Translate

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Ameaça de demissão de Seehofer lança o caos na coligação de Merkel

Andreia Martins - RTP02 Jul, 2018, 11:57 / atualizado em 02 Jul, 2018, 12:23 | Mundo

Ameaça de demissão de Seehofer lança o caos na coligação de Merkel

Na visão de Horst Seehofer, Angela Merkel não conseguiu corresponder às expectativas do partido bávaro, parceiro na coligação de Governo, na última cimeira europeia | Hannibal Hanschke - Reuters

Três dias. Foi o tempo concedido por Horst Seehofer, ministro alemão do Interior, para que Angela Merkel resolva o conflito sobre as políticas migratórias com os parceiros de coligação da Baviera. O responsável ameaçou avançar com a demissão, mas aceitou voltar a reunir-se com a chanceler perante a pressão de vários membros da CSU. A crise interna e o fim de uma coligação com quase 70 anos poderá ser o prenúncio de eleições antecipadas na Alemanha.

Em rota de colisão com a chanceler alemã, o ministro do Interior ameaçou demitir-se do cargo, mas também da liderança da CSU (União Social Cristã), por divergências cada vez mais vigorosas na questão migratória.

Na visão de Horst Seehofer, Angela Merkel não conseguiu corresponder às exigências e expetativas do partido bávaro, parceiro na coligação de Governo, durante a cimeira europeia que decorreu em Bruxelas no final da última semana. 

Várias figuras da CSU pretendem que a Alemanha recuse a entrada aos migrantes que já tenham sido registados noutros países da União Europeia. Por seu lado, a CDU (União Democrática Cristã) considera que essa ação violaria as leis da União Europeia, mas também a Convenção de Genebra sobre os direitos dos refugiados. 

Durante as últimas semanas, a chanceler alemã tem-se desdobrado em reuniões e encontros bilaterais com vários parceiros europeus, na tentativa de garantir o retorno dos migrantes que estão em território alemão, mas que foram registados por outros países dentro do espaço comunitário. 

A chanceler procura, dessa forma, agradar parceiro de coligação que vocifera de forma cada vez mais audível contra a imigração, quando faltam menos de quatro meses para as eleições na Baviera, com a alarmante subida da AfD (Alternativa para a Alemanha, partido de extrema-direita). 

A questão migratória poderá ser mesmo o ponto final uma relação de quase 70 anos entre duas forças políticas irmãs que não concorrem uma contra a outra em eleições desde 1949, com exceção para uma breve separação registada em 1976. 

Numa derradeira oportunidade, a chanceler alemã e o ainda ministro reúnem-se esta segunda-feira em Berlim, a fim de solucionar a crise emergente, agora agravada com a ameaça de demissão. 

Horst Seehofer chegou mesmo a comunicar a decisão no domingo, durante uma reunião da CSU em Munique. "Vamos ter mais conversações com a CDU em Berlim, na esperança de que se consiga alcançar um acordo. Depois, vamos ver o que acontece", adiantou o ministro aos jornalistas. 

Antes, um dos membros da CSU afirmava que Seehofer pretendia demitir-se por “não garantir o apoio necessário”. Ficam expostos alguns possíveis desentendimentos dentro do próprio partido bávaro, cuja reputação começa a ser questionável. Pela imprensa, pelas forças de esquerda, de direita, e pelo próprio Governo de Merkel. 

A revista Der Spiegel refere mesmo que “se [Seehofer] se mantiver como ministro do Interior, vai perder a sua credibilidade. Se se demitir, a mesma coisa acontece”. No Süddeutsche Zeitung escreve-se que “os dias de Seehofer como chefe da CSU estão contados” e ainda que “o seu objetivo político final é: se vou cair, também Merkel cai comigo”. 

Que cenários para Merkel?

A verdade é que a demissão iminente do ministro do Interior poderá fazer cair um Governo a que foi tão difícil chegar, alcançado ao fim de vários meses de negociações entre vários partidos. Recorde-se que, no ano passado, as eleições federais na Alemanha, realizadas em setembro, deram uma maioria simples à CDU e CSU. A “grande coligação” só surgiria em março, com a entrada do SPD (sociais-democratas) na aliança. 

Agora, Angela Merkel, no poder há 12 anos, corre o risco de perder o seu governo maioritário na sequência do conflito interno entre os conservadores alemães.

Segundo a Deutsche Welle, que traça vários cenários possíveis na política germânica com a saída de Horst Seehofer do Governo, a chanceler alemã demonstrou no passado recente que prefere a hipótese de eleições antecipadas a uma eventual governação de um executivo em posição minoritária no Bundestag, a câmara baixa do Parlamento alemão.

A Constituição alemã (Lei Fundamental da República Federal da Alemanha) prevê que, em caso de demissão, esta tenha de ser aceite pela chanceler, mas também pelo Presidente, Frank Walter Steinmeier.  

Consumada a demissão de Seehofer, a decisão estaria nas mãos da CSU, num primeiro momento. A aliada da Baviera poderia propor um novo ministro para ocupar a pasta do Interior, mas pode também decidir abandonar a coligação, retirando todos os seus ministros do executivo de Merkel. 

Horst Seehofer, ministro do Interior, Andreas Scheuer, ministro dos Transportes e das Infraestruturas Digitais, e Gerd Müller, ministro da Cooperação Económica e Desenvolvimento, são os membros da CSU com pastas no Governo de Merkel.

Em caso de saída do partido bávaro da “grande coligação”, várias hipóteses se desenham no xadrez político alemão. Existe a possibilidade de o Governo prosseguir a legislatura com um governo minoritário, caso o SPD esteja de acordo.

Neste contexto, seria necessário assegurar continuamente o apoio de partidos externos à coligação na aprovação de legislação no Parlamento, uma opção que Merkel descartou durante o período de negociações com o SPD, após as eleições de setembro.

Existe também a hipótese de se formar uma nova coligação que permita à CDU e ao SPD preencher os lugares deixados vagos pela CSU, de forma a assegurar uma nova maioria absoluta. Os Verdes e os liberais do FDP seriam dois potenciais parceiros, mas o lugar de Angela Merkel poderia estar em jogo nestas novas negociações.

Do lado dos social-democratas, a posição sobre a migração está mais próxima da que é assumida pela chanceler. Pede-se uma “política humanitária para os refugiados com uma dose saudável de realismo”. Andrea Nahles, presidente do SPD, considera que a CSU está a seguir “uma viagem de ego perigosa” e alerta que esta situação instável “não pode continuar”.

No domingo, o SPD apresentou ainda um documento com cinco pontos essenciais, na tentativa de ajudar à resolução da contenda sobre questões migratórias. Os social-democratas tentam solucionar a crise instaurada entre CDU e CSU, os dois parceiros que com eles formam a “grande coligação”, mas estas propostas contrariam perentoriamente a exigência de retorno de refugiados, apresentada pelos bávaros.

Há também a possibilidade de destituir Angela Merkel por via de uma moção de censura no Bundestag, onde a chanceler estaria em minoria. No entanto, os partidos seriam obrigados a propor um novo candidato que dificilmente reuniria consenso entre as várias forças políticas.

Em caso de queda do Governo de Angela Merkel, o cenário mais provável será mesmo o de dissolução do Parlamento e a marcação de novas eleições, uma decisão que cabe, em última análise, ao Presidente alemão. A partir desse momento, Frank-Walter Steinmeier terá de marcar eleições num prazo de 60 dias. Ou seja, a Alemanha poderá voltar às urnas para novas eleições federais, menos de um ano depois do último escrutínio.

Andrés Obrador é o novo presidente do México

Mariana Bandeira

08:20

“Chamo todos os mexicanos para a reconciliação e para colocarem em cima dos seus interesses pessoais, por mais legítimos que eles sejam, o interesse superior”, afirmou o novo chefe de Estado do México, que saiu vitorioso das eleições presidenciais com 52,8% dos votos.

O político mexicano de esquerda Andrés Manuel López Obrador conquistou a vitória nas eleições presidenciais do México, que se realizaram este domingo, dia 1 de julho. Os primeiros dados oficiais foram conhecidos por volta das 23:00 no México (05:00 em Lisboa) e apontaram uma conquista de mais de 50% dos votos do eleitorado local (52,8%).

“Chamo todos os mexicanos para a reconciliação e para colocarem em cima dos seus interesses pessoais, por mais legítimos que eles sejam, o interesse superior”, afirmou o novo chefe de Estado do México, assim que surgiram os primeiros resultados.

Durante a madrugada, na sondagem à boca das urnas, três institutos de sondagem projetavam já uma vitória de Andrés Manuel Lopez Obrador com mais de 40% dos votos. O diário local “El Financiero” dava a Andrés Manuel López Obrador 49% dos votos, contra 27% do jovem conservador Ricardo Anaya e 18% de José Antonio Meade.

Após virem a público estes dados, os adversários de Andrés Manuel Lopez Obrador – como Ricardo Anaya (23,8%), José Meade Kuribreña (14,8%) e Jaime Heliódoro Rodríguez Calderón (5,9%) – admitiram a derrota, mesmo sem conhecer os números oficiais.

Ao longo do dia da votação foram registados quatro assassinatos. Esta campanha eleitoral foi definida por vários especialistas como “a mais violenta” da história do país, e de acordo com o gabinete de estudos Etellekt, pelo menos 145 políticos ou ativistas envolvidos foram assassinados no México, incluindo 48 candidatos ou pré-candidatos.

Uma ajuda para inspiração de posts

Novo artigo em Aventar


por j. manuel cordeiro

Há por dois ou três sítios que seguem obsessivamente o que se passa na Venezuela e em Cuba como forma de ilustrarem o falhanço que são os regimes de esquerda. Já quanto aos quase 90 anos de governos de direita no México, cujas políticas têm conduzido ao gigantesco fluxo migratório para fugir desse paraíso de direita, o silêncio tem sido a marca dominante, não fosse a sua pureza de raciocínio sair toldada.

Agora que o México vai ter um governo de esquerda, já têm mais um tema para posts isentos, a apontarem a desgraça que são os regimes de esquerda. Só têm que passar uma esponja por cima das décadas de governação à direita.

Termino com uma nota para os distraídos. A má governação não tem cor política, seja ela de esquerda ou de direita, apesar da militância com palas não o ver.

domingo, 1 de julho de 2018

Entre as brumas da memória


Dica (777)

Posted: 01 Jul 2018 01:00 PM PDT

A preta de merda e o jornalismo de Segóvia (Fernanda Câncio)
.

Solidariedade com a(o)s refugiada(o)s e migrantes

Posted: 01 Jul 2018 09:25 AM PDT

Três mentiras

Posted: 01 Jul 2018 06:34 AM PDT

«Na Líbia existem três governos e nenhum governa, na Turquia, o autoritarismo e a repressão vão ocupando o lugar da democracia. As pessoas refugiadas aí deixadas destinam-se à morte lenta. É por isso que a simples possibilidade de se instalarem campos de "internamento" na Sérvia ou no Kosovo só pode ser repudiada.


Por muitas voltas que se dê, à União Europeia foge sempre o pé para fazer o outsourcing do trabalho sujo, rodeando a "fortaleza" de campos de detenção.


O preço que pagamos é incalculável. A validação do racismo e da xenofobia são atos criminosos. O caminho para a desintegração vai já em passo acelerado. As desigualdades, a pobreza e a falta de expectativas no futuro foram tratadas pelos líderes europeus como adereços que custaram a credibilidade. A forma como estão a agir perante os refugiados custa o preço da humanidade. Sabê-lo-emos da pior forma.»

Marisa Matias
.

As duas superpotências

Posted: 01 Jul 2018 03:36 AM PDT

«Na nova desordem mundial não há tolerância para com os direitos humanos. A denominada política de tolerância zero na fronteira com o México, a contemporização de Trump para com o supremacismo branco, a desvalorização dos direitos das minorias e o excelente relacionamento com líderes autoritários — os quais jamais confrontará com a violação das liberdades mais elementares nos seus países — aí estão para o provar. Neste quadro, a saída dos EUA do Conselho dos Direitos Humanos da ONU, por o considerarem um organismo anti-israelita, é, pelo menos, uma decisão coerente. Até aqui as atrocidades cometidas por países amigos eram toleradas em função de interesses económicos ou geopolíticos e as atrocidades cometidas por países inimigos objecto de ingerência em nome do respeito pelos direitos humanos.

Nesta era Trump, regimes democráticos como os EUA ou como os Estados-membros da União Europeia não só não se preocupam com as violações dos direitos humanos em países terceiros como alguns deles começam a adoptar políticas que contrariam todos os princípios básicos nos quais se fundaram. Não vale a pena sequer falar do resto do mundo neste capítulo. Objectivamente, a questão não se coloca na Rússia ou na China, na Arábia Saudita ou na Turquia. É muito mau sinal quando a preocupação com os direitos humanos é um exclusivo de organizações como a Amnistia Internacional ou a Human Rights Watch e quando as catástrofes humanitárias da Síria ou a perseguição dos rohingyas podem ser pretexto para um Pulitzer ou um World Press Photo, mas nada mais do que isso.

Olhando para a Europa, depreende-se que fechar portos e impedir a entrada de imigrantes dá votos. Sondagens em Itália, após o caso do navio Aquarius, davam conta de que duas em cada três pessoas estavam de acordo com a forma como o Governo de Conte geriu este processo. Olhando para os EUA, as políticas de tolerância zero terão, finalmente, sobressaltado a opinião pública: Susan Sarandon e centenas de manifestantes foram detidos durante protestos, em Washington, organizados por movimentos feministas, sob o slogan “as famílias devem estar juntas”. Novos protestos repetiram-se ontem e outros se devem seguir nos próximos dias. Na nova desordem mundial, existem duas superpotências: os Estados Unidos da América e a opinião pública. Não podemos ter muita esperança quanto à primeira; era bom que a esperança não desfalecesse quanto à segunda.»

Amílcar Correia

Santana “Flopes”

Rodrigo Alves Taxa29/06/2018

Rodrigo Alves Taxa


opiniao@newsplex.pt
 

Seria bom que Santana Lopes e outros da sua geração compreendessem que a melhor forma que têm de lutar pelo país é saberem sair de cena

Bem, antes de mais e, por incrível que possa parecer dado o título deste artigo, devo em nome da honestidade pessoal confidenciar que tenho simpatia por Pedro Santana Lopes. Pode-se não concordar com algumas das opiniões ou posições políticas do seu trajeto. Eu próprio discordo de algumas. Mas ainda assim, na generalidade, pelo seu estilo afável, educado, culto e, sobretudo, por ter uma postura muito terra-a-terra com as pessoas, diria que é difícil não simpatizar com Santana Lopes.

Por outro lado, é um homem com um currículo vastíssimo. Muito jovem, recém-licenciado, já era adjunto do ministro Monjardino, trabalhou de perto com Sá Carneiro como seu assessor jurídico, foi secretário de Estado com Cavaco, foi presidente de câmara, ainda que sem boas recordações, foi até primeiro-ministro. Enfim, tem para todos os efeitos um percurso notável, havendo até em tempos quem sobre ele tenha dito que por tudo isto já estava num plano de senador. Chega a fazer sentido, pois efetivamente Santana Lopes é dos que, novamente, ainda que se concorde mais ou menos com o que diz, não enfada ninguém. Porém, se o que até aqui se escreveu representa um traço de personalidade que muito favorece o mencionado, há realmente outro que ao longo dos anos o tem prejudicado e, esse sim, aborrece. Em tudo na vida há que saber entrar, estar e sair.

Pedro Santana Lopes dominou desde muito novo o primeiro momento, soube depois com altos e baixos ir sobrevivendo ao segundo, mas, lamentavelmente, não consegue aceitar o terceiro. E é por isso que injustamente, nalguns setores da sociedade, repito, injustamente, é por vezes alvo de certos comentários jocosos como sendo o “homem que vai a todas e não ganha uma”, o Santana “Flopes” etc., etc. Exemplificativo do que se vem escrevendo sobre a sua incapacidade de compreender que saber sair não é uma derrota, mas antes uma virtude, foi o que, alegadamente, esta semana veio afirmar, dizendo que, e cita-se, “a minha intervenção política não se fará mais dentro do PSD. Isso acabou.

É uma relação que acabou”, ao que parece deixando no ar uma nova possibilidade de voltar ao ativo com um outro partido. A ser verdade, também isto não é novidade, pois ainda que nas últimas eleições para a liderança do PSD que disputou tenha tentado abafar e fugir ao assunto, creio que já em 2011 tinha aparecido com a mesma ideia. Depois, ao que parece, disse ainda Santana que, e cita--se novamente, “não desisti, nem desisto, de lutar pelo meu país. Tenho de ver qual é o melhor modo de eu contribuir para lutar pelo meu país”.

Ora, até aqui, tudo bem outra vez. Mas seria bom que Pedro Santana Lopes e muitos outros da sua geração compreendessem, por muito competentes que tenham sido, e muitos foram, que a melhor forma que têm de lutar pelo país é saberem sair de cena, dando espaço a que outros mais novos apareçam. Saiam da ribalta, e se ajudarem esses mais novos com a sua experiência, aí sim, estão a ajudar o país.