errado pensar assim. As distrações ao volante podem, de facto, ser fatais.

Se conduzir…não beba

Estatísticas divulgadas no final do ano passado pela Prevenção Rodoviária Portuguesa dizem que mais de um terço (33,2%) dos condutores que morreram ao volante entre 2010 e 2015 tinham uma taxa de álcool no sangue igual ou superior a 0,5g/l. Segundo a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, a ação do álcool no sistema nervoso provoca uma audácia incontrolada e, ao mesmo tempo, uma perda de vigilância em relação ao meio envolvente: diminui a atenção, a capacidade de concentração, a visão fica perturbada, tal como a capacidade de reação, de medição de distâncias e a resistência à fadiga. Com 0,5g/l de taxa de álcool no sangue, o risco de acidente mortal duplica. Com 1,20g/l esse risco aumenta 16 vezes. Por isso, o velho slogan está sempre atual: se conduzir, não beba. Se beber, apanhe um táxi ou derivados e vá buscar o carro no dia seguinte.

Se conduzir…não use o telemóvel

Ok, se possuir um sistema de alta-voz, é legítimo atender chamadas — menos legítimo será passar a viagem inteira a passear na lista de contactos à procura de gente com quem falar. Mas, de resto, o telemóvel deve ficar longe da vista e ainda mais longe das mãos sempre que se conduz. É importante combater a tentação de enviar uma mensagem rápida, procurar uma música para pôr a tocar via Bluetooth: de acordo com o Núcleo de Estudos e Planeamento da Unidade de Prevenção Rodoviária, o telemóvel dispersa a atenção do condutor, diminuindo a sua capacidade de reação, a sua noção do posicionamento do veículo na via — levando, muitas vezes à não manutenção das distâncias de segurança — e da sua real velocidade. Há uma tendência, também, para não parar nas passadeiras nem ceder prioridade em situações em que essa cedência é obrigatória, muito devido à redução do campo visual do condutor.

Se conduzir…descanse

Já todos vimos esta cena: depois de um dia longo e cansativo, com direito a jantar substancial, ainda resta pela frente uma viagem longa de regresso da casa. Os bocejos sucedem-se, os olhos teimam em querer fechar. Mas o condutor resiste. Abre a janela, aumenta o volume do rádio, carrega no acelerador quer chegar ao destino o mais rápido possível. Serão decisões acertadas? Não. Conduzir com sono é perigoso: diz-nos a Associação Portuguesa de Sono que a sonolência está relacionada com 20% dos acidentes de viação. Conduzir ao fim de 17 a 18 horas acordado provoca o mesmo efeito que uma taxa de 0,5g/l de álcool no sangue.

DICAS PROSEGUR PARA A PROTEÇÃO DO SEU VEÍCULO

– Não se esqueça de proteger o seu veículo com alarmes e outros equipamentos de segurança.

– Os sistemas de localização por GPS podem ajudá-lo a recuperar o veículo em caso de furto.

– Nunca deixe as chaves do veículo na ignição mesmo que saia apenas por um minuto.

– Tranque as portas e feche sempre as janelas.

– Desligue sempre o motor caso sai do veículo. A maioria dos casos de furto ocorrem em estações de serviço, junto a máquinas de Multibanco e lojas de conveniência.

– Não pare em locais que lhe pareçam pouco seguros, mesmo que fique no interior do carro — atenção à possibilidade de car jacking.

– Se o carro ficar parado por um longo período de tempo (férias, por exemplo), opte por desligar a bateria ou remover o cabo de ligação ao distribuidor.

Mais dicas em https://www.prosegur.pt/ habitacoes-e-pessoas/prosegur- localizacao

É especialmente importante estar a atento a sintomas como bocejos, sentir os olhos a arder, pestanejar frequentemente, visão dupla ou desfocada, falhas de atenção ou dificuldade em manter a trajectória do veículo. No caso de eles se manifestarem, em vez de optar por uma das soluções habituais — que mais não fazem do que mascarar o sono por apenas alguns minutos — o melhor é parar, consumir uma bebida com cafeína e dormir 15 a 20 minutos.

Se conduzir…respeite as condições climatéricas

As condições meteorológicas adversas podem trazer, também elas, outros riscos inerentes à condução, obrigando a cuidados redobrados, sobretudo pela má visibilidade e pela perda de aderência. Assim, em caso de chuva ou nevoeiro deverá sempre aumentar a distância de segurança para o veículo da frente, já que a distância de travagem também aumenta. É igualmente importante reduzir a velocidade, pelas mesmas razões e para evitar riscos de derrapagem — se esta acontecer é importante não travar, em vez disso, tirar o pé do pedal de embraiagem e tentar ganhar o controlo do veículo dando pequenos toques no volante na direção em que este está a derrapar. Em situações de visibilidade reduzida deve, também, ligar os faróis — os médios e os faróis de nevoeiro, caso existam.

Se conduzir…verifique o estado do seu veículo

É importantíssimo ter noção do estado em que se encontra o seu veículo, sobretudo antes de uma grande viagem. E se a maioria já avisa electronicamente quaisquer potenciais anomalias internas, a verdade é que há verificações que continuam a caber ao condutor fazer. Para começar, o estado e a pressão dos pneus, incluindo o suplente. A direção, que deve estar alinhada, o sistema de travagem, o funcionamento dos faróis — mínimos, médios e máximos —, sinalizadores (vulgo piscas), o nível de óleo do motor, a água na bateria e no radiador, o estado de limpeza dos vidros e das escovas dos limpa pára-brisas. Se tudo estiver em condições, boa viagem.

Se conduzir…estacione em segurança

Tão importante como conduzir bem é estacionar a viatura em segurança. Sinalize sempre o estacionamento com antecedência e não se deixe pressionar caso outros carros estejam atrás de si. Eles esperam. Verifique se não vêm peões ou ciclistas. Meça bem as distâncias e não se iniba de recomeçar a manobra se for caso disso. Não se fie nos sensores, use sempre os retrovisores. Muita atenção, também, às placas de trânsito: verifique se não indicam proibição de estacionar ou lugares reservados de algum tipo. Por último, prefira lugares em zonas movimentadas e com boa iluminação. Antes de sair do veículo, deixe uma mudança engatada (a primeira ou, em caso de descida, a marcha-atrás), certifique-se que não deixa objetos de valor à mostra nem janelas abertas. E tranque as portas.