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quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Jovem, queres ser bué rico? Vai p’ra prof!

Publicado por António Fernando Nabais

Jovem, pá, não te entendo, man! Tu mais os teus amigos não querem ser profs? Mas tu não vês, jovem, que os professores portugueses, segundo a OCDE, são os únicos trabalhadores do mundo que chegam a milionários apenas com o ordenado? Diz a OCDE que os profs tugas ganham quase 30000 paus por ano, logo no início da carreira, man!

Os outros licenciados, jovem, ganham muito menos que os professores, é o que diz o pipol da OCDE. Tu, porque és jovem e, portanto, ingénuo, podias pensar uma cena tipo “Mas, se calhar, os outros é que estão mal e deviam lutar para melhorar a vida!” És mesmo jovem, jovem! Em Portugal, a coisa é ao contrário: quem está melhor é que está mal e o mundo só está certo se fizermos com que os que estão melhor fiquem tão mal como os que estão pior, tás a ver? Portanto, os professores é que ganham mais, não são os outros que ganham menos, topas?

Outra cena que tu, jovem, ainda podes tipo pensar é “Se calhar, o professoredo trabalha pouco e dá aulas de merda e, portanto, não merece ganhar tanto.” Aqui, és capaz de, se calhar, ter alguma razão. É verdade que os resultados de vários testes internacionais feitos ao longo dos últimos anos falam das melhorias dos resultados dos alunos, mas há outra cena que tipo tens de perceber: em Portugal, quando as coisas melhoram, foram os ministros e os governos e assim; quando fodeu, foram os professores. Seja lá como for, os profs, como ganham bués, estão-se um bocado a cagar, porque os ricos são mesmo assim.

Há aí profs a mostrar recibos de vencimento, naquela de mostrar que ganham menos, mas, ó jovem, por favor! Tá-se mesmo a ver que é tudo falso! Já viste algum rico reconhecer que é rico?!

Ainda por cima, jovem, os profs, que já ganham bués pastel a fazer merda, ainda fazem greves e manifestações e queixinhas, mesmo tendo mais do que merecem e ainda mais do que é preciso. Até por isso, vale a pena ser prof, jovem. Parece que és otário, ‘da-se! Não fazes nenhum, quando fazes, fazes merda, fazes greves, para fazer menos e para fazer mais merda, e ainda te pagam pra cima de bué!

E como são queixinhas, andaram a escrever para os jornais. O Público, por exemplo, acrescentou uma actualização no fim da notícia sobre as cenas lá da OCDE, em que reconhecia que, afinal, não era bem assim. Os queixinhas vieram dizer que, ah e tal, deviam era ter feito outra notícia com outro título, mas é malta que é queixinhas, é pipol muito fraco, como se os jornais não soubessem tipo.

É ridículo não quereres ser prof, jovem! É tão ridículo como acreditar que há cotas que sabem falar ou escrever como os jovens!

O debate sobre o futuro da Linha do Douro

Publicado por Autor Convidado


Luís Almeida

A Associação Vale d’Ouro e a Câmara Municipal da Régua vão promover no próximo dia 15 de setembro a partir das 16h30 no Auditório Municipal da Régua um debate sobre a Linha do Douro com o objetivo de colocar na agenda nacional a exploração da ligação transfronteiriça e chamar a atenção para as oportunidades que esse investimento poderá ter na região que contará com a presença do Secretário de Estado das Infraestruturas, Guilherme W. d’Oliveira Martins.
Apesar de diversos estudos elaborados ao longo dos anos confirmarem uma vocação estratégica deste eixo ferroviário para o país e para a península ibérica, no contexto transfronteiriço, a situação da Linha do Douro tem-se vindo a deteriorar e o seu contributo para a economia tem vindo a ser negligenciado. O turismo é hoje uma das fortes vocações desta linha ferroviária mas o potencial deste corredor está muito longe de estar esgotado.

Em causa não está apenas a eletrificação que, de acordo com os planos do governo português, não será em toda a extensão da linha atualmente em serviço, mas também o potencial económico, de desenvolvimento regional e até operacional da rede ferroviária nacional e ibérica que o restabelecimento da ligação transfronteiriça poderia trazer.
Para esta sessão, além do painel de lançamento do debate que contará com Alberto Aroso, André Pires, Ascenso Simões, Luís Ramos e Luís Tão, foram convidadas todas as autarquias atravessadas pela Linha do Douro até Salamanca, os operadores ferroviários, o gestor da infraestrutura, operadores turísticos e logísticos, diversas associações empresariais e ligadas ao setor ferroviário e diversos deputados além do público em geral. O debate terá a moderação do jornalista Carlos Cipriano. A sessão de encerramento ficará a cargo do Presidente da Comunidade Intermunicipal do Douro e do Secretário de Estado das Infraestruturas.

O Presidente da Câmara Municipal do Peso da Régua, José Manuel Gonçalves, considera que este é um momento chave para uma discussão que a região precisa urgentemente. O autarca considera que não está em causa apenas o turismo e a operação logística associada a esta linha mas também, e sobretudo, as populações de um vale que tem sido “esquecido” em matéria de investimento. O objetivo deste debate é primeiramente chamar a atenção para a necessidade de um projeto que tem impacto na região mas também no país. Uma visão integrada no território pressupõe olhar para o Vale do Douro em toda a sua extensão, dimensão e potencial. A cidade do Peso da Régua não se poderia alhear de uma discussão que interessa a todos, desde o Porto até Salamanca.

Para Luís Almeida, presidente da Direção da Associação Vale d’Ouro as vantagens da operação da linha do Douro com a reabertura até Espanha são inúmeras e tem impacto não só na região como no país. A Associação Vale d’Ouro entendeu que apesar da pertinência deste assunto, numa altura em que se define o Plano de Investimentos até 2030, a região parecia adormecida para esta discussão e para a relevância de um investimento que diversos estudos apontam como estratégico. Esse foi o principal motivo para, com a autarquia da Régua, lançarem esta iniciativa e colocarem o assunto na agenda nacional.

Ladrões de Bicicletas


A leitura de uma «onda» (II)

Posted: 12 Sep 2018 07:42 PM PDT

Sobem as temperaturas e parece que a silly season se volta a instalar. Em agosto, houve quem visse uma «onda» de reclamações em 20 registos no Portal da Queixa, colocadas por pais e relacionadas com vagas no pré-escolar e no 1º ciclo. Depois, já com o regresso às aulas no horizonte, surgiu um certo «estudo», de uma certa empresa de crédito ao consumo, a afiançar que os pais não queriam saber da política de atribuição gratuita de manuais para nada, preferindo adquirir livros novos. A tudo isto vários jornais deram crédito, sem qualquer sinal de pestanejo ou resquício de dúvida.
Desta vez, terá sido o próprio Portal da Queixa a accionar o alarme, sinalizando mais uma «onda» a aproximar-se, com o «aumento, na ordem dos 317%, do número de reclamações relativas aos manuais escolares». Mais precisamente, foram registadas «cerca de 118 reclamações» no referido portal entre «julho a 6 de setembro», dirigidas ao «Ministério da Educação e Ciência» (que por acaso já não existe), relacionadas com a plataforma MEGA e o acesso aos vouchers que permitem aos pais levantar nas livrarias os manuais escolares dos filhos.
Fazendo as contas, de cerca de 28 reclamações em 2017 passou-se, no mesmo período, para as cerca de 118 reclamações de 2018. E, mais uma vez, alguns jornais deram descontraidamente relevo a estes dados, destacando nos seus títulos o tal aumento de 317%. Isto é, sem parecer dar conta da contradição com os «resultados» do referido estudo da Cetelem (segundo o qual «97% prefere adquirir livros novos»), nem tão pouco da revolução bem sucedida de criar uma plataforma de distribuição, com cerca de 3,5 milhões de vouchers de manuais escolares já emitidos, abrangendo mais de 520 mil alunos do 1º e 2º ciclo do ensino básico. Esperemos, portanto, que esta aparente falta de espírito crítico mediático seja apenas fruto de uma qualquer «onda» de calor, vinda já um pouco fora de época.

10 anos depois está quase tudo por fazer

Posted: 12 Sep 2018 08:47 AM PDT

A estagnação dos rendimentos de trabalho desincentiva o investimento na economia real, o que se traduz num crescimento económico anémico. Escasseando as oportunidades para investimento produtivo, os super-ricos e os países com excedentes externos acabam por aplicar as suas poupanças em atividades cada vez mais especulativas (imobiliário, ações, matérias-primas, etc.), que quase não criam emprego e geram grande instabilidade.
As mudanças introduzidas nos sistemas bancários na última década (...) estão muito longe de conseguir prevenir o efeito desestabilizador que o regime económico em que vivemos exerce sobre as economias, sobre as sociedades e sobre as democracias.
O mundo precisa de transformações muito mais vastas. Uma década depois está quase tudo por fazer.
(O resto do meu artigo no DN de ontem, sobre os 10 anos da falência do Lehman Brothers, pode ser lido aqui.)

Entre as brumas da memória


Robles?

Posted: 12 Sep 2018 01:46 PM PDT

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Dica (808)

Posted: 12 Sep 2018 11:15 AM PDT

A Warning From Europe: The Worst Is Yet to Come (Anne Applebaum)

«Polarization. Conspiracy theories. Attacks on the free press. An obsession with loyalty. Recent events in the United States follow a pattern Europeans know all too well.»

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O Parlamento Europeu sanciona a Hungria

Posted: 12 Sep 2018 09:46 AM PDT

Parlamento Europeu aprova sanção histórica contra a Hungria de Viktor Órban.

«O relatório da comissão parlamentar das Liberdades Cívicas, da Justiça e dos Assuntos Internos do PE, que considerava existir um risco manifesto de violação grave, pela Hungria, dos valores europeus, recebeu 448 votos a favor, 197 contra e 48 abstenções durante a votação realizada no PE, em Estrasburgo, França.»

Os eurodeputados portugueses votaram a favor, com excepção dos do PCP, que votaram contra, e de Marinho Pinto que se absteve.Algum espanto?
P.S. – A justificação oficial do PCP pode ser lida AQUI.

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Portugueses ciganos – o escamoteamento da ciganobofia e o discurso institucional

Posted: 12 Sep 2018 02:58 AM PDT

«A partir do caso de uma jovem cigana de 15 anos que pretende preparar-se para casar e ficar em casa a ajudar a mãe doente, em vez de continuar estudos para os quais não se sente vocacionada, o que foi aceite pelo juiz de Fronteira, o PÚBLICO de 5 de Setembro abriu, e bem, um debate sobre o abandono escolar, na dupla dimensão de abandono desejado por uma jovem, com apoio familiar, e de abandono aceite por um juiz. A Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) não conseguiu demover a rapariga, dado o primado que é atribuído à vida familiar e, mais profundamente, a visão do mundo das comunidades ciganas que sabem que não contam com o apoio do Estado e que não existirá, mesmo com a escolaridade completa, qualquer inserção no mercado de trabalho. A jovem não desejava essa inserção profissional e, mesmo que desejasse, ela estar-lhe-ia vedada em 99% dos casos, mais ainda em Fronteira.

Do caso particular, que o juiz apreciou tendo em conta o contexto familiar e local, passou-se para o discurso idealista e normativo dos servidores do Estado e das instituições internacionais, escamoteando a real situação de marginalização e de xenofobia que atinge a larga maioria destes portugueses, e ainda mais no Interior. De Sul a Norte, a ciganofobia continua a constituir “a mais grave e escandalosa de todas as situações de racismo e xenofobia registadas em Portugal”, como descrevi, em 1997, num relatório sobre a juventude das minorias étnicas, encomendado pelo Governo de António Guterres [1]. Em 20 anos, pouco mudou. A pobreza, a exclusão habitacional e do mercado de trabalho por autarcas e empregadores, o analfabetismo e a baixa escolaridade, derivados do nomadismo forçado, a marginalização ciganófoba, a violência policial e a elevadíssima taxa de aprisionamento (por pequeno tráfico de droga, para fins de sobrevivência familiar) criavam e ainda criam um círculo vicioso a que escapavam sobretudo os feirantes (em vias de extinção, a sul) e os vendedores ambulantes. A vida familiar e comunitária, com os seus casamentos e festas, e a inserção de muitos nas Igrejas Ciganas, permitiam escapar à violência ciganófoba de populações [2] e ao silêncio cúmplice de políticos [3].

Escamoteado o quadro geral, de repente, o que fica em causa, para a secretária de Estado, é “o acesso à vida plena do seu futuro profissional e cidadão” (qual ‘vida plena’, qual futuro profissional?). E para a coordenadora do Observatório, o problema seria a “desigualdade de género entre estudantes ciganos” e, imagine-se, “o direito humano fundamental à formação de cidadãos conscientes e críticos/as”.

O discurso jurídico-filosófico, o universalismo constitucional e o pensamento escolástico, refugiando-se em categorias distantes das realidades sociais e políticas, têm consequências cognitivas que seriam ridículas se não lançassem a confusão mediática sobre as realidades sociais. Alvo de cinco séculos de perseguição criminosa e de marginalização, com resultados escandalosos, os portugueses ciganos precisam que o Estado promova um processo de discriminação positiva (como o que está a fazer para o interior ou promovendo quotas parlamentares), não precisam de devaneios sobre o “acesso à vida plena” e à “formação de cidadãos conscientes e críticos”.

Claro que, idealmente, como relembra Bruno Gonçalves, em casos particulares existiria o recurso excecional ao ensino doméstico, ou a ofertas alternativas (como ‘um curso de cozinha só com raparigas’), mas isso, na realidade, não existe para ciganos, em Fronteira, como, em geral, no resto do interior.

O que existe no interior e na generalidade do país é a continuação do nomadismo forçado (famílias a quem tiraram as casas, obrigadas pela GNR a percorrer um circuito de uma dezena de municípios para voltar ao ponto de partida; interdições de permanecer em distritos e vilas), a expulsão de vilas e cidades (como aconteceu em Beja, com o ‘parque nómada’), escolas com edifícios e turmas segregadas em que nenhum ensino escolar é dado a turmas ciganas, municípios que se recusam a construir habitação social que inclua portugueses ciganos, com medo do seu eleitorado, e uma recusa generalizada de contratar ciganos, por privados, por autarcas e até, com raras exceções, no funcionalismo público.»

[1] Portugal Multicultural. Lisboa, Fim de Século, 1999: 140-156

[2] Sintrenses ciganos. Sintra; Câmara Municipal de Sintra, 2007, 171-196

[3] Portugueses ciganos e ciganofobia em Portugal, Lisboa, Colibri e CRIA-FCSH, 2013, 337-389

José Gabriel Pereira Bastos

DE SINDICALISTA A DIRIGENTE DESPORTIVO

por estatuadesal

(In Blog O Jumento, 12/09/2018)

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O magistrado Palma

Ia caindo de cu quando vi que um dos magistrados que foram eleitos para os órgãos dirigentes do SCP era o nosso incansável e inenarrável Palma, uma personagem muito conhecido na democracia portuguesa e que teve uma intervenção ativa na política portuguesa, à frente de um sindicato que chegou a ser patrocinado pelo Dono Disto Tudo.

Explica o inenarrável Palma que a sua presença na liderança do clube era uma espécie de garantia de justiça, como se Alvalade fosse uma espécie de Boa Hora. Sejamos honestos e esqueçamos essa treta da verdade desportiva, do ecletismo e de outras coisas, na perspectiva de um qualquer burro, pouco importando se mirandês ou branco, o que cheia ali para os lados de Alvalade, como cheira na Luz ou nas Antas, é a palha, a muito e boa palha, uma palha saborosa e nutritiva que atrai notáveis com o mesmo poder que a merda atrai as moscas.

A presença de magistrados nos clubes é uma vergonha para os clubes e para a magistratura, pouco importa se estão jubilados porque eles até com demência continuam magistrados e por isso até têm direito a subsídio de residência, não vá o tribunal fica longe de casa. Não há como explicar a sua utilidade a não ser que sirvam para influenciar, já que para julgar ou acusar o Bruno de Carvalho qualquer oficial de justiça serviria.

Como explica que num país com tão poucos juízes, onde os processos se arrastam por décadas exista uma tal concentração de magistrados por metro quadrado? Num tempo em que os clubes tentam destruir os adversários nos tribunais porque não o conseguem fazer nos relvados, mandaria o bom senso que os juízes ficassem longe da mesa dos rissóis da bancada central.