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sábado, 24 de março de 2018

Propostas do Governo sobre lei laboral não agradam a patrões nem sindicatos

CONCERTAÇÃO SOCIAL

23/3/2018, 20:57

Os sindicatos e patrões manifestaram-se relativamente às propostas sobre a lei laboral feitas pelo Governo, como é o caso da limitação dos contratos a prazo.

TIAGO PETINGA/LUSA

Autor

  • As confederações patronais e as centrais sindicais manifestaram-se esta sexta-feira, por razões distintas, contra as propostas de alteração à legislação laboral apresentadas pelo Governo no sentido de limitar os contratos a termo e dinamizar a contratação coletiva.

À saída da reunião da Concertação Social, o presidente da CIP — Confederação Empresarial de Portugal, António Saraiva, considerou que o conjunto de medidas apresentado pelo ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social “não agrada a gregos nem a troianos”.

Em causa estão medidas como a redução da duração máxima dos contratos a prazo de três para dois anos, a criação de uma taxa de rotatividade progressiva entre 1 e 2% para as empresas que abusem dos contratos a termo certo ou o fim do banco de horas individual, entre outras propostas.

As medidas “vêm contra o desenvolvimento económico e a normalidade das empresas”, defendeu António Saraiva, sublinhando que o emprego está a crescer e que 80% dos novos contratos são para os quadros. Segundo o presidente da CIP, o banco de horas “não é nada de utilização selvagem” e tem vantagens tanto para as empresas como para os trabalhadores, que podem adaptar a sua vida pessoal à profissional.

Sobre a taxa de rotatividade que será aplicada às empresas que ultrapassarem a média setorial da contratação a termo, António Saraiva considerou que a medida “é complexa”, “sem rigor” e que “não está quantificada”.

“Não avaliaremos [a medida] isoladamente, mas num contexto de melhoria da competitividade”, disse o presidente da CIP, reafirmando que é necessária uma “proposta mais ampla” que integre propostas que beneficiem as empresas na área da fiscalidade, licenciamentos entre outras.

Também o presidente da Confederação do Comércio e Serviços (CCP), Vieira Lopes, voltou a defender que a legislação laboral não deve ser alterada e que as propostas do Governo “vão complicar a vida às empresas”.

A CCP quer saber “em que áreas é que o Governo está disposto a contribuir para facilitar a vida às empresas”, frisou Vieira Lopes, reafirmando que é preciso discutir as matérias “num pacote mais alargado” que integre a área fiscal ou da energia. “Se assim não for, não vamos entrar nessa discussão”, salientou o presidente da CCP.

Em resposta a estas críticas, o ministro disse que já nas próximas reuniões irá abordar temas mais próximos dessas preocupações, admitindo que, se for necessário, haverá uma discussão setor a setor.

“Se existirem outras áreas a incluir para dar um sinal de concertação” não será o Governo a travar, disse, mas Vieira da Silva considerou que já se fez “um trabalho longo” não fazendo assim sentido “eternizar essa discussão”.

Já o presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), Francisco Calheiros, considerou “extemporâneo” mexer na legislação laboral quando a economia e o emprego estão a crescer. “É um sinal errado que se dá ao mercado”, afirmou Calheiros, lembrando que o turismo é um setor com “grande sazonalidade”.

Do lado das centrais sindicais, o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, considerou que as propostas do Governo “visam perpetuar o modelo de baixos salários e de trabalho precário”.

“O Governo está a ficar condicionado quer com a pressão dos partidos da direita quer com a pressão do grande patronato”, defendeu o líder da intersindical, para quem as propostas “mistificam” o problema da precariedade.

Sobre a taxa de rotatividade, Arménio Carlos disse que a medida não resolve o problema da precariedade e que as empresas poderão fazer repercutir o seu efeito no salário oferecido ao trabalhador.

“Quando eu era pequenino, ouvia dizer que no período da Páscoa não se podia comer carne, mas se pagássemos a bula já podíamos comer, ou seja, as empresas podem continuar a contratar trabalhadores com vínculos precários, mas se pagarem a taxa já não há problema”, ironizou o líder da CGTP.

Arménio Carlos disse que a CGTP está disponível para negociar e chegar a um entendimento, mas disse que não dará “apoio a propostas que minimizam o problema, estando a salvar o modelo de baixos salários e precariedade”. Também o dirigente da UGT, Sérgio Monte, considerou as propostas insuficientes na área da contratação coletiva, sendo “do agrado” da central sindical as que visam reduzir a contratação a prazo.

As alterações à norma da caducidade são “pouca coisa”, disse Sérgio Monte, lembrando que a UGT quer regulamentar os motivos que justificam a norma, pois atualmente “a denúncia [da convenção coletiva] pode ser feita por qualquer das partes e sem qualquer motivo”.

O que já se sabe sobre o ataque terrorista em França

TERRORISMO

EM ATUALIZAÇÃO

Quatro pessoas morreram e pelo menos 12 ficaram feridas depois de um homem de 25 anos ter atacado um regimento militar e um supermercado no sul de França. O atentado foi reivindicado pelo EI.

Depois de atacar o 3ª regimento de paraquedistas, em Carcassonne, o terrorista invadiu um supermercado em Trèbes

SEBASTIAN NOGIER/EPA

Autor
  • Rita Cipriano
  • ritapcipriano
  • Radouane Lakdim, um marroquino de 25 anos, atacou na sexta-feira um regimento de paraquedistas e um supermercado no sul de França, provocando quatro mortos e cerca de 12 feridos (os números variam), entre eles um português de 27 anos, que se encontra em estado muito grave. O atentado foi reivindicado pelo Estado Islâmico pouco depois de as forças policiais terem abatido Lakdim, residente em Carcassonne. Eis o que se sabe até agora.

Como é que tudo aconteceu?

Renato Silva, um português de 27 anos que estava a fazer um curso de hotelaria em Carcassonne, ia a caminho de uma pastelaria para comprar o “lanche de final de curso” quando foi abordado durante a manhã de sexta-feira, 23 de março, por Radouane Lakdim durante uma curta paragem no trânsito, revelou um amigo da família ao Jornal de Notícias. O jovem português foi atingido na cabeça, ficando com o projétil alojado. O colega francês, que seguia ao seu lado, teve morte imediata. Este foi o primeiro ataque realizado por Lakdim na sexta-feira.

Depois de disparar contra os dois jovens, Radouane Lakdim pegou no carro de Renato — um Opel Corsa branco que o jovem tinha comprado em segunda mão há cerca de dois meses, também segundo a mesma fonte próxima da família — deslocou-se até ao quartel do 3ª regimento de paraquedistas do Exército francês, também em Carcassonne. Aí, de acordo com o procurador de Paris, François Molins, o terrorista terá esperado “alguns minutos” até que os militares aparecessem. De acordocom o Le Monde, depois de ter tentado atropelar alguns oficiais que voltavam de uma corrida, o terrorista atacou quatro militares. Um deles ficou ferido com gravidade, depois de ter sido baleado num ombro.

A seguir, Radouane Lakdim refugiu-se num supermercado — o Super U — em Trèbes, a cerca de dez quilómetros de Carcassonne. Uma investigação preliminar indica que Lakdim terá entrado na loja gritando “Allahu akbar!”, “Deus é grande” e explicando tratar-se de um soldado do Estado Islâmico. “Disse que estava pronto para morrer pela Síria”, revelou François Molins, citado pelo Le Monde. Antes de começar a disparar indiscriminadamente sobre os clientes, segundo Molins, o marroquino terá pedido a libertação dos seus “irmãos”. Quando ouviram o primeiro disparo, alguns clientes e funcionários conseguiram sair pelas traseiras.

Quando os lisboetas acordarem para o problema do centralismo já serão quase todos almadenses

Novo artigo em BLASFÉMIAS


  por CGP

Quando se pensava que a humanidade já tinha batido no fundo, ficamos a conhecer tragédias como a descrita no DN de João Silvério, forçado a mudar-se do Saldanha para os Olivais, umas boas 5 estações de metro de distância. Lá para o meio do artigo aparecem problemas mais reais de pessoas com salários baixos a ter que viajar 1h30m para o emprego. Lisboa é uma cidade com imensas oportunidades de emprego, mas sem um parque habitacional para corresponder à procura. Se há milhares de empregos sem casas, das duas uma: ou se constroem mais casas onde existem empregos ou se levam os empregos para onde há casas. No entanto, há uma certa elite lisboeta que acha possível ter uma capital cosmopolita, que centraliza instituições públicas, empresas privadas, eventos internacionais, que quer que Lisboa seja o novo centro tecnológico da Europa, mas que não se construa muito para manter a autenticidade e, ao mesmo tempo, pagar 500€ por um T2 no centro da cidade. São contra a construção e a descentralização, mas no final culpam os mercados e a desregulação(?) por uma evidência matemática: quando se concentram todas as oportunidades de emprego numa pequena área com um parque habitacional limitado, alguns terão que viver longe. Outros (os mais pobres), muito longe. A solução mais fácil, claro, é dispersar as oportunidades de emprego, mas isso nunca faz parte da narrativa do choradinho. Um dia serão os lisboetas a acordar para os problemas do centralismo. Infelizmente, muitos nessa altura já serão almadenses.

Os incêndios e os vampiros

por estatuadesal

(Por Carlos Esperança, 23/03/2018)

marcelo_abraça

O êxodo dos meios rurais, o desordenamento florestal, o excesso de eucaliptos, a incúria dos municípios e proprietários, o negócio dos fogos, a vertigem dos incendiários, a rede elétrica e fenómenos climatéricos anómalos, reuniram-se, no ano 2017, para acrescentar ao desastre habitual, a morte e o sofrimento de numerosas vítimas.

O que se torna obsceno é a mórbida evocação, a impedir o luto do país e, sobretudo das famílias, com fins partidários, e necessidade de esquecer responsabilidades passadas e presentes de uma direita sem pudor, remorsos ou soluções.

Após numerosas missas, exibições de labaredas, reincidentes visitas do PR e evocações diárias da tragédia, repetem-se relatórios, acusações furiosas da direita, com provedores de Misericórdias, vítimas que fazem o luto na televisão, ex-autarcas do PSD nomeados generais de bombeiros e a rede de comentadores que vive da exumação de cadáveres.

Porque é preciso que o fogo das acusações continue atiçado, aparece mais um “relatório independente” onde «o maior fenómeno piro-convectivo registado na Europa até ao momento e o maior do mundo em 2017, com uma média de 10 mil hectares ardidos por hora entre as 16:00 do dia 15 de outubro e as 05:00 do dia 16» tem por base declarações de um ex-responsável para imputações ao governo cuja audição foi julgada supérflua.

Já voltaram à comunicação social os avençados do costume, os acusadores de turno, os líderes dos partidos com bitolas distintas para mortos de incêndios e de procissões, que distinguem a tragédia dos fogos em matas privadas e a da queda de um carvalho sobre a procissão, no adro de uma igreja da Madeira.

Até o PR, devorado pela devoção e afetos seletivos, reza mais por uns do que por outros, e atrela um bispo para missas de sufrágio dos que foram queimados, e dispensa-o para os que a árvore esmagou, sem que a Igreja seja tão pródiga a ressarcir as vítimas como o Estado.

Já é tempo de aproveitar a chuva para apagar os fogos e incentivar a sua prevenção.

Mais respeito, se faz favor

Novo artigo em BLASFÉMIAS


por vitorcunha

Iniciamos a manhã com o anúncio da morte do tenente-coronel Arnaud Beltrame, o policia que substituiu uma refém no sequestro terrorista de Carcassonne de ontem. Os epitáfios dirão que foi um herói, o que só indica o estado decrépito da ética europeia: o homem cumpriu a sua função, executou o seu trabalho com zelo, dedicação e perdeu a vida, como a um militar compete, por inerência da sua função, não por heroísmo.

Ouve-se constantemente que o bombeiro Sicrano e o polícia Beltrano foram heróis após se colocarem em situação de perigo. Já os que foram mandados para o Ultramar são uns bandidos para a esquerda pensante (adoro oxímoros).

Só um mundo asfixiado na sua própria banha de confortavelmente infantilizado poderia achar que lidar com a sujidade, com tudo o que é feio, com a ameaça à paz, com a revolução, é um acto de heroísmo. Não é: é uma necessidade. Tratar o tenente-coronel como herói é desrespeitar o que estes homens representam, porque não representam heroísmo, representam a obrigação que têm para com os outros, os seus compatriotas e os seus companheiros, os que sobrevivem para escreverem romances de Facebook.

Mais respeito, se faz favor.