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segunda-feira, 10 de setembro de 2018

O que quer a Magistrada Maria José Morgado?

  por estatuadesal

(Dieter Dellinger, 09/09/2018)

morgado1

(Dieter, eu digo-te o que ela quer. Quer ser a nova PGR se a Joana for tratar dos netos. Claro que, para isso, e para calar o clamor à direita, tem que se mostrar ainda mais "fundamentalista" na defesa do rebaixamento das garantias processuais do que a própria Joana. That's it...

Comentário da Estátua, 10/09/2018)


A magistrada Maria José Morgado escreveu no Expresso e mostrou-se muito aflita por causa dos recursos e por as pessoas não serem logo presas e os seus bens confiscados.

Aparentemente ela quer que a atual "justiça" com tendências cada vez mais pidescas não sofra os "incómodos" dos recursos, mas começa o seu texto com a seguinte frase: "nos recentes casos de condenações em crime económico-financeiro a execução da prisão e confisco dos bens esfuma-se na multiplicação de incidentes processuais suscitados na instrução ou durante e após o julgamento num carrossel infindável".

No entender da magistrada, o juiz não quer utilizar os seus poderes de disciplina em casos de grande ressonância, porventura com receio escusado de diminuição das garantias processuais cumpridas ao longo do julgamento.

Salienta ainda que a produção de prova prolonga-se durante anos e bastaria uma maior disciplina de prova, sem que, no meu entender, essa frase tenha algum sentido. Há prova ou não há e não se trata de disciplina.

A magistrada Maria José Morgado dá a impressão que suspeita que no caso do ex-PM Eng. J. Sócrates a "prova" é muito débil e ele ainda sai em liberdade com indemnização por ter sido preso há anos sem que tenha havido dados muito concretos para uma sólida acusação.

Claro, não sei se é este mesmo o pensamento da magistrada, mas parece.

Depois fala na litigância de má fé quando a defesa invoca conscientemente incidentes, nulidades, reclamações após a decisão principal.

Na ideia da magistrada: o dilema instalado entre o arrastamento processual dos processos dos notáveis e as garantias do processo-crime acaba por criar desigualdades com os casos de criminalidade comum.

Ela devia ser mais clara e citar casos concretos para confirmar aquilo que toda a gente sabe. Os juízes tendem cada vez mais em julgar politicamente ou não inquirir nem julgar crimes provados, como o de Paulo Portas na compra dos submarinos, blindados, etc. e deixar que um socialista ex-PM seja preso por funcionários tributários sem estatuto e autorização para isso, pelo que li escrito e não sei bem se é verdade. Mas se não for não interessa. O socialista foi entregue à PGR.

Enfim, a doutora fala na democracia do processo penal quando dá a impressão que quer uma espécie de estalinismo que nos idos de trinta liquidou todo o pessoal do seu partido que julgava que não lhe podia obedecer.

O caso hoje não parte de um governo, mas sim de uma "assembleia de magistrados" que quer tomar conta do País, utilizando as leis impor uma espécie de ditadura jurídica sem consentimento dos outros poderes ou mesmo contra esses poderes.

A chamada "Justiça" parece estar a fazer o papel do exército na I. República que deitava abaixo os governos do Partido Republicano Democrático sempre que este ganhava eleições.

Hoje, num país da Nato, utilizar o pequeníssimo exército que temos é demasiado perigoso, principalmente por gente que esteja fora do poder.

A partir do poder pode inventar-se uma intentona tipo Turquia para consolidar como ditador um Erdogan qualquer. A magistrada parece que tem pena que isso não possa ser feito, até porque os "anti-erdogans" que estão no poder parecem não ser do seu agrado.

Por Olof Palme!

Opinião

Afonso Camões

Ontem às 00:01

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  • Existe uma lei, não escrita, segundo a qual se um pé não entra no sapato, é talvez mais prático refazer o sapato do que mutilar o pé. E quem diz refazer, diz reformar, exatamente os verbos em que a maioria dos líderes europeus tem revelado maior incompetência, quando se trata de encontrar soluções para assegurar a coesão entre os estados-membros, ou adotar políticas de asilo comuns que permitam enfrentar, de forma solidária, a crise migratória.

    Ora, as eleições de hoje, na Suécia, são um duplo teste para toda a Europa. Desde logo porque ocorrem no país que tem sido, ao longo de décadas, um dos faróis da social-democracia europeia, guardiã dos valores do Estado social, e primeiro entre todos a resolver uma crise bancária. Mas dos resultados de hoje esperam-se sinal e resposta a duas questões sensíveis que dividem cada vez mais os suecos: o futuro do "Estado de bem-estar" (sociais-democratas e verdes, no poder, pretendem reforçá-lo, enquanto os quatro partidos do centro-direita preconizam cortes); e o rápido crescimento do populismo anti-imigração, cuja força "Democratas Suecos", de extrema-direita, reclama deportações maciças e veto à reunificação familiar, para além de propor um referendo para saída da União Europeia.

    O caudal de audiências desta corrente xenófoba engrossou, sobretudo, com o grande fluxo migratório da Grécia, em 2015, e a proverbial solidariedade pública dos suecos: só naquele ano, este país escandinavo, com uma população inferior à nossa, absorveu 163 mil migrantes em busca de asilo. Hoje à noite, uma sensível inclinação da balança eleitoral para a direita, com o eventual crescimento dos antieuropeus e xenófobos, significaria o refrescamento de um espetro temido e conhecido em Bruxelas: o Swexit. E um imerecido golpe na memória de Olof Palme, antigo primeiro-ministro sueco (assassinado em 1986), um dos europeus que mais apoiaram a democratização portuguesa, pós-revolução, e os movimentos independentistas africanos.

    DIRETOR

    Os caminhos da Direita: o olho, a feira e a baleia

    Opinião

    João Gonçalves

    Hoje às 00:02

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  • A Direita, ou seja, o espaço político liderado pelo PSD e que inclui o CDS, pequenos partidos e "iniciativas", normalmente em coligações autárquicas, e outras manifestações similares emergentes, tem de decidir sob que forma tenciona aparecer ao país nas eleições legislativas. Já se percebeu que, salvo algum imprevisto, concorrerá separada às decisivas europeias de Maio de 2019. Os cabeças de lista, e a restante tropa, serão recrutados consoante os "arranjos" e as "promessas" feitas a este e aquele (ou aquela) dentro de cada partido. Haverá repetições serôdias, que já não acrescem nem trazem novidade por muito beneméritas que sejam, e "estreias" porventura ainda mais serôdias por causa daqueles "compromissos" ou das contingências, como no caso da nova "Aliança" de Santana Lopes. No regime, ninguém parece dar-se conta da importância de uma coisa que está apenas à distância de nove meses e que pode alterar drasticamente a configuração parlamentar europeia, acabando com a preeminência política dos dois partidos europeus tradicionais. Macron anda num périplo a falar numa "união progressista" contra a "ameaça" apelidada de populista. E, nos casos mais inapeláveis de pensamento comunicativo débil, de extrema-direita que é como a língua de pau titula o que floresce pelo voto popular precisamente por causa da língua de pau. Viu-se, aliás, ontem na Suécia. Só Marisa Matias deu nota nacional da séria possibilidade das maiorias "habituais" mudarem em Bruxelas e Estrasburgo, o que dá bem a medida da extensão da inconsciência do sossego democrático "médio" europeu. Em Portugal só o superficial é profundo para tranquilidade do dr. Costa. Rui Rio não faz oposição, a não ser levemente e só depois de zurzir a intendência interna que o obceca. Cristas é esforçada, mas o CDS não chega. E o resto ainda se está para ver que história contará. Morais Sarmento, sempre eloquente, resumiu bem o estado desequilibrado da arte na "universidade" do PSD. A propósito das diferenças entre o partido de que é vice-presidente e o PS, terá dito que "é como confundir o olho do cu com a feira de Sintra". Não especificou qual era qual. Fica, pois, um conselho de Herman Melville, em "Moby Dick", para quem o quiser reter nos atribulados caminhos da Direita: "é preciso ser-se uma grande baleia para descer a cinco milhas e mais". Quem diz descer, diz subir.

    JURISTA

    O autor escreve segundo a antiga ortografia

    Boas notícias para o futebol

    Opinião

    Inês Cardoso

    Hoje às 00:03

  • ÚLTIMAS DESTE AUTOR
  • Investigadores que estudaram as reações cerebrais de um adepto fervoroso de futebol asseguram que o amor ao clube pode ser comparado ao amor romântico. O que acontece dentro das quatro linhas é um caso sério e nos últimos anos ganhou uma dimensão desmesurada, a reboque da imensa mediatização e globalização do fenómeno.

    Meia dúzia de linhas não chegam para contar tudo, mas sintetiza-se o essencial. É estreita a linha que separa as paixões dos vícios, mais estreito ainda o caminho entre as máquinas milionárias dos clubes e os excessos de quem os dirige. Milhões despertam tentações. E quanto maior a ambição e a dimensão da máquina, maior o risco de esquemas, seduções e negócios pouco claros. Que os há, em abundância, em todos os níveis do futebol português.

    O Sporting teve, este fim de semana, a maior participação de sempre na escolha do novo presidente, depois de meses traumáticos, iniciados com a inqualificável agressão a jogadores na Academia de Alcochete. O interesse de tantos sócios no processo não é apenas um sinal de vitalidade interna. É mais uma prova de que um clube não é dos dirigentes, nem dos que o usam à margem da lei. É de quem valoriza o jogo, o tal que tantas vezes se diz ser espetáculo mas se tornou drama de má qualidade.

    Numa semana marcada por processos mediáticos, com a acusação ao Benfica e a punição ao Moreirense, quem gosta de futebol só pode confiar na Justiça e desejar que as investigações apurem tudo o que há a apurar. Seja em que clube for. Esperando que as provas sejam apresentadas onde têm de ser. Avaliando o que é legal ou ilegal, justo ou injusto, sem clubismos nem guerrilhas.

    O amor pelo que se passa dentro do estádio existe. Está cientificamente provado. Quem o sente só pode exigir que ninguém o contamine com negócios fora de jogo.

    SUBDIRETORA

    17,6%

    Fonte: Aventar

    10/09/2018 by João Mendes

    Foi o resultado dos Democratas da Suécia, nas Legislativas deste Domingo. Apesar da ironia presente na nomenclatura, trata-se de um partido de extrema-direita, alinhado com os seus congéneres da nova vaga fascista que ameaça a Europa. Uma vaga que já governa Itália, Hungria, Áustria e Polónia, com as melhorias que lhe são conhecidas no sistema democrático, e que espreita em França, na Alemanha e na Holanda, para não falar da malta do Brexit, que se deixou levar pelos Nigel Farages desta vida.

    A extrema-direita anda por aí, armada e preparada, e as raízes de outros tempos, hoje reforçadas por uma crise interminável e pelo farol laranja que emana merda do outro lado do Atlântico, começam a ganhar muito terreno no Velho Continente, o último bastião do mais aproximado que temos a uma democracia minimamente decente. E não estão sozinhos. A banca gosta destes novos fascistas, a indústria do armamento faz contas a potenciais aumentos de vendas, as organizações racistas e xenófobas rejubilam e os nazis americanos até enviaram para cá o Bannon, para dar um empurrãozinho ao movimento.

    Já Putin, que ainda no outro dia esteve no casamento de uma ministra fascista do governo austríaco, onde dançou com a noiva, perante a admiração e os aplausos de vários “lideres do mundo livre”, deve passar a vida em grandes festas, a rebentar aqueles tubos de confettis e a beber Armand de Brignac da garrafa. Ou de um umbigo qualquer. A vida corre-lhe de feição e até um reality show já tem. Em Moscow. Kremlin. Putin., podemos ver o dia a dia do imperador da Federação Russa e arredores, função que agora acumula com a de regente das províncias dos Estados Unidos da América, sempre másculo e brilhante. O Grande Irmão orwelliano em todo o seu esplendor.

    Alegro-me com o resultado das eleições suecas. Como me alegrei com os resultados em França, na Alemanha ou na Holanda, apesar dos vencedores. Porque nenhuma ameaça, no futuro próximo, é maior do que ascensão do ódio e da violência. E eles andam aí, armados, preparados e a subir a escada do poder, com o precioso auxílio da corrupção, do terrorismo virtual, de Vladimir Putin e dos fascistas americanos que tomaram oficialmente conta do Partido Repúblico. Corremos o risco de acordar tarde demais. Outra vez.