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segunda-feira, 2 de abril de 2018

GPS. Dinheiro vivo que alunos usavam no bar e papelaria (e em feiras do livro) era entregue aos administradores

GPS. Dinheiro vivo que alunos usavam no bar e papelaria (e em feiras do livro) era entregue aos administradores

HÁ UMA HORA

O valor ronda meio milhão de euros. As receitas em dinheiro do bar e papelaria de dois colégios eram entregues aos 5 administradores por funcionários, uma professora e até um filho de um dos arguidos.

Foi no Colégio de São Mamede, na Batalha, e no Colégio Miramar, em Mafra, que o desvio de numerário aconteceu

Vírginia Costa Vieira / Slideshow / Global Imagens

Autor
  • Carolina Branco

Os cinco administradores do grupo GPS constituídos arguidos terão dado orientações aos serviços administrativos e financeiros do Colégio São Mamede e Colégio Miramar para desviar os pagamentos feitos por alunos e utentes na papelaria e no bar (e até numa feira do livro). Todo o dinheiro que entrava em numerário era entregue aos administradores, de acordo com a acusação do Ministério Público a que o Observador teve acesso.

As orientações eram estas: se os alunos e utentes dos colégios do grupo GPS faziam pagamentos em cheque ou moedas, esses valores eram “depositados na conta bancária aberta em nome desses colégios”. Se os alunos pagavam em notas, eram “entregues aos administradores, ou a pessoas da sua confiança que lhos entregariam”. Entre essas pessoas está Nuno Madama, filho do arguido António Madama, e uma professora.

Estas receitas resultam da venda aos utentes dos colégios de produtos que estes mesmo colégios haviam adquirido para o efeito, como livros, material escolar, fotocópias e cadernetas e bens alimentares“, lê-se na acusação a que o Observador teve acesso.

Este desvio dos numerários dos colégios terá acontecido entre 2010 e 2014 — período em que, segundo a acusação do Ministério Público, “António Calvete, Manuel Madama, António Madama, Fernando Catarino e Agostinho Ribeiro decidiram apoderar-se de verbas provenientes de outras receitas dos colégios, designadamente de papelaria e bar” e também de uma feira do livro realizada no Colégio de São Mamede, cujas receitas atingiram os 1.068,39 mil euros.

Filho de arguido, funcionários e professora entre os que recolheram meio milhão de euros

Foi no Colégio de São Mamede, na Batalha, e no Colégio Miramar, em Mafra, que o desvio de numerário aconteceu. Um total de 426.987,99 mil euros foi entregue “aos arguidos António Calvete, Manuel Madama, António Madama, Fernando Catarino e Agostinho Ribeiro directamente nos colégios ou das pessoas que aí os recolheram”.

Do total de quase meio milhão de euros em numerário, o maior montante (265.973,69 mil euros) foi recolhido por um funcionário no Colégio São Mamede, que aparece referenciado na acusação do Ministério Público como “Dr. Manuel”. Na lista de pessoas que recolheram o dinheiro para entregar aos administradores consta uma professora que fez uma recolha no valor de 4.145 mil euros e Nuno Madama, filho do arguido Manuel Madama, (que recolheu 76.064,30 mil euros). Nuno Madama, segundo a acusação, exerceu funções no Departamento de Gestão da GPSEF, uma sociedade detida pelo grupo GPS. Regina Silva, que exerceu funções no Departamento Pedagógico da GPSEF, também faz parte dessa lista, tendo recolhido um total de 9,575 mil euros.

O arguido Manuel Madama é diretor do Colégio de São Mamede, desde 2000, o arguido Fernando Catarino é administrador da sociedade que detém o colégio, a PROFESSO, desde julho de 2010, e responsável pelo Departamento de Gestão da GPSEF, e Agostinho Ribeiro foi administrador do Colégio Miramar, entre 2005 e 2015.

Bem sabiam que as quantias em causa lhes não pertenciam, mas sim aos respectivos colégios, aproveitando-se do acesso que às mesmas tinham, por força das funções de gestão, administração e direção que exerciam, com o propósito, concretizado, de se enriquecerem e aos seus patrimónios pessoais“, lê-se ainda na acusação.

Este alegado desvio de dinheiro poderá justificar a apreensão de 29 mil euros “em numerário” ao arguido Manuel Madama (além de 60 carros no valor estimado de 361.150 euros) e de 25 mil euros em dinheiro a António Madama (além de sete carros no valor estimado de 154 mil euros).

O Ministério Público acusou no passado dia 23 de março por corrupção, peculato, falsificação de documento, burla qualificada e abuso de confiança dois ex-decisores públicos, o ex-secretário de Estado Adjunto e da Administração Educativa José Manuel Canavarro e o ex-diretor regional de educação de Lisboa José Maria de Almeida e ainda cinco administradores do grupo GPS, António Calvete, Manuel Madama, Fernando Catarino, António Madama e Agostinho Ribeiro. Os três primeiros ainda estão em funções.

Os cinco administradores terão usado mais de 34 milhões dos mais de 300 milhões de euros pagos ao grupo no âmbito dos contratos de associação com o Estado, principalmente através de seis empresas-fantasma controladas por eles “com o propósito alcançado de, em nome das mesmas, serem emitidas facturas dirigidas a colégios e empresas de gestão do grupo, referentes a serviços que não foram efectivamente prestados”, pode ler-se na acusação do Ministério Público a que o Observador teve acesso.

Essas sociedades não têm atividade, estrutura física, instalações, funcionários ou logística, para além dos sócios/acionistas, administradores/gerentes”, lê-se na acusação.

Mais de 34 milhões terão tido alegadamente um uso indevido por parte dos arguidos e serviram para pagar viagens, cruzeiros, carros, jantares, vinhos e seguros pessoais e até bilhetes para o mundial de futebol de 2006.

De acordo com a acusação, “em troca dessas decisões favoráveis [os cinco arguidos] ofereceram [aos dois decisores públicos] cargos remunerados nos quadros das sociedades do seu grupo e outras vantagens patrimoniais”. José Manuel Canavarro, depois de sair do Governo em 2005, foi convidado para ser consultor no grupo GPS, explicou ao Observador. Canavarro defende-se: “Fui um colaborador a recibos verdes, pagando impostos. Não tive lugar de quadro. Exerci funções de assessoria como colaborador externo”, explicou, acrescentando que “declarou no registo de interesses e no Tribunal Constitucional”. José Manuel Canavarro disse ainda ao Observador que “nunca” teve “qualquer interferência em entidades públicas” enquanto foi consultor e garantiu: “Nunca me foi pedido [qualquer interferência]”.

Ministério da Educação não tinha suspeitas de uso indevido de 34 milhões de euros

Durante oito anos, entre 2005 e 2013, cinco administradores do grupo GPS terão desviado mais de 34 milhões de euros (para cruzeiros, vinhos, carros ou bilhetes para o mundial de futebol). Mas a Inspeção Geral da Educação e Ciência (IGEC) — a entidade responsável por controlar e realizar auditorias em estabelecimentos de educação, públicos e privados — não detetou que tal estava a acontecer.

Desde 2006 (ano em que o governo de José Sócrates tomou pose) até pelo menos 2011 (ano em que o governo do PSD de Passos Coelho tomou posse), “não foram detetadas situações similares”, confirmou fonte do Ministério da Educação ao Observador, com base em relatórios de atividades desse período. A mesma fonte garantiu ainda que “sempre houve atos inspetivos e auditorias” durante esse período, explicando que se realizam “anualmente”.

GPS diz que há “incongruências que poderão ferir de morte esta acusação”

O grupo GPS ainda não tem uma posição sobre a acusação — algo que considera “absolutamente extemporâneo”, de acordo com declarações do gabinete de comunicação ao Observador. A extensão do processo e “ausência de meios” disponibilizados pelos Ministério Público estão na base da ausência de posição.

Este processo tem pelo menos 1.930 dias (cinco anos, três meses e 15 dias), e recebemos a acusação há apenas alguns dias. Estamos a analisar de forma aprofundada a peça, desde logo muito extensa (270 páginas), num processo principal que tem 19 volumes, com pelo menos 4.593 páginas, a que se somam 26 apensos, desdobrados em cerca de 2.000 pastas de arquivo, com várias centenas de milhar de folhas”, explicou a mesma fonte.

O grupo GPS acusa o Ministério Público de “desigualdade de armas entre a acusação e a defesa” por não disponibilizar cópias de documentos. Para o grupo, “a defesa está diminuída, senão mesmo impedida”. Isto porque o grupo GPS alega que não dispõem de uma “cópia (digitalizada ou em papel) dos documentos constantes do processo”, que “foram apreendidos”. “O Ministério Público alega ausência de meios para facultar cópia dos elementos constantes do processo”, explicou fonte do grupo.

Segundo a mesma fonte, o grupo GPS conta ter “uma posição mais substantiva nos próximos dias“. “De qualquer forma, importa desde já vincar um conjunto de incongruências que poderão ferir de morte esta acusação“, disse ainda a mesma fonte.

Língua Portuguesa: 7 vezes em que a sua professora lhe ensinou coisas erradas

Novo artigo em VortexMag


por admin

Não, não estamos a afirmar que a sua professora de português era uma grande mentirosa, nem que estava completamente errada. Estamos apenas a dizer que, muitas vezes, de forma a simplificar a informação transmitida, são cometidas incorrecções, contribuindo para a criação de verdadeiros mitos gramaticais. A criação de regras é ainda mais acentuada devido à tendência generalizada que existe entre os estudantes de decorar regras. Mais importante, contudo, do que decorar regras, é entender o funcionamento e a estrutura da língua e saber aplicar as regras nos diversos contextos, sendo feita uma análise e reflexão sobre a língua em uso.

Incorrecção 1: Há sempre crase antes da indicação exacta e determinada de horas

Esta regra é usada para indicar que as seguintes construções frásicas são escritas com crase (à ou às):

  • Eu saio para o trabalho todos os dias às sete da manhã.
  • O fogo de artifício começará à meia-noite.
  • Chegaremos ao aeroporto às 18h.

Apesar disso, é possível o uso de as, sem acento grave, em construções que indiquem intervalos exatos de horas:

  • Você ficou as nove horas em jejum, conforme pedido pelo médico?
  • Ele acabou por esperar as cinco horas previstas pela recepcionista das urgências do hospital.
Incorrecção 2: Não se usa crase antes de pronomes

O mais usual é, efectivamente, a inexistência de crase antes de pronomes, porque há apenas a presença da preposição a, não sendo usado o artigo definido a antes de pronomes. Apesar disso, é possível que ocorra crase antes de diversos pronomes, em situações já previstas na gramática:

  • Você entregou todos os papéis à senhora?
  • Você entregou todos os papéis à própria senhora?
  • Você entregou todos os papéis à mesma senhora?
  • Você entregou todos os papéis àquela senhora?

É também possível o uso do acento grave antes de pronomes quando existem termos que se encontram omitidos:

  • Comprei uma blusa igual à que você usou ontem.
  • Passei por uma depressão similar à que você passou.

Atenção!O uso da crase antes de pronomes possessivos femininos é facultativo:

  • Dei o colar a minha mãe.
  • Dei o colar à minha mãe.
Incorrecção 3: Um ditongo é o encontro de duas vogais na mesma sílaba

Na realidade, nunca ocorre o encontro de duas vogais na mesma sílaba. Um ditongo é o encontro de uma vogal e de uma semivogal na mesma sílaba. A vogal actua como o núcleo da sílaba, sendo pronunciada de forma mais forte e nítida. A semivogal é pronunciada de forma mais fraca e menos nítida, apenas acompanhando a vogal.

Nos ditongos crescentes, a semivogal está posicionada antes da vogal.

  • goela (o=semivogal, e=vogal)
  • quase (u=semivogal, a=vogal)

Nos ditongos decrescentes, a semivogal está posicionada depois da vogal.

  • caixa (a=vogal, i=semivogal)
  • flauta (a=vogal, u=semivogal)
Incorrecção 4: Nunca se separam os ditongos na divisão silábica

Embora esta regra englobe a maioria das palavras com ditongos, não há consenso entre os estudiosos da língua portuguesa relativamente às palavras terminadas em -ea, -eo, -ia, -ie, -io, -oa, -ua, -uo.

Essas palavras são, tradicionalmente, paroxítonas terminadas em ditongo crescente. Logo, o encontro vocálico mantém-se na mesma sílaba:

  • água (á-gua)
  • génio (gé-nio)
  • ânsia (ân-sia)

Apesar disso, devido à flexibilidade na pronúncia do ditongo, essas palavras podem ser também classificadas como proparoxítonas aparentes, sendo o ditongo convertido para hiato e ficando em sílabas separadas na divisão silábica:

  • água (á-gu-a)
  • génio (gé-ni-o)
  • ânsia (ân-si-a)

No actual acordo ortográfico, essas palavras foram categorizadas como palavra proparoxítonas, terminadas em hiatos.

Incorrecção 5: Não se usa vírgula antes da conjunção e

Embora não se use habitualmente a vírgula antes da conjunção e em enumerações, é possível o uso da vírgula antes dessa conjunção em diversas situações:

  • Quando a conjunção e tem um valor diferente de uma conjunção aditiva: O meu filho estudou durante dias, e mesmo assim não passou na prova.
  • Quando o uso da conjunção e tem como objectivo um efeito enfático: Ele disse, e fez, e desfez, e refez, e se contrariou, e repetiu tudo outra vez!
  • Quando orações coordenadas possuem sujeitos distintos, sendo marcadas por uma pausa: Eu é que fui assaltada, e ele é que ficou traumatizado.
Incorrecção 6: Não se pode iniciar uma frase com a conjunção mas e com a conjunção e

O uso da conjunção mas e da conjunção e no início das frases é, habitualmente, desaconselhado por terem uma marcada função de conectores, ou seja, de elementos de ligação entre termos ou orações.

Apesar disso, podem ser usados no início das frases em diversas situações, principalmente com finalidades literárias e expressivas, dando ênfase ao enunciado e simplificando o discurso. Esse recurso é utilizado por muitos autores de renome.

  • Mas como é que isso foi acontecer? Alguém viu alguma coisa?
  • Sozinha, a Maria fez os salgadinhos, os docinhos e o bolo. E ainda fez todos os enfeites da festa!
Incorrecção 7: Não devem ser usadas construções frásicas com dupla negação

Embora seja frequentemente dito que a dupla negação deve ser evitada porque transmite uma ideia afirmativa, isso não é correcto. A dupla negação reforça o sentido negativo da frase. É uma construção sintaticamente correta, sendo muito usada na linguagem oral.

  • Não foi nada! Está tudo bem!
  • Ela não me pediu nada.

A Ryanair julga que aterrou no faroeste

por estatuadesal

(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 02/04/2018) 

Daniel

Daniel Oliveira

A Ryanair violou a lei da greve, substituindo grevistas por “voluntários” e por tripulações de outros países. As provas são claras, até porque a empresa nem sequer se deu ao trabalho de as esconder. Estão na circular de “agradecimento” que enviou àqueles que ilegalmente substituíram os grevistas e na gravação de, entre outros, um telefonema em que uma comissária de bordo espanhola é ameaçada de despedimento caso não substitua, no seu dia de folga, os trabalhadores portugueses. O que quer dizer que para violar a lei da greve vigente em Portugal (e na maioria dos países europeus) usou de coação e ameaça. Ficamos a saber que a empresa trata os seus trabalhadores como trata os seus clientes, totalmente ignorados durante esta greve.

O desrespeito pela legislação nacional tem sido uma constante na empresa e não pode continuar a ser ignorado pelas autoridades nacionais. Serve para não dar licença de parentalidade como está estipulada na lei, serve para obrigar trabalhadores a deslocarem-se a Dublin para justificar baixas já legalmente justificadas, serve para impor condições negociais aos sindicatos totalmente ilegais, serve para substituir trabalhadores que estão em greve. A Ryanair parece acreditar que opera em Portugal como se fosse uma “offshore” legal. E para percebermos como é que o presidente da companhia, Michael O’Leary, olha para o nosso país e para as nossas leis (que em matéria ambiental não são diferentes das do resto da Europa), basta recordar como, há um ano, reagiu à pergunta de uma jornalista quando esta referiu os estudos de impacto ambiental necessários para construir o aeroporto do Montijo: “É só pegar em duas shotguns e o problema dos pássaros resolve-se...” O respeito, o cuidado, o charme...

Ao contrário do que julga o cowboy, os trabalhadores contratados em Portugal estão sujeitos à lei nacional. Por isso, espero que as autoridades portuguesas sejam muitíssimo rigorosas. A começar pela Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) que, ao investigar tudo o que se passou, deixará clara a autoridade nacional neste conflito laboral. Depois, o Estado e a Justiça, que deverão enviar um sinal de que Portugal não é o faroeste onde cada empresa cria a sua própria lei e decide o que quer e não quer cumprir.

Como reação a esta greve, a Ryanair ameaçou Portugal com a redução do número de aviões baseados em Portugal. Conhecemos o estilo e devemos, até para deixar o recado a outras empresas, não mostrar qualquer tibieza: Portugal é um Estado de Direito, europeu e onde as leis são para cumprir. Sim, precisamos do turismo. Mas há concorrentes da Ryanair. Sabendo que as low cost, que foram e continuam a ser fortemente subsidiadas pelos Estados a que se destinam, estão a viver um período difícil, este é o momento para definir regras. Só nos podem interessar empresas que cumpram a lei. Porque quem não se dá ao respeito está condenado ao subdesenvolvimento.

O COMPLÔ

por estatuadesal

(In Blog O Jumento, 02/04/2018)

Marques_Mendes

Marques Mendes, o homem mais bem informado de Portugal e arredores, precisou de chegar ao dia das mentiras e em pleno domingo pascal do ano santo de 2018 para descobrir que há um complô em torno dos bancos falidos. Dir-se-ia que Marques Mendes esteve enterrado desde a falência do BPN e ressuscitou ontem à noite, no seu tempo de antena da SIC Notícias.

O homem não viu nenhum complô quando os seus camaradas de partido e dos governos de Cavaco Silva fazerem grandes negócios ruinosos e arruinados com o dinheiro fácil do BPN. Também não viu nenhum complô quando o seu agora patrão na SIC Notícias usou a revista do Expresso para apresentar o mesmo BPN como um caso de sucesso na banca. E quando se soube que no meio da desgraça Cavaco Silva ganhou muitos milhares de euros num negócio de ações mais do que manhoso também não reparou em nenhum complô.

Quando Passos Coelho foi fotografado de havaianas na mão ao mesmo tempo que o BES era enterrado, tudo isso depois de o governo ter assinado um diploma sem se reunir, situação bem explicada por Assunção Cristas a quem a Maria Albuquerque telefonou para abrir o e-mail e assinar de cruz, Marques Mendes não deu por qualquer complô. Também não viu qualquer complô quando Passos e a Maria Luís asseguraram que a resolução do BES não traria custos para os contribuintes. E muito menos quando Sérgio Monteiro foi contratado pelo BdP para ser o caixeiro-viajante encarregado de vender o Novo Banco.

Poderia ter visto um complô na guerra de Ricciardi apoiado por Passos Coelho contra Ricardo Salgado e ter desconfiado de um complô para mudar a liderança do banco, eventualmente a troco da sua lavação, mas não viu. Da mesma forma que não viu nem ouviu o que se falou entre o governo de Passos e a troika a propósito do BES. Provavelmente não acredita em complô porque estará convencido que isso nem foi falado, aconteceu depois e muito de repente.

Agora e como não pode ilibar o seu PSD da situação tenta embrulhar todos num complô, pela forma manhosa como mete tudo e todos no complô até podemos imaginar o Jerónimo de Sousa a ir clandestinamente à Manta Rota, à tal vivenda alugada por Passos de quem ninguém ainda viu a fatura, para arranjar o complô com o finado dirigente do PSD.

O PSD já massacrou o PS tentando esconder as responsabilidades dos seus no caso do BPN, agora que não pode assacar as responsabilidades a Vítor Constâncio, também não as quer atribuir a Carlos Costa, porque sabe que o governador atuou como se fosse um pau mandado de Passos Coelho e da troika. Por isso o conhecido empresário e advogado arma-se em espertalhão e inventa um complô.

Pulhas Analytica

Publicado por João Mendes

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Robert Mercer, proprietário da Cambridge Analytica, é um dos homens mais ricos do mundo. E como grande parte dos bilionários norte-americanos, Mercer é um batoteiro, que pratica o tipo de batota que a grunharia liberal-fascista venera, porque a grunharia liberal-fascista vive precisamente da batota, seja manipulando os mercados e a economia através dos seus fundos abutres, seja através da evasão fiscal em massa, seja com recurso à injecção de milhões de dinheiro sujo para distorcer a percepção pública sobre os mais variados temas. Uma cambada de parasitas e filhos da puta. O mundo estaria infinitamente melhor sem eles.

Mas Robert Mercer não se contenta com a condição de parasita filho da puta liberal-fascista. Não, Robert Mercer integra o lote daqueles que precisam do sofrimento alheio e da instigação generalizada do medo para ser feliz, seja lá o que isso signifique para ele. Só isso explica o facto de ser racista, xenófobo e adepto da violência. Só isso explica que seja um dos grandes patrocinadores das candidaturas presidenciais mais radicais nos EUA. Só isso explica que seja um dos mecenas de referência de projecto de extrema-direita como o Breitbart News, onde Trump foi buscar, reza a lenda que por indicação de Mercer, o fascista Steve Bannon, para seu braço direito. Enquanto durou.

Como a agenda liberal-fascista não é uma agenda popular ou fácil de implementar, na medida em que a esmagadora maioria da humanidade, por muito alheada que esteja, não está muito interessada em viver num mundo onde uma pequena elite de pulhas tudo domina e remete os restantes para indigência, para a acefalia e para a nova escravatura, condições nucleares para o modelo económico do liberal-fascismo, que assenta em salários miseráveis e na erradicação total de direitos laborais, Robert Mercer e a sua filha Rebekah, a Cruella De Vil do liberal-fascismo, decidiram levar a batota para outro nível, montando e financiando um esquema de manipulação da opinião pública em larga escala, que de resto já causou danos irreversíveis no império Zuckerberg. E nos EUA. E no Reino Unido. E na União Europeia. E no planeta Terra.

Os resultados, agora divulgados, não deixam margem para grandes dúvidas. Apanhado pela câmara oculta de um corajoso jornalista, Alexander Nix, CEP (Chief Executive Pulha) da Cambridge Analytica, revelou ao mundo os métodos dos vigaristas liberal-fascistas, que vão da mais reles e canalha manipulação emocional da opinião pública até ao envio de prostitutas para casa dos seus alvos. Eis a escumalha por trás da vitória de Donald Trump, do triunfo do Brexit e, possivelmente, da ascensão de outros déspotas e vigaristas. Eis os pulhas engravatados, provenientes das melhores famílias, universidades e business schools, que não olham a meios para fazer dinheiro, nem que para isso tenham que enganar e cuspir nas massas, fazer pactos com gente corrupta e violenta ou patrocinar atentados contra a democracia. O lixo liberal-fascista que gosta de dar lições de moral, mas que, na realidade, não é exemplo para ninguém. Pelo menos para pessoas sérias. O liberal-fascismo que não acaba quando acaba o dinheiro dos outros. Porque quando acaba o dinheiro dos outros, o liberal-fascismo encontra sempre outra maneira para parasitar a humanidade. Pulhas.