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segunda-feira, 4 de junho de 2018

A greve dos ferroviários

Novo artigo em Aventar


por Autor Convidado

greve_ferroviarios[Miguel Teixeira]

A minha solidariedade com as razões da greve dos ferroviários. Impor que um Comboio carregado com centenas de pessoas passe a circular só com o maquinista (por razões meramente economicistas, - o dinheiro, sempre o dinheiro a condicionar a vida das pessoas), - não me parece minimamente aceitável, colocando em causa a segurança dos utentes deste meio de transporte. No mundo, porque isto não sucede só em Portugal, andamos a brincar com coisas demasiado sérias, com a cumplicidade dos governos. A vontade de "comedoria" dos administradores de empresas de transportes, concessionárias de serviço público não tem limites.

A Pide e o ridículo

por estatuadesal

(Carlos Esperança, 04/06/2018)

Há ainda muito por saber sobre a sinistra polícia salazarista. As vítimas foram morrendo e escasseiam testemunhos; documentos sobre os seus crimes acabaram incinerados no tempo que ainda tiveram os esbirros da Rua António Maria Cardoso, e foram desviados outros, que o MFA não pôde preservar; a história do fascismo, apesar da exumação feita por excelentes historiadores, tem ainda pontos obscuros e o futuro muito para revelar. E o julgamento da PIDE, dos pides, dos bufos e rebufos, nunca foi feito.

Há, no entanto, uma faceta que, correndo o risco de menosprezar a violência da ditadura e a crueldade da sua polícia política, não deve deixar de ser divulgada – o ridículo.

A apreensão das obras de Racine que um emigrante suspeito trazia de França, deixando-lhe as de Corneille e Molière, porque Racine… Racine, Lenine, Estaline…, era dos três dramaturgos o de apelido mais comprometedor, revela bem o critério a que a intuição e a cultura dos esbirros podia chegar.

A alegada apreensão de um livro de engenharia «O Betão Armado», por suspeita de que se destinasse ao ensino do fabrico de engenhos explosivos, só tem rival na apreensão do livro que um fascista da Legião escreveu sob o título «Subversão sim, evangelho não». Era um vómito impresso de contestação ao livro «Subversão ou evangelho?», do padre Mário de Oliveira, pároco da Lixa, perseguido pela Pide. No quiosque do Café Nova York, em Lisboa, local que frequentei no início da década de 70 do século passado, foi-me exibido com imenso gozo o auto de apreensão de três exemplares do referido vómito em forma de livro, escrito por um fascista, Amadeu C. de Vasconcelos.

A recordar desvarios broncos fui ao meu processo da Pide, ao que dele existe na Torre do Tombo, e fui encontrar, entre outros, um documento que, por vergonha, nunca publiquei. Torna-me suspeito pelos elogios de um esbirro. Aqui fica, para gáudio dos leitores.

PIDE

MENOS LIKES E MAIS ESTABILIDADE

por estatuadesal

(In Blog O Jumento, 04/06/2018)

marcelo_livros

Na próxima vez que os monárquicos enumerarem as vantagens da monarquia terão mais dois argumentos a favor deste regime de poder; como se viu a semana passada em Espanha os reis não trabalham para likes e asseguram maior estabilidade à democracia. Poderão até sugerir que se compare a atuação de Filipe VI durante a semana passada e a mesma semana de Marcelo Rebelo de Sousa.

Durante a semana Marcelo foi várias vezes à Feira do Livro, começou logo por dizer que iria três vezes, só faltou dar beijinhos e tirar selfies com as estátuas que estão à entrada do Pavilhão Carlos Lopes e pelo meio ainda se pronunciou sobre a crise espanhola. Filipe VI não apareceu em público, não fez comentários sobre tudo e mais alguma coisa e, no dia seguinte à aprovação da moção de censura que derrubou Rajoy, deu posse a Pedro Sánchez num ambiente de tranquilidade.

Por cá, Marcelo tinha-se recusado a comentar a ”crise política” no país vizinho e amigo, mas pelo caminho lá disse as suas patacoadas, com o melhor estilo de comentador televisivo, e avançou que a instabilidade política era má por causa das negociações dos fundos europeus e das taxas de juro. Afinal, quase não se deu pela crise política espanhola.

Compare-se a instabilidade política em Espanha onde um governo caiu e um novo primeiro-ministro tomou posse com o que sucedeu há pouco tempo quando o mesmo Marcelo achou que devia avisar os partidos de que haveria eleições se o OE não fosse aprovado.

Na sequência destas declarações o país andou duas semanas a discutir as ameaças do presidente. Aliás, os momentos de crise política durante esta legislatura vieram sempre dos comentários de Marcelo Rebelo de Sousa.

Esperemos que o Presidente da República tenha aprendido alguma coisa com a postura do jovem Filipe VI e passe a ser um fator de estabilidade, em vez de andar por aí com ameaças de crise política, a definir novas prioridades nacionais a um ritmo semanal ou a tirar partido em termos de imagem de tudo quanto é funeral e missa do sétimo dia que se realiza no país.

Eles estão, nós estamos, mesmo por todo o lado

Ladrões de Bicicletas


Posted: 03 Jun 2018 07:43 AM PDT

Thomas Frank recenseia criticamente mais dois livros da indústria editorial anti-populista. Mesmo que se esteja cada vez mais interessado no tema, é impossível ler tudo. Com base no seu conhecimento histórico das tradições populistas norte-americanas, Frank chega a três conclusões importantes: o populismo é no essencial “a forma americana de expressão dos antagonismos de classe”; a elite dominante no partido democrata tem simpatizado pouco com os padecimentos das classes trabalhadoras, abrindo espaço aos populismos das direitas; Bernie Sanders, que é hoje o melhor exemplo da melhor tradição populista nos EUA, corrobora a hipótese de que  uma certa forma de populismo “é a cura e não a doença”.
Indo para lá dos EUA, a importância dos populismos pode ser atestada pela preocupação do economista-chefe de uma multinacional alemã do sector financeiro – Allianz Global Investors. Numa análise ao fenómeno, Stefan Hofrichter afirma que “com a desigualdade em níveis historicamente elevados, é de esperar que o populismo não seja uma tendência passageira, mas uma força política relevante durante um tempo considerável”. Um dos riscos para esta gente é o de as eventuais tendências desglobalizadoras e, já agora desfinanceirizadoras, vejam lá, poderem melhorar a sorte das classes trabalhadoras, alterando a correlação de forças. O que é um risco para uns, é uma esperança para outros.
Realmente, é claro que um certo tipo de populismo é mesmo a cura democrática de que precisamos dos dois lados do Atlântico. Afinal de contas, que mais lhes mete hoje medo?

Marques Mendes: “PSD parece muleta do Governo”

3/6/2018, 21:56132

Há acordo PS/PSD nos fundos estruturais, na descentralização e até em em matéria laboral. Mas a crítica a Rui Rio, diz o comentador, deve apontar à falta de ideias próprias do líder do PSD.


JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

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Marques Mendes não acompanha as críticas à posição favorável de Rui Rio à descriminalização da eutanásia, rejeitada esta semana por uma maioria dos deputados à Assembleia da República. Também não é pelos acordos alcançados com o PS relativamente aos fundos comunitários, à descentralização ou sequer em matéria laboral. A maior crítica que o comentador faz, no seu espaço semanal na SIC, ao líder social-democrata, foca-se na incapacidade de o PSD se descolar dos socialistas. “Parece que o PSD é a muleta do Governo, parece que Rui Rio é o numero dois de António Costa”, diz Mendes.

“Rui Rio merece ser criticado porque ainda não assumiu uma única proposta diferente do Governo sobre matéria nenhuma”, sublinhou Marques Mendes nos estúdios da SIC, numa análise particularmente dura à liderança que Rui Rio tem protagonizado na São Caetano à Lapa. O comentador, antigo presidente dos sociais-democratas, refere-se mesmo a Rio como um instrumento na estratégia do secretário-geral do PS, de eliminar os adversários à volta do PS. “Parece que António Costa tem uma geringonça à esquerda e um Bloco Central em formação à direita”, diz Mendes.

O presidente do PSD estará à espera da campanha eleitoral para marcar fronteiras? “Acho muito tarde”, diz Mendes, que destaca Fernando Negrão como uma figura em ascensão no partido. Juntamente com Assunção Cristas, o líder parlamentar do PSD é, para Marques Mendes, um dos vencedores do chumbo dos diplomas sobre a despenalização da eutanásia. “Tinha uma tarefa muito difícil, porque o líder do partido é defensor do sim”. Mas, mesmo nessas circunstâncias, Negrão “conduziu bem esta situação, fez uma intervenção de qualidade e conseguiu uma grande unidade dentro do grupo parlamentar”. Fernando Negrão está, também por isso, “a afirmar-se como um bom líder parlamentar do PSD” e “é o único que faz oposição séria e consistente a António Costa”, considera o comentador.

Do lado dos “vencidos”, Mendes coloca Catarina Martins e o seu Bloco — que, ainda assim, “conseguiu dividir geringonça” — e António Costa. “Foi a reboque do Bloco de Esquerda, não garantiu a convergência dentro da coligação à esquerda, à ultima hora falou no Congresso [do PS, na Batalha], elevando as expetativas.” E depois perdeu a votação.

De qualquer forma, o tema da eutanásia vai “evidentemente” regressar na próxima legislatura. Marques Mendes defende que seja convocado um referendo para que cada português se possa pronunciar.

Merkel foi “cereja no topo do bolo”

A votação dos diplomas da eutanásia não esteve em linha com a posição defendida pelo primeiro-ministro. Mas isso não apaga uma semana de “coisas francamente boas” na agenda política de António Costa. Marques Mendes destacou o recuo da União Europeia na proposta do próximo orçamento plurianual, o acordo de concertação social assinado (sem a CGTP) e, a culminar, a visita de Angela Merkel a Portugal.

“Foi ótimo, para António Costa foi perfeito e, de resto, esta semana António Costa teve coisas francamente boas”, destacou Mendes. Depois dos discursos “radicais” de alguns socialistas de relevo, no congresso do partido, defendendo uma inclinação mais para a esquerda, a passagem da chanceler alemã pelo país veio equilibrar a balança.

Essa visita permitiu ao primeiro-ministro “governar ao centro, ocupar o espaço político do centro e a trabalhar para conquistar eleitores do centro”, considera Marques Mendes. Foi, por isso, a “cereja em cima do bolo, veio dar aval político a António Costa”.

Ainda sobre a agenda de São Bento, Marques Mendes disse que o programa da visita do primeiro-ministro a Angola “está todo feito”. Entre os últimos dias de junho e os primeiros de julho, Costa deverá voar até Luanda, garante o comentador. Para fechar a data, faltará apenas que o processo judicial do ex-vice-presidente angolano (suspeito de corrupção) siga para as autoridades angolanas.