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quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Entre as brumas da memória

Dica (806)

Posted: 05 Sep 2018 11:52 AM PDT

Beware Rich People Who Say They Want to Change the World (Anand Giridharadas)

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Não foi Centeno que entrou no Eurogrupo, foi o Eurogrupo que entrou em Centeno

Posted: 05 Sep 2018 07:06 AM PDT

Marisa Matias na abertura do Fórum Socialismo 2018, no debate “A Europa da xenofobia e da austeridade tem futuro?”, que teve lugar a 31 de agosto de 2018:

«“A Europa da xenofobia e da austeridade tem futuro?”

Tem. A questão é como evitá-lo.

Não só tem futuro, como tem muitos aliados e cúmplices. Cúmplices nas políticas racistas e xenófobas, que não precisaram de ver a extrema-direita chegar ao poder para se começarem a instalar na União Europeia, na narrativa de descredibilização do sistema político e no esvaziamento democrático da União. Quando a extrema-direita começou a chegar ao poder já lá encontrou as suas políticas. Quem irresponsavelmente acusa os extremos políticos de serem iguais, legitima e naturaliza a extrema-direita como uma alternativa democrática. A tentativa de descredibilizar as forças de esquerda não é mais do que uma preciosa ajuda à extrema-direita.»

Continuar a ler AQUI.

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O milagre de Medina

Posted: 05 Sep 2018 03:07 AM PDT

«Portugal ainda hoje vive fascinado pelo Milagre das Rosas. Ninguém esquece quando a rainha Isabel transformou pães em rosas.

Menos prendado, numa entrevista ao Expresso, Fernando Medina tirou do regaço um milagre pós-moderno: propôs a redução radical do preço dos passes sociais na região da Grande Lisboa. Comparado com isso, o maná dos céus é um milagre muito menos possível. A ideia, como se imagina, abriu uma caixa de Pandora: o Porto já começou a pensar na mesma coisa e o ministro do Ambiente já pensa alargar o milagre de Medina a todo o país. Ninguém estará contra este milagre da multiplicação de passes baratos, a começar pelos cidadãos. Porque apostar no transporte público faz parte de uma sensata política ambiental e de utilização de recursos disponíveis. Mas, com a proposta, Medina aparece, com luvas de pelica, como o génio da lâmpada, pronto a garantir luz ao PS quando António Costa se reformar do cargo de primeiro-ministro.

A questão, claro, é outra. Ao propor preços populares para os passes sociais Medina transfere a discussão do colapso dos serviços públicos de transportes para o preço. É um golpe de génio. Em vez de se discutir a inexistência dos comboios da CP, o colapso do Metropolitano de Lisboa ou o eclipse de transportes céleres e normais no interior do país, Portugal vai discutir o preço. Ninguém deixará de pedir preços populares para a sua freguesia. O problema é só um: os preços populares servem para quê se os comboios não existirem, os autocarros não aparecerem ou o metro estiver sempre com "problemas técnicos"? Sabe-se que a política gira, às vezes, à volta de um princípio insalubre: a realidade impede-me de cumprir o meu programa eleitoral, dizem alguns líderes. Aqui, o pior é a criação de uma realidade paralela sob a aparência de uma medida compreensível e que agradará a todos os cidadãos. Medina não brinca aos ilusionistas: faz magia perante uma plateia que quer saber se este milagre não faz parte da sua estratégia imobiliária para Lisboa. A única que tem.»

Fernando Sobral

Brasil reabre alas ao glifosato

Novo artigo em Aventar


por Ana Moreno

Foto disponibilizada por Isabel Falcão

A Bayer e o seu presidente administrativo Werner Baumann devem ter respirado muito fundo e agradecido profundamente sabe-se lá por via de que modalidade ao presidente do Tribunal Regional Federal da Primeira Região (TRF-1), Kássio Marques, que aceitou, a segunda-feira passada, “o recurso contra liminar da Justiça Federal que suspendia o registro do Glifosato e demais agrotóxicos até a conclusão da análise de toxicidade pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Com a decisão do TRF, os agrotóxicos voltam a ter o uso liberado nas plantações brasileiras.“

O que interessam argumentos em defesa da Saúde e do princípio da precaução, se “sua proibição causaria impacto nos lucros da indústria do agronegócio, modelo de negócios seguido no país”???

O Brasil é o segundo maior mercado da monstruosa Monsanto, e portanto da Bayer, e a Bayer Cropscience do Brasil é a quarta maior operação do Grupo Bayer no mundo, possuindo duas importantes fábricas localizadas em São Paulo, cidade onde também fica a sede brasileira, e em Belford Roxo.

No que diz respeito ao controle das transnacionais sobre a agricultura brasileira, o que mais chama atenção nos dias de hoje é a crescente difusão das sementes transgênicas pelas grandes empresas do setor, como Monsanto, Bayer, Syngenta, que também são as grandes produtoras de agroquímicos, o que contribuiu para a transformação do Brasil no maior consumidor mundial de agrotóxicos (...).

No que toca ao agronegócio, modelo de produção agrícola dominante no Brasil, também os governos de esquerda produziram um colossal desastre, para mal do planeta e de toda humanidade. Nem é bom pensar no futuro.

Dois dedos de testa

Novo artigo em Aventar


por j. manuel cordeiro

Lê-se no PÚBLICO:

UTAO estima défice de 1,6% no semestre com impacto do Novo Banco

No período de Janeiro a Junho de 2018, destaca-se “o accionamento do mecanismo de recapitalização contingente do Novo Banco", salientou a Unidade Técnica de Apoio Orçamental

E na TSF:

Bruxelas avisa: despesas com salários e carreiras vão pesar no défice

A Comissão Europeia reitera que a situação financeira de Portugal continua "largamente favorável", mas reforça a importância de o país prosseguir a consolidação fiscal e reformas estruturais.

Esta segunda notícia, oportunamente semeada quando se discute o orçamento de estado, leva-me a pensar se esta gentinha da política acha que não temos dois dedos de testa. A resposta é óbvia.

Quanto à primeira notícia, então esse BES não tinha sido "resolvido" sem custos para o contribuinte? Pergunte-se à dona dona Cristas, que ainda por aí anda, apesar de entretida a ver passar os comboios (descobriu-os agora, mas nós avivamos-lhe a memória: "Ex-deputado do CDS nomeado presidente da CP").

O PSD português e o PP espanhol

  por estatuadesal

(Carlos Esperança, 05/09/2018)

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O PSD nasceu na sequência de uma rotura revolucionária que lhe exigiu dirigentes de passado dissonante com a ditadura. Sá Carneiro, Magalhães Mota e Pinto Balsemão, os três principais fundadores, tinham dado provas públicas de desconforto com a ditadura, situação comum ao CDS. Nenhum dos dois partidos reclamou a herança salazarista ou se atreveu a pôr em causa a legitimidade revolucionária da Revolução de Abril. Eram, aliás, suficientemente inteligentes, tal como Freitas do Amaral e Amaro da Costa (CDS), para saberem que a guerra colonial deixara de ser uma teimosia nacional e passara a ser um crime internacional.

O PP espanhol foi fundado por oito ex-ministros do mais sanguinário genocida ibérico de todos os tempos, na designada transição pacífica. A Constituição integrou vontades do déspota que em 1936 se sublevou contra o governo republicano legítimo e manteve a guerra com o apoio da Itália fascista, da Alemanha nazi e do Portugal germanófilo.

Em Portugal, o MFA garantiu eleições livres e a liberdade partidária, com os cúmplices da ditadura afastados do poder e os generais fascistas, em sentido perante os capitães, a receberem guias de marcha a caminho de casa.

Foi na génese da restauração das democracias ibéricas que se afirmaram as diferenças. A Constituição espanhola nasceu à sombra do ditador e dos seus sequazes, com o medo do retrocesso a pairar ainda. Por isso, recebeu de contrabando uma monarquia franquista e a herança da ditadura com os seus cúmplices. O espírito da Falange foi preservado nas casernas, sacristias, tribunais e gestão do território.

A Constituição Portuguesa foi votada com fascistas escondidos nas sarjetas e cúmplices a conspirarem sem apoio popular. Por isso nasceu liberta de constrangimentos.

Hoje, na ressaca das democracias, afloram em Espanha e em Portugal saudosismos das ditaduras. Espanha já tem Pablo Casado à frente do PP, um franquista com o mestrado oferecido de presente pela Universidade Juan Carlos, e que quer arquivar a História da ditadura sob o túmulo de Franco, que louva a apoteose do fascismo no Vale dos Caídos.

Em Portugal, Cavaco não era mais democrata do que Aznar, mas era cedo para reabilitar o ditador, e não sucedeu a Fraga Iribarne. Balsemão era mais liberal e não foi cúmplice da ditadura.

A vitória de Rui Rio adiou provisoriamente o regresso do PSD ao tenebroso período de Cavaco e Passos Coelho. Não sei o que o futuro reservará, mas a direita terá de remover Rui Rio para criar o seu Viktor Orbán. Em Espanha já existe. Chama-se Pablo Casado. Pretende revogar a Lei da Memória Histórica e substituí-la pela Lei da Concórdia, uma espécie de vassalagem da democracia e das vítimas à ditadura e aos seus algozes.

A democracia precisa de ser defendida em Portugal e Espanha, e é de crer que o futuro das instituições democráticas ibéricas será comum.

OPERAÇÃO MARQUÊS – INSTRUÇÃO

  por estatuadesal

(Virgínia da Silva Veiga, 05/09/2018)

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Aguardemos então que nos façam a delicadeza de divulgar, não notícias deturpadas, mas as peças processuais, na íntegra, os requerimentos de Abertura de Instrução para, finalmente, se saber o que alegam a seu favor os arguidos e, posto também os terem apresentado, os mais relevantes, começando pelo de Carlos Santos Silva, que, afinal, o apresentou e é o principal visado neste caso.

Vai ser particularmente interessante conhecer o que alega, que provas junta e que provas requer a minha Colega que o representa e que, como fiz notar, sempre se manteve longe da comunicação social.

Os requerimentos de Joaquim Barroca, da própria Lena, do administrador de Vale do Lobo, de Armando Vara e até de Zeinal Bava, merecem ser lidos.

Ouvindo a comunicação social, confirma-se José Sócrates não o ter feito que significa o que este sempre disse: não tem sido por ele que o processo se tem arrastado em tribunal e não vai já a julgamento. Evidentemente, as defesas destes arguidos contendem a do ex-primeiro-ministro que agora ficará a aguardar as diligências requeridas. É acusado, recordo, de uma série de actos que só encontram alicerce em supostos actos de terceiros sem os quais, evidentemente, se despem totalmente de fundamento. Por curiosidade, até ao momento também não há notícias de Ricardo Salgado o qual, ao que parece, igualmente não terá entrado nesta fase ((Ver aqui as razões de Salgado, que alega a existência de vírus nos ficheiros).

O respeito pelo contraditório, que existe no Direito mas também no Código Deontológico do Jornalismo, após tanta notícia contra Carlos Santos Silva, obrigaria agora à divulgação integral da defesa.

A manterem-se e a serem válidas as notícias, a mulher de Santos Silva e Sofia Fava não terão, também estas, apresentado requerimento deixando nas mãos do Ministério Público provar ao juiz de Instrução, com alguma substância, as tais acusações, até ao presente fundamentadas em extrapolações sobre frases de vários sentidos, proferidas ao telefone, onde a Procuradoria buscou alicerce para suspeições que em qualquer outro processo não teriam permitido alicerçar qualquer acusação.

João Araújo, que as notícias não esclarecem se voltou a assumir a defesa do ex-primeiro-ministro, contactado pela SIC, não se terá pronunciado sobre o assunto e, de novo segundo as notícias, terá remetido comentários para “ daqui a dias” o que legitima pensar que o próprio José Sócrates dirá ao País a razão de não ter pretendido intervir num acto processual sem garantias, sendo ao MP que compete apresentar as provas das suspeições alegadas. ((Outras notícias dizem que Araújo nunca deixou de ser advogado de Sócrates).

O respectivo julgamento, o qual sempre disse desejar com brevidade, fica agora dependente das decisões sobre os requerentes. As diligências requeridas e as provas apresentadas pelos outros permitirão apurar aos nossos olhos e aos da Justiça se existe alguém que corrobore a posição do MP contra este arguido (José Sócrates), sendo certo que da acusação resulta a inocência do mesmo.

Hélder Bataglia, o único que terá admitido ter dado a Carlos Santos Silva, dinheiro, alegando tê-lo feito por ordem de Ricardo Salgado, negou ele próprio conhecer qualquer ligação desse caso a José Sócrates, não sendo, assim, o episódio relacionável com este último acusado, sendo certo que a veracidade é peremptoriamente negada pelo banqueiro, o qual, recorde-se, presidia à administração do BES, banco que tinha vários negócios com Bataglia, designadamente os relativos à compra de submarinos, bem como ao BESA, nada havendo na acusação que legitime pensar-se que o dinheiro entregue ao luso-angolano possa estar relacionado, ainda que indirectamente, com José Sócrates, o qual nunca ninguém relacionou com os negócios do empresário. (Ver aqui as razões de Bataglia).

A não detenção deste outro arguido, a residir em Angola, e os contornos da vinda a Portugal, seguindo em liberdade, deixaram a generalizada convicção de uma “delação premiada", de contornos cuja veracidade em todo lançou suspeitas sobre o seu depoimento, de nenhuma relevância em tribunal.