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sábado, 1 de setembro de 2018

Jorge Gabriel visitou a exposição “Raízes e Rostos: Memórias de Escola” da Associação dos Antigos Alunos da Escola Oliveira Lopes/Museu Escolar Oliveira Lopes

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No passado dia 16 de agosto, a convite da Direção da Associação dos Antigos Alunos da Escola Oliveira Lopes/Museu Escolar Oliveira Lopes o conhecido apresentador de televisão, Jorge Gabriel visitou a exposição “Raízes e Rostos: Memórias de Escola”, que esteve patente no stand da agremiação, no átrio da Junta de Freguesia de Válega, durante as Festas de Nossa Senhora do Amparo. Augusto Pinho, presidente da Associação dos Antigos Alunos da Escola Oliveira Lopes e diretor do Museu Escolar Oliveira Lopes foi o cicerone de serviço, posando para a posteridade com ele. O stand foi ainda visitado pelo Vice-presidente da Câmara Municipal de Ovar, Domingos Silva, a Vereadora da Educação da Câmara Municipal de Ovar, Ana Cunha, o Presidente da Junta de Freguesia de Válega, Jaime Duarte de Almeida e o Presidente da Assembleia de Freguesia de Válega, Arnaldo Oliveira, entre outras personalidades.

Tiago Costa

Entre as brumas da memória


Foram diferentes os Maios

Posted: 31 Aug 2018 02:29 PM PDT

Amanhã andarei por Leiria, no Fórum Socialista 2018 do Bloco de Esquerda, onde partilharei uma sessão com Mário Tomé sobre «O Maio de 68 e as consequências em Portugal». O que direi encontra-se resumido neste texto escrito para o efeito.

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O 50º aniversário dos acontecimentos de Maio de 1968 em França foi amplamente assinalado em Portugal, num notável número de seminários, debates, documentários, entrevistas e textos. Informação disponível não falta, portanto, e não retomarei relatos mais do que conhecidos de factos, relações entre o que teve início no meio estudantil e se estendeu depois ao operariado, nem as eternas discussões sobre sucessos e razões para fracassos.

Se regresso hoje ao tema, faço-o exclusivamente porque este texto servirá de base a uma intervenção minha numa das sessões do Forum Socialismo deste ano, organizado pelo Bloco de Esquerda.

Que o 68 francês «chegou» a Portugal não parece oferecer dúvidas, embora nem todas as leituras coincidam. De um modo geral, no entanto, parecem congregar-se na opinião de que foi no ano seguinte que as influências mais se fizeram sentir, nomeadamente no meio estudantil com as lutas académicas em Coimbra e em Lisboa. Oiça-se, por exemplo, uma boa síntese feita por Fernando Rosas em As lutas de 68, por Fernando Rosas e Mamadou Ba (a partir do minuto 48).

Prefiro chamar a atenção para um «outro mundo», pouco ou nunca abordado e no qual então me movia: o de uma esquerda que não estava à época enquadrada em partidos ou movimentos marxistas-leninistas, PC e outros, e para a qual 1968 teve uma influência decisiva que não esperou por 69 e que veio para ficar com consistência.

Mais concretamente, estou a falar, não só mas sobretudo, do universo dos chamados «católicos progressistas», então no início de um processo de ruptura com a Igreja, moribundas que estavam as esperanças depositadas no Concílio Vaticano II e num qualquer posicionamento dos bispos portugueses contra o fascismo. Note-se que a esta mancha da esquerda se juntava, em muitas acções, um grupo razoável de activistas não católicos, sobretudo herdeiros da crise académica de 1962 e não enquadrados em estruturas partidárias ou movimentos afins.

Este conjunto de pessoas, maior do que se pensa embora de difícil quantificação, já se encontrava há alguns anos activo em várias plataformas interligadas, umas mais culturais como a revista O Tempo e o Modo, outras de intervenção social e política, como as cooperativas Pragma e Confronto, ou clandestinas como O Direito à Informação que divulgava informações verdadeiras sobre a guerra colonial.

Agia-se como se podia contra essa guerra e protestava-se contra a do Vietname, era-se a favor de todos os Luhter King do universo, com uma maior abertura a latinidades (sul-americanas ou francesas) do que a bater de asas em Moscovo, Pequim ou Tirana. Seguia-se a Primavera de Praga com entusiasmo, mas sem grandes surpresas com a invasão soviética do mês de Agosto e sem o traumatismo que outros experimentaram por causa da mesma. Cuba e os seus heróis, sim, estavam bem presentes no horizonte de todas as utopias.

100% francófona, foi uma população que viveu os acontecimentos de Paris com um entusiasmo certamente um tanto pueril mas garantidamente genuíno, não só no plano cultural, mas também na intensificação das relações com organizações francesas já anteriormente apoiantes da luta antifascista portuguesa.

Também a nível dos comportamentos se acelerou uma já iminente libertação. Os tabus ligados à família e à sexualidade vinham a ser especialmente reprimidos desde há algum tempo, sendo um exemplo típico a apreensão pela PIDE, em Março de 1968, de um número especial da revista O Tempo e o Modo sobre «Casamento». Os acontecimentos parisienses de Maio encontraram terreno fértil neste plano, para que saltassem tampas de repressões várias. E se estas não eram apanágio dos meios católicos, tomavam nestes maiores proporções pelo peso da educação, pelas poucas ou nenhumas aberturas da Igreja nesta área, pela inexistência de divórcio para quem se tivesse casado pela Igreja. Vacilaram casamentos, caíram alguns, multiplicaram-se «uniões de facto» mais do que condenadas pelas autoridades religiosas, foram-se casando os primeiros padres. (Nunca esquecerei o relato que um amigo me fez há poucos anos: desterrado na Guerra Colonial quando tudo isto aconteceu, e embora fosse seguindo de longe os acontecimentos e mantendo os contactos, encontrou no regresso o seu mundo de sempre «de pernas para o ar», incluindo o próprio casamento que acabou por colapsar.)

Também se iam agravando os conflitos com os bispos portugueses, nomeadamente com o cardeal Cerejeira, que não perspectivavam qualquer distância em relação ao fascismo em geral e à guerra colonial em particular e que geriam com mãos de ferro os conflitos crescentes, não só com leigos mas também com uma camada de padres e seminaristas jovens e progressistas, que, a pouco e pouco, foram deixando a Igreja. Quando, em Julho de 68, Paulo VI publicou a encíclica Humanae Vitae sobre sobre a regulação da natalidade, onde eram condenados todos os métodos anticoncepcionais, pílula incluída, esperar que a mesma fosse acatada, mesmo por alguns católicos com responsabilidades especiais nas estruturas da Igreja, era pedir que se voltasse a acreditar no Pai Natal. A Humanae Vitae funcionou como a gota de água que faltava a muitos para a desilusão definitiva e mesmo para o corte com qualquer prática religiosa. (O padre Anselmo Borges publicou, muito recentemente, um interessante texto sobre o tema.)

Em resumo, a claustrofobia em que se vivia em Portugal, sem as liberdades mínimas e com sete anos de guerra colonial, escancarou as portas para que a contestação de todos os poderes se instalasse, a nível da oposição ao regime – e à Igreja – e no plano dos costumes. Luta pela liberdade e luta por todas as liberdades passaram a fazer parte de uma mesma batalha. Claro que tudo acontecia apenas a nível de elites em (poucos) centros urbanos. Mas eram elites francófonas e francófilas, para quem Paris já era, e passou a ser ainda mais, o que de mais parecido havia com o paraíso na terra... Por outras palavras, estou a dizer que foi provavelmente a faceta contestatária e libertária do Maio de 68, que mais influenciou esta esquerda não muito «ideológica», longe de grandes ortodoxias e ansiosa por passar à prática, e que marcou a sua maneira de agir em todo o período marcelista. Não foi certamente por acaso que um número significativo de ex-padres, seminaristas, católicos e ex-católicos aderiu a organizações como a LUAR e o PRP/BR, e só excepcionalmente ao PCP ou às então novíssimas organizações maoistas, nos últimos anos da década de 60 e nos primeiros da que teve início em 1970.

Com o 25 de Abril e o PREC foram vários os caminhos seguidos, mas arrisco dizer que o ano de 68 e os que se lhe seguiram deixaram uma marca que continua a reflectir-se, para muitos, num certo modo de estar na vida e na política.

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No dia em que Sérgio Godinho faz 73

Posted: 31 Aug 2018 11:25 AM PDT

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Quase 2/3 dos jovens admitem prescindir de ter emprego fixo

Posted: 31 Aug 2018 08:25 AM PDT

Cátia Mateus no Expresso diário de 30.08.2018:

«Foi a “Forbes” quem lançou o alerta já no ano passado: em 2020 os millennials - a geração de profissionais nascida entre a década de 80 do século passado e a viragem do milénio - vão representar 40% da força de trabalho mundial. Em 2025 serão 75%. E mais do que os números, foi a análise realizada pela publicação de gestão que fez soar o alerta entre os gestores: “Quer se goste ou não, os millennials serão ativos críticos para a sustentabilidade dos negócios. Se eles não quiserem trabalhar para as vossas empresas, o vosso negócio morre”. O que a consultora Deloitte agora demonstra é que este afastamento das gerações mais jovens - não só da geração millennial, mas também da sua sucessora geração Z (nascidos entre 1995 e 2012) - já está a acontecer.

O mais recente Millennial Survey, o estudo anual da consultora que analisa a prestação desta geração no mercado de trabalho, agora divulgado, revela que globalmente os millennials e a geração Z estão menos leais às empresas, confiam menos nos seus líderes e na ética das organizações. O resultado desta descrença traduz-se em números: 62% dos profissionais encara a hipótese de trabalhar em regime de freelancer como uma alternativa ao emprego a tempo inteiro, apesar da instabilidade associada a modelos de trabalho flexíveis.

Esta nova realidade marca uma inversão face ao foco na estabilidade que caracterizou gerações anteriores. Os novos profissionais não só não querem “criar raízes” nas empresas, como se orientam por outros valores que não os da estabilidade. Segundo o relatório da Deloitte (sustentado em entrevistas a mais de 10 mil millennials e 1850 jovens da geração Z em 36 países), 43% dos profissionais nascidos na até à viragem do milénio ponderam abandonar o seu emprego atual nos próximos dois anos e para 72% é proibitivo permanecer cinco ou mais anos na mesma organização. Na geração Z não há referências a um horizonte temporal de cinco anos. Mas sabe-se que 61% dos nascidos a partir de 1995, que já estão no mercado de trabalho, querem mudar de emprega até 2020.

O que afasta esta geração?

Todos os estudos apontam na mesma direção: não é o dinheiro que move estes profissionais, ou melhor, não é apenas o dinheiro. Destas gerações de profissionais sabe-se que são mais ambiciosas do que as anteriores e que têm maior consciência do seu valor profissional. Mas sabe-se também que para eles, tão ou mais importante do que trabalhar para garantir um salário, é trabalhar de forma ética, com líderes inspiradores e em empresas que gerem impactos sociais positivos. E é aqui que as organizações estão a perder pontos na retenção dos millennials e Z's que preferem assumir os riscos de trabalhar de forma independente.

Mais uma vez, os números da Deloitte demonstram-no. 52% dos jovens profissionais ouvidos no estudo não reconhecem um comportamento ético nas empresas e 56% também não identificam qualquer interesse em criar impacto positivo na sociedade por parte dos líderes. Resultados que segundo Sério do Monte Lee, partner (sócio) da Deloitte, “devem servir de alerta para os líderes empresariais” porque, refere, as novas gerações “sentem que os líderes estão muito focados nas agendas das suas empresas e pouco preocupados com o seu contributo para a sociedade”.

Uma orientação que está a ditar o seu afastamento das empresas e não é de agora. Em 2014, num artigo publicado na Harvard Business Review, Julia Fetherston e Vilas Dahr demonstravam que “a maioria dos millennials acredita que as empresas, e não os governos, terão o maior impacto na resolução dos principais problemas sociais” e defendiam que uma das grandes ambições desta geração é ser parte ativa nesse processo. Uma visão também corroborada pelo partner da Deloitte que acrescenta que “para conquistar a confiança e lealdade destas gerações, as empresas devem encontrar formas de impactar positivamente as comunidades locais e forcar-se em questões como a diversidade, inclusão e flexibilidade”.

Organizações com um propósito e líderes com forte vocação social são parte do caminho para reter uma geração que em breve dominará o mercado de trabalho mundial. A outra parte, conclui o estudo, passa por “conduzir uma atividade que seja capaz de gerar um impacto positivo na sociedade e no ambiente, ser um acelerador de ideias, produtos e serviços inovadores, ter um plano de carreiras que desenvolva e melhore, na prática, a vida dos seus profissionais e construir um ambiente de trabalho inclusivo”.»

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O truque dos 50% de IRS

Posted: 31 Aug 2018 03:23 AM PDT

«Por estes dias o Governo português transformou-se em David Copperfield e tentou fascinar-nos com um truque de ilusionismo: os portugueses qualificados que tivessem emigrado durante os tempos austeros de Passos Coelho, iam ser motivados a regressar.

Qual é o doce? Pagar só metade do IRS. Não se imagina que, nesse mesmo dia, milhares de emigrantes se tenha dirigido a correr para as embaixadas portuguesas no mundo para regressarem a Portugal perante tão generosa oferta. É um logro. É a outra face da moeda da política de incentivo à emigração de quadros qualificados fomentada pela troika e por Passos Coelho, quando achavam que Portugal deveria ser um país onde, por via da mão de obra barata, íamos concorrer com os fornecedores do Sudoeste Asiático. Dessa desastrosa ideia ficaram os salários baixos, mas não surgiu o investimento. E Portugal tornou-se ainda mais pobre, económica, científica, social e culturalmente devido a essa política que se tornou um dogma. Agora a mão que diz querer emendar o passado percorre os mesmos caminhos: como é possível incentivar o regresso com truques mágicos como este? Quem tem um salário decente na Europa, com perspectivas de futuro, irá trocar isso por um país onde é impossível viver nos centros urbanos devido ao preço da habitação, com tempo de transporte insuportável de casa para o trabalho, sem qualidade de vida, com baixos salários, e sem investimento visível no talento ou na criação de condições para a investigação, ou outras? Uma quimera. Vamos continuar a gastar alegremente dinheiro público e privado para criar quadros que irão embora?

Nada de novo por aqui. A emigração sempre foi a nossa indústria mais produtiva. Basta pensarmos nos dados de início da década de 1970: só para França seguiram, em 1970, 255 mil portugueses e 218 mil em 1971. Era a época da política de portas abertas do Estado Novo, depois de, até 1965, emigrar ilegalmente ser um crime. A emigração passou a ser vista como um factor de progresso e desenvolvimento. E não o investimento em áreas determinadas. A situação vinha do passado: em 1916, Bento Carqueja calculava que, nos anteriores 40 anos, 900 mil portugueses tinham abandonado o país. O Brasil era, na maior parte, o destino. Razão? Alexandre Herculano já o dizia há muito: "a insuficiência dos salários entre nós", escrevia nos "Opúsculos". Mais: "a miséria de um ou de outro indivíduo pode derivar da culpa própria: a que expulsa uma parte notável da população de um país, onde esta, considerada colectivamente, está longe de superabundar, é sempre resultante de um defeito ou de uma perturbação nos órgãos da sociedade". Poucos anos depois Oliveira Martins escrevia: "a emigração portuguesa é o barómetro da vida nacional, marcando nas suas oscilações a pressão do bem-estar metropolitano". Mais: o "mau negócio" da emigração era "uma fatalidade desde que nós não sabemos governar, nem soubemos resolver o problema fundamental da nossa economia demográfica". Nada mudou. E a culpa não é de quem emigra.»

Fernando Sobral

Mais Meio Milhão de Postos de Trabalho

  por estatuadesal

(Dieter Dellinger, 01/09/2018)

diabo ou pai natal

(É com estas notícias que a direita se morde toda. Lembram-se do Passos se ter fartado de dizer que vinha aí o Diabo? Ora, afinal, o que veio foi mais emprego e mais dinheiro, pelo que os portugueses correm o risco de julgar que, se o Costa é o diabo, deve estar muito bem disfarçado, porque mais parece o Pai Natal...

Comentário da Estátua, 01/09/2018)


Na vigência da "Geringonça" foram criados 500 mil empregos, nos quais as mulheres dominaram e representam hoje 49% da força de trabalho. Esta feminização do trabalho resulta dos baixos salários que obriga os dois cônjuges a trabalharem, mas ultrapassou a Suécia que batia o recorde neste campo. Curiosamente, os mortos em acidentes de trabalho são 100% homens.

Sócrates deixou 4.867.100 pessoas a trabalharem. Agora, de novo com o PS, a força de trabalho subiu para 4.874.100 trabalhadores.

O extraordinário é que foram criados 219 mil empregos ocupados por pessoas entre os 55 e os 64 anos, a mostrar que muitas empresas necessitavam de pessoal com experiência.

Os homens perderam com o governo Passos-Cristas 310 mil empregos e recuperaram apenas 235 mil postos de trabalho. As mulheres perderam perderam 202 mil e ganharam 284 mil.

Infelizmente mantiveram-se os cerca de 22% de empregos com vínculo precário que atingem os trabalhadores mais jovens, mas estes necessitam imperiosamente de experiência para darem o salto para empresas melhores.

Na agricultura há uma tremenda falta de trabalhadores e passei há dias por S. Teotónio. Numa festa vi centenas de trabalhadores asiáticos, aparentemente do Bangla Desh ou Tailândia, que trabalham nas estufas. Tinham lá as suas esplanadas e restaurantes em que forneciam os seus pratos típicos que estavam também a ser consumidos pelo pessoal da terra em perfeita harmonia, menos na língua, mas entendiam-se por sinais e algumas palavras portuguesas.

A indústria luta com muita falta de trabalhadores e até as fundições foram buscar pessoal com 60 anos porque não encontram ninguém. Nalgumas empresas, esse pessoal mais idoso está a formar jovens que são empregues já não a título precário, mas definitivamente para que a empresa os não perca. Há um pequeno período precário para ver se são pessoas motivadas para aquele trabalho que era sujo e difícil no passado recente, mas hoje é muito melhor com os equipamentos modernos.

Enfim, amanhã pelas 7 horas da manhã Portugal estará perfeitamente em ordem e nos dias seguintes também.

VIVA A PÁTRIA - VIVA PORTUGAL

A democracia norte-americana é doente

  por estatuadesal

(Francisco Louçã, in Expresso, 01/09/2018)

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(Este texto dá que pensar. O Louçã fez um magnífico "trabalho de casa" sobre o sistema eleitoral americano e explica como está feito para torpedear a vontade dos eleitores produzindo maiorias conservadoras e favorecendo sempre os republicanos. Não é que os "democratas" à moda da Clinton, sejam melhores ou muito diferentes, mas sempre são um pouco mais polidos e civilizados. E ainda chamam àquilo "democracia".

Comentário da Estátua, 01/09/2018)


O sistema eleitoral dos EUA está desenhado para maiorias conservadoras. E tem um conhecido efeito perverso: dois dos cinco Presidentes do século XXI (Bush e Trump) perderam no voto popular .


Não se sabe, o futuro dirá se o maior risco para Trump vem do pântano dos escândalos financeiros, como a condenação no mesmo dia de dois dos seus antigos colaboradores, o diretor de campanha Paul Manafort, que acumulou fortuna com as receitas de lobbying para governos estrangeiros, e do seu advogado e fixer, Michael Cohen, ou da série de denúncias, livros chocantes e demissões entre os seus atuais colaboradores na Casa Branca. Dois deles, Scott Pruitt e Tom Price, estão a ser processados por manigâncias diversas. Tudo gira sempre à volta de dinheiros escondidos, despesas injustificadas e abusos de poder.

O odor a corrupção que se instalou com o homem que dizia que ia limpar Washington não surpreende. O seu efeito político pode ter consequências: se, como calcula “The Economist”, os democratas tiverem 75% de probabilidades de ganhar as eleições intercalares, podem aproximar-se da maioria na Câmara dos Representantes, passando então a controlar as comissões parlamentares que abrem a porta às investigações que a maioria republicana tem bloqueado. Vai daí uma grande distância até à impugnação de Trump, que exigiria dois terços dos votos no Senado, o que não parece plausível.

No entanto, todas estas dificuldades são acentuadas por um sistema eleitoral que não está doente, é doente. Os promotores de propostas de novas engenharias eleitorais em Portugal fariam bem em estudar este sistema construído para enganar a democracia.

UM SISTEMA PARA OS REPUBLICANOS

As eleições intercalares, que renovam parte da Câmara dos Representantes e do Senado, são particularmente difíceis para os democratas em estados mais rurais e conservadores como o Missouri, Montana, Dakota do Norte e Virgínia Ocidental, ou também Indiana. Essa circunstância tem acentuado a divisão interna do partido democrata, com democratas mais à direita a conseguirem vitórias nas primárias desses estados, enquanto na Califórnia e em Nova Iorque candidatos apoiados por Bernie Sanders têm surpreendentemente conseguido a nomeação pelo seu partido.

Acresce que o sistema eleitoral está desenhado para maiorias conservadoras e sempre tem funcionado assim. Entre 2012-2016, os republicanos só obtiveram 46% dos votos no senado, mas mantiveram sempre a maioria, o que se explica pela representação do território (nas áreas rurais, há 70% de republicanos nas assembleias legislativas estaduais, nas urbanas os democratas são 63% e os republicanos 37%) e pelo sistema bipartidário, enraizado e reproduzido pelos círculos uninominais.

O sistema de eleição de representantes dos estados para escolher o Presidente tem ainda tido um conhecido efeito perverso: se todos os Presidentes eleitos no século XX tiveram a maioria dos votos populares, dois em cinco dos eleitos no século XXI (Bush e Trump) foram eleitos perdendo entre o povo. Em 2016, Trump teve menos três milhões de votos do que a sua rival, que obteve uma vantagem superior à de vencedores da corrida presidencial, como Kennedy (1960), Nixon (1968) e Carter (1976).

AFASTAR OS ELEITORES

Ou seja, os republicanos, dominantes na política norte-americana, perderam as eleições presidenciais e as senatoriais, mas ganharam a Casa Branca e a maioria dos lugares. A reprodução permanente deste sistema viciado fica difícil, como é bom de ver.

Há duas tecnologias que têm sido desenvolvidas ao longo dos tempos para assegurar a sobrevivência desta fraude. A primeira é o desenho dos círculos eleitorais, que é permanentemente refeito. Nem sempre a manobra mais descarada é aceite e, na semana passada e pela segunda vez, o Supremo Tribunal anulou por inconstitucionalidade a redefinição do mapa eleitoral da Carolina do Norte, alegando que beneficiava escandalosamente os seus autores, republicanos. Esta forma de intervenção, chamada “gerrymandering” (o nome foi dado por um cartoon de 1812 a propósito da eleição em Massachusetts, onde o governador, Elbridge Gerry, desenhou um círculo eleitoral que, no mapa, parecia uma salamandra, para garantir o resultado que lhe convinha), generalizou-se ao longo dos anos. E lentamente tem vindo a garantir a vantagem dos republicanos.

O resultado é notável: em 2016, os democratas que ganham precisam em média de 67,4%, ao passo que aos republicanos bastaram menos 5%. Deste modo, nas três últimas eleições para a Câmara de Representantes, os republicanos conseguem uma representação de mais 4 a 5% acima do seu resultado popular, o que explica que o outro partido tenha de alcançar uma vantagem muito expressiva para poder aspirar a ganhar as eleições. Segundo “The Economist”, no total os democratas têm de ter mais 7% de votos do que os republicanos, dada a geografia do sistema eleitoral; se ganharam por 6% de vantagem, podem ficar em minoria.

A segunda tecnologia para manter este sistema eleitoral viciado é a alteração de regras de voto de modo a afastar das urnas os eleitorados que sejam mais críticos dos republicanos. O pretexto, que Trump repetiu à exaustão, é que os hispânicos e os negros falsificariam as eleições. Foi mesmo formada uma comissão parlamentar para investigar o assunto, chefiada por um aliado da Casa Branca, que depois decidiu desistir sem sequer ter elaborado um relatório. De facto, desde 1982 foram investigados 1200 casos de fraude eleitoral, mas a grande maioria refere-se a atividades dos funcionários e não a atitudes de eleitores.

Isso não impede que no estado do Arkansas tenha sido anulada a inscrição eleitoral de pessoas condenadas judicialmente, mas descobriu-se que a lista dos punidos incluía pessoas que estiveram em contacto com os tribunais, por exemplo por se terem divorciado. Em Nova Iorque, foram anuladas centenas de milhares de inscrições, sobretudo de hispânicos, na presunção de que teriam mudado de residência. Os partidários de Trump empenham-se nesta purga eleitoral: se menos pessoas votarem entre estas comunidades, as hipóteses do Presidente crescem.

Assim, este sistema está feito para distorcer e para falsificar a vontade dos eleitores. Será alguma coisa, mas chamar-lhe democracia é um exagero.



Como impedir os estudantes de copiar

Quando não há cão caça-se com gato: durante os exames nacionais na Argélia, para impedir o copianço, a internet foi desligada durante um período que chegou a três horas e foram usados detetores de metais para impedir que entrassem telemóveis nas salas. Os 700 mil alunos e alunas que terminam o liceu são assim alvo da maior atenção para garantir a integridade do exame e, em 2016, chegou a haver repetição da prova para meio milhão. Mas as autoridades temem que seja agora ainda mais fácil copiar. A ideia é que o meio mais importante para fazer batota no exame já não é a cábula, escondida num bolso ou numa manga, mas o acesso rápido a soluções dos exames disponibilizadas nas redes sociais, para o que basta um telemóvel com internet e alguma subtileza para que os professores não detetem a atividade da transcrição das respostas.

Têm razão, é mesmo assim que se aldraba um exame no secundário. Num caso recente na Argélia, as perguntas e as respostas começaram a ser publicadas nos onlines de diversos jornais e nas redes sociais, mal o exame tinha começado. Depois, 31 pessoas foram presas, incluindo funcionários do Ministério da Educação. Por isso, em 2017 foram instalados bloqueadores de sinal em 2100 salas de exame, mas o Ministério decidiu ir mais longe e bloquear a internet em todo o país. O acesso ao Facebook foi completamente fechado durante os dias dos exames.

O caso não é inédito. Na Mauritânia, o acesso à internet foi cortado por duas horas em cada um dos dias dos exames. O mesmo tipo de medida foi adotado no Iraque, no Uzbequistão, na Síria, na Etiópia e em alguns estados da Índia. Mas o efeito é devastador: toda a atividade que se baseie na disponibilidade da comunicação por internet fica paralisada. É o que acontece com a correspondência entre pessoas, com a marcação de bilhetes de avião, com acesso a informação médica, com a atividade policial — o país fica parado. Essa é a razão pela qual esta estratégia não pode ser seguida numa economia mais forte, dado que o custo de bloquear a internet durante horas seria imenso e a infraestrutura do país seria posta em causa. Ou seja, não se sabe como impedir que a internet ajude uns alunos a enganar os exames.

O medo do exemplo

  por estatuadesal

(Daniel Oliveira, in Expresso, 01/09/2018)

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O Papa Francisco está sob ataque aberto dos sectores mais conservadores da Igreja. Os que nunca quiseram ouvir as vítimas de crimes sexuais usam o seu sofrimento para derrubarem um dos poucos que tentou remediar o irremediável, fazendo-o pagar por décadas de cumplicidade e silêncio da hierarquia.

Os que nunca permitiram qualquer tipo de pluralismo dentro da Igreja desafiam a sua autoridade. Irritam-se com o renascimento do espírito do Concílio Vaticano II. Não se julgue que este Papa é um liberal. O seu recente deslize, quando mandou os homossexuais consultar um psiquiatra, exibe as suas convicções profundas. Mas quer mudar as prioridades. Quer uma Igreja mais dedicada a acudir os pobres do que a castigar os pecadores, que exerça o poder mais pelo exemplo do que pelo medo. E essa será uma Igreja que, abalada no seu autoritarismo e julgada pela sua coerência, estará condenada a ir retirando privilégios a uma hierarquia que mais dificilmente entraria no reino dos céus do que um camelo passaria pelo buraco de uma agulha. E que reage agora com uma audácia nunca vista. O que tanto bispo e cardeal teme deste Papa não é o seu liberalismo ou a sua heterodoxia, é a coerência da sua fé. Não sendo um político que governa nações, o exemplo é o seu maior poder. E é esse exemplo que dá força à sua palavra junto de todos, crentes e não crentes. Não me converteu a Deus, mas converteu-me a algum respeito pela Igreja que representa. A mim e a muitos católicos desiludidos, protestantes, judeus ou muçulmanos. Num tempo em que as Igrejas que prometem a salvação rápida em troca de dinheiro roubam fiéis pelo mundo, o exemplo de Francisco é o que pode salvar o Vaticano. Mas assusta os burocratas das almas.


A tatear

Começa agora uma campanha que durará um ano. Graças ao ineditismo da atual situação política, quase todos serão obrigados a pisar um chão que desconhecem. Vamos da esquerda para a direita. O PCP tentará voltar a construir um muro que segure os seus eleitores que mais ganharam com esta governação: pensionistas e funcionários públicos. Sem passar a ideia de que quer enterrar o primeiro Governo das esquerdas. O Bloco tentará recuperar a sua autonomia, empurrando o PS para o centro mas mantendo-se, aos olhos dos eleitores, como o campeão da ‘geringonça’. Isto ao mesmo tempo que recupera do efeito profundo que teve o caso Robles. O PS tentará fazer renascer o voto útil, provocando o BE e o PCP e passando a ideia de que são imprevisíveis. E tentará agradar a um eleitorado flutuante do centro, para aproveitar a fraqueza do PSD. Tudo sem perder a autoria da ‘geringonça’. Enquanto é boicotado por dentro, o PSD continuará a tentar descolar da radicalização de Passos e ainda assim a ter um discurso compreensível. Mas propor-se libertar o PS da “esquerda radical” é menos do que pouco: para isso bastaria dar a maioria absoluta ao PS.

O CDS é o que tem o trabalho mais fácil: mais ágil, é o melhor candidato a fazer oposição num cenário em que é claro que a esquerda vai continuar a governar. A ‘geringonça’ mudou a perceção dos eleitores, e este não será um ano de táticas claras. Com exceção do CDS, andará tudo a tatear. E provavelmente a falhar.