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domingo, 22 de julho de 2018

General Dostum, senhor da guerra no Afeganistão, voltou a Cabul

22/7/2018, 15:53

O general Abdul Rashid Dostum, temido e poderoso senhor da guerra do norte do Afeganistão e primeiro vice-presidente, regressou a Cabul após um ano de exílio. Foi recebido como um herói.

JALIL REZAYEE/EPA

Autor
  • Agência Lusa
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O general Abdul Rashid Dostum, temido e poderoso senhor da guerra do norte do Afeganistão e primeiro vice-presidente, regressou este domingo a Cabul após um ano de exílio e foi recebido como um herói.

O avião fretado pelo governo afegão para o transportar de Ancara aterrou no aeroporto internacional de Cabul às 16:30 (13:00 em Portugal), onde o aguardavam uma fila de oficiais e apoiantes entusiastas.

Pouco depois da chegada de Dostum foi ouvida uma forte explosão perto do aeroporto, de onde acabara de sair o general, que, no entanto, não foi atingido, constatou a agência France Press no local.

Dostum, que deve retomar as funções de vice-presidente apesar das acusações de tortura e violação que o obrigaram a deixar o país em 2017, foi especialmente saudado por membros da comunidade usbeque com roupas tradicionais, antes de entrar para um jipe blindado e deixar o aeroporto sob escolta.

No aeroporto estiveram também o segundo vice-presidente Sarwar Danish e o ex-vice-presidente Ahmad Zia Massoud, irmão do já falecido comandante Ahmad Shah Massoud, várias vezes traído por Dostum. Presente também outra figura do norte, Atta Mohammad Noor, e o líder da comunidade xiita da minoria hazara, Mohammad Mohaqiq.

Atta, Massoud e Mohaqiq são as figuras de proa da oposição ao presidente Ashraf Ghani.

Dostum é o segundo senhor da guerra afegã a regressar à capital com honras depois de Gulbuddin Hekmatyar, conhecido como o “açougueiro da Cabul”, ter voltado em maio do ano passado, após 20 anos de exílio.

Dostum é um veterano de etnia uzbeque de décadas de agitação política no Afeganistão a quem a comunidade internacional acusa de, em 2016, ter capturado o rival político Ahmad Eshchi, a quem submeteu a espancamentos, tortura e violação sexual. Antes também já tinha sido acusado de sérios abusos de direitos humanos e é acusado de, em 2001, ter fechado milhares de talibãs em contentores onde os deixou morrer asfixiados.

No ano passado deixou o país em direção à Turquia, supostamente para tratamento médico, e voltou agora com grandes manifestações de apoio.

Não me lembro do dia em que te conheci, João Semedo

  por estatuadesal

(Isabel Moreira, in Expresso Diário, 22/07/2018)

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Estive a fazer um esforço de memória, mas não me lembro do dia em que te conheci, João. Não deveria ser difícil, porque a nossa amizade não tem décadas, tem antes os anos da minha vida parlamentar.

Não me lembro do dia em que te conheci.

Não me lembro desse dia porque – agora percebo – é comum a adesão a alguém, quando imediata e intensa, jogar com a temporalidade e, subitamente, parece que aquela pessoa sempre ali este. Tu, no caso, meu querido João.

Aderi a ti por causa da tua autenticidade e da firmeza do teu carácter. Antes mesmo de ser tua amiga, essas qualidades choviam do teu olhar direto, forte, irónico, atento, sorridente, cúmplice, terno, e, de repente, nosso.

Aderi a ti por causa das tuas causas.

A igualdade era para ti condição de liberdade e, por isso, estiveste sempre ao lado de quem menos pode, porque menos tem.

Aderi a ti porque um dia deste por mim. E ajudaste-me numa fase lixada da minha vida. Olhaste fundo, pegaste-me no braço e fomos dar uma volta. Com o teu saber médico e com a tua generosidade, deste cabo do que estava a dar cabo de mim. Fiquei boa. E menos sozinha. E fizemos piadas para sempre sobre o meu caso clínico.

Percebi que eras assim. Um coração aberto, empático, um diálogo para quem o quisesse.

Mas atenção, gente que esteja a ler isto: o João tomava partido. O João tomou partido toda a sua vida, escolheu os seus combates, nunca temeu adversários e, nos últimos tempos da sua vida, entregou-se até ao fim às causas do SNS e da morte assistida.

Foi na luta pela despenalização da morte assistida que ficamos mais amigos. O João lutou pela aprovação da dignidade de todos na liberdade de cada um. E acreditou que após um debate tão alargado e sério na sociedade, a seriedade se mantivesse até ao fim e que a tolerância vencesse.

Enganou-se.

Por isso mesmo, quando foi lançado o livro por si organizado com o título “Morrer com Dignidade”, o João, não podendo estar presente por causa da doença, enviou um texto magnífico, no qual diz isto: “Nos últimos dois anos, não me recordo de qualquer outro tema tão discutido como a morte assistida. Foi um debate intenso, muito participado e que mobilizou e envolveu a opinião pública portuguesa. Infelizmente, nem tudo correu bem. O radicalismo extremista em que apostaram alguns adversários da despenalização poluiu o debate com uma série de mentiras, insinuações e falsificações sobre o que se verifica nos países em que a morte assistida é permitida e sobre o que propõem os projetos de lei que vão a votos, no próximo dia 29, no nosso Parlamento. O Movimento considerou, e bem, ser indispensável responder a essa campanha e repor a verdade com isenção, rigor e objetividade informativa. Não sendo obra perfeita, julgo que esse propósito foi plenamente conseguido com esta edição, constituindo um importantíssimo contributo para a aprovação, entre nós, da despenalização da morte assistida. Ajudar a morrer serena e tranquilamente, acabando com o sofrimento inútil, é uma atitude muito nobre, de elevado valor moral e de grande humanismo, que não podemos deixar que seja desvalorizada, caricaturada ou comparada com um homicídio. Consagrar na lei a despenalização da morte assistida é consagrar o direito de todos a verem respeitada a sua vontade, sem obrigar, mas também sem impedir seja quem for de encurtar a sua vida, para por termo a um sofrimento que considere inútil e desumano. Despenalizar é colocar a tolerância onde até hoje tem estado a prepotência de alguns impondo-se a todos os outros. No dia 29, é isso que está em causa”.

Não me lembro do dia em que te conheci, João.

Mas conheci-te e reconheci-te. Seremos muitas e muitos a continuar as tuas lutas, tomando partido, dialogando, exigindo seriedade, inscrevendo o teu nome nas vitórias.

Talvez seja isso a ressurreição, como tão bem me disse aquele teu amigo.

O Gozão Carlos Costa anda a fazer troça de nós

Estátua de Sal

por estatuadesal

(Dieter Dellinger, 22/07/2018)

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(Bem podes rezar para que o Altíssimo te perdoe os crimes de traição à Pátria que tens cometido. Todos sabíamos que tinhas que pagar ao Passos e aos pafiosos a sinecura dourada em que te colocaram. E tens cumprido, sim. A tua gestão do programa de compras de dívida pública que o BDP tem realizado, essa sim, merecia uma Comissão de Inquérito da Assembleia da República e um julgamento por crimes de lesa-Pátria.

Comentário da Estátua de Sal, 22/07/2018)


De acordo com o programa de compra de dívida pública do Banco Central Europeu, o Banco de Portugal adquiriu mais dívida pública de entidades supranacionais (estrangeiras), como são o Banco Europeu de Investimento ou o Mecanismo Europeu de Estabilidade, do que dívida pública portuguesa durante o ano de 2017, diz o banco dirigido pelo Gozão Carlos Costa. Foi para ajudar essas entidades a financiarem os restantes países da União Europeia, nomeadamente a Alemanha, França, Bélgica, Holanda, etc. Coitados, precisam mais que nós???

Isto, apesar de as regras do programa de Quantitative Easing permitirem compras maiores de dívida pública portuguesa, estas estarão a ser reduzidas devido a critérios impostos por Carlos Costa que, como é habitual em muitos portugueses, não gosta do que é da PÁTRIA.

Segundo o Relatório da implementação da Política Monetária publicado esta quinta-feira pela instituição liderada por Carlos Costa, mesmo tendo em conta as compras que foram efetivadas pelo BCE, o valor de dívida pública portuguesa adquirida ao abrigo deste programa ficou muito aquém do valor que foi investido em dívida de entidades supranacionais, que pelas suas características já se financiam com juros baixos no mercado.

Assim, Costa comprou 10,1 mil milhões de euros de dívidas supranacionais e apenas 4,8 mil milhões de dívida da PÁTRIA dos portugueses, mas não tanto do Gozão Carlos Costa.

O BCE comprou 1,7 mil milhões de dívida portuguesa. Ao todo poderiam ter sido adquiridos títulos de dívida nacional no valor de 16,6 mil milhões de euros, mas o Gozão Carlos Costa não quis.

Os títulos de dívida portuguesa vencem juros mais elevados que os dos bancos supranacionais, pelo que o BP teria mais lucros que deveriam ser entregues ao Estado português, o seu único acionista.

Nós, os contribuintes, estamos a ser gozados por muita gente, não só do BP como da chamada Justiça, do exército, etc.

Nota: O termo Gozão é tirado do semanário Expresso que o aplica a pessoas ligadas ao PS. Temos de equilibrar as coisas, há Gozões de todos os lados e, principalmente, da direita e no Expresso gozões de má fé são quase todos os seus escribas.

O declínio do império americano

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22/07/2018 by j. manuel cordeiro

O filme a que roubei o título do post é uma comédia sobre a moral mas o vídeo que aqui trago tem no enredo a tragédia da queda de uma potência. Problema lá deles e, talvez, daqueles que são (eram?) os seus aliados.

O discurso de Trump, com palavras de tal rudeza, construído com a mesma visão maniqueísta plasmada nas suas declarações domésticas, vai progressivamente quebrando a áurea de parceiro que tem mantido os EUA numa posição dominante no mundo.

Na sua visão de merceeiro, rico mas não mais que isso, dividir para reinar torná-lo-á mais forte. Por isso, entrou em confronto com o Canadá, com a China, com a Alemanha, com a Inglaterra, com a União Europeia e com mais um bom leque de outros países. Onde vai, Trump espalha a discórdia, rasteia aqueles com quem fala, tal como fez com Merkel e May, sempre com o objectivo de os fragilizar antes da reunião.

Não faz o mesmo com a Rússia, afirmando, pelo contrário, que é mais fácil lidar com Putin do que com os restantes líderes mundiais. Nem com a Coreia do Norte, que agora tem, segundo Trump, um líder amado pelo povo. Nem com a ditadura da Turquia. É estranha, dado o passado recente de caça aos vermelhos, esta nova relação da América com a Rússia e ficamos sempre na dúvida sobre o que motiva estes passos. Para o perceber, será bom recordar que Trump é um egocêntrico e narcisista, pelo que o que faz será no seu próprio interesse, seja financeiro, seja de inflação do ego.

A estratégia de Trump consiste em destabilizar. Assistimos à forja de uma nova relação de forças no mundo, com a América cada vez mais a se isolar e a encostar-se ao seu anterior inimigo, o qual, por acaso, não é propriamente flor que se cheire. Trump acha que isso o tornará mais forte, mas depende muito como aqueles que eram os seus parceiros se organizarem.

Um elefante na sala de chá, com o quintal bem armado. Já agora, por se falar em armas, ao procurar que a NATO aumente o orçamento da defesa, quem sai a ganhar?

Fonte: World’s Largest Weapons Exporters

Quanto ao mercado interno das armas nos EUA, os horizontes têm sido dourados para os associados da NRA.

Fonte: WP. A tendência pós-2015 foi de aumento de produção e de vendas.

Agora, é só seguir as pegadas: política- mais procura de armas – financiamento partidário. A destabilização é só um meio para o fim egocêntrico da reeleição.

Em termos de lobby, a NRA gasta oficialmente cerca de US $ 3 milhões por ano para influenciar a política de armas. Fonte: BBC

Sócrates defende Pinho e critica César, Rio, deputados, jornalistas e Ministério Público

Gustavo Sampaio

Ontem 16:06

O antigo primeiro-ministro volta a defender o seu ex-ministro da Economia, em artigo de opinião publicado hoje no jornal "Expresso", e critica Carlos César, Rui Rio, deputados, jornalistas e Ministério Público. "Há dias em que é realmente difícil olhar o teatro político sem esboçar um esgar de rejeição", conclui.

Quatro dias depois de Manuel Pinho, ex-ministro da Economia, ter sido inquirido na Assembleia da República, o antigo primeiro-ministro José Sócrates publica um artigo de opinião, na edição de hoje do jornal “Expresso”, em defesa do ex-ministro de um dos seus governos. No âmbito do qual tece duras críticas dirigidas a vários alvos: Carlos César (líder da bancada parlamentar do PS), Rui Rio (presidente do PSD), deputados, jornalistas e Ministério Público.

“Logo pela manhã, procuradores desrespeitam ostensivamente a decisão de um juiz de instrução que decidiu levar a sério a sua condição de juiz dos direitos e não parece disposto a obedecer ao Ministério Público. Depois, à tarde, vemos deputados atrair um cidadão para uma reunião, acordando com ele o tema a discutir e violando a palavra que lhe deram mal começa o debate”, escreve Sócrates.

Segue-se a crítica explícita a Rio. “À hora de jantar, um líder político resolve expor, resplandecente, a sua política de justiça: se um cidadão reclama o direito a defender-se apenas depois de conhecer a acusação, já nem precisamos de ouvir mais, escusa de cá vir outra vez, o silêncio condena-o imediatamente”, ironiza. E depois ataca César da seguinte forma: “À noite, ainda nesse dia, é possível ouvir um líder parlamentar dizer que o convidado, que se limitou a cumprir o que combinou e a aguentar a deslealdade parlamentar, não se sabe comportar com deputados – foi arrogante e incorreto”.

“No dia seguinte, eis o coro que só é possível ouvir quando políticos e jornalistas estão de acordo no alvo – eia, fogo nele. Bravo”, prossegue o antigo primeiro-ministro, acusado de 31 crimes (três de corrupção passiva, 16 de branqueamento de capitais, nove de falsificação de documento e três de fraude fiscal qualificada) no âmbito da “Operação Marquês”.

No mesmo artigo, Sócrates insurge-se contra deputados, jornalistas e Ministério Público. “O que vejo é um Ministério Público que dirige traiçoeiramente imputações contra cidadãos através dos jornais, sem ninguém lhes exigir que provem imediatamente o que afirmam. O que vejo é deputados tornarem-se porta-vozes, não do povo que representam, mas das autoridades judiciais que, através dos jornais, lhes sugerem as perguntas que elas próprias não puderam ou não quiseram fazer. O que vejo é a indecência parlamentar da armadilha política: não só não cumprimos o que combinámos, como te criticamos porque, afinal, sabias bem onde te estavas a meter”, acusa.

Não é a primeira vez que Sócrates sai em defesa de Pinho. No dia 4 de maio, quando surgiu a notícia de que Pinho terá recebido cerca de meio milhão de euros do Grupo Espírito Santo através de uma sociedade “offshore”, em 2005, quando exercia as funções de ministro da Economia (no primeiro Governo liderado por Sócrates), o antigo primeiro-ministro publicou um texto na rede social Facebook, no qual sublinhou: “Tenho Manuel Pinho por um homem honesto e incapaz de uma coisa dessas, tal como é descrita – receber um vencimento privado enquanto exercia funções públicas. Por essa razão recuso-me sequer a discutir hipóteses que para mim são inadmissíveis, sem que o Estado, que o afirma, prove o que está a dizer”.