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terça-feira, 19 de setembro de 2017

Estava-se mesmo a ver



por estatuadesal
(In Blog O Jumento, 19/09/2017)
vistos gold
Os vistos Gold de Paulo Portas
Era mais do que óbvio que o esquema dos vistos gold iria atrair a nata da criminalidade mundial, compravam uma casa em Portugal e tinham direito a residência e a circular livremente na Europa. O dinheiro fácil começou a aparecer, houve quem se dedicasse ao negócio da intermediação e o Paulo portas dizia cobras e lagarto de quem ousasse criticar o esquema.
O negócio atraiu os do costume e lambuzaram-se de tal forma que alguns, incluindo um ministro de Passos Coelho estão a contas com um processo judicial, tendo dado lugar aos primeiros casos de corrupção ao mais alto nível do Estado. As grandes imobiliárias ficaram excitadas e algumas boas famílias decadentes venderam os seus palacetes a bom preço.  Agora sabe-se que a Comissão Europeia está preocupada com a concessão de vistos gold a gente corrupta (Ver noticia aqui)
Paulo Portas desancava em quem ousava criticar o esquema e designava o esquema por investimento. Entretanto, Paulo Portas desapareceu, muito provavelmente anda a fazer negócio com “investidores” do género que os vistos atraíram, o esquema ainda existe, mas os resultados são mais do que escassos.
Que investidores queremos para Portugal? Chineses que enriqueceram à pressa, brasileiros em fuga ou generis angolanos? Isto é o lúmpen do capitalismo, figuras falhadas da corrupção que sentem a necessidade de assegurar uma fuga provável e de garantir um local onde possam viver tranquilos. Chamar a isto investidores é gozar com o país.
Não é destes investidores que Portugal precisa, esta gente não traz qualquer progresso e as suas empresas prosseguirão no país com os esquemas fáceis com que enriqueceram nos seus países de origem. Portugal precisa de bons investidores, gente que traga know how, competitividade, atividades de alto valor acrescentado, empresas que apostem na qualificação, na investigação. É nestes investidores que Portugal deve apostar e para isso é preciso muito mais do que vistos com mel para corruptos.


sexta-feira, 15 de setembro de 2017

A catástrofe financeira portuguesa e os comunas do FMI

15/09/2017 por João Mendes



O drama, a tragédia, o horror, as sanções, o desemprego galopante, a fuga de capitais, o défice de dois dígitos, o diabo e o resgate estão quase a chegar. Ninguém sabe bem quando, que a ditadura soviética torna impossível de prever o que quer que seja – o próprio diabo queixava-se há dias que os fascistas da CIG não o deixam em paz – mas sabe-se que tudo isto e muito mais está para vir. É o que dizem os spin masters do passismo defunto, pelo menos quando não estão a instrumentalizar emocionalmente os portugueses com os fogos florestais ou a elogiar a grandeza de Donald Trump e dos venturas desta vida.
Porém, enquanto o apocalipse não chega e os demagogos vão dando largas ao acto de profetizar, caindo nas sondagens com a mesma velocidade a que se aproximam do PNR, a realidade vai-lhes aplicando suaves chapadas, fazendo picadinho das teorias da conspiração alimentadas por uma máquina de propaganda fanática e decadente. Hoje foi a vez do FMI, essa agremiação de grandes comunas, de dar a sua facada nos calimeros cá do rectângulo:
Fundo Monetário Internacional (FMI) considera que “Portugal fez progressos notáveis no último ano na redução da incerteza relacionada com os riscos de curto prazo” e que “a saída do Procedimento por Défice Excessivo este ano, juntamente com uma melhoria significativa da estabilidade e confiança no sistema bancário, ajudaram a reforçar a confiança dos investidores e contribuíram para uma rápida diminuição dos spreads da dívida soberana desde Março”. A análise anual ao abrigo do artigo IV foi hoje divulgada em Washington e resulta da avaliação de uma equipa que esteve em Lisboa em junho passado. [Expresso]
Fujam todos! O fim está próximo…
Fonte: Aventar
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segunda-feira, 4 de setembro de 2017

MACRON, MON AMOUR


por estatuadesal
(Soares Novais, in a Viagem dos Argonautas, 03/09/2017)
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O Dr. Cavaco saiu de Albufeira às seis e meia da manhã para ir dar uma “aula” a Castelo de Vide. Foi o que disse ao Dr. Passos quando este lhe abriu a porta do carro que usa e nós pagamos. A “aula” do Dr. Cavaco não foi uma “aula”, dando de barato que ele tem dotes para leccionar. Foi, isso sim, um rosário de asneiras, mentiras e pesporrência.
Disse, o “prof” reformado da Aldeia da Coelha, segundo a RR:
1. “[Tenham] a força e a coragem para combaterem o regresso da censura.”
2. “Apesar das coisas estranhas que têm acontecido no nosso país, apesar de vozes credíveis afirmarem que a censura está de volta, estou convencido que os portugueses ainda valorizam a verdade, a honestidade, a competência, o trabalho sério, a dedicação a servirem as populações.”
3. “[As fake news] Não existem apenas na América do senhor Trump, mas também na generalidade dos países europeus e em Portugal.”
4. “[Na zona euro] A realidade acaba sempre por derrotar a ideologia”
5. “[A realidade] Tem uma tal força contra a retórica dos que, no governo, querem realizar a revolução socialista, que eles acabam por perder o pio ou fingem apenas que piam, mas são pios que não têm qualquer realidade e reflectem meras jogadas partidárias”.
6. “Se perguntassem aos partidos da coligação que defendem a saída de Portugal do euro para onde iria Portugal se saísse dessa galáxia, talvez respondessem para a galáxia onde se encontra agora a Venezuela.”
7. “[O Estado português] Não é só indisciplinado [economicamente], mas também demasiado gordo”.
8. “Na política não há certezas, ninguém deve esperar da política gratidão ou reconhecimento”
9. “Se o poder político conseguir controlar estas entidades [como o Conselho das Finanças Públicas] o retrocesso na transparência da nossa democracia será muito significativo.”
10. “[Emmanuel Macron] Contrasta com a verborreia frenética da maioria dos políticos europeus dos nossos dias, ainda que não digam nada de relevante.”
Sabe-se: o Dr. Cavaco tem muita dificuldade em expressar-se e graves problemas de dicção, apesar das aulas que recebeu da “mestra” Glória da Matos. Mas sobra-lhe rancor e perfídia. Tanta que esqueceu as condecorações e os elogios com que tem sido brindado pelo seu sucessor em Belém.
Para o Dr. Cavaco o mundo gira à volta do seu umbigo e das suas certezas. Ele é o “maior” e o “mais sério”. Apesar das suas relações de amizade com o impoluto Oliveira e Costa, do BPN; e das mais valias das acções preferenciais da Sociedade Lusa de Negócios que teve o seu ex-amigo Dias Loureiro como “cabeça de cartaz”. Só para citar dois exemplos.
Apesar de os alunos da dita “universidade” serem siameses do ex-doutor Relvas, a verdade é que não mereciam ter uma “aula” com um “prof” de tão baixo nível. Já lhes basta ter de ouvir o “sotôr” Rangel e a agência de empregos ser presidida pelo “sotôr” Coelho.
A “aula” só teve um mérito: a declaração de amor a Macron. O filho do senhor da “bomba” de Boliqueime gosta do petit. Talvez por ele gastar 288 euros por dia em serviços de maquilhagem. (A revelação foi feita pela revista “Le Point” e o Palácio do Eliseu confirmou.)
Percebo a declaração de amor de Cavaco: ele, que é um habitué em cosmética, sempre usou máscara anti-politico…

domingo, 3 de setembro de 2017

Paulo Rangel, o pregador falhado



por estatuadesal
(Estátua de Sal, 01/09/2017)
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Esta coisa da Universidade de Verão do PSD é uma espécie de cartola de mágico de onde pode sair tudo em qualquer momento: coelhos, cavacos, rangeis e todos os outros génios do mal, à excepção do diabo que está em greve, por solidariedade com os trabalhadores da AutoEuropa.
Desta vez saiu, Rangel, o Paulo, pregador de vocação falhada. Não tem pose, não tem voz, restando-lhe apenas o dedinho curto com que ameaça os portugueses com as penas do inferno por darem crédito às "esquerdas radicais", expressão da qual abusa mas que roubou sem vergonha à D. Cristas que tem a patente registada.
E que aprenderam os jotinhas durante tão terrível prelecção? Pelos vistos não aprenderam grande coisa nem ligaram muito ao assunto. Alguns estavam a navegar no Facebook enquanto Rangel rangia a bom ranger. como se pôde ver nas televisões. Os jotas não estão lá para aprender nada de relevante mas para herdarem os contactos da rede clientelar laranja, os quais os poderão alcandorar no futuro a uma sinecura dourada.
Rangel rangeu e foi triste de ver. Um apoiante do governo pafioso que mais cortou no investimento, nos salários - públicos e privados -, e nos serviços públicos, vir agora acusar o actual governo de cortar no Estado Social, e dizer que todos os desastres recentes, os fogos, os mortos de Pedrogão, as armas de Tancos, as greves, os suicídios (os que aconteceram e os que não aconteceram), se devem a cortes na despesa pública feitos pela actual governação.
Onde estava Rangel quando Gaspar implementou o mais brutal aumento de impostos de que há memória em Portugal - atrevo-me a dizer -, desde o tempo de D. Afonso Henriques? Onde estava Rangel quando os orçamentos eram chumbados sistematicamente pelo Tribunal Constitucional, por não se conformarem com a lei e serem um roubo descarado a céu aberto aos portugueses? Onde estava Rangel quando Passos até os subsídios de desemprego queria taxar com impostos?
Pois eu digo-vos onde estava. Estava a lamber as botas de Passos Coelho (para não dizer a lamber outra coisa), de forma a entrar nas listas de deputados ao Parlamento Europeu, onde não há austeridade nas regalias e nos ordenados principescos desses eleitos, eleitos para não fazerem nada que se veja, mas apenas para criarem um palco onde se simula a democracia, enganando assim os povos da Europa.
Diz Rangel que não há Estado Social mas sim o "estado salarial" de António Costa. (Ver aqui). Que o PS dá com uma mão e tira com a outra. E eu digo, ó Rangel, até podes ter razão. Mas olha, sempre é melhor dar com a mão esquerda e tirar um pouco menos com a direita do que tirar com as duas mãos como o governo pafioso fez sem rebuço nem vergonha.
O problema da direita radical, de onde Rangel é oriundo, é que fica com azia e dores de cabeça sempre que vislumbra uma política que beneficie os salários dos mais carenciados. Trata-se de uma visão fascista da sociedade onde existem os eleitos, aos quais tudo deve ser dado por mérito de divino berço - e onde ele e os seus comparsas se incluem, claro -, e os pobres coitados aos quais é legítimo espoliar, explorar, espezinhar, porque são seres inferiores, animais de carga que só existem para servir a elite dos bem-nascidos. Esta é a ideologia de Rangel e de toda a direita que ele encarna e que tenta pregar aos quatro ventos com a sua exasperante vozinha de cana rachada.
Para Rangel, os eleitos tem o direito de se empaturrar com os recursos da sociedade, ficando refastelados até ao vómito. O que restar, as migalhas sobrantes, essas que sejam então distribuídas pela plebe faminta. E conseguem dormir descansados o sono dos justos, porque os pobres, para eles, não são gente, e não nasceram para terem o direito a ser felizes, tal como não se chora pelo boi quando se come um bom bife da vazia (os que comem).
É este o ideário da direita, de Rangel, e do actual PSD. Eles sim, radicais, déspotas iluminados por um pensamento retrógrado e fascizante. Foi este pensamento que os guiou enquanto foram governo. Como o bolo era curto, e como aos eleitos nada podia faltar, a solução, como sempre, foi a de cortar no bolo (leia-se nos salários e pensões) dos mais fracos. E fizeram-no sem dó nem piedade.
E quando o actual governo, apesar de timidamente - devido ao poder dos rangeis da Europa dos eurocratas, que pensam exactamente da mesma forma -, se atreve a inverter tais políticas, saltam cavacos, coelhos e rangeis desse ninho de lacraus, dessa escola de vícios, que é a dita Universidade de Verão.
Porque eles sabem que o bolo não estica por artes mágicas, e que cada euro que é restituído a quem trabalha é um euro a menos no bolso dos bem-aventurados do costume. É por isso que Rangel e Cristas falam em "esquerda radical".
Porque a esquerda "não radical", para Rangel, seria aquela que em vez de pugnar pela alteração do quadro jurídico e institucional que afecta e determina a repartição do rendimento e os direitos de quem trabalha, se limita a pedir esmola à porta das Misericórdias, contentando-se com as sobras da Dona Jonet. E para esse peditório, podemos sempre contar com Rangel e quejandos, como bons cristãos que se gabam de ser.

Grande descoberta médica – uma nova droga traz alívio dramático para os sofredores de russofobia


por estatuadesal
(In State of Nation, 31/08/2017, Tradução de Estátua de Sal)
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Há uma nova esperança na luta contra uma doença devastadora das elites políticas e mediáticas ocidentais.

Uma empresa farmacêutica americana acaba de introduzir no mercado uma nova droga revolucionária, que promete aliviar os sintomas de milhões de pessoas que sofrem de doenças mentais.
A nova pílula, comercializada com a designação de Sovieta (Hydroantikhokholidone HCI), ajuda a quebrar uma enzima chamada Pollacazina, que os pesquisadores encontraram em altas concentrações nos cérebros de pacientes com russofobia crónica.
Os sintomas da doença incluem, mas não estão limitados a, ideação paranóica relacionada com a Rússia, Moscovo, o Kremlin ou Vladimir Putin. Delírios de grandeza são observados em certas populações da Europa Oriental.
Embora as causas da acumulação da enzima não estejam ainda  bem explicadas, acredita-se que a doença tenha tido origem algures na Europa Oriental. Ocorreram surtos anteriores no Ocidente nos anos 1920 e 1950, mas a doença teve um recrudescimento alarmante nos últimos anos.
Apesar de os médicos  sublinharem que uma cura total ainda está longe,  os pacientes em ensaios clínicos evidenciaram uma redução significativa dos sintomas observáveis em comparação com os que tomaram um placebo: culpar Putin foi reduzido a apenas uma vez por semana em 60% daqueles que tomaram Sovieta.
Esta descoberta é especialmente bem vinda para os membros dos media e da comunidade política dos Estados Unidos, que apresentam uma incidência muito mais alta do que a média da doença russofóbica na restante população.
Assista, em baixo, ao anúncio da TV  à receita da promissora nova droga, a Sovieta, - e fale com seu médico hoje, se também tiver sintomas da doença!



Tão amigos que nós éramos…


por estatuadesal
(Por Maria Teresa Botelho Moniz, in Facebook, 31/08/2017)
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Cavaco Silva. Pensei que estava morto e enterrado para alívio dos portugueses, apesar de continuarmos a sustentar-lhe os vícios e tiques megalómanos. . Mas bastou um apelo daquela madrassa do PSD onde se fabricam políticos radicais de pacotilha,  mais parasitas que políticos, para lá ir vomitar o seu ódio contra tudo e todos.
O homem, que tanto se auto-elogiou, queria ser adorado e amado, mas acabou desprezado, caído no ridículo, e os portugueses até sentem incomodo quando o homem sai do convento, que lhe pagam, caríssimo, para fazer tristes figuras, como espantalho que pensavam arrumado.
Agora, entre todos sobre quem vomitou a bílis do seu ódio constante, atirou-se a Marcelo, invejoso da popularidade deste, que também acho duvidosa, mas eu sou demasiado erudita para ir em populismos. E Cavaco, que adoraria ter sido popular nunca o conseguiu na sua rigidez de espantalho fabricado.
A politica é uma coisa suja e torpe. Longe vão os tempos em que este manequim da Rua dos Fanqueiros, foi convidado para um jantar na mansão do ex-dono disto tudo, Ricardo Salgado, para que este conseguisse mais um fantoche político no topo do poder e para o convencer a candidatar-se à presidência da república.
E quem organizou e cozinhou o jantarinho íntimo na casa do banqueiro? Marcelo, actual PR, está claro, que se fez acompanhar pela sua namorada, uma assalariada do BES e cunhada de Pais do Amaral (são sempre os mesmos), Durão Barroso e mulher, todos apostados em convencer a múmia, a ser o fantoche dos seus desígnios nacionais e internacionais.
E, não foi por acaso que Cavaco na triste figura a que se prestou na madrassa do PSD, veio elogiar Macron, o puto gerontófilo, actual presidente da França que é o fantoche dos interesses dos Soros que comandam o mundo e a escravidão dos seres humano nesta abjecta realidade para que evoluímos.
Cavaco, foi eleito presidente da República Portuguesa, porque teve o apoio do financiador dono disto tudo naquele tempo, e de duas raposas matreiras, bem relacionadas, Barroso que estava disposto a vender a alma ao diabo, sendo o fantoche dos donos do mundo, e Marcelo, que nunca deu um ponto sem que considerasse um ganho, acabou, feitos os fretes e os caminhos de eleger sabujos, em presidente da república das bananas.
Cavaco não lhe perdoa a sucessão nem a mudança de estilo que o faz parecer morto e putrefacto e que obteve tanto sucesso depois da sua triste figura. Por falar em bananas, vou ali à cozinha comer uma que me está a dar um mau jeito; se escorregar na casca, chamo o Marcelo para me dar um abraço solidário. Aposto que chega primeiro que o INEM.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Economia portuguesa nunca criou tanto emprego como em 2017


por estatuadesal
(Sónia M. Lourenço, in Expresso Diário, 30/08/2017)
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Condutor de tuk tuk é um dos novos empregos impulsionado pelo turismo

Nos primeiros sete meses deste ano, a população empregada em Portugal aumentou em 86,2 mil pessoas face ao final de 2016. É o valor mais elevado desde que o Instituto Nacional de Estatística passou a divulgar dados, em 1998.

Os anos da troika - e de desemprego em máximos históricos - parecem cada vez mais longe no mercado de trabalho em Portugal. Não só a taxa de desemprego tem registado uma trajetória descendente acentuada - em julho, segundo a estimativa provisória do Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgada esta quarta-feira, manteve-se nos 9,1%, inalterada face a junho e o valor mais baixo desde novembro de 2008 -, como o emprego tem estado a aumentar consecutivamente, todos os meses, desde março do ano passado (a única exceção foi setembro de 2016).
Contas feitas, nos primeiros sete meses deste ano, a população empregada em Portugal aumentou em 86,2 mil pessoas face ao valor registado no final de 2016, atingindo um total de quase 4,7 milhões de pessoas, segundo as estimativas provisórias agora divulgadas pelo INE (dados ajustados de sazonalidade).
O número impressiona e ainda mais quando se analisa a série histórica do INE sobre a população empregada em Portugal. Os dados começam em 1998 e, desde então, o aumento da população empregada, de janeiro a julho de cada ano (em relação ao final do ano anterior), nunca foi tão elevado como em 2017. Ou seja, desde que há dados disponíveis, a economia portuguesa nunca criou tanto emprego como este ano.
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Turismo, uma das chaves do crescimento
O mais perto do aumento de 86,2 mil empregos registado em 2017 aconteceu no ano passado, quando, no mesmo período, a população empregada subiu 80,1 mil pessoas. O terceiro melhor registo é de 2015, quando de janeiro a julho (em relação ao final de 2014) o incremento do emprego em termos líquidos atingiu 61,6 mil pessoas.
Taxa de desemprego interrompe trajetória de descida
Segundo os números avançados esta quarta-feira pelo INE, a taxa de desemprego em Portugal em julho ficou nos 9,1% (estimativa provisória).
Desta forma, a taxa de desemprego (valores ajustados de sazonalidade) mantém-se inalterada em relação a junho, já que o INE reviu em alta o valor do mês passado, de 9% (estimativa provisória) para 9,1% (estimativa definitiva).
O desemprego em Portugal mantém-se, assim, no valor mais baixo desde novembro de 2008, quando estava nos 8,9%. Contudo, interrompeu a sua trajetória de descida pela primeira vez em seis meses.
Segundo a estimativa provisória do INE, em julho estavam desempregadas em Portugal 470,1 mil pessoas, menos 89,1 mil pessoas do que um ano antes (redução de 15,9%). Já em relação ao mês anterior (junho), a população desempregada aumentou em 1,2 mil pessoas (mais 0,3%).
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Quanto à população empregada, atingiu as 4692,4 mil pessoas em julho, segundo a estimativa provisória do INE. Este valor representa um aumento de 122,8 mil pessoas empregadas em Portugal em relação a julho de 2016 (mais 2,7%). Em relação ao mês anterior (junho de 2017), a população empregada aumentou em 11,8 mil pessoas (mais 0,3%).
Em relação aos jovens (dos 15 aos 24 anos), a taxa de desemprego ficou nos 23,8% em julho, segundo a estimativa provisória do INE. Este valor representa uma descida de 3,3 pontos percentuais em relação a julho de 2016. Contudo, em relação ao mês anterior (junho de 2017), a taxa de desemprego dos jovens subiu 0,1 pontos percentuais.

sábado, 26 de agosto de 2017

O dinheiro sujo traz progresso?



por estatuadesal
(In Blog O Jumento, 26/08/2017)
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No tempo da troika do Passos, Portas e Cavaco criou-se a ideia de que todo o dinheiro era bem-vindo, todo o dinheiro foi considerado capital e significava investimento. Foram criados mecanismos para atrair dinheiro e algumas personalidades gradas da direita meteram-se em negócios internacionais, servindo-se da manipulação dos partidos da direita. basta ver um líder do CDS defender o regime angolano, justificando a originalidade da sua democracia africana para se perceber que o CDS não passa de um manipulador da opinião pública ao serviço dos interesses materiais do Paulo Portas, foi esse o preço da promoção da atual geração de líderes do CDS.
Mas, há uma grande diferença entre um investimento numa fábrica de componentes eletrónicos e a compra de uma vivenda de luxo por um general corrupto da máfia angolana. Há investimento que gera a dinamização da atividade económica, enquanto muito do dinheiro que os generais angolanos branqueiam em Portugal gera muito mais corrupção do que dinamização económica, em vez de dinamizar a economia portuguesa este dinheiro sujo apodrece-a, em vez de promover novos empresários enriquece os agentes locais desses generais, transportando para Portugal a corrupção angolana. Esse fenómeno já ficou evidente ao mais alto nível do Estado, com a prisão de um procurador.


sábado, 12 de agosto de 2017

Mapa de incêndios – Protecção Civil


por j. manuel cordeiro



Página da Protecção Civil: www.prociv.pt/pt-pt/SITUACAOOPERACIONAL


É um panorama desolador. À hora de escrita deste post, existem 90 incêndios, envolvendo 3999 operacionais, 1164 meios terrestres e 23 meios aéreos. É o calor? A ausência de prevenção? Operacionais pouco preparados? Os eucaliptos e os pinheiros? Crime? De tudo um pouco será, certamente. Mas algo de muito errado se passa no país. Basta um ar quente para tudo arder. Um dia sobrarão as cinzas e, então, teremos um Verão calmo.

Fonte: Aventar

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Onde fica o Canadá?

Fazendo um desenho para explicar

01/08/2017 por j. manuel cordeiro
A Sr.ª Cristina Miranda resolveu tecer umas quantas considerações tituladas “Porque Arde Tanto Portugal?“. Não sendo pessoa de deixar o assunto pela rama, assim me parece, encontrou um conjunto de explicações para este nacional desígnio dantesco.
Tal como acontece nos testes de escolha múltipla respondidos aleatoriamente, algumas opções estarão certas, outras estarão erradas. Entre as respostas, parece-me ler um dedo acusador ao Estado, negligente, se bem que esta tese não explique como é que as matas nacionais da orla costeira têm ardido menos, comparando com cenário nacional. Nem explica, também, como é que Mação voltou a arder, mesmo quando o Estado fez tudo bem, segundo dizem.
Querem ver que o clima influencia os incêndios?! O que nos leva ao caso do Canadá, evocado pela autora. “No Canadá, um país com grande mancha florestal densa, não arde como nós. Como é possível?”, escreve a Sr.ª Miranda, afirmando logo de seguida que “a resposta é simples”, sem que, no entanto, se evoque um conceito chamado “latitude” e o respectivo efeito, a par de outros factores, no clima e, em particular, na humidade e nas temperaturas de uma região. Como estamos cá para ajudar, deixamos aquele desenho ali acima e mais umas infografias.
Temperatura no Canadá a 31/07/2017. De registar as regiões escaldantes com uns amenos 25ºC a 30ºC.
Humidade no Canadá a 31/07/2017. Um claro panorama de seca húmida.
Perigo de incêndio no Canadá a 31/07/2017. Falta ali na escala o Portugal Dantesco, para as temperaturas superiores a 35ºC e as baixas humidades relativas.

sábado, 22 de julho de 2017

A Altice não é flor que se cheire



por estatuadesal
(Nicolau Santos, in Expresso, 22/07/2017)
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A preocupação do primeiro-ministro e dos partidos de esquerda com o destino da PT vem tarde. Com efeito, a Altice comprou a PT Portugal por €5,7 mil milhões aos brasileiros da Oi em 2015. Foi um negócio entre empresas estrangeiras. Sim, a operação teve a bênção do Governo de então, mas o Estado português não pode vir agora colocá-la em causa. E quando a Altice avança para a compra da TVI, detida pela Prisa, é de um negócio entre duas empresas europeias que se trata.
A preocupação com a PT vem tarde. A compra foi em 2015. E o nome vai mudar para Altice. A PT, como a conhecemos, já não existe
Dito isto, há ou não razões de preocupação? Há e são muitas. Desde logo pelo perfil do fundador e presidente da Altice, Patrick Drahi, que tem nacionalidade israelita, francesa e portuguesa. Quando comprou a Cabovisão em 2015, a sua primeira aquisição em Portugal, disse: “Não gosto de pagar salários. Pago o menos possível.”
E um excelente trabalho publicado esta semana na revista “Visão” diz que ele “trata as pessoas com desprezo desde o primeiro dia”. Poderiam ser só palavras do próprio ou de quem não gosta dele. Mas não são. Na Cabovisão, na ONI e depois na PT, as empresas que já comprou em Portugal, a Altice tem-se comportado como um típico raider financeiro: lança de imediato um ultimato aos fornecedores, impondo-lhes uma descida drástica no preço dos serviços que fornecem (no caso da PT, o corte foi de 30%); e faz despedimentos coletivos ou cria situações de enorme desconforto aos trabalhadores (retirada de benefícios sociais e de fringe benefits, cortes de parte dos salários, eliminação de postos de chefia, colocação noutras empresas do grupo ou associadas) que levam muitos deles a demitir-se. A estratégia tem um único objetivo: obter rapidamente cash pelo corte dos custos para fazer face à montanha de endividamento do grupo, que ascende a €82,1 mil milhões (!). É que Drahi faz aquisições atrás de aquisições, mas com base no dinheiro dos bancos (a quem deve perto de €50 mil milhões), uma corrida que tem tanto de embriagadora como de perigosa. Drahi discorda, claro: “Se parar com o meu desenvolvimento ‘bulímico’, por assim dizer, dentro de cinco anos não terei dívidas. E depois? Isso seria idiota porque durante cinco anos não teria registado crescimento”, disse na Assembleia Nacional francesa.
O que Drahi pretende é desenvolver um grupo multinacional de telecomunicações e media, para combater gigantes como a Google, Facebook, Amazon, WhatsApp e Yahoo, que utilizam sem pagar os suportes digitais construídos e pagos pelas telecoms e os conteúdos produzidos pelos media. Só que esta estratégia de integração já foi tentada e correu mal em todo o mundo. Com Drahi vai correr bem? Logo veremos. Mas quando se começa a pagar mais pelo que se compra do que aquilo que vale (caso da TVI), isso é sinal senão de desespero, pelo menos de fuga para a frente, que costuma acabar sempre mal.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

A estratégia de jogador compulsivo da Altice



por estatuadesal
(Nicolau Santos, in Expresso Diário, 17/07/2017)
nicolau
Caro Nicolau
Dois reparos: 1) Essa de que António Costa não devia ter criticado a Altice, é um tiro no teu próprio texto e nos argumentos que avanças. Perante um desenlace que será - segundo tudo indica, e até pelos dados que apresentas - contrário ao interesse nacional, deve um primeiro ministro calar-se e agir de acordo com o "politicamente correcto"? Penso que não. Para primeiro ministro castrador do interesse nacional já nos bastou Passos Coelho, de triste memória. 2) E se, de facto, tudo isto começou "várias jogadas atrás", a última jogada, aquela que faz transbordar o copo, é sempre a mais decisiva. E essa foi da autoria de Passos quando entregou, a troco de nada, a golden share que o Estado detinha na PT. Se a golden share hoje existisse, o Estado tinha um mecanismo directo de intervenção na empresa, em termos de decisões estratégicas, e nada disto estaria a acontecer.
Estátua de Sal, 17/07/2017

A compra da TVI pela Altice era um negócio há muito anunciado. A espanhola Prisa, dona da TVI, estava há muito pressionadrása para vender um dos seus melhores activos, sobretudo após ter falhado a alienação da editora Santillana; e a Altice, com uma dívida brutal às costas, estava desejosa de comprar a televisão líder de audiências no mercado português. Para fazer o quê, eis a questão.
A estratégia da Altice é uma fuga em frente, típica dos jogadores compulsivos e esperando que a estratégia resulte: compra, compra, compra com base numa montanha de dívida que se vai acumulando de ano para ano, ultrapassando já os €50 mil milhões. E depois, como está fortemente pressionada pelos credores e pelos accionistas para apresentar resultados, entra a matar em tudo o que compra, intimidando fornecedores, clientes e trabalhadores.
Em Portugal, foi exatamente isso que a Altice fez na Cabovisão e na PT, em que impôs de imediato uma redução de 30% nos preços dos fornecedores – e quem não quis ficou sem o cliente; e criou de imediato o desconforto no limite da legalidade para obrigar os trabalhadores a aceitarem a rescisão dos contratos de trabalho, a diminuição dos “fringe benefict” e a passagem para outras empresas da Altice ou de accionistas da PT, sob o argumento da “agilização” das relações laborais.
A Altice, como todos os operadores nas áreas das telecomunicações, está a ter rendimentos decrescentes no seu negócio central – e definiu a integração vertical no setor dos media como a forma de compensar essa quebra. Acontece que já houve várias tentativas de integração das telcos com os media em anos não muito distantes e as coisas não correram bem, tendo regredido a esmagadora maioria das experiências. Aconteceu nos Estados Unidos, mas também na Europa. Em Espanha, a Telefonica avançou para a Endemol e não correu bem. A própria PT lançou um canal de televisão, o Canal Lisboa, e acabou por vendê-lo ao Grupo Impresa, tornando-se o embrião da SIC Notícias; e também comprou o Grupo Lusomundo e igualmente não correu bem.
Assim como a Cimpor foi destruída, a PT está na mesma senda, a começar pela mudança de nome. E ninguém vai travar esse caminho, que foi traçado várias jogadas atrás.
É claro que pode sempre acontecer que resulte. E é verdade que tanto as telcos como os media estão a perder dinheiro para os grandes agregadores de conteúdos, como o Google, Facebook, Whatsapp, Instagram ou Apple, que andam em cima das redes que outros construíram e pagaram sem ter de despender nada por isso ou que utilizam conteúdos que outros produzem sem também nada pagar.
Logo, alguma coisa tem de ser feita. Mas a estratégia da Altice é não só muito arriscada (a integração vertical de telcos e conteúdos não deu bons resultados anteriormente) como híper-agressiva, porque precisa de fazer muito dinheiro rapidamente. Daí a forma abrasiva como trata fornecedores, clientes e trabalhadores.
Na compra da TVI, as coisas não começam bem. O preço anunciado (€440 milhões) é claramente acima do que os analistas consideram que o canal de televisão vale. Há uns anos, a Ongoing pagou 27 milhões pelo Semanário e Diário Económico. Queria fazer jornalismo? Não, queria utilizá-los para ter influência e alavancar outros negócios. Acabou como se sabe: num valente estoiro. A Altice não é a Ongoing mas a compra da TVI não é porque Patrick Drahi, o multimilionário francês que fundou o grupo, queira desenvolver o jornalismo independente. Mas a estratégia de integração vertical do grupo de comunicações e de empresas de conteúdos, assente numa enorme alavancagem, é tão arriscada que um pequeno solavanco pode deitá-la por terra.
É neste quadro que se pode entender as críticas de António Costa à Altice, embora seja completamente despropositado fazê-las em público e ainda por cima na Assembleia da República. Além do mais, as preocupações do primeiro-ministro não chegarão para travar o negócio. Se alguém o pode fazer é a ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social), a Autoridade da Concorrência ou a Comissão Europeia. Uma coisa é certa: a PT, tal como era, já não existe, depois de ter saído do mercado brasileiro na sequência da compra da Vivo pela Telefonica e do colapso do investimento que fez na Oi. Mas mesmo a PT que ainda existe vai desaparecer, sendo substituída pelo nome Altice (o que também vai acontecer a outra marca que os portugueses bem conhecem, a Meo). Ah, e porque a PT e a Meo vão ser obrigadas a mudar de nome para Altice, vão ter de pagar a essa mesmíssima Altice entre 50 a 70 milhões de euros anuais para usarem o novo nome (que o acionista as obriga a usar). Ou seja, mais uma maneira de desnatar e tirar rapidamente todo o dinheiro que for possível da PT.
Sim, assim como a Cimpor foi destruída, a PT está na mesma senda, a começar pela mudança de nome. E ninguém vai travar esse caminho, que foi traçado várias jogadas atrás.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

A lei da selva na PT



por estatuadesal
(Pedro Filipe Soares, in Diário de Notícias, 13/07/2017)pedro_filipe
Assistimos a um corrupio de privatizações nas últimas décadas. Setores estratégicos, funções essenciais, monopólios naturais... muito pouco ficou a salvo desta rapina. A cada privatização era aclamado o exemplo da gestão privada, a introdução de inovação, a garantia da manutenção dos centros de decisão em Portugal e um serviço à economia e às pessoas redobrado. Uma gigante mentira como vemos atualmente.
Uma das grandes empresas privatizadas foi a Portugal Telecom (PT). A gigante das telecomunicações mudou de mãos no turno de António Guterres, para gáudio dos privados e garantia de rendimentos chorudos. O que se seguiu é digno de um filme de terror. Nas décadas posteriores assistimos ao desmantelar da empresa, espartilhada entre interesses de acionistas e o crime de gestores.
Ainda se lembra de Zeinal Bava, o supergestor que se engasgou em direto na comissão de inquérito do BES? Foi um dos autores da gestão danosa na PT: quando ele entrou para a gestão, a empresa estava avaliada em 12 800 milhões de euros; quando ele saiu da PT a empresa valia menos de 1500 milhões de euros. E enquanto se cometiam os crimes na PT os acionistas calavam-se, rendidos ao jackpot de dividendos distribuídos, de 9500 milhões só desde 2006. Outros acionistas eram intervenientes na gestão danosa: as vendas de ativos foram feitas para garantir a liquidez de acionistas contra o interesse da própria empresa.
O engodo da manutenção dos centros de decisão no país é agora inequívoco. Os acionistas nacionais da PT foram engolidos pela sofreguidão do lucro fácil e consequente descapitalização da empresa. Agora, manda apenas a Altice, um fundo abutre que faz negócios especulativos com empresas de telecomunicações em dificuldades. Pelo meio, desapareceu a Golden Share que prometia a participação pública em decisões estratégicas, atropelada pelo desprezo que Passos Coelho e Assunção Cristas tinham do que era público.
A crónica desta empresa conclui-se com a atitude selvagem com que está a tratar os seus trabalhadores e trabalhadoras. Em maio, a PT pediu ao governo para realizar um despedimento coletivo. Pretendiam despedir três mil pessoas, nada menos do que um terço de todos os trabalhadores, e que fosse o Estado a pagar esse despedimento. O governo fechou a porta a essa vontade e a lei impediu a PT de fazer esse despedimento coletivo, que seria um dos maiores da história do país. Mas onde se fechou a porta à administração da PT a criatividade legal da Altice procura agora abrir uma janela.
A gestão da Altice está a criar um cenário de repressão no seio da empresa, num claro assédio moral sobre os seus trabalhadores: colocou trabalhadores sem funções, na expectativa de que isso conduza ao desânimo e ao despedimento voluntário, e criou uma unidade de trabalho temporário para onde enviou cerca de 300 trabalhadores, novamente sem tarefas atribuídas. A intenção é tornar incontornável a figura miserável da "rescisão amigável" para fugir ao desespero que se instala. A amizade nesta proposta é apenas um cínico recurso de linguagem para esconder a violência do assédio moral em causa.
O cúmulo da atuação da PT é a forma retorcida como interpreta o Código do Trabalho para conseguir o despedimento coletivo que havia sido negado. O Código do Trabalho tem um artigo criado para defender os direitos dos trabalhadores quando determinado estabelecimento ou empresa é vendido ou concessionado. Esse artigo da "Transmissão de Empresa ou Estabelecimento" garante que exista a manutenção dos postos de trabalho. Contudo, a PT criou em cima deste artigo da lei um esquema fraudulento.
O esquema é o seguinte: A PT vende determinado departamento a um testa-de-ferro ou a uma empresa sem património; com essa venda e a coberto da lei, são transferidos também os trabalhadores; concretizada a venda, é realizado um despedimento coletivo; com esse despedimento coletivo, e como não há património da empresa, os trabalhadores não recebem qualquer indemnização, ficando apenas com o subsídio de desemprego que é pago pelo Estado.
A gestão desumana que a Altice está a fazer da PT está a ser combatida pelos trabalhadores, que já marcaram uma greve para o próximo dia 21 de julho. Têm também denunciado o assédio moral à Autoridade para as Condições do Trabalho, que já levantou mais de 70 autos de notícia. Merecem toda a nossa solidariedade, mas é necessário mais. Exige-se que o governo faça cumprir a lei e rejeite os despedimentos selvagens na PT. A Altice não está acima da lei e não pode tratar os trabalhadores como lixo.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Sobre o Estado da Nação



por estatuadesal
(Por Estátua de Sal, 12/07/2017)
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Depois de assistir, atentamente ao debate do Estado da Nação, fiquei com a ideia que não houve debate e que o Estado da Nação não foi discutido, e esta é a pergunta que urge fazer: para que servem os deputados da Nação? Eu explico.
1. Discutiu-se o que fazer no emprego, na produção, no investimento, na economia e a forma de tudo isso melhorar? Não.
2. Discutiu-se como aumentar a qualidade dos serviços públicos e a necessidade das pessoas a eles acederem e terem uma resposta à altura? Não.
3. Discutiram-se as dificuldades da vida das pessoas que todos os dias lutam com afã para sobreviver? Não.
4. Discutiu-se a angústia dos velhos e o desencanto dos mais novos que perdem todos os dias a esperança por não terem presente e não vislumbrarem futuro? Não.
Então, mas afinal o que é que se discutiu, e o que é que o Governo e a oposição trouxeram para o palco do debate? Comecemos pelo governo.
António Costa começou a sua intervenção pelo incêndio de Pedrogão. Assumiu o compromisso de restaurar a região na sua capacidade produtiva, de investigar até ao fim o apuramento de responsabilidades, e de promover a reformulação da legislação de forma a permitir a o desenvolvimento do interior e o reordenamento da floresta. Depois listou os sucessos económicos da actual conjuntura, no emprego, no investimento, nas exportações, na confiança, e no deficit público. E apontou como causa de tais sucessos a mudança na política económica que este governo levou a cabo, em oposição ao governo anterior, concluindo, numa síntese feliz, dizendo que "não, não é necessário empobrecer".
E que trouxe a oposição? A oposição tentou resumir o Estado da Nação aos acontecimentos da agenda mediática dos últimos dias. Os incêndios, Tancos, a fuga do enunciado do exame de português, os bilhetes para a bola e a demissão dos secretários de Estado, o inquérito à CGD. Neste particular ouvi a intervenção mais oportunista que alguma vez me foi dado ver produzida pelo deputado Montenegro. Acusou Costa e o governo de tudo e mais alguma coisa: de fraqueza, de falta de norte, de falta de legitimidade. E não podendo deixar de reconhecer os sucessos do governo na área económica veio dizer - veja-se lá o ridículo -, que tais sucessos são devidos à herança deixada pelo governo da direita e pela favorável conjuntura internacional, concluindo que se a PAF fosse governo os sucessos seriam ainda maiores.  Passos Coelho deve ter entregue este papel de avançado-centro no ataque ao governo a Montenegro porque, tendo sido a intervenção tão virulenta, se fosse Passos a fazê-la, a ser coerente só lhe restaria apresentar uma moção de censura ao governo que seria seguramente rejeitada pelos votos da esquerda e só reforçaria a actual solução governativa.
Passos guardou-se para o fim e quis fazer um discurso de estadista. Extraordinário. Baseou-se em vários tópicos: que o sucesso do governo na frente económica se deve às reformas do governo da direita; que se ele, Passos, ainda fosse governo os sucessos seriam ainda maiores; que afinal só há sucesso porque o Governo mudou de programa e faz agora tanta austeridade quanto ele teria feito.
O ridículo é que Passos, agora, quer reverter a austeridade e acusa o governo de a fazer!! Quer mais dinheiro para a saúde, mais dinheiro para as escolas, mais dinheiro para a tropa. O que ele não diz é que quer menos dinheiro para os salários dos trabalhadores, e para as pensões dos pensionistas. Se a falta de vergonha queimasse Passos teria também ardido no fogo do Pedrogão.
Depois veio a D. Cristas. Também montou o cavalo do fogo e surfou pelos paióis de Tancos. E continua a querer as cabeças da ministra da Administração Interna e do ministro da Defesa, ameaçando que, caso não sejam demitidos e errem de novo, a responsabilidade será então de António Costa a quem pedirá contas. Costa foi rápido na resposta. Não há demissões de ministros, ponto.
PCP e BE vinham preparados para não criarem grandes problemas a António Costa. Foram até úteis ao governo e sovaram a direita em vários momentos do debate. Reafirmaram as suas posições quanto à Europa e ao deficit e devem estar a guardar os cartuchos para fazerem valer as suas posições por ocasião das negociações próximas do orçamento de Estado para 2018. Nesse aspecto, o discurso final de Catarina Martins foi uma listagem das áreas em que se exige uma intervenção imediata do Estado, mesmo que seja necessário bater o pé a Bruxelas no que toca aos objectivos do deficit, e no que concerne a uma imperativa revisão da legislação laboral herdada do governo da direita e ainda não revertida.
Em suma, a direita fala de um país que não existe. Insegurança, dizem eles. Mas alguém se sente menos seguro hoje do que há um mês, por terem desaparecido 34000€ de armamento, ainda por cima, e ao que parece, obsoleto?  A direita fala de desagregação do Estado e da fragilidade do governo. Mas será que o Estado está desagregado por 3 generais se terem demitido num universo de 250? Por 3 secretários de estado se terem demitido devido a um processo mais que inócuo e ridículo que a Justiça retirou da gaveta, um ano depois de terem ocorrido os supostos ilícitos que pretende punir?
E a prova de que tal país não existe é o clima de confiança que demonstram os últimos indicadores relativos aos consumidores e aos investidores quer nacionais quer internacionais. Bem como as últimas sondagens em que o discurso desta oposição derrotista e tremendista se acha cada vez mais arredado das escolhas dos portugueses.

terça-feira, 11 de julho de 2017

A tropa, o dinheiro e a nova censura



por estatuadesal
(Dieter Dillinger, in Facebook, 11/07/2017)
CENSURA

Ouvi o Prós e Contras e falaram generais que foram já CEME e mais Morgado e outra gente.
Todos criticam o chamado desinvestimento nas Forças Armadas e, em particular, no exército que não foi tanto que impedisse a existência de portas blindadas bem fechadas nos paióis e até cercas fortes e mais patrulhamento. Isto no caso de considerarmos que foram roubadas armas e não lixo, coisa que ninguém disse no Prós e Contras.
A Internet (Google) fornece tanta informação militar que é quase impossível ler tudo, mas, aparentemente, ninguém lê nada.
Não sabem que a Alemanha Ocidental já teve quase um milhão de homens em armas e mais dois mil tanques e hoje tem apenas 170 mil e uns 300 tanques.
A Holanda, a quem Portugal comprou 38 tanques Leopard A62 acabou mesmo com este tipo de armas porque já não se sabe bem se os blindados servem para alguma coisa devido à existência de uma vasta panóplia de pequenos mísseis antitanques altamente certeiros e destruidores.
De qualquer modo, o exército português não tem missão definida, dado terem acabado as guerras coloniais e a guerra fria. Há o terrorismo que exige maior proteção do armamento, mesmo de cartuchos sem explosivos nem balas e explosivos muito velhos.
Mas nenhuma proteção é suficiente porque qualquer maluco pode tornar-se terrorista e pegar num camião para atropelar uma série de pessoas como sucedeu em Nice e Berlim e para evitar isso não servem tanques nem canhões ou aviões. Quanto muito informação e controle antiterrorista da Internet.
As forças armadas americanas enfrentam o problema de terem milhares de ogivas nucleares envelhecidas e fabricadas há 20 ou 30 anos atrás e não sabem bem se as devem substituir ou modernizar e nem sabem bem para que serve aquilo, apesar de o louco do Kim estar a fornecer argumentos para modernizarem o seu arsenal, criando o "papão" norte-coreano que pode ser perigoso porque o ditador dinástico é portador de uma doença mental.
No fundo, toda a gente fala em dinheiro e querem mais para tudo como forma de levar Portugal outra vez para o processo dos défices excessivos e até para um resgate. Todos querem ser dignificados com dinheiro, como é evidente.
Enfim, é terrível para nós, socialistas, viver num País em que até somos governo, mas está sujeito a uma ditadura informativa férrea de inimigos do PS na comunicação social e também na magistratura e ter sondagens que apontam o PS para 40,4% de intenções de voto.
No fundo, não temos um jornal imparcial para comprar e nem um canal televisivo sério e honesto que não seja apenas anti-PS, incluindo a RTP, nem uma estação de rádio neutra. Resta-nos o consolo que a maioria do povo português não acredita nos meios de informação nem nos magistrados porque vê neles pessoas nada honestas nem imparciais, apenas células políticas tendencialmente de extrema direita, exceptuando uma vasto número que está dominado por essas células sem pensar como elas. Homens como Carlos Alexandre, Ivo Cruz. Rosário e outros controlam todo aparelho da chamada Justiça que acusa a torto e a direito.
Um ou outro meio de informação dá de vez quando um espaço muito pequeno a alguém mais favorável ao governo que faz lembrar os tempos de Marcelo Caetano em que a censura lá deixava passar umas críticas muito reduzidas para fingir que havia alguma liberdade. Hoje, a censura fascista é feita pelos acólitos de Balsemão, Azevedos e outros do "I" e do "Sol" que até intrigam contra países amigos de Portugal como Angola, julgando que ainda se trata de uma colónia portuguesa, prejudicando a vida de milhares de residentes portuguesas e das exportações nacionais.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Carta de uma tropa-fandanga



por estatuadesal
(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 05/07/2017)
Autor
                        Daniel Oliveira
Um conjunto de oficiais, ao que parece próximos dos cinco comandantes exonerados, desmarcou o protesto de hoje, em que se preparavam para aparecerem fardados em frente à Presidência da República, num ato de insubordinação pública e num intolerável desafio às instituições democráticas. Ouvi, dos bonzos do costume, o elogio ao patriotismo por a coisa ter sido interrompida. Patriotismo? Só o facto destes oficiais terem tornado pública uma iniciativa que, caso fosse preparada pelos seus inferiores hierárquicos os levaria a usar a sua mão pesada para repor a disciplina, é para mim assombroso.
A exoneração dos cinco comandantes é, do meu ponto de vista, uma fuga para a frente do Chefe de Estado-Maior do Exército. É a ele que cabe a demissão, responsabilizando-se por uma falha operacional inaceitável. Se era contra a decisão de Rovisco Duarte e a sua manutenção no lugar que estes oficiais se queriam manifestar, poderiam ter razão, mas estaríamos perante um levantamento militar contra o superior, o que só poderia ter consequências disciplinares severas. Mas os oficiais esclareceram-nos que não. Numa carta que parece um post de Facebook, as acusações vão, como não podia deixar de ser, para “os políticos”. E se é contra os “políticos” a malta aplaude. Porque se a culpa é de alguém é “dos políticos” e assim temos todos a certeza que podemos ser todos irresponsáveis. Lá estarão aqueles que servem para assumir a “responsabilidade política” para ninguém ter de assumir a responsabilidade real.
Neste preciso momento, os oficiais não têm qualquer legitimidade para protestar. Pelo contrário, o Exército deve um pedido de desculpas ao país por ter falhado na mais básica das mais básicas das suas funções. Primeiro mostrem algum sinal de vergonha perante o que aconteceu, só depois a indignação
Sendo para mim muito desconfortável ler cartas de militares a contestar o poder civil a quem devem obediência – pôr em causa esta obediência é, historicamente, o primeiro passo para pôr em causa a democracia –, sou obviamente sensível à queixa por falta de meios. Dos militares, dos médicos, dos professores, dos enfermeiros. Há muito que defendo que a obsessão com a contenção nas contas públicas e no emagrecimento do Estado, tão elogiada por aqueles que hoje cinicamente se colocam ao lado destes militares, levaria ao colapso dos serviços públicos. Mas poupem-nos, do Bloco ao CDS, passando por oficiais anónimos, à conversa da austeridade para explicar o assalto de Tancos. Não há contenção na despesa que explique tamanha incúria. Não há cortes orçamentais que expliquem uma falha desta magnitude. A austeridade é um crime mas tem, por vezes, as costas largas. E parece ser uma excelente forma de atirar a falha de cada um para as costas do ministro que estiver mais à mão.
Neste preciso momento, os oficiais não têm qualquer legitimidade para protestar. Pelo contrário, o Exército deve um pedido de desculpas ao país por ter falhado na mais básica das mais básicas das suas funções. O que o país precisa destes militares não é de oito páginas de paleio pseudo-patriótico para justificarem o cancelamento do que seria um vergonhoso ato de indisciplina. O país precisa de explicações muito claras sobre o que aconteceu em Tancos e só o Exército as pode dar. Talvez o facto de uma manifestação de militares fardados numa democracia consolidada ter passado pela cabeça destes oficiais ajude a explicar a balda instalada e este assalto tão absurdo que me parece mal contado.
Seguramente os portugueses serão solidários com as queixas dos militares perante os cortes absurdos que se continuam a fazer nos vários sectores do Estado, da saúde à educação, da segurança social à defesa. Desde que isso não sirva para o Exército atirar para longe as suas próprias responsabilidades. Primeiro expliquem-se, depois protestem. Primeiro mostrem algum sinal de vergonha perante o que aconteceu, só depois a indignação.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Portugal pede à Coreia do Norte que abandone programas balístico e nuclear

Portugal pede à Coreia do Norte que abandone programas balístico e nuclear
© KCNA KCNA Portugal pede à Coreia do Norte que abandone programas balístico e nuclear

O Governo português condenou esta terça-feira o lançamento de um míssil balístico pela Coreia do Norte e exortou Pyongyang a "retomar um diálogo sério com a comunidade internacional" e a abandonar os seus programas balístico e nuclear.
A Coreia do Norte anunciou hoje o lançamento do seu primeiro míssil balístico intercontinental, que lhe permitiria atacar os Estados Unidos.
"O Governo português condena o lançamento, em 4 de julho, de um míssil balístico pela República Popular Democrática da Coreia, que constitui mais uma violação flagrante das obrigações decorrentes de várias resoluções do Conselho de Segurança da ONU e compromete a segurança regional e internacional", lê-se num comunicado divulgado pelo ministério dos Negócios Estrangeiros.
Portugal exorta Pyongyang "a retomar um diálogo sério com a comunidade internacional e a abandonar os seus programas balístico e nuclear de forma completa, verificável e irreversível", acrescenta o ministério liderado por Augusto Santos Silva.
Na mesma nota, o executivo reitera o seu "empenho no rigoroso cumprimento das sanções unanimemente impostas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, assim como das medidas autónomas da União Europeia".
O "ensaio histórico" de um míssil Hwasong-14 foi supervisionado pelo dirigente norte-coreano Kim Jong-Un, anunciou uma apresentadora na televisão pública norte-coreana num noticiário especial.
Um analista de armas considerou que este tipo de míssil pode ser suficientemente poderoso para chegar ao Alasca, nos Estados Unidos.

Fonte: Lusa

Este Costa é mesmo um mafarrico



por estatuadesal
(In Blog O Jumento, 04/07/2017)
COSTA_MAFARRICO

Este António Costa é mesmo o diabo, enganou o FMI, conseguiu levar o ministro das Finanças alemão a dizer que o Centeno é o Ronaldo do Eurogrupo, empanturrou-nos com propaganda, fazendo passar a ideia de que o défice estava controlado, que os investidores estavam a vir, que as exportações estavam a aumentar, que se tinha estancado a fuga de quadros.
O país estava de tal forma endrominado que comentadores com uma inteligência superior, como o José Manuel Fernandes ou o João Miguel Tavares, durante meses e meses encontraram na linha amarela do Metropolitano de Lisboa a grande desgraça nacional. Mas, finalmente aconteceu algo que provou que tudo era publicidade enganosa, que o país não era o das maravilhas.
Em vez de ter andando a testar o SIRESP, a comprar aviões e a formar bombeiros, instalando um quartel por cada cem hectares de eucaliptos, o Costa andou por aí a tirar selfies com o Marcelo e quando a desgraça ocorreu na sombra do seu desleixo, foram a correr fazer festinhas no dói-dói de Pedrógão.
Mas o Costa é o diabo em pessoa; quase aposto que foi ele que encheu uma caixa de pilhas Duracell e foi para Pedrógão fazer uma faísca tão grande que se parecesse com um trovão seco, desencadeando um incêndio. Assim o país não reparava nas críticas do João Miguel Tavares à linha amarela. Quando o pessoal percebeu que o SIRESP era uma espécie de BPN das florestas porque tudo onde os banqueiros do PSD se abonaram ardeu, o Costa encomendou ao mafarrico um assalto a Tancos.
De um dia para o outro os jornalistas mudaram-se de Pedrógão para Constança, os mortos da EN286 já estão enterrados e agora o que está a dar são as granadas e as munições de 9 mm. E o mafarrico do Costa foi de férias; com os incêndios pediam-lhe a cabeça da ministra da Administração Interna, mas com a tropa o problema não é dele. O big chefe da tropa é o Presidente e a alta distinção não serve só para ver cagarras com um blusão de almirante chefe.
E enquanto o Marcelo não vai saber o que fazer a tanta espada de oficiais zangados, o Costa está nas selfies com o pessoal de mama ao léu em Palma de Maiorca!

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Se eu me chamasse Constança

Junho 26, 2017 A Ovelha Perdida

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Se eu me chamasse Constança e a oposição andasse a sugerir a minha demissão de ministra, devido à catástrofe de Pedrógão Grande, se enviasse o grilo falante do PSD (mais conhecido por Marques Mendes) pedir directamente que me fosse embora, eu diria que sim.
Mas primeiro teriam que começar por me provar que, em 26/11/2015, na data de posse do actual governo:
O governo Passos/Portas tinha entregue o SIRESP a funcionar perfeitamente;
O governo Passos/Portas tinha entregue uma floresta ordenada;
O governo Passos/Portas tinha entregue uma floresta com predominância de espécies autóctones e sem sobrecarga de plantação de eucaliptos;
O governo Passos/Portas tinha entregue um interior ocupado e não desertificado;
O governo Passos/Portas tinha entregue um país em que os proprietários florestais privados mantinham a sua floresta sempre limpa; 
O governo Passos/Portas tinha entregue um país em que os proprietários das casas e empresas privadas mantinham as suas propriedades sempre limpas de mato à volta, no perímetro mínimo de 50 metros, de acordo com a lei;
O governo Passos/Portas tinha entregue um país em que todas as estradas mantinham as bermas limpas e sem árvores no espaço previsto na lei.
Se assim fosse, demitia-me. Mas como não é, o que podemos concluir é da responsabilidade de todos os governos nos últimos 40 anos. Sem excepções. A verdade é que, apesar de todas as conquistas sociais – e foram muitas e significativas – o país não foi capaz de travar a desertificação do interior e o desequilíbrio territorial, com todas as consequências que tal facto acarreta.
Pedir a demissão dum governante, nesta situação e nestas condições, é pura demagogia.
Mas para já, Passos Coelho ultrapassou todos os limites ao afirmar ter havido suicídios na sequência da catástrofe, que simplesmente não existiram. Terá sido induzido em erro, mas um ex-primeiro-ministro têm a obrigação de confirmar as fontes antes de produzir afirmações tão graves. Não vale tudo. Estamos à espera de ouvir o seu pedido de desculpas.
Como disse João Quadros “O Passos que diz que pessoas se suicidaram por falta de apoio psicológico, é o mesmo Passos que tirou os apoios as crianças do ensino especial”. E eu acrescento, e foi o mesmo Passos que promoveu a pobreza dos socialmente mais vulneráveis quando governava. Quantos se terão então suicidado?

Fonte: ovelhaperdida.wordpress.com (publicado no Facebook)

sábado, 24 de junho de 2017

A agenda do rescaldo



por estatuadesal
(Francisco Louçã, in Público, 24/06/2017)
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Francisco Louçã
Estamos em rescaldo do incêndio, depois de 64 mortos e muitos feridos, 150 famílias desalojadas e 46 mil hectares ardidos. O drama é demasiado e não se pode fechar os olhos. Já chegou a hora da política.
Começo pelas críticas a Marcelo. Na minha opinião, o Presidente fez bem em ir imediatamente ao local e em incentivar os que combatiam o incêndio. Acho desprezível o ataque que lhe foi feito em poucas horas por um deputado do CDS e por outros mandarins da direita. No mesmo sentido, a sugestão de um deputado do PSD (parece que vice da sua bancada) de que os feridos se curam depressa demais entra no domínio do Alien contra Predador.
Em contrapartida, Passos Coelho e Assunção Cristas foram cuidadosos nos primeiros dias. Tinham boas razões para isso, além do natural respeito pelos mortos e pelo sofrimento de quem ainda via o incêndio à porta. Quanto à dirigente do CDS, ela teme mais do que tudo que a sua passagem pelo ministério da agricultura, em que promoveu a extensão do eucaliptal, se torne um centro de atenção.
E ela como Passos Coelho temem ainda que o caso SIRESP seja tóxico para os partidos que criaram o negócio, que foi assinado já depois de o governo PSD-CDS ter perdido as eleições de 2005 e favorecendo um centro de negócios de homens do PSD (a SLN, dona do BPN), ao preço de 485 milhões, que terá sido cinco vezes o devido segundo o PÚBLICO de então, além de se assegurar uma renda de 100% na manutenção, pagando o dobro do devido (e que os governos PS aceitaram). Soube-se agora, também pelo PÚBLICO, que Passos Coelho pôs na gaveta uma redução de 25 milhões, já negociada com o consórcio do SIRESP. E, já agora, o SIRESP não funciona.
O PSD e o CDS, bem como o PCP, têm ainda outro problema em mãos: é que durante o ano, apesar das promessas solenes do final da época de fogos de 2016, escolheram não apresentar qualquer projecto no parlamento. Podem naturalmente alegar que a lei actual é suficiente, mas isso deixá-los-ia em situação difícil, forçados então a rejeitar as propostas que estão em consideração há vários meses – e é impossível alegar que está tudo bem e é só questão de corrigir meios e práticas para salvar a floresta.
O governo reagiu depressa, percebendo o caos que estava instalado na frente de combate ao fogo, envolvendo os ministros necessários e coordenando entre o primeiro-ministro e o presidente o apoio às populações. Mas hesitou no apuramento dos factos, mesmo que António Costa, com o seu instinto, tenha vindo a aceitar a sugestão de uma comissão independente. Ora, entendamo-nos: uma comissão parlamentar, que é o que o PSD propõe, é vagamente inútil. O que o governo devia ter feito era nomear logo uma comissão presidida por uma personalidade independente e com prestígio indiscutível, com o mandato de investigar as falhas de coordenação e os erros cometidos e de fazer recomendações num prazo curto.
Há ainda outro agente político que entrou em cena, e dá-se menos conta dele: as empresas do eucalipto estão a mover-se para proteger o seu baú. Cuidado com elas, são o poder sombra da floresta. Precisam que nunca entre na agenda política a única medida estrutural que salva Portugal: a reflorestação com a redução forçada das manchas de eucalipto e a reorganização da economia da floresta para sustentabilidade e a protecção dos pequenos proprietários. Por isso, querem aproveitar a necessidade de posse administrativa dos terrenos abandonados para um movimento de concentração da propriedade, à espera de um novo governo que lhes favoreça a eucaliptização, na esteira de Passos e Cristas. Assim, as leis que estão a ser discutidas devem ser muito bem ponderadas, e creio que a esquerda deve rejeitar qualquer caminho que conduza ao benefício dos eucaliptocratas. Não estamos livres disso.

Publicação em destaque

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