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terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Salvador Malheiro, o Marco António Costa de Rio

por CGP

Sendo ainda desconhecido da maioria do público, Salvador Malheiro é um nome a prestar atenção nos próximos tempos. Mais do que Morais Sarmento, foi ele o grande obreiro desta vitória de Rui Rio.

Salvador Malheiro não é um político qualquer. Teve uma carreira profissional e académica de sucesso antes de entrar na política. Com um doutoramento, daqueles a sério, na Universidade de Poitiers e um percurso de trabalho superior à esmagadora maioria dos políticos, claramente não é alguém que precisa da política para viver. Mas ao contrário de outras pessoas com o mesmo perfil, Salvador Malheiro tem outras características que lhe permitem sobreviver ao que de melhor e pior tem a política. Prova disso é a forma como conquistou a Câmara Municipal de Ovar e, alavancar esse poder para controlar a distrital do PSD contra uma lista forte apoiada por Luis Montenegro. A sua capacidade de domínio é tão grande que Rui Rio teve perto de 80% dos votos na concelhia de Malheiro e também ganhou o distrito confortavelmente. Mas a sua influência vai muito para além do seu concelho e distrito. Tem ainda melhor imagem e capacidade de estar em frente às câmeras que Rui Rio.

Rui Rio terá 62 anos nas próximas legislativas e dificilmente sobreviverá a uma derrota eleitoral ou a um resultado que não lhe permita ser primeiro-ministro, mas Salvador Malheiro ainda não terá completado 50 anos nessa altura e poderá ser um forte candidato da ala de Rui Rio às directas de 2020. Seja como for, é um nome a prestar atenção nos próximos tempos.

Bons sinais

por estatuadesal

(Por Valupi, in Blog Aspirina B, 14/01/2018)

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Usando os números provisórios, a vitória de Rio deve-se a 22 611 pessoas, o equivalente a 0,2335231214329527% do universo eleitoral nas legislativas de 2015. Esta percentagem minúscula pode vir a ter uma influência gigante no regime caso os sinais de fecho de ciclo e de mudança de cultura se confirmem.

O ciclo que parece fechar-se é o que foi aberto em 2008 com a presidência de Ferreira Leite em tandem com Cavaco, onde a estratégia política da direita se passou a limitar às mentiras, às golpadas, às calúnias e ao ódio. Passos foi o seu mais destrutivo executante, tendo afundado o País quando o aparelho laranja o exigiu e tendo traído o eleitorado e a comunidade ao serviço da oligarquia nacional e de fanáticos estrangeiros.

A mudança de cultura está prometida na recusa da demagogia e do populismo e na obediência ao interesse nacional, precisamente o inverso do que se chama “fazer política” no PSD e CDS onde os respectivos fundadores são desprezados há décadas. Acima e antes de tudo, a mudança de cultura aconteceu, mesmo que tão-só episodicamente, quando Rio ousou expressar um juízo negativo acerca do Ministério Público; agravado pelo contexto dessa declaração que fica agora associada à sua presidência do PSD.

A direita portuguesa está decadente desde o Cavaquismo, este sendo um outro tipo de decadência nascido do controlo do Estado. A nossa actual direita não tem projectos, não tem ideias, não tem líderes nem recursos humanos de qualidade, mas tem Sócrates. Logo, não o podem largar, como não largam desde 2004. Daí as cenas desvairadas que já pudemos ler e ouvir só porque a ministra da Justiça não foi hipócrita e disse em público o que pensava tecnicamente a respeito da situação de Joana Marques Vidal.

A brutalidade e basicidade com que esses infelizes exigem ter uma Procuradoria-Geral da República entregue a um comissário político que lhes garanta o máximo de dor e cárcere para Sócrates e qualquer outro socialista deixa-nos sem saber o que mais admirar: se a sua estupidez funcional, se a sua paixão fatal. Por essa exaltação furibunda se poderá medir o choque de verem Rio a mostrar-se livre e a ser frontal a respeito de uma das mais políticas das dimensões do Estado, a administração da Justiça. Foi um terramoto de magnitude 11 na escala de Richter lá na Pulhalândia.

O Observador reúne a fina flor desta direita decadente, embora ela esteja presente na maioria dos órgãos de comunicação social. Fizeram do pasquim do Zé Manel uma plataforma de apoio a Santana Lopes. A ideia seria meter o Pedro em palco e ir gastando o tempo até que Montenegro pegasse no partido depois da derrota do PSD em 2019. Único plano conhecido desta degradante gente, aproveitar as oportunidades para continuar a espalhar ódio e a boicotar o País até que uma crise política qualquer os levasse para São Bento. É consolador testemunhar que os tais 22 611 militantes do PSD são muito mais fortes do que a tremenda força mediática dos que já só querem ver o Estado de direito democrático a arder.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Vender a alma ao Diabo?

por vitorcunha

Podia começar isto com um daqueles elogios que os blogues de esquerda fazem quando o PS tem novo líder, sendo que “novo” tem o mesmo significado que “os mesmos do escândalo Casa Pia”, porém, tendo a limitar comportamentos ridículos à presença de pessoas com quem tenho sexo, o que, bem vistas as coisas, são eventos que frequentemente coincidem. Não pretendendo iniciar, então, como uma ridícula declaração de amor que mascare a efectiva lasciva típica da esquerdalhada sem eira nem beira, resta-me iniciar esta coisa desejando, mas não esperando, que Rui Rio perceba os portugueses que não vivem pendurados no orçamento de estado, o que, convenhamos, não é coisa pouca.

A doutora Manuela Ferreira Leite diz que “é preciso vender a alma ao Diabo”, mas, infelizmente, não especifica o valor que cobra. Porque é que alguém quereria tirar o PCP e o Bloco do chamado “arco de governação”? Quer greves, sindicatos na rua, o retorno da histeria esganiçada do istonãoseaguentismo? Não responda, caro leitor: são questões retóricas para a doutora Ferreira Leite após quatro anos a clamar por isso mesmo nos seus comentários televisivos.

Catarina Martins (não é doutora) diz que Portugal está muito abaixo da média europeia de enfermeiros por 100.000 habitantes. Segundo a actriz, são 6 em Portugal contra 8 no resto da Europa. Ora, qualquer aluno da primária calcularia que, então, Portugal precisaria de mais 200 enfermeiros, mas Catarina Martins (não é doutora), reagindo ao anúncio de contratação de 200 enfermeiros, diz que “não chegam” (não é doutora), que “só aqui, no Algarve, faltam 350 enfermeiros” (repito: não é doutora). Quer a doutora Manuela Ferreira Leite ouvir isto diariamente, de forma esganiçada, destruindo a audição dos portugueses e estupidificando qualquer aluno da primária? Acho que sim.

Em jeito de conclusão, porque os meus textos só têm introduções e conclusões (que de alegados miolos húmidos já temos que chegue e não quero mal ao DN), Rui Rio tem duas hipóteses: (1) ou percebe que já foi derrotado pelo número dos que dependem do orçamento de estado; ou (2) finge que não percebe para manter as Salomés sedentas de cabeças suficientemente tranquilas no dia das eleições legislativas. Pessoalmente, para mim é totalmente indiferente desde que se mantenha o istonãoseaguentismo sob controlo, algo que só é possível limitando as oportunidades da Catarina Martins fazer contas, ou seja, permitindo que continue “no governo”. Qualquer outra hipótese é suicídio (o que também não me parece mal).

Eles Andam a Gozar Connosco

por Cristina Miranda

Se há coisa que me revolta imenso como cidadã é assistir a esta descarada falta de vergonha destes assaltantes de poder. Então como se explica que a lei SECRETA de financiamento aos partidos, vetada e bem pelo Presidente da República, depois do escândalo ter vindo a público, o PS diga descontraidamente que não vê nenhum problema na lei e por isso mantém as posições em relação à substância do diploma afirmando que volta a defender as mesmas posições? É simples: PS está falido e precisa urgentemente de cobrir a sua gestão partidária danosa e quer fazê-lo à conta dos otários de sempre: os contribuintes.

É preciso relembrar que o dito diploma vem introduzir o fim do tecto de receita de angariação de fundos  privados e ISENÇÃO TOTAL de IVA. Pior: tem efeitos retroactivos e aplica-se aos processos novos ou pendentes em julgamento. Assim, posiciona-se o PS que neste momento tem 7 acções em curso no Tribunal Administrativoe Fiscal de Lisboa onde reclama PRECISAMENTE (olha-me só a coincidência) para si a devolução do Fisco de IVA cobrado durante campanhas eleitorais! São cerca de 2 milhões de euros! Esta malta só pode estar a gozar connosco! E desde quando os partidos são entidades superiores aos cidadãos para terem este benefício?

O mais grave disto tudo é que os partidos todos recebem uma BOA subvenção pública por parte do Estado ou seja por parte de todos nós, pobres contribuintes. São cerca de 3€ por cada voto. Dirão que é a factura a pagar pela democracia. Que sem partidos não há democracia. Certo. Mas pergunto: E desde quando é que para ter democracia é preciso sustentar TANTA gente? Orgânicas tão complexas como se fossem autênticas fábricas de políticos? Quem foi que disse que com menos "pessoal", menos encargos, menos despesas supérfluas em jantares, almoços, propagandas e passeios, a democracia sairia beliscada?

Na verdade TODOS os partidos querem que acreditemos que a gigantesca estrutura que eles criaram em volta deles faz falta ao país. Tretas! Só faz mesmo falta a eles próprios que se alimentam dela e a construíram de forma impenetrável para o comum cidadão. Onde as escolhas para o Parlamento são decididas pelo partido e não por sufrágio universal. Porque a nós cidadãos, não serve de todo. Se servisse, claramente, com tanto político intelectual nesses partidos, teríamos um país EXTRAORDINÁRIO com tudo do bom e do melhor a funcionar exemplarmente. Mas pelo contrário, vivemos numa espécie de Venezuela a caminho de uma Coreia do Norte? Podem explicar isto?

Não fosse a nossa integração na UE, e estarmos desde os anos 80 a viver à conta dos ricos da Europa e já nem uma Coreia do Norte seríamos! Seriámos uma miséria monumental europeia. Somos uns pobres mendigos  e rotos a fingir-nos ricos à conta de dívida. Muita muita dívida. Não brinquem com a nossa inteligência se faz favor.

Ao invés de leis de financiamento que aumentam regalias a partidos políticos, deviam ter a sensatez de REDUZIR e CORTAR como o fizeram aos cidadãos com o colapso recente do país. E nunca ao contrário. Mais: exigir maior controlo na gestão das contas dos partidos com mais penalizações a quem prevarica. Gerir dinheiros públicos exige responsabilidade e penas pesadas para quem não cumpre. Tal e qual como acontece com o cidadão.

Porque austeridade quando vem não pode ser sempre sobre os contribuintes para que os políticos continuem nas suas vidinhas fartas e sem sacrifícios. A isso chama-se gozar com a nossa cara e é de uma gravidade estonteante.

Já suportamos todos os anos a fio aumentos descarados de impostos a título de tudo e mais alguma coisa. Agora aumentam subvenções vitalícias a políticos e financiamento a partidos!

Mas estão a gozar ou quê?

Hugo Soares

por j. manuel cordeiro

Com um título criativo, o jornal i sumariza a situação da ala passista perante a nova liderança do PSD. Se, por um lado, dois vice-presidentes que apoiaram Santana Lopes colocaram o lugar à disposição, Hugo Soares, também apoiante de Santana Lopes, contactado pela Antena 1 hoje de manhã, recusou prestar declarações sobre o assunto. Ao mesmo tempo, Paula Teixeira da Cruz veio afirmar que este tem todas as condições para continuar por ter sido eleito líder parlamentar por larga maioria dos deputados do PSD.  Deve haver muito suor frio ao longo destes dias.