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sexta-feira, 14 de julho de 2017

Sondagem – Portugueses não querem demissões de Constança Urbano de Sousa e Azeredo Lopes



por estatuadesal
(Mariana Lima Cunha, In Expresso Diário, 14/07/2017)
ministros

A direita não consegue estar de acordo com o país. Quer demissões e os portugueses não querem. Quer novos ministros e os portugueses não querem. Diz mal do governo e a maioria do país não diz. Ataca a Geringonça e a maioria do país bate palmas a Costa. Em suma, com esta oposição António Costa pode dormir descansado por muitos berros que a direita dê em toda a comunicação social que domina e controla, mesmo a pública como a RTP, e a qual usa e da qual abusa de forma cada vez mais descarada.
Estátua de Sal, 14/07/2017

Apesar de acreditarem que o Governo sai fragilizado dos casos de Pedrógão Grande e Tancos, os portugueses não acham que os ministros da Administração Interna e da Defesa devessem ter saído na sequência das duas crises, mostra o barómetro da Eurosondagem para o Expresso e a SIC.
Os portugueses não queriam que a ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, e o ministro da Defesa, José Azeredo Lopes, se demitissem na sequência dos incêndios de Pedrógão Grande e do furto de material militar em Tancos, mostram os resultados de um estudo de opinião conduzido pela Eurosondagem para o Expresso e a SIC nos dias 10, 11 e 12 de julho.
Apesar de os dois casos terem valido duras críticas ao Governo e marcado o tom do debate do Estado da Nação nesta quarta-feira, para os inquiridos as demissões não se justificavam: 47% acham que Constança Urbano de Sousa não deveria ter-se demitido após os incêndios, e só 33,7% preferiam que o tivesse feito. No caso de Azeredo Lopes, 43% acham que o ministro não deveria ter pedido a demissão, e 36,9% discordam.
Mas a opinião dos portugueses sobre a forma como o Governo geriu e como sai destas semanas de crises sucessivas não é linear: mesmo assim, a maioria (55,2%) acredita que o Executivo liderado por Costa “ficou fragilizado na sequência dos incêndios e do furto de armamento” e 52,4% afirmam mesmo que o primeiro-ministro deve remodelar o Governo.
Note-se que o trabalho de campo foi feito no início desta semana, quando já eram conhecidos os pedidos de exoneração dos secretários de Estado dos Assuntos Fiscais (Fernando Rocha Andrade), Internacionalização (Jorge Costa Oliveira) e Indústria (João Vasconcelos) no âmbito do 'Galpgate' e a intenção do primeiro-ministro de mexer no Governo, mas sem tocar nos ministros.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Demissões e outras atrapalhações



por estatuadesal
(Francisco Louçã, in Público, 11/07/2017)
louca2

No início de agosto do ano passado, perguntando sobre se “o incêndio GALP é um caso de silly season?”, quando se discutiu acesamente o convite da petrolífera a três secretários de Estado para assistirem a jogos do campeonato europeu em França, a minha resposta era esta: esses governantes, competentes e influentes, colocaram-se numa situação impossível.
Pode agora estranhar-se que o Ministério Público leve um ano a investigar factos incontroversos, mas todos sabemos que é melhor entranhar que esses são os prazos de quem não tem prazos. Podemos lembrar-nos que houve deputados do PSD que viajaram a convite de outra empresa para os mesmos jogos e que fingiram “trabalho político” nesses dias (um truque para receberem a paga) ou que foi anunciado que uma dirigente partidária de direita teria viajado a convite da Federação de Futebol, ou que autarcas se tivessem juntado às comitivas empresariais, mas todos sabemos que os velhos hábitos morrem devagar.
O problema é que os governantes procederam mal e o governo corrigiu pouco. Primeiro os governantes: haver um conflito judicial com a Galp não era sequer condição para recusar o convite, bastava que fosse uma qualquer empresa, pois a sua acção está relacionada com decisões governamentais, para que fosse errado aceitar o voucher. Mesmo sem outras implicações, “estes convites fazem parte de uma cultura de vinculação do sistema político às empresas e a esse beautiful people que navega à volta dos eventos chiques” e só por isso são instrumentais para as empresas e tóxicos para os governantes. Que seja crime de favorecimento, isso já parece ser uma galinha a querer voar como a águia, mas veremos o que manda o tribunal.
Há no entanto outra lição a tirar destes episódios e é a mais importante: o governo reagiu na defensiva, sem uma política. A primeira resposta foi anunciar um novo código de conduta que deixaria doravante tudo claro. O que não ficou claro era se o dito código permitia estes convites ou se impunha a sua recusa – num caso não serviria para nada e no outro condenaria os secretários de Estado. Foi para ganhar tempo e nestas coisas esse é o pior instinto.
Depois, o ministro dos Negócios Estrangeiros anunciou que, no caso do membro da sua equipa que tinha estado nos jogos, ficava sem tutela sobre assuntos Galp. Nada disse sobre os outros dois secretários de Estado, mas assim estes tiveram que renunciar a esta tutela uns dias depois. Melhor seria que o governo tivesse agido prontamente. Ora, o governo deixou arrastar, como se não soubesse que este ia ser o desenlace.
Fica pelo menos a moral da história: numa crise, nunca abdicar ao controlo do tempo. Se o ministro se tivesse lembrado disso quando foi o roubo de Tancos, se não tivesse desvalorizado o caso (agora investigado como criminalidade organizada ou terrorismo), se o PM em exercício não tivesse esperado que fosse o Presidente a ter de convocar os chefes militares, então a escaramuça tentada por dois generais zangados por terem sido preteridos em nomeação anterior nem faria notícia de jornal. Razão falta-lhes por inteiro, porque se supõe que não acusam o ministro de ter falhado na definição das rondas ao paiol. Discernimento também não abunda, porque passar culpas não é digno. Mas provam que, na barafunda, todos os ajustes de contas vêm à tona.
O governo, que permitiu esta confusão por não saber o que fazer, bem precisa que o primeiro-ministro ponha ordem na sua casa e arrume a remodelação. Virá então a conclusão: a atrapalhação atrapalhou, mas isso nem minimamente preocupa o cidadão, que quer segurança, férias tranquilas, soluções para as florestas, mais empregos, a baixa do IRS e um bom início do ano escolar. E não se esqueça: haverá eleições em outubro, no tira teimas.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Palermas



por estatuadesal
(In Blog O Jumento, 10/07/2017)
europeu

Não sei se é por causa da nossa vocação marítima mas o certo é que há por estas bandas muita gente a embarcar em viagens oficiais, oficiosas e coisas do género. Quer no sector privado, quer no Estado multiplicam-se as oportunidade de promover o turismo institucional, assinaturas, seminários, conferências tratados, negociações multilaterais, negociações multilaterais, feiras, exposições, cursos, intercâmbios, conselhos, comissões, geminações, campeonatos, finais, Dia de Camões, não faltam oportunidades.
Os presidentes correm o mundo em aviões a abarrotar de empresários, assessores, fotógrafo pessoal, mordomo, esposa, parentes e conhecidos. Os autarcas inventam geminações com cidades exóticas para passarem a vida no laréu a comemorar o dia do país, o dia nacional e tudo mais, quando não arranjam negócios ou operações às cataratas para andarem num vaivém aéreo que nalguns casos até dá para constituir família.

Inquietação, inquietação. Três demissões. Remodelação à vista.



por estatuadesal
(Nicolau Santos, in Expresso Curto, 10/07/2017)
nicolau
Em 2008, José Mário Branco lançava um novo álbum. Um dos temas tinha por título “Inquietação”. O refrão era assim: “Cá dentro inquietação, inquietação / É só inquietação, inquietação / Porquê, não sei / Porquê, não sei / Porquê, não sei ainda / Há sempre qualquer coisa que está prá acontecer / Qualquer coisa que eu devia perceber / Porquê, não sei / Porquê, não sei / Porquê, não sei ainda (…)”
Talvez a música tenha vindo à memória de António Costa quando foi confrontado ontem com a demissão de três secretários de Estado: o da Inovação (João Vasconcelos), o dos Assuntos Fiscais (Fernando Rocha Andrade) e o da Internacionalização (Jorge Costa Oliveira). Motivo: a suspeita de que iriam ser constituídos arguidos no âmbito do inquérito aberto pelo Ministério Público a propósito das viagens que fizeram para assistirem ao Euro 2016 em França a convite da Galp, patrocinador oficial da selecção portuguesa desde 1999 (e que durante todos estes anos convidou muitos e variados políticos, empresários, gestores, jornalistas e pessoas de várias outras profissões para assistirem aos jogos de Ronaldo & Companhia).
Os três governantes, que ontem se reuniram com o primeiro-ministro, que aceitou os pedidos de demissão (“Não podia negar-lhes esse direito”, disse ao Público), divulgaram uma nota na qual afirmam que decidiram “exercer o seu direito de requerer ao Ministério Público a sua constituição como arguidos”, depois de terem tido conhecimento de que “várias pessoas foram ouvidas pelo Ministério Público e constituídas como arguidas no âmbito de um processo inquérito relativo às viagens organizadas pelo patrocinador oficial da seleção portuguesa de futebol, durante o campeonato da Europa de 2016”. (Curiosamente, hoje passa um ano que a selecção portuguesa venceu o Euro 2016, ganhando no final à anfitriã França por 1-0, com um golo no prolongamento do improvável Éder).
Jorge Costa Oliveira, Fernando Rocha Andrade e João Vasconcelos afirmam que foram “sempre transparentes” sobre esta questão e “reafirmam a sua firme convicção de que os seus comportamentos não configuram qualquer ilícito”, o que dizem querer “provar no decorrer do referido inquérito”.
“Todavia, nas atuais circunstâncias, entendem que não poderão continuar a dar o seu melhor contributo ao Governo e pretendem que o executivo não seja prejudicado, na sua ação, por esta circunstância”, justificando assim o seu pedido de exoneração.
Segundo o Observador, os três secretários de Estado são suspeitos de recebimento indevido de vantagem e é este o crime pelo qual serão indiciados.

domingo, 9 de julho de 2017

Os carrascos



por estatuadesal
(Por Estátua de Sal, 09/07/2017)
Carrascos

A moda agora é pedir a cabeça dos ministros. A Assunção parece a Salomé, filha de Herodias, que segundo os Evangelhos, pediu a Herodes, como retribuição para os seus dotes de dançarina a cabeça de S. João Baptista entregue numa bandeja. Não sei se a Assunção pede meças à Salomé nos seus dotes particulares, mas em termos de pedidos não lhe fica atrás.  Parece que foi a Belém pedir a cabeça de António Costa mas Marcelo, que já cá anda há muitos anos, mandou-a ter juízo e crescer para a política. Costa, nesse cenário ganharia as eleições antecipadas com maioria mais que absoluta e Marcelo perderia muita da sua influência sobre a governação.
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Degolação de São João Batista.
1924. Por Benedito Calixto,
O Passos anda um pouco mais comedido, depois da anedota dos suicídios falsos, ainda não pediu, de viva voz, a cabeça de ninguém. Incumbiu a JSD de fazer os requerimentos. Os jotinhas juntam-se à D. Cristas mas vão mais longe: querem a cabeça da ministra da Administração Interna, do ministro da Defesa e ainda do ministro da Educação. Não consta que tenha ardido nenhuma escola nem que tenha sido roubada nenhuma pauta com as notas dos estudantes mas os jovens são impetuosos e não querem parecer menos incendiários que a Assunção.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Uma culpa com muitos maridos



por estatuadesal
(Daniel Oliveira, Expresso Diário, 21/06/2017)
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Primeiro sem grande convicção, depois animados por alguma companhia (incluído do meu colega de opinião, com o qual concordo grande parte das vezes, Nicolau Santos), têm surgido vozes a exigir a demissão da ministra da Administração Interna. Sempre que tal acontece vou ler, com genuíno interesse, para tentar compreender os argumentos. Não tenho, pela ministra, qualquer simpatia ou antipatia. Não sei quase nada sobre ela. E o assunto tem gravidade mais do que suficiente para se apurarem todas as responsabilidades. Mas para se exigir a demissão de um ministro é preciso alguma coisa concreta: por ação ou omissão, que lhe possa ser atribuída a ela especificamente, teve responsabilidades no sucedido?
O argumento genérico que tem sido apresentado para pedir a demissão de Constança Urbano de Sousa é este: a culpa não pode morrer solteira. Primeiro, é preciso identificar a culpa. Depois, caso ela seja claramente delimitada, é preciso encontrar-lhe cônjuge legítimo. Porque uma coisa é não querer que ela morra solteira outra é casá-la com quem teve o azar de estar de turno no dia do incêndio, que resulta, antes de tudo, da conjugação de vários azares naturais.
Parece haver dois consensos. O primeiro é que, para além das evidentes causas naturais, as razões para esta tragédia se encontram em décadas de erros. O segundo é que a falha é sobretudo na prevenção, mais do que no combate aos fogos, para onde vão quase todos os recursos. O primeiro consenso torna absurdo atribuir a esta ministra erros que têm muitos responsáveis. Espera-se que uma governante que está há dois anos no cargo assuma a responsabilidade do que todos consideram ser resultado de muitos anos de incúria, omissões e escolhas erradas? O segundo consenso torna absurda a escolha da ministra da Administração Interna como alvo, já que a preservação da floresta é dividida por vários ministérios. Aquele que tem maior importância neste assunto até é o da Agricultura. Deveriam, então, pedir a demissão de Capoulas Santos. Acontece que foi há poucos meses que esse ministro apresentou uma grande reforma da floresta que, pelo menos em algumas áreas, corresponde às exigências que hoje se fazem. Em resumo: não podemos concentrar numa ministra culpas que estão distribuídas por vários governos e vários ministérios.
Para pedir a demissão de alguém é preciso, antes de tudo, fazer um balanço para saber o que correu mal. Depois, perceber o que corresponde a erros de sucessivos governos (e por isso do país), o que corresponde a erros cometidos nos últimos dois anos e o que corresponde a erros cometidos nestes dias. Só se concluíssemos que este incêndio ou as suas consequências resultam de ações ou de omissões concretas e distintas deste governo é que lhe poderíamos atribuir a responsabilidade pelo sucedido. E só se assim fosse é que passaríamos para o passo seguinte: saber que membro do Executivo tem responsabilidades específicas.
Há falhas concretas, já se sabe. Não é certo que a Proteção Civil se tenha preparado para aquele terrível fim de semana. Ainda assim, é bom sublinhar que nenhum sistema está preparado para reagir a uma situação que corresponde, nas suas consequências e num só ano, a mais de metade da área ardida em toda a União Europeia. Outras falhas foram assinaladas pelo próprio primeiro-ministro: a interrupção do funcionamento da rede de SIRESP, que é certa, e o não encerramento da estrada nacional 236-I, que a GNR já justificou. De tudo o que foi dito até à hora em que escrevo, só estes temas poderiam levar a uma demissão de alguém. Mas não vejo como é que alguém, com os poucos dados existentes, se sente à vontade para identificar responsáveis políticos e demiti-los.
O facto de quem pede a demissão da ministra ter dificuldades em identificar as suas responsabilidades concretas torna esta posição leviana. Nuns casos, corresponderá à necessidade de tentar encontrar uma resposta rápida ao que depende de um debate difícil sobre a política de florestas, a desertificação do interior do país e o desinvestimento de serviços públicos de prevenção. Mas também há quem queira aproveitar o momento de tristeza nacional para conseguir o que lhe tem escapado nos momentos de normalidade.
Daí a pressa. São os mesmos que se indignaram com o Presidente da República por este ter utilizado o seu cargo para dar ânimo a quem combate os fogos. A estes, recomendo cautela: devem evitar exibir em momentos tão inconvenientes a sua natural impaciência política.

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