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segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

12 personalidades para 12 meses, no ano em que Sócrates é julgado

O julgamento de José Sócrates deve começar na segunda metade do ano

  |  FILIPE AMORIM / GLOBAL IMAGENS

Em 2018, os partidos começam a aquecer os motores para as legislativas de 2019. O Presidente da República vai estar atento aos "eleitoralismos" exagerados. Marcelo Rebelo de Sousa vai manter-se ao lado das populações, sobretudo das mais fragilizadas. O PSD muda de liderança e abre-se um novo ciclo na oposição. António Costa tentará gerir as pressões à direita, mas também à esquerda para que a geringonça se mantenha oleada. E no interim da normal vida democrática, vai começar aquele que é considerado o julgamento dos julgamentos, o do antigo primeiro-ministro José Sócrates.

1. José Sócrates
Ex-primeiro-ministro

O maior julgamento da democracia

Aconteça o que acontecer, a democracia já estremeceu e pode ainda sofrer um abalo maior com o julgamento inédito de um ex--primeiro-ministro. A acusação tem 4000 páginas, 28 arguidos na Operação Marquês, em que José Sócrates é acusado de 31 crimes. O ex-governante do PS deverá sentar-se no banco dos réus no segundo semestre do ano e vai marcar muito do debate político em 2018, até porque com ele serão julgados outros nomes grandes da vida nacional, entre os quais Ricardo Salgado, Henrique Granadeiro e Zeinal Bava. Seja Sócrates acusado ou absolvido, uma coisa é certa: nada será como antes na pacata democracia portuguesa, em que sempre houve a perceção de que os "grandes" escapavam às malhas da justiça.

2. Marcelo Rebelo de Sousa
Presidente da República

Um Presidente todo-o-terreno

Marcelo Rebelo de Sousa já deu todas as provas que de que com ele a Presidência da República é o eixo central da política nacional. O inquilino de Belém estará ainda mais presente no terreno - se é que isso é possível -, sobretudo junto da população mais fragilizada. As zonas atingidas pelos incêndios e a proteção do interior vão ser seguramente as suas bandeiras. O Presidente já fez o aviso de que em ano pré-eleitoral estará muito atento às medidas eleitoralistas que por aí se adivinham e às revindicações da esquerda, que quer marcar terreno a tempo das legislativas de 2019. A estabilidade da vida financeira e económica do país serão mensagens constantes durante os próximos meses. O Presidente também se irá confrontar com uma nova liderança do PSD, que irá introduzir outra dinâmica na oposição ao governo.

3. António Costa
Primeiro-ministro

Um ano para fugir de todas as tragédias

O primeiro-ministro pisou no ano que agora termina uma camada fina de gelo, que à superfície se fez de sucesso económico, mas que estalou com tragédias, como as mais de cem mortes dos fogos, e várias polémicas, entre as quais a de Tancos e a da Raríssimas. António Costa tem um ano para reparar os danos que os incêndios de Pedrógão e de outubro causaram na imagem do governo, a tempo de entrar em 2019 com capacidade de mobilização do eleitorado. Costa já deu sinais de que vai apostar na reposição dos direitos do trabalho, o que permitirá estancar as reivindicações dos partidos à esquerda e das centrais sindicais e colher a simpatia em vastos setores laborais. O dossier do Código Laboral pode ser mesmo a ferramenta para o líder do governo conseguir roubar as bandeiras que a esquerda que o apoia no Parlamento se prepara para agitar.

4. Mário Centeno
Ministro das Finanças

Um ministro mais por cá ou mais na Europa?

Mário Centeno vai ser uma das personalidades que mais tempo de antena terá nos meios de comunicação social e sobre o qual os holofotes estarão virados. Incluindo os de Belém. O ministro das Finanças terá a dupla condição de presidente do Eurogrupo, num momento em que na União Europeia se debatem matérias escaldantes sobre o futuro no pós-brexit - reforma das instituições, completar a união bancária e fechar o programa grego com sucesso. Centeno vai ter que encontrar o tom certo entre o que os pares europeus decidirem e a política interna e os interesses do país. Marcelo já o avisou com muito tempo de antecedência que não se pode distrair com as novas funções e deixar as finanças nacionais menos controladas. Costa também o quererá muito atento, o crescimento económico é fertilizante para as legislativas de 2019.

5. Rui Rio ou Santana Lopes
Futuro líder do PSD

Um novo rosto para a oposição ao governo

A 13 de janeiro já se saberá quem vai suceder a Pedro Passos Coelho na liderança do PSD. Rui Rio ou Santana Lopes vão protagonizar a oposição ao governo, num momento em que António Costa ainda andará a correr contra os prejuízos do ano anterior. Santana mostra-se mais intransigente quanto à possibilidade de estabelecer quaisquer entendimentos com o governo ou o PS, o que porá em risco o processo de descentralização que está em curso. Rui Rio também afasta pactos, mas é menos taxativo na possibilidade de entendimentos a bem das reformas urgentes no país. E a descentralização, segundo a sua perspetiva, é mesmo uma delas. O novo líder do PSD também terá de encontrar o registo certo no relacionamento com o CDS. A presidente Assunção Cristas tem tomado a dianteira na oposição, até por uma certa paralisia do PSD neste momento de mudança de direção. Hostilidade a mais não é aconselhável contra um eventual e natural parceiro de coligação, se os ventos eleitorais se revelarem favoráveis ao PSD em 2019. Rio e Santana vão ter de saber gerir sabiamente a relação com Belém.

6. Jerónimo de Sousa
Líder do PCP

Como recuperar a força do PCP?

O líder do PCP foi arrojado ao dar a mão ao governo socialista, mas teve alguns amargos de boca. Jerónimo de Sousa confrontou-se com um mau resultado da CDU nas eleições autárquicas de 2017, o que é um duro golpe para um partido que sempre teve no poder autárquico o seu grande suporte. O secretário-geral comunista terá de ser mais ágil para acompanhar a pedalada do outro parceiro do governo no parlamento, o BE, que conseguiu comunicar bem e tirar melhor partido das medidas mais simpáticas nos dois anos de governação socialista. É provável que as reivindicações do partido de Jerónimo subam de tom, muito alavancadas pelo braço sindical da CGTP. O pacote laboral vai dar que falar.

7. Catarina Martins
Líder do BE

Manter a pressão para marcar terreno

O Bloco de Esquerda tirou proveito da geringonça, um termo aliás que está a cair em desuso e que provavelmente será pouco repetido em 2018. Catarina Martins, líder do BE, que vai ter convenção este ano, só tem de manter a pressão sobre o governo para marcar o terreno, tendo em vista os resultados eleitorais do próximo ano. Sempre sem pôr em causa a possibilidade de, em caso de uma maioria relativa do PS nas legislativas, vir quiçá a integrar o próprio executivo. Essa porta não foi fechada. Também os bloquistas irão, certamente, apostar no pacote dos direitos laborais.

8. Assunção Cristas
Líder do CDS

Consolidar mais a posição do CDS

Assunção Cristas parte para 2018 numa posição muito confortável, já que reforçou a sua liderança com o resultado que obteve nas eleições autárquicas em Lisboa, onde ficou à frente do PSD. Mas é precisamente perante uma nova liderança do partido que há pouco tempo ainda era aliado do CDS no governo, que a presidente centrista terá de se destacar se quiser continuar a comandar a oposição ao governo. O partido também tem congresso este ano, a 10 e 11 de março - já depois das diretas e do congresso do PSD - e nessa altura se deverá perceber qual a linha de estratégia de Assunção para os próximos dois anos.

9. Tiago Brandão Rodrigues
Ministro da Educação

Carreira de professores encarreira?

Um dos mais poderosos sindicatos, comandados pelo comunista Mário Nogueira, é a Fenprof. É um dos motivos pelo qual os detentores da pasta da Educação nunca podem dormir tranquilos. O atual ministro da Educação já provou isso mesmo com o descongelamento das carreiras dos professores, que não satisfizeram a classe e a Fenprof. Tiago Brandão Rodrigues vai estar sob fogo nas negociações durante os primeiros meses do ano para que seja tido em conta nas progressões o tempo em que as carreiras dos professores estiveram congeladas. Há um acordo de princípio, que travou uma greve geral, mas que depois foi alvo de declarações contraditórias por parte de membros do governo. Tudo pode correr muito bem como pode vir ainda a ser um foco de tensão para o executivo e em particular para Tiago Brandão Rodrigues.

10. Adalberto Campos Fernandes
Ministro da Saúde

Infarmed de malas aviadas para o Porto?

O ministro deu um tiro no pé ao anunciar de supetão a transferência do Infarmed para o Porto, sem ter cuidado de preparar a instituição para o processo complexo. O próprio primeiro-ministro deu um puxão de orelhas a Adalberto Campos Fernandes ao reconhecer publicamente que foi um erro a gestão deste dossier. Há um grupo de trabalho agora a estudar a decisão política de transferir a autoridade nacional do medicamento para-o norte. Mas não é pacífico que mesmo muito bem fundamentada, a decisão seja acolhida de ânimo leve pelos trabalhadores do Infarmed. A par deste problema, o ministro da Saúde tem ainda que gerir um Serviço Nacional de Saúde com vários achaques. E evitar a todo o custo que se repita um problema semelhante ao que originou o surto de legionela no Hospital São Francisco Xavier e que vitimou cinco pessoas. Está ainda latente o mal-estar entre os médicos e os enfermeiros.

11. Eduardo Cabrita
Ministro da Ad. interna

Ministro sujeito ao teste do verão

De todo o governo, até mais do que o titular das Finanças, o ministro da Administração Interna vai ser uma das personalidades mais visadas em 2018. Caiu no colo de Eduardo Cabrita algumas das pastas mais complexas, em primeiro lugar a da reestruturação da Proteção Civil. Será Cabrita a colocar em marcha muito do que terá de ser feito para prevenir e evitar que se repita o cenário dantesco dos incêndios de Pedrógão e de outubro e as 110 vítimas que provocaram. Mas é também nos seus ombros que repousam as forças de segurança, que têm vindo a dar novamente sinais de que estão descontentes com a evolução das condições de trabalho. Outro dossier importante que manteve sob a sua tutela é o da descentralização, uma das bandeiras do governo socialista, que tem de ser negociada com a Associação Nacional de Municípios e até com a oposição.

12. Ricardo Robles
vereador do BE

Ensaio para a entrada no governo?

Porquê destacar entre as personalidades do próximo ano o discreto vereador do Bloco de Esquerda na Câmara de Lisboa? Pela simples razão que Ricardo Robles, que integrou o executivo camarário de Fernando Medina, poderá ser uma espécie de balão de ensaio do PS e do BE para a eventual entrada do Bloco num executivo socialista. Se tudo correr bem na capital porque não experimentar no governo central?

Líder da Coreia do Norte anuncia que programa nuclear está completo

Não se trata de uma chantagem, mas da realidade", declarou Kim Jong-un. Por Lusa|02:16PARTILHE 1 0 1 / 5 Kim Jong-un supervisiona lançamento de mísseis coreanos Reuters 1 0 O líder Kim Jong-un anunciou este domingo, no discurso anual à nação, que a Coreia do Norte completou o programa nuclear em 2017 e os Estados Unidos devem reconhecer esta realidade. Os Estados Unidos devem estar cientes de que as armas nucleares do país são agora uma realidade e não uma ameaça, sublinhou o "número um" norte-coreano na mensagem de Ano Novo. "O botão nuclear continua na minha secretária. Não se trata de uma chantagem, mas da realidade", declarou Kim, repetindo que a Coreia do Norte era, a partir de agora, uma potência nuclear e capaz de alcançar todo o território dos Estados Unidos.
Ler mais em: http://www.cmjornal.pt/cm-ao-minuto/detalhe/lider-da-coreia-do-norte-anuncia-que-programa-nuclear-esta-completo?ref=cmaominuto_timeline

Vem aí um tsunami regulatório na banca?

Maria Teixeira Alves e Filipe Alves

Ontem 19:30

O próximo ano vai assistir a uma vaga de nova regulação no setor financeiro, com a entrada em vigor da diretiva DMIFII e o regulamento RMIF.

A primeira é uma diretiva que exige transposição para a legislação nacional, ao passo que o regulamento entra em vigor a 3 de janeiro sem necessidade de aprovação pela Assembleia da República. Ambos têm um objetivo: reforçar os requisitos de transparência introduzidos e robustecer o controlo da venda de produtos financeiros pelos intermediários financeiros. No fim do dia, o objetivo é mais uma vez minimizar as possibilidades de misselling, a venda enganosa de produtos financeiros.

Para além de criar novas regras para a concepção e comercialização dos produtos, que obriga a uma formação intensa dos bancários, haverá ainda alterações ao nível dos deveres de transparência nas transações em mercados. As empresas de investimento terão de tornar público o volume, o preço e hora da transação. As plataformas de negociação passam a ter de publicar ainda os preços pré-negociação, e os interesses inerentes na negociação, a esses preços. As empresas de investimento passam também a ter, no pós-negociação. de tornar públicos o volume e os preços. Isto vai exigir um enorme investimento em sistemas informáticos e em formação.

No próximo ano as instituições de crédito da área do euro terão ainda de implementar uma nova norma contabilística, introduzida na sequência da crise financeira, conhecida por Norma Internacional de Relato Financeiro 9 (International Financial Reporting Standard 9 – IFRS 9). Esta nova forma de contabilidade dos bancos, que entra em vigor a 1 de janeiro de 2018, obriga-os a reconhecer as perdas com empréstimos mais cedo do que anteriormente. A alteração muda a forma como as perdas de crédito devem ser provisionadas. Até agora os cálculos eram baseados em “perdas incorridas”; com o IFRS-9 será introduzida uma nova forma baseada em expectativas futuras, ou perdas esperadas (Expected Credit Loss – ECL).

A estas mudanças regulatórias juntam-se à nova lei do Branqueamento de Capitais, que entrou em vigor este ano e que está a obrigar o setor financeiro a um esforço acrescido em termos de compliance. Os bancos são obrigados a reforçar o acompanhamento dos beneficiários efectivos de transacções financeiras, no âmbito do combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento do terrorismo.

E, last but not the least, é de referer a nova Diretiva de Serviços de Pagamentos (DSP2), que entra em vigor em janeiro e obriga os bancos a cederem os dados dos seus clientes a entidades terceiras.

Os bancos serão obrigados a dar o acesso aos dados dos clientes a empresas legítimas, fidedignas e credenciadas, nomeadamente às fintech que prometem competir com a banca tradicional. O cenário de hegemonia de grandes bancos poderá ser pressionado com esta nova diretiva. Sobre as Fintechs, o Governador do Banco de Portugal já veio dizer que “a regulação não pode servir de entrave à inovação nem pode ser uma proteção aos incumbentes”.

Especial 2018: as opiniões dos protagonistas (II)

Redação

Ontem 21:00

O Jornal Económico pediu a personalidades de diferentes quadrantes da sociedade portuguesa para projetarem as suas expectativas e ambições para o próximo ano. Leia aqui a de Luís Cortes Martins, Isabel Capeloa Gil, Pedro Ferraz da Costa, João Vieira Lopes e Alberto Ramos.

“Um excelente ano económico”

Luís Cortes Martins, managing partner da SLCM

Creio que 2018 tem condições de ser um excelente ano no plano económico. Os bons resultados das economias americana, japonesa e europeia bem como uma recuperação, ainda que tímida do Brasil, e uma estabilização dos mercados asiáticos abrem boas perspectivas.
Claro que os imprevistos, que em maior ou menor escala, sempre acontecem, se encarregarão, ou não, de iludir as boas perspectivas.
O maior problema são as cada vez maiores tensões geopolíticas: Coreia do Norte, Catalunha, Brexit, Polónia e o sempre complexo Médio Oriente. A Europa precisa desesperadamente de liderança e de um projecto que entusiasme para além das cinzentas declarações de gabinete.
Passada a crise da divida soberana é tempo da politica pura e dura. E os políticos? Estão por aí?
Em Portugal creio que poderemos continuar a contar com a “mola” do Turismo e continuará a trajectória de consolidação das finanças públicas. Mas com o aproximar das eleições o OE para 2019 será complexo e poderá gerar alguma instabilidade interna lá mais para o final do ano.
Há investimento estrageiro, o imobiliário está ao rubro, e com as subidas dos ratings da Republica e de algumas empresas, é previsível que a nossa economia esteja mais no radar dos investidores estrangeiros.
Se a isto conseguíssemos somar uma reforma séria e justa do Estado no sentido de reduzir a despesa corrente e tornar o sistema de justiça mais eficiente certamente ainda teríamos uma melhor performance. Ah!! e já agora não agravem a carga fiscal.

“Que em 2018 não se repita a falência das funções do Estado”

Isabel Capeloa Gil, reitora da Universidade Católica Portuguesa

A imprevisibilidade que assolou 2017 não deve continuar no próximo ano. Sobretudo porque o estado de espírito da nação mudou. A depressão deu lugar à euforia, substanciada em indicadores tão positivos que até as malévolas agências de rating confirmam uma subida da notação da nação, tão destacada como improvável nos cenários pós 2011.
Após a catástrofe de 2016 com o Brexit e a eleição de Trump, 2017 tem sido um ano de ressaca. Os populismos agigantam-se na Hungria e Polónia e são travados em França, no Médio Oriente a guerra parece ter entrado num momento regressivo, e até as boutades do Presidente americano contra o Irão e a Coreia do Norte parecem seguir o previsível decorrer da sua retórica política divisiva.
Nesta nova normalidade, 2018 trará de novo a questão catalã, tão longe de resolução como no dia em que o governo de Espanha proibiu o referendo; trará de novo o receio do nuclear no Extremo Oriente. Em Portugal, o orçamento de 2019 será o teste definitivo à robustez da aliança governativa de esquerda, na oposição preparam-se os candidatos que congregarão a alternativa à direita, e o país esperará, com maior determinação, que 2018 não repita a falência das funções do Estado. O país espera responsabilidade dos governantes, equidade, justiça, e sobretudo uma visão para o país, que não se limite à propaganda das praias, mas se faça através da disseminação da grandeza, das capacidades e da inovação dos portugueses.

“Perspectivas globais risonhas e modernização interna”

Pedro Ferraz da Costa, presidente do Forum para a Competitividade

1 – As perspectivas para 2018 são risonhas a nível global.
Um forte crescimento nos EUA ajudará ainda mais o crescimento global. Mas um sobreaquecimento dessa economia fará subir quer o dólar, quer as taxas de juro.
Para Portugal era preferível que o crescimento americano não chegasse ao ponto em que arrastará uma subida significativa dos juros, com consequências pesadas para os custos da nossa dívida.
A União Europeia, que está numa fase mais atrasada do ciclo económico, deverá continuar a crescer bastante bem o que é bom para as nossas exportações.
Pontos de interrogação: situação na Catalunha e governo na Alemanha
2 – Internamente, e com a direcção política dos pesos-pesados europeus já clarificada, abre-se um período onde será possível discutir a modernização da economia portuguesa, bem como as medidas necessárias a um crescimento com mais qualidade, em termos de produtividade e de salários e de investimentos para o futuro.
A economia portuguesa está a crescer acima do seu potencial graças ao turismo e precisa de investimento, que tem sido muito pequeno, para aumentar o seu potencial de crescimento e para não se deixar atrasar mais face aos nossos parceiros europeus.

Abrandamento económico e sinais de preocupação

João Vieira Lopes, presidente da CCP

Os grandes indicadores da economia portuguesa em 2017 expressam inequivocamente uma alteração de sinal positivo. Aceleração do crescimento da economia, crescimento robusto das exportações, criação de emprego líquido, forte crescimento do investimento – sobretudo privado, descida das taxas de juro dos títulos de dívida pública, reflectida na diminuição da despesa com juros e que, a par com o crescimento da economia, explica grande parte da redução do défice do OE em 2017, e o saldo positivo da conta da Segurança Social.
Estes bons números de 2017 foram, sabemo-lo, fruto de uma dinâmica conjuntural favorável e factores que dificilmente se repetirão nos próximos anos. A questão que importa é pois se estamos perante um novo ciclo sustentável.
O cenário macro formulado para 2018 é já de alguma desaceleração que dificilmente deixará de se manter em anos seguintes. Não podemos perder a noção de que a economia portuguesa continua frágil e que numa trajectória de médio prazo são muitos os motivos de preocupação. Nomeadamente, o valor muito elevado da dívida pública e uma, sempre possível, inflexão no curto prazo da conjuntura internacional, bem como o contributo negativo da procura externa líquida em volume com o saldo da balança de bens a ser fortemente negativo. Por último, a insuficiente dinâmica “reformadora” por parte do Governo, que períodos pré-eleitorais tenderão a reforçar, e a incerteza quanto ao impacto do “Portugal 2020” numa perspectiva estruturante e de médio prazo e que os números de execução conhecidos não permitem atenuar.

“Otimismo e sólida expansão económica”

Alberto Ramos, country manager do Bankinter Portugal

Estou muito otimista em relação a 2018. Com base no nosso departamento de análise, acreditamos no Bankinter que, a nível internacional, 2018 deverá ser marcado por uma sólida expansão das principais economias do mundo. Neste cenário, a Zona Euro, que se encontra imersa num momento cíclico bastante favorável, deverá destacar-se.
As melhorias no mercado laboral, em conjunto com uma maior confiança das famílias, deverão permitir manter um crescimento económico sustentável e reduzir a dependência das políticas expansionistas do BCE.
Empresas e famílias continuarão a beneficiar de umas condições de financiamento muito atrativas, o que irá dinamizar ainda mais o crescimento económico.
Para Portugal, cremos que este será um ano de consolidação do progresso realizado no ano transato. O regresso do rating ao mundo do “Investment Grade” transmite confiança aos investidores estrangeiros e tem permitido aliviar de forma significativa a fatura com os juros. Em simultâneo, a retoma nas principais componentes do PIB – Consumo Privado, Investimento e Exportações – aparenta ser sustentável e duradoura.
Acredito, por isso, que 2018 tem todas as condições para ser um bom ano para as famílias e empresas em Portugal. E no Bankinter Portugal, temos a ambição saudável de continuarmos a crescer e de sermos uma referência no mercado nacional, de continuar a conquistar a confiança de cada vez mais clientes e de reforçar a confiança que os nossos atuais clientes depositam em nós.

Especial 2018: as opiniões dos protagonistas (I)

Redação

Ontem 20:00

O Jornal Económico pediu a personalidades de diferentes quadrantes da sociedade portuguesa para projetarem as suas expectativas e ambições para o próximo ano. Leia aqui a de João Alves, Pedro Soares dos Santos, José Manuel Bernardo, Sikander Sattar, Daniel Proença de Carvalho e Maria Cândida Rocha e Silva.

“O ano de preservarmos o estado de graça”

João Alves, Country Managing Partner da EY

Em Portugal, entraremos em 2018 com todas as condições para que este seja um ano bom – grande procura do nosso país como destino de eleição (simpático, seguro e belo), exportações de bens transaccionáveis em alta, taxa de desemprego em tendência decrescente, e, muito importante, a economia a crescer e a confiança e consumo da nação em alta. Parte da conjuntura atual deve-se ao bom desempenho do nosso setor privado e parte, como em qualquer economia aberta, deve-se a factores exógenos – ao que chamo o alinhamento das estrelas. Compete-nos a todos preservar este estado de graça: aos privados – continuar a investir na inovação e no desenvolvimento do conhecimento como fator de diferenciação; às forças de trabalho e seus representantes – preservar o ativo da confiança que os investidores depositaram na nossa capacidade e não sucumbir a ideologias míopes e desajustadas aos tempos que correm; ao Estado – resistir às tentações de intervencionismo desnecessário e estrangulamento fiscal das empresas e classe média que já pagam praticamente a totalidade da fatura.
No plano internacional, antecipo uma UE mais coesa e afirmativa, com uma orientação mais determinada e esclarecida. Extra-UE, espero que prevaleça uma postura conciliatória e sensata entre governantes e ainda que consigamos reverter algumas das práticas que estão a destruir o nosso planeta, como os plásticos nos oceanos. Falando em sensatez, ainda não desisti da ideia da reversão do Brexit.
E finalmente, gostava muito de poder ir ao Jamor ver o troféu Jules Rimet em exposição, enfeitado com fitas verdes e encarnadas.

“Indicadores positivos, mas ainda pouco sustentáveis”

Pedro Soares dos Santos, presidente da Jerónimo Martins

2018 será um ano de muita instabilidade e incerteza a nível internacional. As tensões políticas crescentes, nomeadamente na Europa e no Médio Oriente, podem impactar fortemente os mercados e as economias dos países mais expostos à dívida, o que me leva a olhar para o próximo ano com alguma reserva.
Portugal tem vindo a apresentar números que indicam uma retoma do crescimento com a consequente descida do desemprego, o que são indicadores positivos, mas que considero ainda pouco sustentáveis. A ausência de reformas estruturais, o excesso de endividamento das famílias e o desequilíbrio das contas públicas continuam a ser factores de risco para Portugal. É fundamental para a sustentabilidade da nossa economia que sejamos capazes de atrair investimento estrangeiro, através de políticas de médio e longo prazos que deem estabilidade jurídica, fiscal e laboral, e garantam uma justiça célere. Tudo o resto, Portugal tem!

“Perspectivas pouco risonhas, mas com crescimento”

José Manuel Bernardo, presidente da PwC

No plano social e político, antevejo que 2018 seja uma continuação daquilo a que assistimos em 2017, com os ideias nacionalistas e extremistas a fazerem-se sentir pelo mundo, com implicações negativas de longo prazo no plano social e económico, por via de destruição do trabalho de anos na abolição de barreiras ao livre comércio e à livre circulação de pessoas e bens entre diversos países e regiões. Continuaremos a assistir a tensões no médio e no extremo oriente, potenciadas pela recente decisão dos EUA de mudar a localização da sua embaixada em Israel para Jerusalém, pela disputa da posição de referência regional entre a Arábia Saudita e o Irão e pelo comportamento beligerante da Coreia do Norte. Embora do ponto de vista político e social as perspetivas para 2018 não sejam risonhas, tanto mais se pensarmos que também na Europa temos um Brexit em curso, Catalunha e Espanha em ebulição e sérias dificuldades em formar um governo estável na Alemanha, globalmente a economia continuará a crescer a bom ritmo à semelhança de 2017. Este período de crescimento deverá ser aproveitado em particular na Europa, e também em Portugal, para se avançarem com soluções de fundo para resolver os problemas estruturais existentes nos sistemas de proteção social, cada vez mais custosos de manter, no mercado de trabalho e no nosso caso também na redução da dívida pública.

“O desafio de não descurar o equilíbrio das contas públicas”

Sikander Sattar, presidente da KPMG Portugal

Em termos globais continuaremos a assistir ao processo de digitalização das economias, com a disrupção a emergir dos mais variados quadrantes, acelerando o ritmo das transformações. Acredito que poderá ser um ano muito positivo, com um desempenho económico mundial acima do esperado. No entanto, as incertezas no campo geopolítico recomendam alguma ponderação.
Para Portugal, o principal desafio passa por não descurar o equilíbrio das finanças públicas, mantendo a trajectória positiva que tem vindo a apresentar, não só em termos económicos e sociais, como na capacidade de cumprir com os compromissos assumidos internacionalmente, o que tem permitido reforçar a credibilidade junto dos observadores externos.
A atracção de investimento continua a ser fundamental, tal como a convergência e os entendimentos entre stakeholders, para que as empresas que operam a partir de Portugal aproveitem este contexto de transformação para capitalizar as oportunidades de crescimento, internacionalização e valorização das suas marcas. Se assim for, o país estará em melhores condições para atrair e reter os melhores talentos, promovendo uma nova geração de líderes para o futuro.

“Utopias”

Daniel Proença de Carvalho, sócio presidente da Uría Menéndez – Proença de Carvalho

Se a história seguisse lógica e bom senso, 2018 seria um bom ano. Podemos sonhar:
A economia mundial está em recuperação; Trump e Kim Jong-Un, após tratamento psiquiátrico e com a ajuda da China, baixariam o tom bélico, ambos reconheceriam a dimensão da tragédia caso algum deles desencadeasse um ataque; o Reino Unido e a União Europeia encontrariam um acordo de divórcio que preservasse a indispensável cooperação no essencial do projeto europeu; a “química” que parece existir entre Trump e Putin levaria a um acordo global que pusesse termo aos conflitos na Síria e na Ucrânia; na sequência da mudança da embaixada dos EUA para Jerusalém, seguir-se-ia uma ofensiva diplomática que, finalmente, conduzisse ao reconhecimento dos dois Estados com um tratado de paz e cooperação entre ambos. Nas próximas eleições no Brasil, seria eleito um presidente prestigiado, que lideraria uma reforma política que colocasse o País numa rota de estabilidade.
Por cá, as perspetivas também são positivas; a economia cresce, o défice e a dívida pública descem, o turismo continua em bom ritmo, persiste a criação de empregos, o Governo toma medidas sérias para evitar novos trágicos acontecimentos como os que ocorreram em 2017. Não haverá reformas na Justiça, mas neste tema já estamos habituados e conformados.
Claro que sonhar é fácil; a história não segue um rumo lógico e sensato, por isso não me atrevo a prever 2018.

“Ano de aceleração”

Maria Cândida Rocha e Silva, presidente do Banco Carregosa

No Banco Carregosa já se vem tornando hábito todos os anos, em novembro, fazermos uma reflexão sobre o que devemos esperar para o ano seguinte. Com os nossos clientes, oradores convidados e os nossos especialistas debatemos o que podemos esperar, de melhor e pior. Uma das palavras mais usadas este ano foi a “aceleração”. Aceleração tecnológica, aceleração científica, aceleração económica, aceleração dos preços (no mercado de dívida, mas também nalguns mercados de ações), aceleração das taxas de juro… dizia um convidado nosso: “o mundo está muito acelerado, mas muito pouco equilibrado”. Para uma empresa como a nossa, de tradição secular, num sector exposto à grande concorrência tecnológica, o desafio não podia ser maior. As fintech abrem caminhos que não sabemos onde nos levarão. Como serão os bancos no futuro? Quem, para além dos bancos, poderá fazer banca? É grande a curiosidade. A digitalização, a robotização, a inteligência artificial são realidades cada vez mais próximas do nosso quotidiano. Se não podemos ceder tudo à tecnologia, tão pouco a devemos recusar. Falamos de empresas em quem os mercados acreditam mas cujo valor só pode vir do seu potencial. Falamos igualmente de empresas que, por não estarem “na moda” são descuradas por esse mesmo mercado. As alterações que iremos observar nos ajustes necessários entre a cotação e o valor das empresas poderão levar a convulsões no mercado.