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domingo, 31 de dezembro de 2017

2018

por rui a.

Já me tinha esquecido dos «estalinhos de Carnaval». Em garoto usava-os nas épocas adequadas e divertia-me com eles. Mas tinham-se varrido da minha memória, desde que foram proibidos, assim como as «bombinhas» das mesmas festas, os foguetes, os balões de S. João, tudo coisas «perigosíssimas» que encantaram gerações e animaram festas populares, durante décadas. Os «estalinhos» podem cegar os petizes, as «bombinhas» arrancar-lhes os dedos, os foguetes e balões causam incêndios que desapareceram das nossas matas assim eles foram proibidos. Em Portugal, o estado zela pela nossa felicidade e bem-estar, e legisla proibindo tudo que o possa impedir. De passagem breve por Madrid, onde os nativos mantêm esses costumes tribais, relembrei os «estalinhos» por ver crianças a brincar com eles. Todas tinham os dez dedos das mãos e a nenhuma me pareceu ter sido vazado qualquer olho. Julgo que eram apenas miúdos felizes a «assustar» e a brincar com os pais e adultos.

Um bom ano de 2018 para todos!

Estalinhos de Carnaval - Cantos (1)_PC-thumb.JPG

Ladroagem piolhosa

por Telmo Azevedo Fernandes

PS_Falencia

Ok, Marcelo veta as alterações à lei de financiamento dos partidos.
Sendo imoral, ignominioso e imperdoável, ficaria pelo menos claro para todos o alívio que daria ao PS sobre a iminente insolvência do partido.

Os donativos dos dirigentes e os recentes empréstimos do Novo Banco não foram suficientes. Resta pois saber que outros meios subreptícios e dissimulados usará o PS em alternativa, pois o instinto de sobrevivência dos piolhosos não olha a meios nem a princípios éticos.

Toda esta história das isenções fiscais para os partidos políticos, justificações e comentários subsequentes evidencia que imposto é roubo.

Se me parece manifesto o especial e particular interesse do PS na nova versão do diploma, nenhum dos outros partidos e deputados que promoveram e aprovaram a proposta de alteração têm menor culpa.

Por mim, apontei os nomes de todos.
Espero que haja forma de os responsabilizar pessoalmente. Um a um.

Não pode haver condescendência com a ladroagem, ainda por cima praticada de forma consciente.

Cartolas saídas de cavas tolas

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por Ana Moreno

Ajuste direto da EGEAC - Empresa da Câmara de Municipal de Lisboa que gere as atividades culturais –, para compra de 30 mil cartolas para a Passagem de Ano por 57 mil euros (...)”.  Isto mais parece uma brincadeira de Carnaval de muito mau gosto. À parte as tricas e negociatas da adjudicação, cabe na cabeça de alguém gastar tal montante (por mais patrocinado que seja) para produzir uma brutalidade de objectos inúteis de plástico??? Não terão os responsáveis por este absurdo ouvido falar dos problemas de poluição provocados pelo plástico? Mas que belo exemplo dais senhores empresários municipais da EGEAC! Bem acrescentais que está garantida “a recolha e a transformação através de processos de reciclagem do plástico produzido nos três dias de concertos na Praça do Comércio”. Reciclagem? Pois mais custos, embora melhor que nada; mas sabeis que embalagens e produtos plásticos desnecessários não deveriam sequer ser produzidos, pois sabeis? Ele é mesmo que se lixe, é ou não é?

Em festa pela destruição do planeta, chim-chim ao novo ano!

Em defesa dos produtos tradicionais portugueses

Ladrões de Bicicletas


Posted: 30 Dec 2017 01:13 PM PST

Dou valor aos produtos tradicionais portugueses. Não porque considere que o que é nacional é sempre bom, ou que os produtos feitos em Portugal são os melhores do mundo. Ninguém conhece o mundo suficientemente bem para dizer uma coisa dessas.
Valorizo os produtos tradicionais - tapeçaria, olaria, culinária e doçaria, vestuário e calçado, vinhos e licores, joalharia, trabalho em madeira, etc. - porque transportam em si muitos anos de conhecimento acumulado que seria um absurdo desperdiçar.
No entanto, esse valor tende a ser desperdiçado. Não porque os produtos sejam feios, pouco saborosos, pouco saudáveis ou disfuncionais - muitos são o contrário disto. O seu preço não é necessariamente muito mais alto do que os equivalentes "modernos" (quando existem).
As sociedades contemporâneas desperdiçam os produtos tradicionais por muitas outras razões. Desde logo, porque a maioria das pessoas tem pouco tempo para pensar no que compra e para procurar o que quer comprar. Ou quando tem tempo não tem o hábito de consumir com consciência. Gastamos boa parte do nosso dinheiro em espaços comerciais controlados por grandes empresas de distribuição, que preferem comprar produtos estandardizados e em grandes quantidades (o que se presta pouco à produção tradicional) e que investem milhões em publicidade para convencer as pessoas a comprá-los. Empresas que pagam miseravelmente a quem tem pouco poder negocial, como acontece com muitos produtores de bens tradicionais, contribuindo assim para o abandono dessas actividades.
Claro que não são só os produtos tradicionais feitos em Portugal que devem ser valorizados. Simplesmente estes estão mais próximos de nós, temos mais oportunidades para os conhecer e adquirir do que aos de outros países. Como em tantos outros domínios - arquitectura, vestígios de civilizações passadas, livros antigos, música regional, etc. - temos a responsabilidade individual e colectiva de preservar conhecimentos ancestrais que merecem ser preservados, mas que tendem a ser destruídos pela lógica do consumo de massas.
Valorizemos pois os produtos tradicionais portugueses. E como aqui escrevi há quase uma década (para quem o argumento é relevante), não entreguemos à direita o monopólio das tradições.

Refugiados

sábado, 30 de dezembro de 2017

Entre as Brumas da Memória

Entre as brumas da memória

30.12.17

Idiotia e Felicidade

«Como pode ser-se idiota e, ao mesmo tempo, feliz, pergunta-me um leitor? Pois explico já. A idiotia e a felicidade são ideias muito vagas, difíceis de cingir em conceitos de circulação universal, digamos. Mas, pensando melhor, acho que certa idiotia é susceptível de conferir ao idiota seu proprietário (ou seu prisioneiro) uma espécie de segurança em si próprio que o levará, em determinados momentos, julgo eu, a uma beatitude muito próxima do que se pode chamar estado de felicidade. Assim sendo, não vejo incompatibilidade entre o ser-se idiota e o ser-se feliz. Bem sei que há várias maneiras de se chegar a idiota. (...)

Ora, um idiota que é infeliz por saber que é idiota já pode estar a caminho de deixar de o ser. É uma possibilidade. É a tal luz no fundo do túnel, como se disse tantas vezes a propósito da situação económica deste idiota de país.

Não se espante, por conseguinte, o leitor de que um qualquer idiota possa, ao mesmo tempo, ser feliz. É, até, assaz corrente. Há idiotas que se consideram inteligentíssimos, o que é uma forma muito comum de idiotia, e extraem dessa certeza alguma felicidade, aquela maneira de felicidade que consiste em uma pessoa se julgar muito superior às que a rodeiam.

O leitor gostaria de ser ministro ou secretário de Estado? Pois fique sabendo que há quem goste, embora - será justo dizê-lo - também há quem o seja a contragosto, por dever partidário ou patriótico.

Os idiotas, de modo geral, não fazem um mal por aí além, mas, se detêm poder e chegam a ser felizes em demasia podem tornar-se perigosos. É que um idiota, ainda por cima feliz, ainda por cima como poder, é, quase sempre, um perigo.

Oremos.

Oremos para que o idiota só muito raramente se sinta feliz. Também, coitado, há-de ter, volta e meia, que sentir-se qualquer coisa.»

Alexandre O'Neill, Uma Coisa em Forma de Assim, 1980

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LABELS: LIVR

O cocó do Presidente

Não pode ser, a realidade ultrapassa a ficção, o «Inimigo Público» fez uma OPA à página da presidência!