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terça-feira, 17 de julho de 2018

Ladrões de Bicicletas


Escrever na praia

Posted: 16 Jul 2018 07:27 AM PDT

À medida que a legislatura se aproxima do fim, começam a surgir textos de balanço sobre o que representou a experiência da actual maioria para o país e para a esquerda. Um desses balanços foi proposto pela Catarina Príncipe, num texto na Jacobin.
Porque este debate é importante e porque as questões levantadas são pertinentes, gostaria de participar nele. Usarei como referência o texto da Catarina, com tradução minha dos excertos citados.
Resumindo a minha leitura do texto, diria que o texto da Catarina avança com alguns diagnósticos correctos, outros forçados e outros ainda contraditórios para chegar a uma conclusão… a que depois não chega.

Diagnóstico 1: “O papel atribuído a Portugal era o de servir como exemplo para o resto da Europa. Servia para provar que austeridade funciona.”
A primeira ideia é a de que as instituições europeias teriam escolhido Portugal para ser o bom exemplo da austeridade e que teriam dedicado a Portugal um tratamento mais favorável do que o dado à Grécia. Claro que uma hipótese alternativa seria a de que as instituições europeias simplesmente apoiaram um governo como o de Passos Coelho que implementava fervorosamente as suas orientações e perseguiram um Governo como o grego que dava sinais de uma potencial insubordinação, sinais infelizmente nunca confirmados.
Na verdade, a actual maioria parlamentar foi recebida com inequívoca hostilidade. A Catarina conta muito mal a história quando diz:
“Mais tarde em 2016, embora o nível do défice estivesse acima do limite imposto pelo Tratado Orçamental, a Comissão Europeia decidiu não aplicar sanções a Portugal ou Espanha.”
Falta dizer que o défice de Portugal estava muito abaixo do de outros países como a França e incluía uma redução muito considerável no OE2016 para valores inferiores aos do PEC, ao contrário da França, mesmo antes de ser rejeitado pela Comissão, obrigando a uma revisão. É verdade que beneficiámos da companhia do governo de direita da Espanha, como refere a Catarina. Também beneficiámos da percepção de que as sanções penalizariam politicamente o governo anterior e não o actual. Mas não é menos verdade que o arrastamento da polémica durante meses foi mais uma punição política e financeira à nova maioria e a um governo acabado de empossar ou, no mínimo, um aviso à navegação. Ao longo da legislatura, a opção da Comissão foi a de tolerar a actual solução, escolha possível, claro está, porque o Governo sempre fez questão de afirmar que as regras do Euro seriam escrupulosamente respeitadas. E foram.
Diagnóstico 2: “Retrospectivasmente, esta foi uma boa opção tática: num clima de recuperação económica lenta, mas estável ao nível Europeu e nacional, permitia ao PS usar a margem de manobra a seu favor, com a introdução de políticas de austeridade-leve.”
O termo austeridade não é um termo técnico e, portanto, presta-se às mais variadas definições, incluindo as de geometria variável. Por isso, se quisermos definir a política actual com recurso a essa terminologia, temos primeiro de nos entender sobre o que queremos dizer quando falamos de austeridade. Para que a definição escolhida tenha alguma coisa a ver com a percepção pública que existe sobre o assunto, proponho definir como austeridade, a política defendida por Bruxelas de desvalorização real, ou seja, de compressão dos salários, incluindo naturalmente os serviços públicos.
“No entanto, longe de ser uma solução, a austeridade agrava o problema, criando um ciclo vicioso de redução salarial, redução do consumo, aumentos de impostos e aumento da dívida pública. Mas Portugal, de facto, ganhou alguma margem de manobra, libertando-se desse processo.”
Um bom resumo de ambos os processos. Mas o que a Catarina faz é descrever o processo que é desencadeado pela política de austeridade para depois dizer que Portugal se "libertou" desse processo e logo a seguir voltar a falar de austeridade:
“O facto de a austeridade já não ser tão dura permitiu uma pequena retoma do rendimento (essencialmente entre os funcionários públicos e pensionistas), que começou lentamente a reconstruir uma classe média desmantelada.”
Vale a pena referir que os pensionistas que beneficiaram de medidas de reposição de rendimento andarão perto dos 3 milhões. Mas a esses ainda convém somar dois universos com sobreposição, os 669 mil funcionários públicos e os 670 mil trabalhadores com salário mínimo, bem como os beneficiários de prestações sociais que viram repostos os cortes nessas prestações. Se somarmos a estes os contribuintes afectados pela reversão (muito) parcial da reforma do IRS executada por Vítor Gaspar, temos que uma enorme maioria da população beneficiou de medidas de reposição de rendimento, e certamente a parte mais desfavorecida.
É evidente que esta política está bem longe de repor sequer os níveis de rendimento pré-troika, quanto mais de traçar um futuro decente para a esmagadora maioria das pessoas. No entanto, chamar a isto austeridade-leve é promover um equívoco altamente prejudicial para a compreensão da situação política. Um equívoco que, aliás, a direita tem encorajado por duas razões: a) iliba o seu próprio governo através do discurso “eles estão a fazer o mesmo” e b) consolida a percepção de que as alternativas à austeridade são ilusórias. Mais rigoroso seria definir a actual política como anti-austeridade-lite.
Diagnóstico 3: “Uma retórica de limitação da pobreza veio a substituir qualquer apelo à resistência às políticas de austeridade impostos a nível Europeu.”
O diagnóstico mais grave do texto da Catarina é o que basicamente coloca os partidos à esquerda no bolso do PS. Retrospectivamente, a Catarina critica a estratégia negocial dos parceiros à esquerda do PS por não terem ido mais longe na negociação do acordo. Começando pelo desafio lançado por Catarina Martins a António Costa, que a Catarina descreve da seguinte forma:
“Esta foi uma táctica inteligente: forçou o PS a definer-se politicamente e a clarificar as suas lealdades. Mas baseava-se em 3 premissas que depois se revelaram incorrectas: 1) que o PS ganharia as eleições, 2) que o Bloco de Esquerda teria um resultado baixo e 3) que o PS se recusaria a negociar com a esquerda.”
As premissas são da Catarina (Príncipe) e não nos permitem perceber então porque é que o apelo foi reiterado na noite eleitoral, já depois de conhecidos os resultados eleitorais (ou seja, sem as premissas 1 e 2) e, já agora, porque é que o PCP manifestou, também na noite eleitoral, igual disponibilidade. Se era tudo um bluff, porque é que acabou por acontecer?
Daqui a Catarina parte para a crítica do acordo obtido, por considerar, aparentemente, que teria sido possível obter condições mais favoráveis da parte do Partido Socialista. É um posição optimista sobre um debate especulativo, mas muito interessante: teria sido possível introduzir elementos mais precisos no que diz respeito a matérias como legislação laboral, serviços públicos ou investimento? Teria o PS assinado um acordo com essas características? Podia a esquerda não assinar o acordo a que efectivamente se chegou? A Catarina parece achar que sim, mas não se pode dizer que se perca em detalhes sobre o assunto:
“Esta estratégia deveria ter acentuado as contradições do governo do Partido Socialista, através de uma estratégia dentro-fora virada para exigências conducentes a uma verdadeira superação da austeridade e aproveitando a acumulação de descontentamento. Neste quadro, era necessário deixar em aberto a possibilidade de, no limite, quebrar o acordo, mesmo que com o custo de derrotas eleitorais temporários.”
Na realidade, é difícil perceber em que é que a primeira parte desta recomendação é diferente do que foi feito, seja no plano institucional seja no plano dos movimentos, quer pelo Bloco, quer pelo PCP, salvaguardando diferenças de estratégia e cultura política. No plano institucional, a esquerda manteve uma linha de proposta autónoma, combinada ou não com negociações com PS e governo. Esse facto, de resto, foi frequentemente comprovado pelos diversos momentos de tensão ou divergência aberta que marcaram e continuam a marcar a vigência do acordo.
No plano dos movimentos, aos quais a Catarina dedica uma boa parte do final do texto, a realidade é bem mais eloquente. Quando o acordo foi assinado, o movimento social vivia numa letargia absoluta que data da crise política que ocorreu a meio do mandato do governo das direitas. Essa crise decorreu das enormes mobilizações dos primeiros anos da troika e a sua resolução foi um golpe profundamente desmoralizador para os vários movimentos. Até ao final do mandato das direitas, esse foi o estado do movimento social em Portugal.
O acordo mudou isso? Nos primeiros anos com a nova maioria, a resposta parecia ser claramente que não. A contestação parecia ter passado para as mesas de negociação e o atentismo era a postura dominante na maior parte dos movimentos.
Hoje, no entanto, isso não é, pura e simplesmente, verdade. Há, nomeadamente na frente dos serviços públicos e em lutas laborais concretas, um cenário bem mais animador. E indiscutivelmente melhor do que aquele que existia quando o acordo foi assinado. E a explicação é, na realidade, bem simples: os movimentos não se movem apenas por indignação ou injustiça. Também precisam de ter gente que acredita que pode ganhar. E nos últimos 3 anos, houve vitórias. Por mais modestas, por mais parcelares, por mais invisíveis para a Catarina que sejam, essas vitórias constroem mais mobilização do que todos os “apelos à resistência” que, de resto, nunca deixaram de ser feitos.
Conclusões: “Se o Partido Socialista propuser um novo acordo de governo, com que base política pode a esquerda não aceitar? Se em 2015, o “medo da direita” serviu para justificar toda a espécie de acordos, o que poderá fornecer um pretexto similar em 2019?”
Para ser franco, esperava que um texto tão demolidor no plano do diagnóstico tivesse dado origem a uma proposta estratégica clara, por mais polémica ou ousada que fosse. É de certa forma um “anti-climax” que um texto que propõe um diagnóstico tão sombrio sobre uma esquerda radical refém da social-democracia acabe com referências consensuais à importância da luta não-institucional e interrogações quanto ao resto.
Se o acordo está a sufocar a resistência, deve esse acordo ser repudiado? Deve um novo acordo ser rejeitado à partida? Se a resposta da Catarina for, como a minha, não a ambas, é justo dizer que essa posição se deve ao tal “medo de derrotas eleitorais”? E nesse cenário, quais seriam as condições concretas da Catarina? Tudo isto fica por responder e é uma pena. Pela minha parte, respondo:
1. Fizemos bem em assinar o acordo, mesmo que não tenhamos feito tudo bem nas negociações e depois delas, e apesar da lamentável falta de diálogo entre as forças à esquerda do PS. Se a esquerda radical tratar a vida das pessoas como um detalhe nos seus debates estratégicos, bem pode preparar-se para o justo desprezo a que foi votada em muitas paragens dessa Europa pelo povo que diz defender. Se a esquerda rompesse o acordo por outra razão que não fosse uma flagrante violação do acordo por parte do PS, seria simultaneamente responsável e vítima, não de uma derrota eleitoral, mas sim de uma profunda derrota política e social. Não é por acaso que a Catarina fala dessa hipótese a título meramente teórico, com o extremo cuidado de não se comprometer;
2. É, para mim, impensável que a esquerda não formule uma proposta concreta de convergência para o próximo ciclo político, que avance com propostas nas principais áreas em que este governo falhou: saúde, educação, ciência, cultura, investimento público, legislação laboral e dívida. Uma proposta certamente mais exigente porque as pessoas o exigem, mas uma proposta séria porque as pessoas também o exigem;
3. Continuo a não vislumbrar qualquer contradição (muito pelo contrário) entre um programa abertamente eurocéptico e anticapitalista como são os do PCP e BE e uma acção concreta quotidiana, dentro e fora das instituições nacionais e europeias, na procura de todas as vitórias possíveis para a vida das pessoas hoje. A alternativa é uma esquerda tão inofensiva quanto os seus apelos, refugiada na sua inutilidade. Felizmente, Bloco e PCP, fizeram a única escolha radical: fazer o combate do seu tempo em vez de se meterem no cantinho da razão.

Bifurcação

Posted: 16 Jul 2018 05:04 AM PDT

Fonte: Marktest

Olhando para este gráfico, o PS sentir-se-á muito confortável. Mas pode ser enganador.
A diferença para o PSD é enorme, mas já foi maior. Em Julho/Agosto de 2017, essa diferença atingiu o ponto máximo: 16,8 pontos percentuais. A política à esquerda vingava. Mas desde aí, tem vindo a decair: em Junho passado já era de apenas 9,5 pontos percentuais. E isto a um ano das eleições legislativas. Ou seja, caiu 7,3 pontos percentuais num ano.
Este desgaste foi fruto de duas frentes.
À direita,  primeiro, os fogos e o assalto a Tancos foram os temas que martelaram o Governo. Só depois, é que cavalgaram as queixas nos serviços públicos de Saúde e Educação, quando foram os seus principais responsáveis desde 2011/2015. Para isso, contribuiu - e de que maneira! - a intervenção por vagas do presidente da República, arrastando a comunicação social a retomar o tema em cada aniversário mensal. Para exemplificar este caso, tente responder à questão onde é que Marcelo Rebelo de Sousa vai passar férias? Segundo o jornal Expresso, vai para Oliveira de Hospital e Pedrógão. Porquê? Porque "o Presidente quer chamar a atenção dos portugueses a fazerem férias nos locais afectados pelos fogos de 2017"... O próprio jornal Expresso voltou a retomar o tema de Tancos em manchete. Marcelo exigiu esclarecimentos, (claro!), a tal ponto que o Governo se colou à reivindicação de esclarecimentos pelo Ministério Público, "concordando com o presidente da República". Não é óbvio?

Expresso, 14/7/2018

Tão descarado é o papel de Marcelo que até - segundo o mesmo jornal (pag.2 e 3) - interveio junto de Pedro Santana Lopes para que não avance com o seu novo partido, o qual virá sapar o eleitorado de direita. Até para o jornal e seus jornalistas tudo isto é natural, a ponto de abordar o tema abertamente, sem qualquer menção de enviesamento do PR. António Costa fez o mais que pôde para parecer que se dava bem com Marcelo, que estavam sintonizados, mas Marcelo tudo faz para o minar.
À esquerda, os partidos apoiantes do Governo PS, sublinharam-se os efeitos da aplicação de uma política de prudência orçamental, mais papista do que o Papa, que - apesar das melhorias feitas na política de rendimentos - pouco atenuou as machadadas feitas pelo Governo PSD/CDS nos serviços públicos - Saúde, Educação, investimento público. E mantém uma política estranha de sedução à direita, por exemplo, na Saúde - ao nomear para o grupo de trabalho sobre a Lei de Bases quem está intrínsecamente ligada ao sector privado - e no mundo do Trabalho, ao assinar um acordo de concertação social que adere às teses patronais, nomeadamente na contratação colectiva.
A crítica de esquerda e da direita ao Governo beneficia - como se vê no mapa - sobretudo a subida da direita. Desde o ponto mais alto em Julho de 2017, o PS perdeu 4,7 pontos percentuais, o PSD ganhou 2,6 pontos, o BE 1,2 pontos, o CDS 0,7 pontos e a CDU perdeu 0,5 pontos. Em conjunto, os partidos à esquerda (BE e CDU) registaram uma subida de 17,3% para 18% em Junho de 2018.
Mas essas duas subidas - à esquerda e à direita - revelam o quanto o PS - se quer manter uma política de esquerda - precisa dos partidos à esquerda (cada vez mais) e quanto uma política à esquerda, sem tergiversações à direita, pode continuar a ter - como teve nos anos de 2016 e 2017 - um apoio maioritário.

Veja-se este mapa. Caso se compare os "votos" nas sondagens no PS com os dos partidos de direita, o PS está quase a ser submerso. Está a uns míseros 3 pontos percentuais a um ano das eleições. Claro que se pode dizer que o PSD nunca se coligará com o CDS, porque a crítica ao Governo - venha de onde vier - beneficia o PSD. Mas essa diferença é reveladora da correlação de forças que o PS poderá encontrar no próximo Parlamento. Costa arrisca-se a ser novamente humilhado nas eleições. E no PS.
Já uma aliança à esquerda pode revelar que essa força está a uma distância de 21 pontos percentuais dos partidos da direita coligados e de 27,5 pontos percentuais do PSD. Algo que se tornaria humilhante, sim, mas para Rio e Cristas.
António Costa tem, pois, de fazer opções claras. A sua política de navegar ora à esquerda ora à direita não está - nem mesmo eleitoralmente - a ser eficaz. Pelo menos em Portugal.

Marcelo defende que Guterres e Vitorino são exemplo da afirmação da CPLP

Marcelo defende que Guterres e Vitorino são exemplo da afirmação da CPLP

17/7/2018, 7:07

"Há uma situação internacional favorável ao papel da comunidade", disse Marcelo Rebelo de Sousa, sublinhando a importância dos temas da cimeira da CPLP e da presidência da organização, que Cabo Verde.


Inácio Rosa/LUSA

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  • Agência Lusa
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O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, mostrou-se esta terça-feira, à chegada a Santa Maria, em Cabo Verde, convicto de que o “espírito Sal” vai ser “inspirador” para a comunidade lusófona e disse esperar avanços em matéria de mobilidade.

Marcelo Rebelo de Sousa, que chegou ao hotel onde se realiza a cimeira de chefes de Estado e de Governo da CPLP cerca das 20h40 horas locais (mais duas horas em Lisboa), sublinhou a contínua afirmação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) nos últimos anos. Como exemplos, apontou a eleição de António Guterres para secretário-geral das Nações Unidas e de António Vitorino para diretor-geral da Organização Internacional das Migrações (OIM).

“Há uma situação internacional favorável ao papel da comunidade”, disse Marcelo Rebelo de Sousa, sublinhando a importância dos temas da cimeira da CPLP, que começa na terça-feira, e da presidência da organização, que Cabo Verde assume na ilha do Sal: Cultura, Pessoas e Oceanos.

“São temas tão importantes e, presente como está em todos os continentes, a comunidade tem um espaço de manobra único nos próximos anos. O espírito Sal vai ser muito inspirador para a CPLP”, disse. Assinalou ainda que a ideia de mobilidade e livre circulação, de que Portugal e Cabo Verde foram pioneiros, tem registado uma “adesão progressiva”. “Espero que se deem mais passos em termos de mobilidade na CPLP”, sustentou.

Questionado sobre a avaliação que faz do nível de implementação do roteiro de adesão à comunidade da Guiné Equatorial, o chefe de Estado português escusou-se a comentar por uma questão de “elegância” e “boa educação”.

“Poderá vir a ser ou não tratado nas várias reuniões e aí cada um fará a sua avaliação, que é conjunta e que não respeita apenas a um estado. Todos os estados da CPLP tiveram processos importantes nos últimos dois anos e a consideração em clima de família e a ponderação desses processos é meio caminho andado para o reforço dos laços familiares”, disse.

Depois das declarações à imprensa, Marcelo Rebelo de Sousa, que disse não visitar a ilha do Sal há 15 anos, foi solicitado para as tradicionais “Marselfies” com turistas – incluindo uma família portuguesa de férias -, funcionários do hotel e alguns membros da organização da cimeira.

O Presidente português, que à noite participa num concerto com vários artistas cabo-verdianos, quis ainda saber se o estado do tempo na ilha lhe permitiria o habitual mergulho matinal no mar.

Morreu João Semedo, antigo coordenador do Bloco de Esquerda

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Morreu o antigo coordenador do Bloco de Esquerda, João Semedo. Tinha 67 anos. Lutou contra um cancro nas cordas vocais.

ESTELA SILVA/LUSA

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Morreu João Semedo, antigo coordenador do Bloco de Esquerda, avançao jornal Expresso. Semedo, que estava hospitalizado, morreu aos 67 anos.

Foi deputado e, mais tarde, coordenador do Bloco de Esquerda, ao lado de Catarina Martins. Um cancro nas cordas vocais afastou-o da vida política. Em 2017 chegou a concorrer à Câmara Municipal do Porto, altura em que deu uma entrevista de vida ao Observador. Nessa entrevista, Semedo afirmou: “Nunca desejei morrer, mas sempre achei que a morte me apanharia feliz”.

A pergunta simples que desmascarou Trump: "Em quem acredita?"

Filipe Santos Costa

FILIPE SANTOS COSTA

JORNALISTA DA SECÇÃO POLÍTICA

17 de Julho de 2018

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Bom dia.

A "traição" de Trump
“Traição”, escreve o Guardian, com as letras todas, citando as reações que chegam de Washington. "Nada menos do que traição", escreveu John O. Brennan, antigo direto da CIA. "Uma oportunidade perdida" e "um sinal de fraqueza", nas palavras de Lindsey Graham, senador republicano pela Carolina do Sul. "Vergonhoso"; "bizarro e simplesmente errado", escreveram outros congressistas do partido de Donald Trump. "Um dos desempenhos mais vergonhosos de que há memória por um presidente americano", considerou o senador John McCain, ex-candidato presidencial republicano.
Em causa está a conferência de imprensa de Trump, esta segunda-feira, ao lado de Vladimir Putin, depois da cimeira conjunta em Helsínquia. Um encontro histórico do qual pode resultar uma tempestade política de dimensão e consequências igualmente históricas. Colocado entre as informações recolhidas pelos serviços secretos norte-americanos e as juras feitas pelo homem do Kremlin, Trump escolheu um lado. Deu força ao histórico inimigo dos EUA e deixou cair as secretas norte-americanas, um dos bastiões do poderio de Washington. Se Philip Roth pudesse escrever outra vez "A Conspiração contra a América", não precisava de colocar a sua distopia no passado: bastava-lhe coligir factos do presente. O Trump real é mais perturbador do que o Lindbergh ficcional de Roth.
A questão continua a ser a interferência (ou não) de Moscovo na campanha presidencial de 2016, favorecendo a eleição de Trump. Para os serviços de intelligence dos EUA, já não há dúvidas sobre isso. Houve mesmo interferência russa para tramar Hilary Clinton. O procurador especial que investiga o caso, Robert Muller, também já está para além dessa dúvida. Na sexta-feira passada, doze russos foram acusados de piratear os servidores de altos responsáveis do Partido Democrata; esta segunda-feira, o Departamento de Justiça acusou mais uma russa de ter trabalhado com apoiantes de Trump (incluindo a National Rifle Association) em favor das posições de Moscovo - Mariia Butina funcionaria como um 'canal secreto' de ligação e chegou a propor antes das eleições um encontro entre Trump e Putin.
No ponto a que já chegaram as investigações, a questão não é se houve interferência. Até Paul Ryan, o republicano que ocupa o lugar de speaker da Câmara dos Representantes, já disse que, sobre isso, "não há dúvida". A questão é se, mais do que uma ação unilateral, houve conluio entre russos e a equipa de Trump. Mas não para Trump, que não perde a oportunidade de chamar fake news a qualquer facto comprovado e demonstrado que não lhe convenha. Ontem, com Putin ao seu lado na conferência de imprensa de Helsínquia, foi o momento da verdade.
"Em quem acredita?", perguntou o jornalista da Associated Press Jonathan Lemire. Perante a conversa redonda de Trump sobre as garantias dadas por Putin, nada como uma pergunta simples e direta. "Em quem acredita?" - e nem precisou de acrescentar: em Putin ou nas autoridades do seu país? A resposta de Trump foi, "inesquecível", como adjetiva o Washington Post. "A minha gente falou comigo, o Dan Coats [diretor dos serviços secretos] e outros, dizem que acham que foi a Rússia. Eu tenho o Presidente Putin a dizer que não foi a Rússia. Eu digo isto: não vejo por que razão seria... Eu confio nos dois lados." Foi o momento em que um presidente dos EUA deu tanto crédito à palavra de um ex-espião do KGB como à de todos os serviços secretos norte-americanos.
Como sempre, depois de dizer uma coisa, Trump veio fazer controlo de danos dizendo o seu exato contrário. E escolheu, claro, o Twitter, para jurar que tem "GRANDE confiança" (com letras maiúsculas, para que não fiquem dúvidas) nos seus serviços secretos. De acordo com o Washington Post, até os conselheiros de Trump ficaram siderados com as palavras do seu presidente em Helsínquia. "Completamente contra o planeado", disse um deles ao jornal da capital norte-americana. Pelo que conta o Vox, até já há na Casa Branca quem tente passar a ideia de que Trump tem uma qualquer limitação cognitiva ou psicológica que o impede de perceber a questão russa. Ao que isto chegou.
O conselho editorial do Washington Post publicou poucas horas depois da conferência de imprensa um texto de opinião em que considera que ficou ali provado o conluio de Trump com os russos. Um colaborador do jornal escreveu que "o momento pedia que Trump defendesse a América. Em vez disso, ele curvou-se". No New York Times lê-se que "talvez o presidente esteja exatamente tão comprometido [com os russos] como parece". Se tivermos em conta que tudo isto acontece depois de Trump ter desancado os seus parceiros do G7, depois de ter ameaçado por em causa o futuro da NATO, e depois de ter considerado que a União Europeia é "um inimigo" dos EUA, fica claro que o único elemento de política externa em que esta Casa Branca é estável e previsível é o alinhamento com o Kremlin. Nos Estados Unidos há quem fale num "suicídio geopolítico". No Público, a Teresa de Sousa aponta no mesmo sentido: "Putin só tem a ganhar. Trump tem bastante a perder".

De pernas para o ar

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Eduardo Louro

  • 17.07.18

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Há uma semana Trump humilhou os parceiros da NATO. Há dois dias, humilhou toda a Grã Bretanha, nada nem ninguém lhe escapou. Chegado a Helsínquia, lado a lado com o seu amigo, confidente e par, humilhou a América.

Quando Trump diz ao mundo que acredita em Putin, e não nos serviços secretos americanos, humilha a América. Quando acusa os seus antecessores de responsáveis pelas más relações com a Rússia, trai o seu país.

Pelo meio, entre a humilhação da NATO e do Reino Unido e da própria América, Trump rebentou com todos os pilares do Ocidente, ao declarar inimigos a Europa e o Canadá.

Talvez agora os mais renitentes comecem finalmente a perceber a perigosidade da criatura. Não, não é embirração!

Putin?  Esse só dá por bem empregue o tempo (e o dinheiro) que gastou para o colocar na Casa Branca. Para já tudo lhe corre bem... O mundo já está de pernas para o ar!