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sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Prova dos nove

Opinião

Manuel Molinos

Hoje às 00:04

ÚLTIMAS DESTE AUTOR

Não é fácil combater o desencanto com os partidos tradicionais, espalhado por essa Europa fora e que resultou no nascimento de uma série de novas forças políticas e movimentos. Será certamente ainda mais difícil convencer aqueles que estão seguros de que o seu voto pode fazer a diferença quando não se apresentam projetos claros que resolvam os problemas reais das pessoas. Mais difícil ainda quando os protagonistas não escondem que há muitas maneiras de "esfolar um gato".

D21, Volt e Aliança vão tentar singrar na política portuguesa. Se com os dois primeiros ainda se podem criar expectativas, com o terceiro nem isso.

Santana Lopes tem agora uma Aliança. Mas com quem se vai casar? Numa altura em que os portugueses se distanciam cada vez mais dos políticos, empurrados por uma série de trapalhadas e escândalos, será que, no momento de depositar o boletim de voto na urna, algum eleitor o levará a sério sem pensar que, tal como outros, tem um problema com o poder ou a falta dele? Ou com ambos?

Já tinha avisado que ia andar por aí, não sabíamos era como. Agora já. O que não sabemos é que caminho quer fazer. Fragmentar o PSD? Conseguir 116 deputados para o conjunto do centro-direita? Chegar novamente ao poder se António Costa precisar, por exemplo, de 5% dos votos para uma maioria governativa? Na verdade, serão até poucos os eleitores que vão perder tempo com estas questões.

Santana Lopes não se pode queixar de ter tido pouca intervenção cívica e política. Não conseguiu ser o primeiro de um partido grande e recolhe agora assinaturas para uma Aliança que se diz de centro-direita, social-democrata, personalista, liberalista, solidária e europeísta. São muitos conceitos, mas pouca substância.

É que há muitas alianças, mas nem de todas sai casamento.

*SUBDIRETOR

Entre as brumas da memória


Quatro anos depois... Angola

Posted: 23 Aug 2018 02:00 PM PDT

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Dica (800)

Posted: 23 Aug 2018 10:00 AM PDT

Paradise Lost. How Tourists Are Destroying the Places They Love (SPIEGEL Staff)

«Travel is no longer a luxury good. Airlines like Ryanair and EasyJet have contributed to a form of mass tourism that has made local residents feel like foreigners in cities like Barcelona and Rome. The infrastructure is buckling under the pressure.»

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Zeca Afonso e o Panteão, ainda

Posted: 23 Aug 2018 07:21 AM PDT

SPA mantém proposta de trasladação de José Afonso para o Panteão Nacional.

Não dá para acreditar!
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Os Monchiques e a falta de espuma do CDS

Posted: 23 Aug 2018 02:46 AM PDT

«Após três anos de governo PS com apoio parlamentar das esquerdas, a direita quando governou estava tão convencida da inevitabilidade da austeridade que ainda não se encontrou consigo própria, nem com um programa que a possa guindar ao poder.

Rui Rio tem consciência do estado de alma do partido que se acomodou tanto a nível de direção como localmente. Está burocratizado e disponível para lutas internas por postos que assegurem a vidinha aos seus membros. Mobilizam-se em torno dos líderes que alimentam as suas esperanças de não serem esquecidos na hora da vitória.

A aproximação de Rio ao PS, que conta com muita gente dentro do PS, constitui para os anteriores círculos dirigentes do PSD uma traição ao projeto neoliberal que defenderam à outrance, pois sabem que não tem, num eventual bloco central, a mesma intensidade. E é isso que os une, o galope neoliberal.

É a esta luz que Santana abandona a família para se arvorar em ser o único e legítimo filho do que alegadamente era o PPD de Sá Carneiro e que ninguém sabe. Os cismas são vários sobre o verdadeiro pensamento de Sá Carneiro.

Congeminou que pode ter um resultado eleitoral para lhe dar capacidade de contar na cena política, o que não sucederia com Rio.

A Santana não lhe basta um cargo proeminente em qualquer instituição pública. Quer mais; e esse mais o PSD não lho dá, nem provavelmente viria a dar.

Santana e Pedro Duarte, Montenegro e outros largaram o fogo no PSD e agora são muitos os Monchiques que Rio enfrenta e ao que parece sem ajuda de meios aéreos.

Tenta apagá-los fazendo da época dos incêndios devido às elevadas temperaturas a sua oposição ao governo.

O CDS, sacrificado pela estratégia de Rio, aproveita-se da falta da falta de espuma para apagar os Monchiques do PSD. Está, porém, tolhido. A visibilidade que Portas lhe deu no governo de Passos, incluindo a de Cristas, vira-se contra o próprio partido, mesmo que este hoje proclame o contrário de tudo o que aprovou no governo desde o congelamento dos salários na função pública e do salário mínimo nacional, os cortes nas pensões, os aumentos nas taxas moderadoras, o aumento da carga de horas de trabalho na função pública, os cortes nos guarda florestais, os cortes nas quotas do pescado, os despejos, a reforma dos tribunais afastando os cidadãos da justiça, as privatizações sem lei nem roque, até ao pavor que era viver sob o chicote destes mandarins impiedosos, pois todos os dias os bilionários tinham boas notícias e o resto da população más. Foi o período em que uma ínfima minoria ficou mais rica e a imensa maioria com menos rendimentos e se espalhou deliberadamente a pobreza.

Enquanto o PSD lambe as feridas, o CDS chega-se à frente nas críticas ao governo. Enquanto Rio ensaia o bloco central, o CDS preterido demarca-se, marcando o terreno.

O CDS cavalga a crise do parceiro de tantas ocasiões para ganhar estaleca. Não parece vir a ter sorte.

Surpreende que um partido como o PSD se encerre dentro de si próprio por falta de um programa que una quadros e dirigentes. Rio bem tenta fazer da aproximação ao PS um guião, mas sem sorte.

É algo inesperada a incapacidade destes partidos terem um programa, um guião para apresentarem. Vivem de incêndios, roubos de armas e pouco mais. Como dizia o seu protetor Cavaco - chocam com a realidade…»

Domingos Lopes
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Zeca Afonso no Panteão? Deixem-se de patetices!

Posted: 23 Aug 2018 10:16 AM PDT

Viúva de Zeca Afonso recusa trasladação do cantor para o Panteão.

«O então Presidente da República, António Ramalho Eanes, atribuiu a José Afonso a Ordem da Liberdade, mas o cantor recusou-se a preencher o formulário.

Em 1994, o Presidente da República, Mário Soares, tentou condecorar postumamente José Afonso com a Ordem da Liberdade, mas Zélia Afonso recusou, alegando que o músico não desejou a distinção em vida e também não seria condecorado após a sua morte.»

Um traidor safa-se e outro é acusado sem provas

  por estatuadesal

(Dieter Dellinger, 23/08/2018)

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No próximo dia 21 de Novembro completam-se 4 anos desde a detenção do ex-PM Sócrates no Aeroporto com a Televisão convidada para assistir ao espetáculo.

Depois Sócrates teve 9 meses de prisão em Évora com a magistratura a dizer que tinha provas concretas.

O Ministério Público arranjou mais 27 arguidos para juntar ao processo de Sócrates e elaborou 188 acusações, mas nenhuma tem uma prova evidente de crime. Não há uma confissão, uma delação, uma testemunha de algo irregular.

Ao contrário disso, no caso de Paulo Portas há um tribunal alemão que condenou dois administradores da Ferrostal por terem corrompido o então Ministro da Defesa para fazer a aquisição dos submarinos por um preço muito superior a outros mais avançados adquiridos pela Coreia do Sul e Grécia (também com corrupção), e obrigou a empresa a pagar uma multa de mais de 140 milhões de euros a Portugal se os tribunais portugueses condenarem o ou os corrompidos. Como isso não aconteceu, o prejuízo para o Estado português cifra-se em 174 milhões de euros.

Hoje sabe-se que os 30 milhões vieram do equipamento necessário para fazer a manutenção dos submarinos no Arsenal do Alfeite, pelo que tinham de ir a Kiel na Alemanha para esse efeito, o que custava uma fortuna, tanto na navegação como nos trabalhos..

Parece que o atual Governo adquiriu já esse equipamento por essa verba porque sem a manutenção feita no Alfeite, a operacionalidade dos submarinos seria quase nula.

Paulo Portas traiu a PÁTRIA por 30 milhões e anda por aí todo contente da vida porque a magistratura nem sequer o chamou para ouvir e consta que a PGR se recusa a ler o processo alemão por não saber essa língua e não o mandar traduzir como seria o seu dever.

O processo prescreveu, permitindo a Paulo Portas concretizar um crime perfeito apoiado no grupo de magistrados de extrema direita que dominam a Justiça em Portugal. Parece que são poucos, mas conseguem impor-se a todos os colegas.

Lula Lidera. Elite Enlouquece.

Novo artigo em Aventar


por Sotero

Quando pego ônibus para faculdade fico ouvindo os relatos das mulheres (geralmente negras) sobre suas patroas e patrões. Penso até em começar a sistematizar esses relatos em alguma forma artística ou jornalistica.

É impressionante como essa elite, essa classe média brasileira, acha que pobre é burro e preguiçoso.

Essa narrativa é perpetuada desde o Brasil colonia mesmo quando a tal princesa assinou o papel enquanto as sinhás e sinhôs mandavam escravizados às ruas para vender a produção de suas propriedades.

Um dos grandes erros dessa classe escravocrata e preconceituosa que utiliza a vida de tantos para manter os privilégios é os tratar assim e ainda de forma brutal.

E é por isso que o voto do patrão ou da patroa diverge do voto daqueles que os “servem”.

Os 40% de Lula são um tapa na cara e que deveria muito ensinar algo essa elite.

Esse percentual não crê na total inocência do Lula, como querem fazer muitos integrantes dessa direita reacionária. Apesar grande imprensa publicar diariamente sobre triplex e etc, a população mais pobre do Brasil entendem que os mesmo que o perseguem não gostam de pobres, pretos, indígenas, nordestinos e etc.

Eles tem plena consciência que aquelas pessoas fazendo dancinha nas ruas usando camisa verde e amarela não fizeram absolutamente nada para melhorar a vida na favela, nos ônibus lotados, no SUS e etc. Fizeram apenas por si mesmas. Por suas famílias corruptas (algumas no poder desde as capitanias hereditárias).

Pobre não é burro. Os avanços sociais do lulismo, como a dignidade mínima de um prato de comida, energia elétrica, possibilidade de entrar na universidade, não são, necessariamente, marcas de um governo de esquerda. São apenas o básico para começar a conversa em um país que está entre os mais ricos do mundo e, simultaneamente, entre os campeões mundiais de desigualdade, com milhões de notas na mão de um e milhões de outros sem nem uma nota na mão. Os 40% de Lula não são uma guinada do país ou do eleitorado para a radicalidade ou o “bolivarianismo”. São apenas a resposta aos manifestantes brancos da Avenida Paulista, que deram o golpe em 2016, dizendo que as faxineiras também existem, que os porteiros e serventes de pedreiro existem, que as cozinheiras e garçonetes existem, que as mães da periferia, os lavadores de carro, garis, todos existem e são a grande maioria. A meia dúzia de sempre deu um golpe, tirou Dilma à força, prendeu Lula com pressa em um processo judicial contestado hoje ao redor do mundo. Bastaria depois eleger um candidato deles. Faltou combinar com os pobres.

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O capitalismo mata-nos

  por estatuadesal

(Paul Craig Roberts, 17/08/2018)

glifosato

Economistas ecológicos, tais como Herman E. Daly, enfatizam que como os custos externos da poluição e da exaustão de recursos não estão incluídos no Produto Interno Bruto não podemos saber se um aumento do PIB constitui um ganho ou uma perda.

Os custos externos são enormes e cada vez maiores. Historicamente, as corporações manufactureiras e industriais, a agricultura corporativa, os sistemas de esgotos das cidades e outros possíveis culpados transferiram os custos das suas actividades para o ambiente e terceiros. Recentemente houve uma catadupa de relatórios e muitos deles centravam-se no Roundup da Monsanto, cujo principal ingrediente – o glifosato – acredita-se ser um carcinógeno.

Uma organização de saúde pública, o Environmental Working Group, informou recentemente que os seus testes detectaram glifosato em todos os alimentos de pequeno almoço de 45 crianças excepto duas, os quais incluíam compostos de cereais, aveia e barras para comer fabricados pela Quaker, Kellogg e General Mills. ( Ver).

No Brasil, testes revelaram que 83% do leite materno contém glifosato. (Ver)

O Instituto Ambiental de Munique informou que 14 das cervejas alemãs mais amplamente vendidas contêm glifosato. ( Ver)

Foi descoberto glifosato na urina de agricultores mexicanos e na água do subsolo do México. (Ver)

A revista Scientific American informou que mesmo "ingredientes inertes do Roundup podem matar células humanas, particularmente as células embriónicas, placentais e do cordão umbilical. (Ver)

Um toxicólogo alemão acusou o Instituto para a Avaliação de Risco da Alemanha Federal e a European Food Safety Authority de fraude científica por aceitar a conclusão da Força Tarefa do glifosato liderada pela Monsanto de que este não é carcinogénico. (Ver)

A controvérsia acerca destas descobertas decorre do facto de que cientistas financiados pela indústria não informam acerca da ligação entre glifosato e cancro, considerando-se cientistas independentes. Isto é difícil de entender pois um cientista financiado pela indústria não tem independência e é improvável que conclua o oposto daquilo que foi contratado para concluir.

Também há controvérsia acerca de qual o nível de contaminação é necessário para que produtos adulterados com glifosato sejam classificados como perigosos. Tudo indica que as concentrações ascendem com a utilização e o tempo. Mais cedo ou mais tarde a concentração torna-se suficiente para provocar dano.

Para este artigo, a questão é que se o glifosato é carcinógeno, o custo com a perda de vida e despesas médicas não são arcados pela Monsanto/Bayer. Se estes custos não fossem externos à Monsanto, ou seja, se esta corporação tivesse de suportar estes custos, o custo do produto não seria económico para utilização. Suas vantagens seriam ultrapassadas pelos custos.

É difícil descobrir a verdade, porque políticos e autoridades regulamentares são susceptíveis a subornos e a fazer favores aos seus amigos de negócios. No Brasil, legisladores estão realmente a tentar desregulamentar a utilização de pesticidas e a proibir a venda de alimentos orgânicos em supermercados. (Ver)

No caso do glifosato, a maré pode estar a virar-se contra a Monsanto/Bayer. O Supremo Tribunal da Califórnia confirmou a autoridade do estado para acrescentar o herbicida glifosato à sua Proposição 65 com a lista dos carcinógenos. (Ver)

Na semana passada, em San Francisco, jurados concederam US$289 milhões a um antigo jardineiro de escola devido a danos provocados pelo Roundup. Há pouca dúvida de que a Monsanto recorrerá e o caso tramitará no tribunal até que o jardineiro esteja morto. Mas é um precedente e indica que jurados começam a desconfiar da ciência contratada. Há aproximadamente 1000 casos semelhantes pendentes. (Ver)

É importante lembrar que se o Roundup é um carcinógeno, ele é apenas um produto de uma única companhia. Isto dá uma ideia de quão extensos podem ser os custos externos. Na verdade, os efeitos deletérios do glifosato vão muito para além daqueles cobertos neste artigo. (Ver)

Alimentos geneticamente modificados (GMO) também estão a prejudicar o gado. (Ver)

Agora considerem-se os efeitos adversos sobre o ar, água e terra da agricultura química. A Florida está a sofrer proliferação de algas devido ao escorrimento de fertilizantes químicos efectuados pela agricultura e a indústria do açúcar fez o trabalho de destruição do Lago Okeechobee. (Ver)

Escorrimentos de fertilizantes provocam proliferações de algas azuis-verdes que matam a vida marinha e são nocivas para seres humanos. Actualmente a água no Rio St. Lucie, na Florida, é 10 vezes mais tóxica ao toque. (Ver)

Marés vermelhas podem ocorrer naturalmente, mas escorrimentos de fertilizantes alimentam seu crescimento e sua persistência. Além disso, as contribuições da poluição a temperaturas mais elevadas também contribuem para marés vermelhas, pois drenam pântanos para o desenvolvimento imobiliário, o que resulta em água a mover-se rapidamente sem filtragem natural. (Ver)
Quando as condições da água deterioram-se e as algas proliferaram, a resposta da Florida foi reduzir seu programa de monitorização da água. (Ver)

Ao considerar estes extensos custos externos da agricultura corporativa, os valores atribuídos ao açúcar e produtos agrícolas no PIB são claramente excessivos. Os preços pagos pelos consumidores são demasiado baixos e os lucros desfrutados pela agricultura corporativa são demasiado altos, porque eles não incluem os custos das mortes marinhas maciças, dos negócios turísticos perdidos e das doenças humanas causadas pelas marés de algas que dependem do escorrimento de fertilizantes químicos.

Neste artigo mal arranhei a superfície do problema dos custos externos. O Michigan acaba de saber que a sua água da torneira não é segura. Produtos químicos utilizados durante décadas em bases militares e na manufactura de milhares de ítens de consumo estão na água abastecida. (Ver)

Como exercício, pense em qualquer negócio e pense nos custos externos desse mesmo negócio. Tome-se, por exemplo, as corporações dos EUA que deslocalizaram empregos americanos para a Ásia. Os lucros das corporações subiram, mas as bases fiscais federal, estaduais e locais declinaram. A base fiscal das folhas de pagamento para a Segurança Social e o Medicaid declinaram, colocando em perigo estes importantes fundamentos da estabilidade social e política estado-unidense. A base fiscal para pensões de professores das escolas e de outros funcionários do governo declinou. Se as corporações que transferiram os empregos para fora tivessem de absorver estes custos, elas não teriam lucros. Por outras palavras, algumas pessoas ganharam ao empurrarem enormes custos sobre todos os outros.

Considere-se algo simples como uma loja de animais de estimação. Todos os proprietários e clientes de lojas de animais que venderam e compraram coloridos pitões com 46 a 61 cm, boas constritoras e anacondas nem sequer pensaram na dimensão apreciável com que estas cobras ficariam, nem tão pouco as agências regulamentares que permitiram a sua importação. Confrontadas com uma criatura capaz de devorar o animal de estimação e a criança da família e sufocar a vida de adultos grandes e fortes, as cobras foram jogadas nos Everglades, onde devastaram a fauna natural e agora são demasiado numerosas para serem controladas. Os custos externos facilmente excedem muitas vezes o preço total de todas as cobras vendidas por lojas de animais.

Economistas ecológicos enfatizam que o capitalismo funciona num "vazio económico", onde a pressão dos seres humanos sobre os recursos naturais é pequena. Mas o capitalismo não funciona em uma "economia plena", onde os recursos naturais estão no ponto de exaustão. Os custos externos associados ao crescimento económico medido pelo PIB podem ser mais caros do que o valor do produto.

Há argumentos convincentes para afirmar que esta é a situação actualmente enfrentada. O desaparecimento de espécies, o surgimento de toxinas nos alimentos, bebidas, água, leite materno, ar, terra, tentativas desesperadas de assegurar energia a partir do fracking, o que destrói águas subterrâneas e provoca tremores de terra, e assim por diante, são sinais de uma dura pressão sobre o planeta. Quando chegamos a isto, todos os lucros que o capitalismo gerou ao longo dos séculos devem-se provavelmente ao facto de que os capitalistas não tinham de cobrir o custo total da sua produção. Eles repassaram o custo para o meio ambiente e para terceiros e embolsaram as poupanças como lucro.

Actualização: Herman Daly observa que no ano passado a revista médica britânica Lancet estimou que o custo anual da poluição era de cerca de 6% da economia global, ao passo que a taxa anual de crescimento económico global era de cerca de 2%, com a diferença de cerca de 4% ao ano sendo o declínio no bem-estar, não um aumento do mesmo em 2%. Por outras palavras, já poderíamos estar na situação em que o crescimento económico é anti-económico. (Ver)