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quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Capitalismo de desastre

Ladrões de Bicicletas


Posted: 29 Aug 2018 09:38 AM PDT

Para se ver quando se tiver tempo.
Trata-se de um documentário do mais clássico que existe e sem pretensões, que passou há dias na RTP3, enquanto dava um telejornal quase asséptico sobre o que vai pelo mundo.
O contraste é ainda maior quando se começa a ver o filme. Um investigador percorre vários países no planeta - Afeganistão, Haiti, Papua Nova Guiné, etc. - e vai repescar os casos em que a comunidade internacional interveio supostamente para ajudar certos países em estado de desastre.
A ajuda foi eficaz? O investimento estrangeiro deu autonomia a esses países? Trouxe-lhes riqueza e prosperidade, tranquilidade e segurança? Ou deixou esses países num círculo vicioso de ajuda - que não chega aos lugares, às populações - e que continuam, cada vez mais, a necessitar de mais ajuda (Afeganistão), que chega sempre de paraquedas aos países em estado de necessidade, com o apoio dos maiores políticos mundiais (Haiti), impondo-lhes contratos de exploração de matérias-primas que abandonam depois de esgotadas, deixando um rasto de poluição (Papua Nova Guiné), pagando salários que não pagam as despesas de transportes e alimentação (Haiti), muitas vezes sem qualquer intervenção dos governos locais, que brincam às democracias ocidentais com o dinheiro vindo de fora (Haiti), enquanto as centenas de milhões de dólares de ajuda pública se evaporam por canais desconhecidos...
Não há novidades. Não há coisas verdadeiras novas relativamente a décadas passadas. E por isso é que parece ainda mais chocante e criminoso.
Especialmente dedicado a quem, em Portugal, repete e repete e repete que o investimento estrangeiro desregulado é a solução para Portugal.

Entre as brumas da memória


Irresistível

Posted: 29 Aug 2018 01:50 PM PDT

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O papa no seu labirinto

Posted: 29 Aug 2018 10:57 AM PDT

El papa Francisco, ante el abismo.

«Es curioso que la jerarquía conservadora solo haya pedido la renuncia de dos Papas de la era moderna. Lo hicieron los cardenales de la curia con Juan XXIII cuando anunció el Concilio Vaticano II. Quisieron deponerle por loco. Él acabó ganándoles la batalla. Hoy se intenta deponer a Francisco, justamente el más parecido al anciano Roncalli, considerado entonces más como un párroco que como Papa. Le faltaba la pompa hierática de su antecesor, el papa Pacelli.

Necesitará hacerlo con hechos. Ya no le bastarán las condenas verbales. Necesita entender para ello que la fuerza conservadora de la vieja curia puede ser más poderosa que su voluntad de remover los cimientos de la Iglesia. Tiene para ello que empezar a quebrar las piernas a esas estructuras con reformas concretas, empezando por la abolición del celibato obligatorio, la apertura a la mujer al poder de la Iglesia, así como a los laicos. Y hasta de deshacerse del viejo esquema rancio de la curia.»

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A China pula e avança

Posted: 29 Aug 2018 06:55 AM PDT

Nova Área de Binhai com forte aposta no setor cultural.

A China também é isto. Em Pequim ou Xangai? Não: perto de Tientsin, no Nordeste do país.

« Compreendida numa área de 120.000 m², com 312.000 m² de construção, o centro contempla um museu, uma biblioteca, um centro de artes performativas, um centro de atividades recreativas e um “corredor cultural”, entre outros.

O Centro de Artes Performativas, ocupando uma área de 24.829 m² inclui a impressionante quantidade de 1200 salas de ópera e 400 teatros experimentais “para responder às necessidades de performances culturais levadas a cabo na Nova Área de Binhai de Tianjin”.»

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O mundo ideal

Posted: 29 Aug 2018 02:59 AM PDT

«Karl Marx não tinha muita paciência para os socialistas utópicos que o rodeavam. Muitas vezes enxotava-os, porque as suas crenças o arrepiavam. Um desses utópicos acreditava que, num mundo ideal, o mar se transformaria em limonada. Marx, muito provavelmente, preferiria que ele se transformasse na casta Riesling, a sua preferida em matéria de vinhos. Mas, divergências ideológicas à parte (preferir limonada ou vinho pode ser o motivo para um divergência insanável num qualquer Comité Central), porque uma opção pode ser mais pura do que a outra, há muito que se discute como é possível criar na Terra o mundo ideal. Os políticos tentam-no, com os impostos de quem tem de os pagar em nome da democracia, dos serviços básicos do Estado e das reformas. E aí entramos noutro mundo de ruptura: o sonhador crê que a consciência e a ideologia determinam a política, quando o que na realidade decide a política são as necessidades, os mercados e o dinheiro que se tem. Pelo menos nos nossos dias. Os homens vivem com os pés na terra e não viajam apenas no mundo dos sonhos.

Mas isso não quer dizer que quem acredita num mundo ideal, ou próximo dele, deva ser atropelado pelo puro pragmatismo. Veja-se o que sucedeu há um par de dias. Luís Meira, presidente do INEM, veio dizer que era preciso arrancar a ferros ao Estado cada cêntimo. Até para comprar ambulâncias. Bem-disposta, Rosa Matos, secretária de Estado da Saúde, respondeu candidamente que faltarão sempre meios, porque não vivemos num mundo ideal. Pois não. Mas uma coisa é não vivermos nesse Olimpo e outra é sobrevivermos na miséria dita franciscana. Neste país tem de se pedinchar ambulâncias, comboios novos, alas pediátricas para hospitais e outras coisas que se julgavam básicas. E que não faziam parte desse inacessível mundo ideal. Até porque, até prova em contrário, julgávamos estar na Europa e não no Terceiro Mundo. Muitas vezes não faltam meios, ao contrário do que prega Rosa Matos. Pelos vistos, como se prova na outorga de donativos para Pedrógão, eles são é mal distribuídos.»

Fernando Sobral

Em nome da Coerência

Novo artigo em Aventar


por Ana Moreno

Há dois dias, o ministro do Ambiente francês demitiu-se lapidarmente: "Não quero continuar a mentir-me a mim próprio. Não quero dar a ilusão de que a minha presença no Governo significa que estamos à altura dos desafios (ambientais) e, por isso, decidi demitir-me", anunciou Nicolas Hulot. E foi-se.

Macron, que fez da luta contra as mudanças climáticas uma das suas bandeiras, tinha prometido durante a campanha eleitoral objectivos ambientais ambiciosos, como a proibição do glifosato ou a redução para metade da produção de energia nuclear em França até 2025.

O balanço de Hulot, ao fim de pouco mais de um ano em funções, é explícito: "Já começámos a reduzir o uso de pesticidas? A resposta é não. Já começámos a fazer alguma coisa contra a perda da biodiversidade? A resposta é não. Já começámos a fazer algo para a preservação dos nossos solos? A resposta é não."

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O Serviço Nacional de Lucro

  por estatuadesal

(Marisa Matias, in Diário de Notícias, 26 Agosto 2018)

No país mais rico do mundo, há dezenas de milhões de pessoas que não têm acesso a cuidados de saúde. Essas pessoas têm a liberdade de escolher qual o hospital que não vão conseguir pagar. No mesmo país, famílias remediadas arruínam-se em batalhas ganhas ou perdidas contra a doença de um familiar. Essas famílias têm a liberdade de escolher entre a casa ou a saúde de um dos seus. É esta a realidade por trás da liberdade de escolha. Os Estados Unidos da América, o país em que as ideias da direita sobre a saúde foram mais longe, são o país que gasta mais em saúde.

Quando comparados com outras nações ricas, os EUA gastam mais 25% per capitaem paridades de poder de compra do que a Suíça e quase o dobro da Alemanha. E esta diferença tem aumentado desde os anos 1980. Um sistema que gerou a maior e mais lucrativa indústria de saúde do mundo.

Qual o resultado deste investimento massivo? Um estudo recente da Organização Mundial da Saúde dá a resposta: com base num painel de indicadores de saúde, os Estados Unidos eram classificados como o 37.º sistema de saúde do mundo, a seguir à Costa Rica. Portugal era o 12.º. Não admira que a indústria da saúde norte-americana gaste uma fortuna em lobbying, "investigação" paga a peso de ouro ou no suborno mais ou menos descarado.

Cada um, cada família, faz as escolhas individuais que o seu rendimento permite, escolhas frequentemente trágicas. Escolhas necessárias porque uma outra escolha coletiva continua por fazer: a escolha de uma comunidade por um Serviço Nacional de Saúde que proteja a todos, orientado por prioridades de saúde pública e não pelo lucro.

Foi essa a escolha que fizeram muitos países europeus no pós-guerra. Foi essa a nossa escolha, ou melhor, a escolha da esmagadora maioria e de toda a esquerda portuguesa. Nunca foi a escolha da direita e não passa um governo, um mandato, uma liderança, em que não sejamos recordados desse facto.

O PSD apresentou a sua proposta de reformulação do SNS. Na prática, trata-se de uma extinção. A proposta é simples: o Estado deve pagar a provisão de serviços privados de saúde. Um negócio feito à medida da nossa elite económica. O privado gasta, assegura a sua margem, o Estado paga. Risco privado? Nenhum. Controlo público? Também nenhum. Os privados concentram-se nos serviços rentáveis, o Estado fica com os outros. Não é muito diferente do que o CDS anda a propor para a ferrovia. Só que aqui o negócio é a vida das pessoas.

Resta saber qual será a resposta da maioria. O grupo de trabalho do governo começou da pior maneira com a nomeação de Maria de Belém, consultora do grupo privado Luz Saúde. Continuou com o apelo do ministro da Saúde ao PSD: "O país ganharia muito com um acordo que fosse alargado."

Talvez o maior ativo político da história do Partido Socialista seja a criação do SNS. Em 1979, o PS não teve problemas em avançar com essa proposta, mesmo sem direita, alargando o consenso à esquerda e, sobretudo, à esmagadora maioria das pessoas que continuam a ver o SNS como uma das mais belas e importantes construções da nossa democracia. Conseguiremos fazê-lo outra vez?


Eurodeputada do BE

Ai Cristas…

por estatuadesal

(António Neto Brandão, 29/08/2018)

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(Cada um encosta-se àquilo que pode, a Cristas, por exemplo, adora andar encostada ao "pote", como se vê na imagem. Como anda afastada do "pote", vai para quatro anos, não se cala a dizer mal dos "encostos" da esquerda...

Comentário da Estátua, 30/08/2018)


A despropósito de tudo e de nada a Cristas fala das esquerdas encostadas.

Não sei bem o que essa mulher casquilha e taful pretende com essa monocórdica ladaínha. (A profundidade de pensamento não é adorno com que se possa enfeitar.)

Mas se com isso se quer referir ao facto de os partidos de esquerda terem tido a lucidez de ponderar que, juntando-se lado a lado,ombreando, por ventura com alguns safanões pelo meio e até mantendo recíprocas emulações, com o objectivo conseguido de levar á prática uma política de recuperação de salários, de rendimentos e direitos então a expressão idiomática utilizada faz todo o sentido.

Claro que de tal bisca não se esperaria tal hermenêutica. Pejorativo é o seu paupérrimo encalço e por isso se devia ignorar.

Mas acho que ás vezes a Esquerda perde pela sua proverbial contenção encolhendo ou distendendo olímpicamente os ombros, como vem ao caso.

Assim, penso que se lhe poderia responder, arreando a jiga, que é melhor ter "as esquerdas encostadas" do que ver as direitas em decúbito, o CDS mais em decúbito dorsal e o PSD em decúbito mais ventral, - honny soit qui maly pense... -a rastejar nas sarjetas da sua inócua maledicência.

Dominus vobiscum...