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segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Israel anuncia contrato para mísseis capazes de atingir "toda a região"

Israel tem sistema de defesa antimísseis desenvolvido com os EUA

Foto: ABIR SULTAN/EPA

O Ministério da Defesa israelita anunciou a assinatura de um contrato com um grupo de armamento nacional para o desenvolvimento e produção de mísseis capazes de atingir qualquer alvo na região.

Num comunicado, o ministério adianta que o contrato será da ordem das centenas de milhares de shekel (1 euro = 4,23 skekel), mas não precisa o tipo de armas encomendadas ou os alvos que poderão visar.

A agência France Presse indicou que o ministério não respondeu aos seus pedidos de mais informação.

Israel é confrontado com uma série de ameaças ao nível da segurança: considera-se alvo preferencial do Irão, continua tecnicamente em estado de guerra com a vizinha Síria, persistindo a hostilidade com o movimento xiita Hezbollah a norte (Líbano) e com o movimento radical palestiniano Hamas a sul (Faixa de Gaza).

Embora a composição do seu arsenal seja difícil de determinar, Israel passa por dispor de capacidades balísticas entre as mais avançadas da região, graças ao apoio e financiamento norte-americano e à produção nacional.

Os mísseis encomendados serão produzidos pelo grupo público Indústrias Militares Israelitas (IMI), em cooperação com a autoridade encarregada do desenvolvimento dos sistemas de armamento dependente do Ministério da Defesa, indicou este.

Israel já possui mísseis do tipo Jericho, com um alcance máximo de 4800 quilómetros e que podem ser equipados com ogivas nucleares. Israel nunca admitiu publicamente possuir a arma atómica.

O exército israelita está igualmente equipado com os mísseis Delilah (250 quilómetros) e Lora (280 quilómetros) e o país possui um dispositivo de defesa antimísseis desenvolvido com os Estados Unidos.

Pedrógão, uma vergonha coletiva

Opinião

Inês Cardoso

Hoje às 00:04

ÚLTIMAS DESTE AUTOR

Há um estranho desconforto que se apodera de nós perante os crescentes pormenores de irregularidades no processo de reconstrução de Pedrógão Grande. Podemos apontar o dedo e alegar que felizmente nunca seríamos aquilo, mas nas trapalhadas e denúncias a que vimos assistindo está um pouco do país espelhado.

Poderes e serviços que deviam ser garante do cumprimento da lei e da boa gestão dos bens públicos encolhem os ombros e tentam minimizar as falhas cometidas. Pessoas que abusaram da sua condição de vítimas justificam-se com os erros dos outros e elaboram desculpas para transformar o puro oportunismo num direito. Contratações e subcontratações feitas sem transparência resultam em obras sem qualidade e sem sentido das prioridades. À distância, uma sociedade inicialmente solidária e presente demarca-se, generaliza os abusos e admite desconfiar de tudo.

A tragédia de Pedrógão Grande foi única na dimensão dos estragos e na exposição da vulnerabilidade do interior. Mas foi igualmente única na enorme mobilização de apoios, nas demonstrações de solidariedade, na quantidade de instituições e respostas no terreno. Se, por uma vez, fomos obrigados a olhar para as nossas maiores fragilidades de país desequilibrado, exigia-se que com isso tivéssemos aprendido alguma coisa. E que a tragédia de Pedrógão se transformasse em oportunidade - dolorosa, sempre, mas ainda assim uma oportunidade.

O que vemos, pelo contrário, é uma tragédia transformada em vergonha. Uma vergonha apenas possível porque ao longo dos anos fomos normalizando comportamentos abusivos nos poderes políticos, nos serviços públicos e na intolerável tendência para procurar ou condescender os "favorzinhos". Que ninguém desvie o olhar de Pedrógão. Do que foi e do que é urgente conseguirmos ser.

* SUBDIRETORA

Mateus e Matilde

Patrícia Calca, Politóloga, ISCTE-IUL

00:08

A realidade em que se “dá mais a quem já tem” é difícil de ultrapassar num país em que as elites, como em Portugal, mudam pouco ou nada de fisionomia.

Mateus e Matilde não são apenas nomes de baptismo. Na verdade, todos somos Mateus ou Matildes, ou ambos, dependendo das situações.

Falo-vos do Efeito de Mateus e do Efeito de Matilde. Mais concretamente, da ideia de que, no primeiro, exista a acumulação de vantagens ou de desvantagens (por exemplo, se se é rico acumula-se mais riqueza, e se se é pobre mais pobreza se lhe segue); e o segundo acerca de um preconceito relativamente ao trabalho das mulheres, especialmente em ciência, quando comparadas com os seus colegas masculinos: um homem que tenha realizado uma certa tarefa idêntica à desempenhada por uma mulher, terá sempre mais reconhecimento do que ela; idêntica explicação é dada para trabalho avançado por investigadores mais juniores (não reconhecidos) e mais seniores (já reconhecidos).

A história, origem, autores e as especificações de ambos os conceitos são facilmente encontrados em qualquer pesquisa na internet, pelo que não me prolongarei nesses aspectos. Contudo, estas ideias relativas a uma certa justiça – quer de situações quer de resultados – é merecedora de reflexão.

Assim, gostaria de vos falar das desigualdades óbvias, visíveis, do dia-a-dia, e faço-o a partir de uma perspectiva mais geral, e das desigualdades mais subtis, talvez mais diferenciadoras e talvez até mais determinantes.

Há no mundo desigualdades claras. Somos todos diferentes: os países, a geografia, as instituições, as regiões, as pessoas, etc. Há quem acredite, ideologicamente, que não são as condições da “casa de partida” que interessam porque o que interessa é a iniciativa e o trabalho; e há quem pense o oposto e ainda há vários graus entre um ponto e o outro. Há quem tenha imensos recursos e há quem faça imenso com isso, e há quem tenha muito ou pouco e nada faça, e há ainda quem consiga muito do pouco. Normalmente conhecem-se estes casos de sucesso, afinal são as “excepções à regra” e logo bastante raros. As combinações de realidades são, essencialmente, infinitas.

A realidade em que se “dá mais a quem já tem” é difícil de ultrapassar num país em que as elites, como em Portugal, mudam pouco ou nada de fisionomia. Esta falta de mutabilidade faz perdurar aqueles que têm mais meios, mais capital social (diga-se redes) ou, também, interessantemente, aqueles que “vindos do nada ou do pouco”, sendo superiormente trafulhas, pensam que chegam aos altares de uma certa elite. Enganam-se.

Os dizeres populares bem nos ensinam estas lições, como num dia de sol em que as nuvens se envergonham e se consegue ver bem o horizonte: não se deve “pedir a quem pediu, nem servir a quem serviu” e há razões para isso, e também não é menos verdade que “ovelhinha mansa mama na sua teta e na do vizinho”, pelo menos até ao dia em que é descoberta.

A autora escreve de acordo com a antiga ortografia.

Ladrões de Bicicletas


Quantitative easing: tudo muda para que tudo fique na mesma?

Posted: 27 Aug 2018 01:12 AM PDT

Em Novembro deste ano assinalam-se dez anos desde o início da implementação do “quantitative easing” pela Reserva Federal norte-americana (o BCE seguiu mais tarde esta estratégia) . Em resposta à Grande Recessão de 2007/08, ambas as instituições adotaram medidas não convencionais – o “quantitative easing” (QE), nome pelo qual ficou conhecido o programa de compra de ativos por parte destas instituições no mercado secundário, sobretudo títulos de dívida pública e privada. Com este programa, os bancos pretendiam diminuir as taxas de juro de curto e longo prazo, facilitando o acesso ao crédito e, com isso, fomentando o consumo, o investimento produtivo, a criação de emprego e a recuperação das economias depois da crise financeira. No entanto, enquanto alguns economistas aplaudem o sucesso desta medida, outros alertam para potenciais efeitos secundários. Os estudos mais recentes sobre os impactos do QE indicam-nos que o programa:
1. tem tido como efeito principal a queda das taxas de juro para valores próximos de zero, o que facilita o acesso ao crédito.
2. tem contribuído para a subida do preço dos ativos financeiros (ver, por exemplo, aqui), embora a subida da inflação nos bens e serviços de consumo corrente seja lenta, não correspondendo às previsões iniciais.
3. tem um efeito positivo na criação de emprego nos países que beneficiam da política monetária expansionista, ainda que os salários reais continuem sem crescer (tendência que já discutimos aqui).
Coloca-se um primeiro problema: pela conjugação dos três efeitos anteriores, o QE pode contribuir para acentuar a desigualdade de rendimento, uma vez que favorece os detentores de ativos financeiros, que como sabemos se encontram tipicamente concentrados na posse das pessoas mais ricas. É o topo que beneficia com os ganhos de capital que resultam do aumento do preço dos ativos.
Apesar de existirem alguns fatores contrariantes (a diminuição das taxas de juro favorece, por exemplo, as famílias com empréstimos para pagar, o que é relevante no caso dos empréstimos à habitação), a evidência empírica sugere que o QE contribui para aumentar a desigualdade de rendimento. Não é por acaso que Ben Bernanke, antigo presidente da Reserva Federal e, por isso, insuspeito de heterodoxias, reconhece a “correta observação de que a expansão monetária implica um aumento do preço de ativos, como ações. Uma vez que os ricos possuem mais ativos que os pobres e as classes médias, o raciocínio é de que as políticas da Reserva Federal estão a aumentar as disparidades de riqueza.”
Por outro lado, a enorme injeção de liquidez nos mercados não favorece apenas o investimento em setores produtivos, mas também a especulação financeira. Na verdade, enquanto o investimento permanece abaixo dos níveis pré-crise nestas economias, a evolução dos índices dos mercados bolsistas sugere que a última década tem sido marcada pelo ressurgimento de bolhas especulativas. Em vez de contribuir para uma recuperação económica sustentada, o QE parece reforçar a especulação financeira e o aumento do risco - o Economist questiona a racionalidade desta 'exuberância'.

Contudo, a solução contrária (uma política monetária contracionista) afigura-se ainda menos desejável que a atual, já que a consequente subida das taxas de juro teria efeitos recessivos sobre as economias (sobretudo as mais endividadas, como é o caso da portuguesa), poderia desencadear colapsos financeiros nos mercados onde os títulos se encontram sobrevalorizados, e não resolveria o problema da desigualdade. O risco de redução do programa de compra de ativos já foi discutido, por exemplo, aqui.
Na zona euro, este aparente paradoxo da política monetária é a expressão de problemas mais profundos. Depois do colapso financeiro de 2007, a estratégia seguida pelas instituições responsáveis tem sido a de procurar minimizar as perdas do sistema financeiro sem alterar a sua estrutura e o seu funcionamento, o que se reflete na ausência de alterações significativas na regulação do setor. Além disso, as normas europeias impedem que os países complementem o QE com uma política orçamental expansionista sem incorrerem em incumprimento das metas acordadas, limitando a capacidade de estes adotarem políticas de redistribuição do rendimento ou de reforço do investimento público. Assim, a enorme injeção de liquidez no sistema financeiro tem fracassado no objetivo de crescimento económico robusto das economias ocidentais, e parece ter aumentado a instabilidade do sistema financeiro. O risco de uma nova crise mantém-se.

Clarificações

Posted: 26 Aug 2018 07:39 AM PDT

No Inimigo Público encontra-se o melhor resumo do espírito da declaração de Mário Centeno sobre a Grécia: “Parabéns aos gregos por já não gastarem tudo em copos e gajas”.
A declaração do chamado presidente do chamado Eurogrupo confirma a ideia em que temos insistido contra a complacência europeísta – veja- se, por exemplo, o artigo do número de Março do Le Monde diplomatique – edição portuguesa, agora disponível em acesso livre.
Em primeiro lugar, Mário Centeno não precisou de ser influenciado nem mudado pelo Eurogrupo, porque sempre aceitou, no essencial, os seus termos ideológicos, ganhando pelo seu currículo e pela sua política interna a confiança externa da grande potência da zona, a Alemanha.
Em segundo lugar, o Johan Cruyff da nova fase da financeirização com escala europeia ilustra a brutal resiliência da economia política da integração, a sua capacidade de diluir pretensas alternativas europeístas de matriz social-democrata.
Em terceiro lugar, contra os que fazem da política um apelo à razoabilidade das elites do poder – aprendam com os “erros” da austeridade depressiva, vá lá – é preciso perguntar: por que razões hão-de os interesses de classe que têm triunfado politicamente, graças à integração supranacional, mudar o que quer que seja de essencial no campo das relações sociais de produção e de circulação? Se há cada vez mais empresas privatizadas, se a acção colectiva do trabalho é cada vez fraca, se a restauração política da finança privada aí está…
Entretanto, atentem na frase mais reveladora, do ponto de vista ideológico, da última entrevista de António Costa no Expresso: “Hoje, em várias matérias, encontra numa posição comum pessoas como a senhora Merkel, Alexis Tsipras, o Presidente Macron, eu próprio, o primeiro-ministro Sánchez, e há uns anos, provavelmente, estaríamos bastante diferenciados”.
Realmente, as instituições europeias servem para diluir todas as diferenças. E, no fim, ganha a Alemanha de Merkel.
Em jeito de adenda, não resisto a assinalar a resposta de Ascenso Simões à sensata declaração crítica de João Galamba sobre Centeno. Esta resposta constitui realmente um exemplo de elevação racional no debate público, como é apanágio de Simões. Ascenso Simões destacou-se esta semana também por ter escrito uma espécie de panegírico a Pedro Queiroz Pereira no Público, onde a certa altura refere a generosidade de um capitalista das privatizações que, vejam lá bem, arriscava “melhores ordenados para os seus colaboradores”. Como designar alguém que assina como deputado de um partido que se diz socialista e que se refere aos trabalhadores como “colaboradores”? Socialista é que não.
E, no fim, ganham o neoliberalismo e os seus colaboradores?

Entre as brumas da memória


Papa: pedidos de perdão piedosos

Posted: 26 Aug 2018 12:34 PM PDT

Papa pede perdão às vítimas de abusos sexuais na Irlanda.

O papa pede perdão, há já quem queira mesmo a sua demissão acusando-o de ter conhecimento dos factos há cinco anos, etc., etc. E depois? Outro papa virá, e mais outro e mais outro.

Eu sei que se está a falar de pedofilia, mas será que não se entende que as crianças são as vítimas mais fáceis enquanto existir o absurdo celibatário obrigatório para os padres?

Para quando um «levantamento» mundial contra estas aberrações? As crianças abusadas não são propriedade da Igreja!

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Isto é importante

Posted: 26 Aug 2018 09:02 AM PDT

Skim reading is the new normal. The effect on society is profound.

«When the reading brain skims texts, we don’t have time to grasp complexity, to understand another’s feelings or to perceive beauty. We need a new literacy for the digital age.(...)

We need to cultivate a new kind of brain: a “bi-literate” reading brain capable of the deepest forms of thought in either digital or traditional mediums. A great deal hangs on it: the ability of citizens in a vibrant democracy to try on other perspectives and discern truth; the capacity of our children and grandchildren to appreciate and create beauty; and the ability in ourselves to go beyond our present glut of information to reach the knowledge and wisdom necessary to sustain a good society.

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Toda a gente mente

Posted: 26 Aug 2018 03:19 AM PDT

«A verdade é que toda a gente mente. Nos inquéritos, em entrevistas e nas restantes formas de expressar opinião sobre os mais diversos assuntos. Mentimos aos amigos, aos namorados, aos médicos, aos sondageiros e a nós próprios. Mas se, até recentemente, mentíamos correndo poucos riscos de sermos apanhados, agora, com a utilização que damos aos motores de buscas, somos facilmente apanhados pela verdade. E esta é, em muitos aspetos, bem diferente do que imaginamos ou desejamos. É esta a asserção de partida do estimulante livro do analista de dados Seth Stephens-Davidowitz, “Everybody Lies”. A chave do livro está, aliás, no subtítulo: “O que a internet nos pode dizer sobre quem na realidade somos”.

Se, até recentemente, o conhecimento sobre os nossos comportamentos sociais, políticos ou a nossa psique assentava em estudos qualitativos com pequenas amostras e métodos indiciários ou análises quantitativas, mas cuja validade dependia sempre da forma como quem era inquirido respondia, com a big data vivemos uma verdadeira revolução coperniciana. O Google, por exemplo, foi criado para facilitar o acesso à informação, mas transformou-se num repositório infindável de conhecimento sobre quem de facto somos. Isto porque revelamos nas nossas buscas aspetos que não contamos de forma franca a mais ninguém.

Explorando as buscas no Google, mas, também, em motores de busca de pornografia, assim como o que é revelado nos perfis nas redes sociais, a título de exemplo, Stephens-Davidowitz confirma preconceitos e desafia mitos arreigados sobre posicionamentos políticos (os estudos de opinião davam a vitória a Hillary, mas bastaria ter atentado nas buscas com pressupostos racistas para antecipar a vitória de Trump nas circunscrições decisivas); sobre preferências clubísticas (um preditor de quem apoiamos em adulto é a equipa que venceu no ano em que completámos oito anos); ou sobre sexualidade (os fãs de Judy Garland no Facebook têm forte inclinação por sites gay e as mulheres são particularmente propensas a vídeos com sexo violento).

O propósito de Stephens-Davidowitz é suportar com evidência apelativa e contraintuitiva que a big data abre uma porta radicalmente nova para o conhecimento de quem somos, revelando uma sociedade diferente da propalada nos media e por académicos. Mas se este admirável mundo novo do conhecimento deve ser encarado com ceticismo (a forma como os algoritmos, ao restringirem as nossas escolhas e margens de liberdade, são, de facto, armas de destruição em massa), acaba, também, por demonstrar que as grandes hipóteses aventadas pelos mais marcantes pensadores sociais, sobre as determinantes materiais dos nossos comportamentos (Marx), o poder, a sexualidade e a infância (Foucault e Freud) ou a ação social (Weber e Durkheim) revelam-se bastante robustas, mesmo perante novas e insondáveis revelações.»

Pedro Adão e Silva

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Grandes verdades

Posted: 25 Aug 2018 02:30 PM PDT