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quinta-feira, 31 de maio de 2018

Subsídio para uma lógica social da Eutanásia

Novo artigo em Aventar


por Bruno Santos

Os avanços do conhecimento nas ciências naturais, sociais e humanas, não se limitou a dar-nos mais anos de vida. Deu-nos também a capacidade de os usufruir física, emocional e racionalmente. Mas, infelizmente, nem sempre estes anos adicionais de vida são acompanhados da qualidade desejada.
O que acontece quando alguém tem a consciência clara de que a perda de auto-estima, de dignidade e de independência, para além do sofrimento físico e psicológico que o esperam, se irão acentuar nas semanas ou meses de vida de que possa ainda vir a usufruir? Se, para uns, a resposta óbvia são os cuidados paliativos, para outros, o desejo e a possibilidade de pôr fim rapidamente a essa situação, é também muito clara. A Democracia permite formas diferentes de olhar e valorizar a vida.

29-05-2018 - Debate Parlamentar | Morte medicamente assistida
Alexandre Quintanilha, deputado, Físico e antigo Professor do ICBAS.

***

Senhor Professor Alexandre Quintanilha, vou contar-lhe uma história que acabei de inventar.

O Antunes é empregado de mesa num das centenas de restaurantes que abriram recentemente no Porto, financiados com a mão limpa (de luva branca) de fundos de investimento que ninguém conhece, e onde gente fina vai provar iguarias gourmet descongeladas em micro-ondas. Por 50 ou 60 euros saem de lá a arrotar a crisântemos.
Esse Antunes - não o outro - tem um contrato de trabalho com uma empresa de negreiros e ganha 650 euros por mês. Mais gorjeta. Tem 3 filhos, todos em idade escolar. A senhora sua esposa está pelo fundo de desemprego e bebe vinho tinto de pacote.
Certo dia, chegado a casa pelas três da manhã, exausto das doze horas [o patrão só lhe paga oito] que passou a servir alemães, franceses e italianos, o Antunes deu por si deitado na cama, de barriga para o ar, observando cuidadosamente uma grande teia de aranha na parede do quarto, junto ao tecto. Começou, veja lá, a pensar no futuro dos filhos.

Pensou assim:

“Os avanços do conhecimento nas ciências naturais, sociais e humanas, não se limitou a dar-nos mais anos de vida. Deu-nos também a capacidade de os usufruir física, emocional e racionalmente. Mas, infelizmente, nem sempre estes anos adicionais de vida são acompanhados da qualidade desejada. E isto aplica-se, não apenas aos anos adicionais, mas aos outros, aos normais, aos que fazem parte da remuneração base paga em Tempo pelo grande arquitecto disto tudo. Tenho 35 anos, uma licenciatura, e sirvo à mesa. Não sou deputado nem professor universitário. Que qualidade de vida, que futuro, posso oferecer aos meus filhos? Ser criado de turistas estrangeiros? Trabalhar num call center ou numa caixa de supermercado do senhor Azevedo? Fazer inquéritos pelas portas? O que acontece quando alguém tem a consciência clara de que a perda de auto-estima, de dignidade e de independência, para além do sofrimento físico e psicológico que o esperam, se irão acentuar nas semanas, nos meses, ou nos anos de vida de que possa ainda vir a usufruir?”

Em vez de se levantar da cama e produzir uma tragédia, colocando um fim ilusoriamente definitivo à miséria e ao sofrimento que o esperam e que há várias gerações o perseguem - o seu pai foi coveiro e o seu avô paralítico desde os 15 anos, depois de um mergulho mal calculado no rio - o Antunes adormeceu.

Amanhã era outro dia.

Zinedine Zidane deixa o Real Madrid: “Mais vale mudar do que fazer disparates”

HÁ 2 HORAS

Treinador tricampeão europeu do Real Madrid vai deixar o clube. "Não estou à procura de outra equipa", diz Zidane, defendendo que mais vale mudar "do que fazer disparates".

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"Nada mudou, é um desgaste natural", disse o treinador na conferência de imprensa para justificar a sua saída do Real Madrid

Dean Mouhtaropoulos/Getty Images

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Zinedine Zidane vai deixar o Real Madrid. “O Real Madrid precisa de continuar a ganhar e para isso é preciso mudar”, disse o treinador francês, esta quinta-feira, numa conferência de imprensa, agendada de surpresa para o meio-dia, hora de Lisboa.

“Tomei a decisão de não continuar como treinador do Real Madrid. É um momento estranho, mas este clube precisa de uma mudança para poder continuar a ganhar, precisa de outro discurso e de outra metodologia de trabalho e é por isso que tomei esta decisão”, afirmou Zidane, que se juntou aos merengues há três anos, a 4 de janeiro de 2016. Com o francês à frente do plantel, o Real Madrid sagrou-se por três vezes consecutivas campeão europeu, além de ter ganho ainda um Campeonato, uma Supertaça de Espanha, dois Mundiais de Clubes e duas Supertaças Europeias.

Antes da conferência de imprensa, Zidane reuniu-se com Florentino Pérez, o presidente do clube, que também esteve presente no momento do anúncio, onde disse aos jornalistas estar surpreendido com esta decisão do treinador.

“Depois de vencer uma Liga dos Campeões, é uma decisão inesperada, mas só podemos respeitar a sua decisão. Quando soube desta notícia, causou-me grande impacto e gostaria de convencê-lo a ficar, mas sei como é”, disse Pérez. E acrescentou: “Quero agradecer-lhe pela sua dedicação, pelo seu amor e por tudo que fez pelo Real Madrid ao longo destes anos. Isto não é um adeus, é um até breve. Mas se ele precisa de uma pausa, ele merece-a.”

Zidane disse que pretende manter-se próximo do clube, mas insistiu que está na hora de fazer uma pausa. “Não estou à procura de outra equipa”, garantiu aos jornalistas.

Depois de três anos, parece-me que é a melhor decisão, mas claro que me posso enganar. Mas depois de três anos, está na hora. Se não consigo ver claramente que vamos continuar a ganhar… Se não vejo as coisas claramente, da maneira que quero… Então está na altura, mais vale mudar do que fazer disparates.”

Questionado pelos jornalistas sobre o porquê desta decisão e o que terá mudado no clube para levá-lo a querer sair, Zidane foi claro: “Nada mudou, é um desgaste natural. Quando vos digo que a 20 de fevereiro não pensava nisto, digo-o com sinceridade. Mas neste clube as coisas podem terminar de um momento para o outro. Eu, depois de três anos, não estou cansado de treinar, mas o meu momento aqui acabou.”

Nessa data, Zidane disse que ia dar tudo para continuar no Real Madrid, o que não veio a acontecer. Esta quinta-feira, ressalvou ainda que quer acabar a sua fase nos merengues em alta e não em baixa.

“Temos de saber quando parar. Faço isto para o bem da equipe, se eu ficasse seria muito difícil conseguirmos vencer no próximo ano. A Liga foi difícil esta temporada, houve momentos onde chegaram a assobiar que não me esqueço. Se é uma questão de viver mais uma época, de começar uma temporada que vai acabar mal, não quero.Quero que termine bem esta etapa no Real Madrid.”

Cristiano Ronaldo “não tem nada a ver” com a decisão

Por várias vezes, questionado pelos jornalistas, Zinedine Zidane reforçou sempre que é o desgaste que o leva a sair, fazendo questão de salientar que a sua decisão nada tem a ver com os jogadores. E quando confrontando com a ideia de que a possível saída de Cristiano Ronaldopossa ter interferido na sua decisão, foi lacónico: “Não tem nada a ver.”

Para o plantel, o treinador só deixou palavras de apreço: “Serenidade, trabalho, entrega, é o que é este clube. Ter o respeito dos jogadores tem sido fundamental e eles não têm nada a ver com a minha decisão. Mas eu sou um vencedor, gosto de ganhar em qualquer coisa, não gosto de perder, e se tenho a sensação de que não vou ganhar, tenho de fazer uma mudança.”

Rajoy. “Reconheço que no PP houve corruptos mas o PP não é um partido corrupto”

EM ATUALIZAÇÃO

"A moção de censura é uma manipulação livre de uma sentença." Rajoy já fez uma intervenção durante o debate sobre a moção de censura proposta pelo PSOE ao primeiro-ministro e a tensão subiu.

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OSCAR DEL POZO/AFP/Getty Images

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“Para vocês, sou a origem de todos os males da Pátria.” Foi o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, que o afirmou durante a sua intervenção, que fez subir a tensão no debate desta quinta-feira sobre a moção de censura a ele próprio. É, aliás, uma moção que Rajoy considera ser uma “manipulação livre e interessada de uma sentença judicial”.

O Partido Socialista Operário Espanhol apresentou uma moção de censura a Mariano Rajoy depois de conhecida a sentença do caso Gürtel que investiga um esquema de corrupção ligada ao Partido Popular, liderado pelo primeiro-ministro espanhol. Durante a intervenção, Rajoy alertou: “Não existe condenação penal ao Governo de Espanha ou ao PP. Somente responsabilidade civil.”

Aliás, a sentença reconhece que o partido não tinha conhecimento dos factos. Isto é o que a sentença diz. Podem apresentar moções de censura, mas não podem mentir”, disse Rajoy.

O primeiro-ministro espanhol não deixou de reconhecer que “no PP houve corruptos, mas o PP não é um partido corrupto”. Rajoy vê aí a possível razão para os cidadãos continuarem a votar no se partido: “Etalvez seja por isso que os eleitores continuam a dar-nos confiança.”

Líder do PSOE diz que saída de Rajoy é a única resposta para caso Gürtel

O líder do Partido Social Obreiro Espanhol, Pedro Sánchez, advertiu o primeiro-ministro que a “única resposta” que se admite para o caso Gürtel é a sua demissão, sublinhando que há tempos que já o deveria ter feito. O líder do PSOE sugeriu ainda a Rajoy que se demita, se quiser evitar sair do poder através de uma moção de censura.

Demita-se agora e tudo terminará. O seu tempo já acabou. Demita-se e esta moção de censura acabará aqui e agora”, afirmou Sánchez.

Pedro Sánchez afirmou também que nunca antes uma moção de censura, como a que se debate hoje no Congresso espanhol contra Mariano Rajoy, havia sido “tão necessária” como agora para garantir uma “higienização democrática” em Espanha. “A maior irresponsabilidade seria não apresentar uma moção de censura contra quem é merecedor de uma evidente reprovação política desta Câmara”, disse Sánchez.

Entre o medo de um palpite e a responsabilidade da liberdade

Ladrões de Bicicletas


Entre o medo de um palpite e a responsabilidade da liberdade

Posted: 30 May 2018 07:50 PM PDT

«Senhoras e senhores deputados, o que cada um e cada uma de nós tem hoje que decidir é se se deixa tolher pelo medo ou se assume a responsabilidade de adotar uma lei que, de maneira equilibrada, razoável, prudente, respeite a decisão de cada pessoa. O que cada um e cada uma de nós tem hoje que decidir é se escolhe a prepotência de impor a todos um modelo de fim de vida que é uma violência insuportável para muitos ou a tolerância de não obrigar seja quem for e permitir ajudar a antecipar a morte àqueles para quem a continuação da vida em agonia se torna uma tortura. O que faremos hoje é portanto, cada um e cada uma de nós, uma escolha sobre a liberdade de todos. (...) O que cada um de nós votará no fim deste debate são projetos que convergem no essencial e que têm um conteúdo muito preciso. E não cenários inventados, que não cabem nesse conteúdo.
(...) Como aconteceu em tantos outros momentos de alargamento dos direitos, há quem nos queira agora desviar de uma decisão ponderada, ameaçando com o risco de um desvario social, traduzido em outras leis que - dizem-nos - hão-de vir. Mas o que esses arautos do medo e esses cultores da desconfiança não dizem é que os projetos que hoje votamos qualificam como crime todos os cenários de desvario que eles próprios, e só eles, antevêem. O que eles não dizem é que os mecanismos de controlo que o projeto do Bloco de Esquerda e os demais projetos consagram, têm em vista precisamente impedir qualquer possibilidade de legitimar a antecipação da morte para situações diferentes das que a lei acolherá. Por outras palavras, não é sobre estas propostas que se pronunciam esses arautos do medo. Pronunciam-se sobre outras, que adivinham que virão. Palpita-lhes que essas propostas, que adivinham e que virão, serão perversas. E querem-nos amarrar ao seu palpite e fazer do seu palpite o fundamento de uma estratégia criminal. Cabe a cada um e a cada uma de nós escolher entre o medo de um palpite e a responsabilidade da liberdade. Esses que, em nome de um atávico medo da liberdade da decisão de cada um, nos querem tornar prisioneiros de uma vida biológica, que espezinha a nossa vida biográfica, são muitas vezes os mesmos que criticam o projeto do Bloco de Esquerda e os demais projetos, por supostamente não respeitarem a autonomia das pessoas e darem poder demais aos médicos. Estranha e terrível ironia esta, de quem, para manter o imperativo da sua visão particular do fim da vida no Código Penal, tanto repudia o acolhimento da autonomia de decisão como repudia a regulação da expressão dessa mesma autonomia.
(...) Este é o momento de darmos prevalência à liberdade sobre o medo. Este é o momento de darmos prevalência à tolerância sobre a prepotência. Fizemos escolhas assim, no passado. E aos que então quiseram amedrontar o país, com a sombra de supostos retrocessos civilizacionais, nós sempre respondemos com a demonstração prática de que não foram retrocessos mas avanços. Aos que nos quiseram travar com o anúncio de rampas deslizantes da indignidade, nós sempre respondemos com a demonstração de que a rampa da afirmação dos direitos e da dignidade é sempre ascendente. Este é o desafio que cada um de nós tem hoje diante de si. Saibamos dar-lhe a melhor resposta. E essa só pode ser a do respeito por todos, na tolerância sobre a escolha de cada um.»
Da intervenção de José Manuel Pureza, a ver na íntegra, no debate sobre a morte medicamente assistida.

O que ficou da votação que não contava

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Eduardo Louro

  • 30.05.18

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As propostas para a despenalização da eutanásia não passaram na Assembleia da República. Por pouco, mas não passaram. Como seria por também pouco, se eventualmente tivessem passado o que, como aqui ontem se dizia, iria dar no mesmo. Talvez da próxima!

Que sociedade portuguesa se divida ao meio sobre a matéria não é grande surpresa. Estas questões, ditas fracturantes, são mesmo assim. O que poderá supreender são os diferentes alinhamentos perfilados, e mais ainda se tivermos em atenção a violência que chega a ser utilizada no debate.

Como se viu são alinhamentos exteriores à dicotomia direita/esquerda. Há muita gente de direita que é a favor da despenalização da eutanásia, embora sejam poucos, muito poucos, residuais mesmo, os de esquerda que sejam contra. A questão do PCP - e já agora uma saudação ao PEV, que pela primeira vez fez jus à sua presença no Parlamento - é outra. É outra coisa, já lá vamos.

Se procurarmos na dicotomia conservadores/liberais também encontramos dificuldades. Não que não percebamos de imediato que os (mais) conservadores estão contra, com poucas excepções. Mas porque lá, contra, encontramos também os mais assanhados liberais, os do tudo pela liberdade individual, do tudo pelo indivíduo e nada pelo Estado, que não tem nada que se meter na vida de ninguém.

O PCP é outra coisa porque nunca a liberdade individual foi bandeira sua, e é hoje provavelmente o partido mais conservador do nosso quadro partidário. E porque provavelmente acredita no rendimento eleitoral desta sua posição, num eleitorado envelhecido. É curioso notar que o PCP não esteve ao lado do CDS apenas na votação. Esteve ao lado do CDS também ao nível do debate. Rasteiro, básico e manipulador...

Ah... A primeira página do "i" é só porque sim... Porque nisto de capas não são nada maus!