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segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Cavaco Silva: o regresso dos mortos-vivos


por estatuadesal
(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 04/09/2017)
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A esta hora Cavaco deve estar a preparar uma viagem a Fátima, acompanhado da Maria, para pedir à Virgem que acabe com tanta porrada que tem levado nos últimos dias. Estava tão bem posto em sossego no Convento do Sacramento, gozando da sua parca reforma dourada, que em tempos disse que mal lhe dava para pagar as suas enormes despesas, e a destilar fel para o segundo volume das suas memórias, que acredito que perante tanta tosa, já se tenha arrependido de ter saído da toca.
Aqui vão mais umas bordoadas a preceito, dadas desta vez pelo Daniel Oliveira. Eu não tenho pena nenhuma do personagem, e aliás, fui dos primeiros a molhar a sopa.
A poucos se aplica melhor do que Cavaco o sábio ditado popular que assim reza: Só se perdem as que caem no chão.
Estátua de Sal, 04/09/2017


Durante quatro décadas um dos políticos profissionais há mais tempo no ativo apresentou-se como um técnico, um outsider, um antipolítico. Durante quatro décadas um dos políticos mais perdulários, responsável pela perda de uma oportunidade histórica, como primeiro-ministro, e com uma das casas civis mais dispendiosas da nossa democracia, que chocou o país ao dizer que 10 mil euros quase não davam para as suas despesas, apresentou-se como um político austero.
Durante a sua longa carreira política rodeou-se de homens como Duarte Lima, Dias Loureiro ou Oliveira Costa, mantendo com este último relações financeiras promíscuas, e isso não o impediu de dizer que era preciso nascer duas vezes para ser mais sério do que ele.
A dissociação entre o que Cavaco Silva é e a imagem que tem de si mesmo é o seu traço psicológico mais perturbante. Um traço megalómano que o aproxima, curiosamente, de José Sócrates.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

O poder que voltou

André  Veríssimo
André Veríssimo | averissimo@negocios.pt 21 de julho de 2017 às 00:0´

Antes de a banca cair do pedestal do poder em Portugal já ele se tinha esvaído. Nos tempos que correm só o dinheiro garante a autonomia e quando deixou de o haver entregámo-la. Partiu para outras geografias, Berlim, Frankfurt, Washington, Bruxelas. Mas está a voltar.
Não todo o poder, porque o fomos cedendo em nome de um projecto europeu sobre o qual crescem dúvidas, mas que soube atravessar aquela que foi a sua maior provação. A soberania sobre o sistema financeiro foi a última a partir.
Não todo, porque há fragilidades que ainda nos tolhem e independências por firmar – vivemos ainda no aconchego do BCE.
Não todo, porque na míngua de dinheiro português venderam-se a capital estrangeiro valiosos anéis empresariais e vários dedos dessa mão poderosa da economia que é a banca .
Há, ainda assim, um regresso, construído à força do cumprimento de metas orçamentais, da recuperação do acesso aos mercados, de um crescimento económico mais robusto. Um esforço colectivo, sofrido, teimosia de vários anos, seguindo obedientemente as regras do jogo que outros desenharam. Mas emergimos.
A maior confiança, esse sentimento que os matemáticos aprenderam a medir e as estatísticas colocam agora nos píncaros, bebe também dessa maior autonomia. Está na auto-estima. Está na capacidade para tomar opções.
Liberdade é poder. Lisboa tem mais poder. E quem diz Lisboa, diz São Bento, diz Belém. Os actores políticos são hoje mais protagonistas e menos intérpretes de um papel secundário. Podem escrever um argumento mais original. António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa têm mais poder do que teve Pedro Passos Coelho ou Cavaco Silva. Também por espessura própria, deve reconhecer-se.
Há também novos protagonistas, uns saídos da destruição criativa da crise, outros da retoma. A convulsão trouxe um maior equilíbrio. O Estado é menos imponente, a banca menos influente, o poder judiciário está mais presente. Eminências pardas ainda as há, mas o poder é mais difuso, há mais matizes. O que é até mais saudável, pode é ser passageiro.
São os rostos desta nova ordem, mestiça ainda da antiga, que o Negócios vai dar a conhecer nas próximas semanas em mais uma edição de "Os mais poderosos".

Fonte: Jornal de Negócios

Nota do Blogue: As nossas Televisões, incluindo a RTP que todos nós pagamos, não falam deste assunto, enfeudadas que estão ao serviço da Direita que nos martirizou durante quatro e meio.

O humor de Marcelo e a saudação a Cavaco Silva



por estatuadesal
(Por Carlos Esperança, in Facebook, 20/07/2017)
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Marcelo tem um humor refinado e desconcertante. Nem sempre a sua pontaria é tão certeira como a que dispara ósculos para anelões episcopais, com particular acuidade para o do papa, onde, à precisão, acrescenta abundante secreção de saliva pia, em pleno alvo.
A atribuição do mais alto grau da Ordem da Liberdade a Cavaco Silva foi o mais alto e refinado momento de humor. Parecia o Pedro dos Leitões a condecorar um vegetariano, e houve quem não lhe apreciasse o humor… negro!
Não se pode negar a quem tem manifestado notável sentido de Estado, e a quem o País deve parte do ambiente descontraído que o ressentido antecessor perturbou até ao último dia, que continue a brindar-nos com inofensivos rasgos de sofisticado humor.
Ao saudar Cavaco Silva "de forma muito especial e calorosa", pelo 30.º aniversário da primeira maioria absoluta monopartidária da democracia portuguesa, conquistada pelo PSD a 19 e julho de 1987, humilha Passos Coelho e sabe que o País não corre o risco de voltar a ver Cavaco nem como vogal de uma Junta de Freguesia.
Com este ato de humor, Marcelo há de ter-se divertido, por ter sido ele próprio o criador de Cavaco, na Figueira da Foz, e sabe que a sua popularidade se deve também à comparação com o inculto e rancoroso antecessor.
E foi o único a lembrar-se do defunto político!

A comparação desleal entre Marcelo e governo


por estatuadesal
(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 20/07/2017)
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Como diria Herman José, as dinâmicas mediáticas são como os interruptores: umas vezes para cima outras vezes para baixo. E se há um mês e meio o Super Mário fazia as maravilhas dos jornalistas, que se ririam de quem não vaticinasse todos os sucessos para este governo, agora não há nada que não confirme a dinâmica do desastre. Até outra coisa voltar fazer mudar o tom. Sendo certo, isso nem António Costa ignora, que Pedrógão deixará marca permanente, mesmo que ela não seja eleitoral, é sempre bom relativizar este mundo muito próprio em que vivem jornalistas, comentadores e políticos. As sondagens conhecidas recordam isso mesmo.
A última novidade é o facto do Presidente da República ter respondido a uma carta de uma sobrevivente de Pedrógão, que justamente se queixava de várias falhas do Estado, e o governo não o ter feito. Na SIC, Clara de Sousa até perguntou a Pedro Marques se o executivo não se sentia “humilhado”. A partir disto construiu-se uma nova narrativa, diferente daquela que punha o Presidente a reboque do governo, sempre pronto para aparar os seus golpes: num mar de incompetência que assola, como nunca antes aconteceu, o Estado, há um Presidente absolutamente excecional. Uma ilha de competência e sensibilidade.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Presidente e Governo criaram "novo sentido de esperança em Portugal"

O presidente do conselho de administração da Mota-Engil, António Mota, considerou hoje que o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o Governo do PS criaram, no último ano, "um novo sentido de esperança em Portugal".


Presidente e Governo criaram
© Lusa

António Mota falava na presença do Presidente da República e do ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, durante a cerimónia de inauguração dos escritórios da Mota-Engil na Cidade do México.
"Vossa excelência, senhor Presidente, e o atual Governo criaram, no último ano, um novo sentido de esperança em Portugal. Esperamos, é nisso que apostamos, que tenhamos uma economia mais ágil em Portugal em pouco tempo", declarou.
"Somos tão bons como os melhores. Eu costumo dizer que temos de ser um bocadinho melhores, porque somos mais pequenos", defendeu.
Minutos antes, António Mota tinha ouvido o Presidente da República sustentar que "Portugal sozinho já é imbatível", que "o México sozinho, pensem o que pensarem alguns, é imbatível" também, e que os dois países juntos são "definitivamente imbatíveis".
No final da sua intervenção, dirigindo-se a Marcelo Rebelo de Sousa e a Manuel Caldeira Cabral, o presidente da Mota-Engil acrescentou: "senhor Presidente, senhor ministro, agradeço a vossa presença, mas acima de tudo agradeço o que têm feito na recuperação do orgulho português".
Sobre a Mota-Engil, António Mota referiu que a construtora tem "26 mil colaboradores no mundo inteiro" e é "o maior empregador português fora de portas, com 1.700 portugueses a trabalhar por esse mundo espalhados", mas queixou-se da "dificuldade em fazer formação em Portugal para renovar esses quadros".
"É bom que o setor em Portugal recupere", observou.
Em declarações aos jornalistas, António Mota congratulou-se com a presença do Presidente da República nas instalações da Mota-Engil no México, no mesmo dia em que, em Portugal, "o senhor primeiro-ministro esteve a inaugurar o Aeroporto de Faro, que é uma obra feita pela Mota-Engil para a ANA".
"Por isso, é um dia grande para a Mota-Engil", considerou.
António Mota disse que "o continente americano é a maior zona de negócio da firma", que "o México é o maior mercado do grupo neste momento" e adiantou: "No presente ano de 2017, mais uma vez, voltaremos a crescer".
No seu entender, "nada disto teria sido possível sem o apoio da diplomacia portuguesa", a quem agradeceu, após elogiar os parceiros locais da Mota-Engil e os quadros portugueses.

Fonte: Notícias ao Minuto

domingo, 9 de julho de 2017

Semanada



por estatuadesal
(In Blog O Jumento, 09/07/2017)
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Há muito tempo em silêncio a direita militar esteve há beira de vir para a rua, isto é, aqueles que no passado sanearam a esquerda militar com o argumento das manifestações esperaram pela aposentação e pela consolidação da democracia para se armarem em MRPP. Entretanto, alguns generais decidiram aproveitar-se do roubo de Tancos para extravasarem sentimentos antigos. Maus dias para a tropa, primeiro ficámos a saber que os arsenais de material militar são mais fáceis de roubar do que uma caixa de Multibanco, agora assistimos a um míni PREC da direita militar, a tal que era a defensora dos bons valores.
Marcelo parece estar à beira de mudar o Palácio de Belém para Pedrógão, se não vai à missa das oito vai ao concerto da noite, tudo o que por lá se passa conta com a presença do Presidente, está prometida a passagem do Natal e até lá é de esperar que seja o padrinho de todas as crianças que sejam batizadas. Talvez Marcelo não se aperceba, mas Pedrógão não é o único problema do país, vale pela dimensão, o somatório de todas as pequenas desgraças do país resulta num incêndio bem maior do que o que ocorreu naquela localidade.

sábado, 17 de junho de 2017

A ternura dos 71



por estatuadesal
(João Quadros, in Jornal de Negócios, 16/06/2017)
quadros

Donald Trump celebrou, na passada quarta-feira (14 de Junho), o seu aniversário. Trump fez 71 anos. Também na quarta-feira Trump foi acusado de obstrução à justiça. Se fosse Presidente dos EUA, seria grave.
O procurador especial Robert Mueller, que está a investigar Donald Trump, acusa o Presidente dos EUA de obstruir a justiça, segundo o Washington Post. Cheira a "impeachment", o que acaba por ser um presente de anos original para o Trump, porque é tramado dar uma prenda a quem já tem tudo.
Trump pode alegar, como Clinton, que não chegou a obstruir a justiça. Se Trump pressionou e apertou com o director do FBI, então, desta vez, em lugar do vestido vermelho manchado da Monica Lewinsky, queremos ver as calças molhadas de chichi do James Comey. Se Trump se limitou a dar-lhe uns berros para ele parar com a investigação, mas não lhe chegou a roupa ao pelo, no fundo, não houve consumação, acabou por ser apenas uma cena oral. Não sei onde isto vai parar, mas ainda pode acabar com o Presidente dos Estados Unidos a pedir asilo político na Embaixada da Rússia.
O Trump, para 71 anos, até está bastante bem. Não tem a energia do nosso Presidente,mas o professor Marcelo também não tem uma primeira-dama. Mas o Trump é muitopostiço, se mergulhasse no mar do Estoril, perdia metade da cor e dois terços do cabelo. Acho que o nosso Presidente ganha. Com aquela idade, tem uma energia tal que estou convencido que o professor Marcelo é o único português que poderia pertencer aos Rolling Stones.
Tenho de dizer uma coisa que me está aqui atravessada. No meio das trapalhadas todas do Trump, aquela cena da filha ter uma marca de roupa é o que mais me faz confusão. Porque eu não consigo imaginar a filha do Trump com roupa. É uma coisa minha. Por mais que tente, não dá.
Voltando ao "impeachment". Se Trump fosse afastado da presidência dos EUA, eu fazia uma festa com foguetes "made in" Correia do Norte. Confesso que o Trump assusta-me. Tenho um bocado de medo que venha para aí uma terceira guerra mundial que acabe com o mundo e, pior que tudo, que impeça o SCP de vencer o campeonato para o ano. Por outro lado, estive a pensar, e se é para o mundo acabar, é capaz de ser a melhor altura. O mundo acabava com Guterres na ONU, Portugal campeão da Europa de futebol e vencedor do festival Eurovisão da canção. O mundo acabava, mas nós saíamos por cima. Só faltava o Centeno ir para presidente do Eurogrupo e acabaríamos ao nível dos Descobrimentos.
Por acaso, o António Costa é que dava um bom Presidente do Estados Unidos. Se ele conseguir convencer o Mário Nogueira a desistir de uma greve dos professores, também consegue convencer o Kim Jong-Un a desistir dos mísseis.

TOP 5
Festas de anos
1. Presidente da TAP diz que Lacerda Machado conhece a empresa melhor do que ele - mas pagam-lhe, há 17 anos, como se ele percebesse mais que todos.
2. Presidente executivo da Uber tira licença sem vencimento - vai para a Rádio Táxis.
3. Cristiano Ronaldo pode pagar mais de 28 milhões de euros e ter prisão efectiva por fuga ao fisco - com 3 filhos de aluguer nos EUA e o Cristiano Ronaldo ainda não foi acusado de fuga de esperma.
4. Isaltino Morais ter-se-á candidatado à Câmara de Oeiras quando ainda devia ao Estado e com bens penhorados - também devem ser bens que, em tempos, pertenciam a Câmara.
5. O melhor amigo do primeiro-ministro, nas palavras do próprio António Costa, Lacerda Machado, vai ser administrador da TAP - se for de novo à borla, acho fixe.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Bardamerda para o mérito



(In Blog O Jumento, 25/05/2017)
cheer


Tanto António Costa como Marcelo Rebelo de Sousa decidiram considerar que a saída do procedimento dos défices excessivos foi mérito de todos os portugueses, de caminho Marcelo terá telefonado ao primeiro-ministro para o felicitar, tendo ainda feito o elogio público do ex-primeiro-ministro. Pelo ambiente de festa e de parabéns fiquei com a sensação de Portugal tinha feito anos e até haveria bolo de aniversário e o competente espumante produzido segundo o método champanhês.
Mérito de quê?
Tanto quanto me recordo nunca fui voluntário de qualquer esforço coletivo, muitos portugueses e principalmente os que votaram no PSD foram enganados com falsas promessas eleitorais, muitos dos que votaram PS não esperariam pelo espetáculo triste proporcionado por Seguro. Muitos dos que votaram no PSD e ficaram com cortes nos vencimentos e nas pensões confiaram em quem lhes garantiu que não o faria.
Mérito por ter sido enganado, mérito por ter ficado com um corte de rendimentos de quase 30%, depois de somadas todas as artimanhas inventadas pelo governo de Passos e Portas para empobrecer os portugueses e, principalmente, os funcionários públicos e reformados? Mérito por ver os filhos partir para os quatro cantos do mundo? Mérito por ter um salário mínimo congelado ao mesmo tempo que se aumentava o IVA nos bens essenciais e na energia? Mérito por se morrer à espera de ser atendido numa urgência?
Há uma grande diferença entre o líder de uma claque ou um treinador de futebol e um primeiro-ministro ou um ministro das Finanças. O que sucedeu em Portugal foi muito mais do que um esforço coletivo, foi uma tentativa desastrada de promover uma brutal transferência de rendimentos, aumentando a injustiça social, com o objetivo de resolver a falta de capital de uns à custa da subsistência de outros.
Da parte que me toca não tive qualquer mérito sem ver aumentado o horário de trabalho sem qualquer compensação, de ter ficado sem feriados sem ser remunerado por isso, por ter perdido direito a férias só para que Passos me exibisse ao ministro das Finanças da Alemanha. Não sinto que tenha tido mérito quando fui exibido como uma "despesa pública", quando fui acusado de ganhar mais do que os outros, quando fui acusado de, enquanto funcionário público ou reformado, de ser o culpado dos males do país.
O país não é um imenso grupo de cheerleaders (como as da foto) a quem o chefe vem agradecer o belo desempenho no fim do jogo. Há os que partilhavam a mesa e os negócios com o Ricardo Salgado e os que foram enganados pelos BES, os que aguentaram a austeridade e os que diziam que os outros aguentavam, aguentavam, os que passaram fome e os que compraram carros de luxo cujas vendas aumentaram.

Ovar, 25 de Maio de 2017
Álvaro Teixeira

terça-feira, 23 de maio de 2017

Avaliar a política económica de Passos Coelho

 

(In Blog O Jumento, 23/05/2017)
selfies
 
O PS cometeu o erro de nunca ter promovido a avaliação da política económica de Passos Coelho e Vítor Gaspar, apadrinhada pelo defunto António Borges, tendo permitido que nos momentos de falhanço a direita se escondesse atrás do memorando com a Troika. A política económica de Passos Coelho foi muito além do previsto no memorando, Portugal foi um banco de testes para experiências de política económica.
Essa ausência de avaliação permite a Marcelo Rebelo de Sousa branquear muito do que se passou, passando a mensagem falsa de que há uma complementaridade ou continuidade no domínio da política económica. Marcelo tenta passar a ideia de que a política económica e a medicina são coisas parecidas, isto é, a economia portuguesa está doente e não há grande diferença entre Gaspar, Maria Luís Albuquerque e Mário Centeno, como se fossem médicos que aplicam ao doente a receita adequada a cada fase do tratamento.
Marcelo está tentando enganar o país, como se essa mentira fosse benigna por ser em nome do bem da Nação, do crescimento e do emprego. Se a abordagem da política económica por parte de Marcelo é muito honesta, esta forma de ver a democracia, em que chama a si o papel de eliminar diferenças é muito duvidosa.
A democracia é feita de confrontos o que justifica que Marcelo sempre tenha assumido os confrontos políticos, desde António Guterres, um dos seus melhores amigos, a Passos Coelho, seu sucessor na liderança do PSD. Agora que é Presidente Marcelo tenta fazer passar a ideia de que a democracia é paz e amor de mistura com muitas selfies.
A democracia é confronto de ideias e de projetos e é por isso que Passos caiu e Costa adota políticas contrárias e antagónicas às do seu sucessor. Como é possível que alguém tente dar a entender que não há diferenças no mérito de políticas diferentes, quando um dos trabalhos deste governo foi corrigir as asneiras e abusos do governo anterior?
Se, como Marcelo parece defender, as políticas não devem ser avaliadas e não passam de políticas idênticas e sem qualquer conflitualidade, para que servem as eleições e o debate político? Mas, ao mesmo tempo que Marcelo defende que o debate deve ser feito em águas mornas, chama a si o papel de meter o primeiro-ministro e o líder da oposição na linha. Umas vezes dá uma porradinha num, outras dá a porradinha no outro. Umas vezes passa a ideia de que um é muito otimista, nas outras deixa que os jornais sugiram que Marcelo está a ajudar a derrubar o outro.
Aos poucos o debate político está entrando num pântano onde só Marcelo consegue andar. É preciso contrariar esta estratégia de Marcelo e começar por lançar o debate em torno das políticas económicas. Já há dados mais do que suficientes para que se avalie a política económica conduzida durante o governo de Passos Coelho.
 
Ovar, 23 de maio de 2017
Álvaro Teixeira

domingo, 21 de maio de 2017

O MendesLeaks por estatuadesal

 

 

(In Blog O Jumento, 15/05/2017)
noia
Compreende-se a elegância com que António Costa ignora o papel que tem vindo a desempenhar desde que Marques Mendes assumiu as funções de “Garganta Funda” de Pedro Passos Coelho. No governo de Passos, Marques Mendes assumiu as funções de informador não oficial do governo, divulgando aquilo que convinha a Passos que fosse Marques Mendes a comunicar.
Com o fim do governo de Passos Coelho seria de esperar que Marques Mendes não sobrevivesse enquanto comentador. Seria de esperar que que tivesse menos acesso à informação, passando a ter que se esforçar para opinar com qualidade os acontecimentos do dia a dia. Mas Marques Mendes estava tão habituado ao papel de bisbilhoteira nacional, que lhe dava tanto destaque, que não desistiu do papel.
Perdendo as funções de bisbilhoteira oficial do regime parece que Marques Mendes se transformou numa espécie de MendesLeaks, o TugaLeakes ao serviço da direita. Não faltam no poder ilhas do PSD com acesso a informação confidencial que Marques Mendes usa em proveito da sua imagem e em benefício da direita. O esquema das nomeações por concurso permitiu ao PSD ter antenas em grande parte dos serviços do Estado, desde a REPER em Bruxelas até à mais modesta Direção Geral. Não se sabe muito bem o que ganham os que confidenciam a Marques Mendes o que é suposto ser confidencial, mas sabemos que o tráfico da informação confidencial do Estado proporciona grandes lucros a Marques Mendes; desde logo os honorários que a SIC lhe paga, bem como os benefícios indiretos proporcionados pelo poder que o estatuto lhe confere.
Quando o MendesLeaks torna pública a proposta feita pelo BdP em relação à venda do Novo Banco, ou quando antecipa dados estatísticos do INE Marques Mendes viola todos os princípios. Mas o governo é obrigado a ignorar o trabalho sujo do Conselheiro de Estado, se mexer um dedo cai o Carmo e a Trindade, surgirão as queixas de asfixia democrática e não seria de admirar se Marques Mendes pedisse para ser recebido pelo residente da República, para se queixar da perseguição do governo das perigosas esquerdas.
Já o que pensa Marcelo Rebelo de Sousa sobre o papel estranho que o seu conselheiro desempenha em prol do apodrecimento do sistema político deverá ser só da sua conta. Isso não deixa de ser estranho, já que parece que a Presidência da República é a única instituição nacional que se escapa à rede de informadores do MendesLeaks. Só Deus sabe se é Marques Mendes que se abstém de bufar as informações confidenciais da Presidência da República ou se o faz por pensar que dessa forma não prejudica o Presidente.
Imagino que este país é um Estado de direito e que a divulgação de matérias que deveriam ser mantidas em segredo, até que fossem divulgadas pelas entidades competentes, constitui matéria que pode violar alguma lei. A questão está em saber se Marques Mendes pode manter a sua MendesLeaks em total impunidade e perante a passividade de todos os órgãos de soberania, como se qualquer badameco pudesse transformar o Estado num passador de informação.
 
Ovar, 21 de Maio de 2017
Álvaro Teixeira

domingo, 14 de maio de 2017

O SUICÍDIO DO PSD (estatuadesal)

 

(Clara Ferreira Alves, in Expresso, 13/05/2017)
Autor
      Clara Ferreira Alves
Parece que o primeiro-ministro, António Costa, vê sol nos dias de chuva. Vindas do Presidente, um homem que toma banho de mar no inverno e com a água a 12 graus, estas palavras têm graça. É um pouco como aquela deliciosa expressão portuguesa, diz o roto ao nu… Para os eternos pessimistas como eu, que veem a chuva que há de vir quando o sol brilha, um otimista é uma bênção. Por trás deste otimismo escondem-se coisas mais graves que desaguam numa conclusão dura. Esta coligação de esquerda, esta estranhíssima aliança entre europeístas e antieuropeístas, entre radicais e moderados, entre socialistas, bloquistas e comunistas, entre dois partidos que passaram uma boa parte da sua existência a combater o desvio capitalista (uma mania típica do esquerdismo) de um partido do centro do sistema, tem funcionado. E não só tem funcionado como tem dado resultados, embora se saiba que com outro presidente não funcionaria assim. Estou à vontade para escrever isto porque não gostei desta aliança e desconfiei dela. Ou por outra, nunca acreditei que pudesse governar com eficácia e préstimo. Governa. E tenho a certeza que muito do mérito vem da figura do primeiro-ministro, um homem que sabe de política e sabe o valor de negociar em política.
A direita, que não pode ver um António Costa que julga ser o usurpador do que lhe pertencia por direito consuetudinário, está furiosa e desorientada. A direita tem de perceber que parte substancial da responsabilidade do sucesso da esquerda também é sua. Não se consegue imaginar uma oposição mais desastrada, casuística, empírica, magra na retórica e esquelética no pragmatismo, do que a que Passos Coelho e os seus homens têm feito, dentro e fora do Parlamento. Muitas vezes, o discurso da oposição é teorizado por jornalistas e analistas, incluindo o porta-voz Marques Mendes, ou por um discurso vindo das esquerdas à esquerda do PS, enquanto os sociais-democratas se enredam no complexo do mau perdedor. Depois de mim o dilúvio? Sabe-se no que deu.
Em política, saber perder é mais importante do que saber ganhar. Passos Coelho teve um papel ingrato à frente do país numa fase histórica em que tivemos de pedir dinheiro emprestado e tivemos de ser castigados por isso. O erro fatal foi o de não só considerar que o castigo era bom para Portugal como a austeridade era necessária para reformar e purificar os pecados dos portugueses a viverem acima das suas possibilidades. Sabemos agora, por algumas investigações criminais, quem é que andava a viver acima das suas possibilidades, e não eram os pobres portugueses. Na frase imortal do ex-ministro Miguel Macedo, também ele indiciado por crime, o “país das cigarras” não era o dos pequenos funcionários públicos ou dos detentores de benefícios sociais como o rendimento mínimo. O país das cigarras era o dos banqueiros insolventes e falidos e dos altos quadros políticos do Estado sufragados pelo partido ou a nomeação. Passos Coelho pronunciou alguns dos discursos mais desastrados do ponto de vista político que alguém pode pronunciar, enredado na mania da verdade que tem de ser dita. E não levantou um dedo contra o tráfico das suas clientelas, que imediatamente tomaram posse dos grandes negócios do Estado e da venda do Estado. Enquanto Cavaco Silva foi Presidente isto passava, com a ajuda dos prosélitos da austeridade virtuosa, entretanto silenciados (ajudaram à vitória eleitoral não maioritária da coligação de direita). Quando Cavaco saiu, deixou de passar. Cavaco saiu com a popularidade de rastos, e Passos Coelho ficou para a história como o rosto severo dos anos da crise, da miséria e da perda de soberania. A pose de Passos e Maria Luís face à Alemanha era embaraçosa e escondia um desejo pouco patriótico de fazer a vontade ao patrão. Chamava-se a isto, antigamente, ser lambe-botas. Os portugueses não esqueceram. Nem toda a gente morre de amores por Costa e amigos, mas não esqueceram.
O PSD tem de arranjar um novo chefe e como o aparelho está inevitavelmente colado a Passos, e à remota possibilidade de Passos vir a reocupar o poder, não cede. Nenhuma ideologia preside a tais manobras. Trata-se de darwinismo político, luta pela sobrevivência, oportunismo e ganância. Com uns pós de ressentimento e vingança. Ora, a vingança sobre os portugueses tem péssimos resultados. É pior do que granizo depois de um dia de sol. O PSD tem de arranjar um pensamento e uma inteligência ou será comido vivo pela esquerda.
A Europa é uma questão interessante e nem um pio saiu do PSD, nestes últimos tempos, que sirva para um módico de reflexão. O partido está parado, paralisado no ódio a Marcelo e a Costa e entretido com a politiquice. Sem outro PSD, as reformas de que o país necessita jamais serão feitas. E sem outro PSD, António Costa não tem com quem conversar à direita e fica ainda mais refém da esquerda. O facto de Passos não entender isto não é teimosia. É suicídio.
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Ovar, 14 de maio de 2017
Álvaro Teixeira

quarta-feira, 5 de abril de 2017

COSTA e a CONFIANÇA (estatuadesal)

 

(Joaquim Vassalo Abreu, 01/04/2017)
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Dizem todos os renomados Economistas, mesmo os menos renomados e até quem não é Economista nem renomado, como eu, que a CONFIANÇA é a mais valiosa de todas as variáveis económicas.
Eles (a Esquerda) acreditam nele”. Ouvi eu ainda há pouco Pedro Santana Lopes confessar à Judite de Sousa, recordando aqueles quatro anos em que, como líder da oposição, conviveu na Câmara de Lisboa com o então Presidente António Costa, mostrando a sua incredulidade pelo modo como Costa todos, ele próprio, conseguia convencer. Isto a propósito da (para si inesperado) solução governativa engendrada por Costa.
Mas disse mais Santana Lopes, agora, com a idade, mais avisado e prudente e também mais sábio e condescendente, desta vez a propósito das relações do PR Marcelo com o Governo de Costa: “A princípio achava muito estranha aquela relação de Costa com Marcelo!”. Mas, logo de imediato, reconhece ser Costa o mais hábil Político que conheceu desde o 25 de Abril!
Claro que ele não disse, mas sabe, que esse relacionamento se baseia na tal CONFIANÇA. Das tais coisas que se adquire ou não se adquire e se consegue manter ou não. E quem a consegue obter a pior coisa que lhe pode acontecer é perdê-la! É assim em todas as vertentes da Vida. E essa CONFIANÇA consubstancia-se no pleno, cabal e exaustivo conhecimento do Presidente da República de tudo o que se passa no Governo, das suas ideias e decisões, que ele conhece sempre de antemão.
Por isso, com todo aquele voluntarismo que se lhe conhece, chega até a extrapolar as suas competências, falando antecipada e frivolamente de coisas, mas tudo isto porquê? Porque lhe está no sangue, lhe está na sua extensa cultura, na sua imensa curiosidade pelo saber, pelo desejo de ser interventivo e ajudar. Mesmo, às vezes, não ajudando. Mas tudo isso já passou ao estado de normalidade e a verdade é que, para além de tudo querer saber e de tudo querer ser informado, até faz questão de ir ao pormenor e reunir com Ministros. E tudo Costa lhe faculta! Segredo? Coisa simples: CONFIANÇA e Transparência!
De modo que não existem agora aqueles jogos de sombras, aqueles discursos herméticos e redondos, aqueles “avisos” : os assuntos são partilhados, as decisões ponderadas e transmitidas e nada é, no fundo, escondido. E o Presidente lá cumpre como ninguém até hoje conseguiu, nem sequer Soares, transmitir ao povo esse clima de calma, de estabilidade e de CONFIANÇA imprescindíveis para um crescimento económico que se quer sustentado.
E com estas premissas perfeitamente consolidadas na minha mente, estive também, ao final da tarde, a seguir a conferência de imprensa conjunta do Primeiro Ministro e do Ministro das Finanças, explicando todo o processo de venda do Novo Banco, sem quaisquer equívocos ou subterfúgios, uma hora depois da confissão de derrota de um outro Costa, o Carlos, que, de um modo quase mudo veio confessar a sua ultrapassagem a toda a velocidade pelo Governo, neste e noutros processos  da sua jurisdição (regulação, controle e salvaguarda do Sistema Financeiro), depois de ter gasto, só com este processo, dizem que cerca de 25 milhões Euros! Enfim…
E, com todo o sentimento de surrealismo e pasmo que alguma vez pensei possuir, vi todos aqueles comentadores do “outro regime”, numa unanimidade quase total, a vergarem-se à habilidade, à indómita vontade e à coragem daqueles dois que estiveram ali à sua frente, que  ousaram enfrentar o tal “golias” (eu ia a dizer touro, leão e até dragão, mas não seria conveniente!), a tal Entidade Reguladora Europeia, independente e soberana diga-se,  e domar o tal animal completamente tresmalhado e perdido, chamado “Sistema Financeiro”! E isto em pouco mais de um ano e resolvendo, melhor ou pior, todos aqueles eternos problemas, cínica e irresponsavelmente adiados pelo anterior governo.
Bem, Ok, eu sei que, neste caso, com uns certos requintes de malvadez para com os tais Bancos do “Sistema” e que estavam ou parece estarem contra esta decisão. Não queriam ter o ónus que lhes foi transmitido, através do Fundo de Resolução, de cuidarem que os Activos em posse do chamado “Side Bank”, um Banco dentro do Banco, que terão que vender ou rentabilizar para não serem chamados a pedir mais dinheiro ao Estado que, num acto de boa vontade e benevolência, lhes esticou os prazos de pagamento dos tais 3,9 mil milhões para trinta anos. Mas os juros pagam, claro, pois o Estado também se endividou, ora! Venham agora dizer que não…É que isto não é só fazer asneiras e depois assobiar para o lado…
É uma solução equilibrada, disse António Costa, e que, a correr com normalidade, garante que os contribuintes não sejam chamados a pagar seja o que for mas que, ao mesmo tempo e como disse, compromete os Bancos do “Sistema”, que o anterior governo esqueceu e este ajudou a resgatar. Ser contra? É que não faltava mais nada!
Eu não vou aqui especificar os termos do negócio (não faltarão por aqui textos de Especialistas, uns mesmo e outros meramente curiosos, tanto hoje, como amanhã ou depois…), mas quero aqui frisar dois ou três pequenos pormenores que, por muito que o PCP e o BE recorram a posições de princípio (eu também as tenho), são do maior interesse e condicionam, para o bem e para o mal, os termos finais do negócio:
· Pertencemos à CE e estamos obrigados aos tratados que assinamos. União Bancária, por exemplo.
· Existe uma Entidade Reguladora Europeia, como disse, independente e soberana, que rege ao seu critério estes mecanismos e com quem é deveras difícil negociar, ainda por cima quando, contra os dogmas em vigência, esta solução pressupõe que o Estado fique com 25%!
· Que uma “nacionalização” pura e simples, para além de afrontar essas Entidades Europeias que, já tendo sido convencidas a não considerar ajuda do Estado a recapitalização da CGD (não ser considerada para o défice), nunca aceitariam que esta não o fosse e, indo ao défice, tal poder abrir uma autêntica “caixa de Pandora”, de consequências imprevisíveis.
· E, por último, fazendo alarde da credibilidade já adquirida perante os seus pares Europeus, credibilidade obtida não só pelos resultados do défice de 2016, mas também pelos recentes dados da economia, desde o crescimento, ao emprego, ao comportamento das exportações, etc., reconhecidas por todos, desde o BP, ao INE e até ao CFP da Teodora Cardoso, até à afirmação plena desta solução política e à sua completa desmistificação, este é um passo importante, a par da saída do PDE (procedimento por défice excessivo), do reforço dessa afirmação que, espero, também se venha a reflectir na avaliação das agências de rating e nas taxas de juros cobradas pelos mercados.
Podem acusar-me alguns de situacionismo, mas esta é a realidade e, no imediato, não podemos fugir dela. A mim o que me agrada é que tudo isto o que foi conseguido em pouco mais de um ano, foi obtido contra tudo e todos, com afirmação e nunca com subserviência. E não foi impunemente que na tal entrevista o Pedro Santana Lopes tenha apelado ao seu Partido: “Deixem-se de cavalgar os casos e casinhos, os SMS e as taxinhas e apresentem é propostas construtivas…pois assim…”.
De modo que este fim de tarde, olhando para aqueles dois Homens, que não se esconderam, deram o peito às balas e responderam, sem quaisquer subterfúgios, a todas as questões que lhes foram colocadas, pensei: ESTES TRANSMITEM-ME CONFIANÇA. NESTES EU CONFIO!
NOTA 1: Em 03/08/2014, aquando da decisão da “resolução do BES”, Passos estava na Manta Rota, a Cristas bronzeando-se numa praia qualquer e quem presidiu àquele Conselho de Ministros electrónico foi Paulo Portas.  Algum alguma vez deu a cara por aquela solução? Não! A responsabilidade era toda do Carlos Costa! Eles limitaram-se a fazer a lei à medida…Mais nada!
NOTA 2: Também parece que o “Abutre” vai ter, pelo menos durante uns anos, as asas atadas!
 
Ovar, 5 de abril de 2017
Álvaro Teixeira

segunda-feira, 13 de março de 2017

Quem se mete com a Justiça leva

 

(Por Estátua de Sal, 13/03/2017)
DESCONFORTO
Quem se mete com a Justiça leva. Que o diga Sócrates que, enquanto primeiro ministro, cortou férias e outras mordomias aos juízes. Desse modo, tornou-se num alvo do ódiozinho de estimação dos senhores magistrados.
Perante este caso de exemplar retaliação – Sócrates já está destruído para todo o sempre, seja ou não culpado de qualquer ilícito, porque a Justiça já o enforcou e condenou na praça pública antes de o condenar em julgamento -, todos os actores políticos temem pronunciar-se sobre as reiteradas e cirúrgicas quebras do segredo de Justiça patrocinadas pelos senhores magistrados, e sobre a conivência e promiscuidade com certa comunicação social. Chega-se ao ponto de os arguidos tomarem conhecimento de factos acusatórios pelos jornais, não tendo ainda sido com eles  confrontados, logo  não se podendo  defender das acusações antes da sua divulgação pública.
Deste modo, quer os partidos, da direita à esquerda, quer o governo actual quer o anterior, evitam pronunciar-se na praça pública. Temem ser acusados de se quererem imiscuir na acção da Justiça e serem, desse modo, acusados de atacar a independência da mesma, um dos pilares cruciais do Estado de Direito. No caso da Operação Marquês, envolvendo Sócrates, o PS especialmente, foge do tema como o diabo foge da cruz, temendo ser acusado de querer defender o ex-primeiro ministro e seu militante.
Mas não são só essas as razões que levam os actores políticos a não se pronunciarem sobre o tema. A questão é que os políticos temem a Justiça, e sabem que hostilizar a corporação dos senhores juízes, pode levar a que a ira destes e a sua sanha persecutória se volte contra quem lhes aponte o dedo.
No fundo, políticos, partidos e companhia, todos tem telhados de vidro e, caso fossem sujeitos ao escrutínio e devassa que foram usadas contra Sócrates, provavelmente poucos cumpririam a cem por cento todos critérios de legalidade e transparência.
Nesse sentido, é de sublinhar as declarações feitas hoje por Marcelo Rebelo de Sousa, (Ver notícia aqui) que veio a público colocar o dedo na ferida e mostrar o seu desconforto com o estado da Justiça em Portugal, trazendo a debate especificamente a problemática da quebra do segredo de justiça, da realização de julgamentos na praça pública e da justiça de pelourinho.
Marcelo parece ser o único político que não tem telhados de vidro e que não teme as represálias dos senhores magistrados. Não deve dever nada a ninguém e nunca deve ter pedido dinheiro a amigos (coisa de que nem todos os juízes se podem gabar, como se viu com juiz Alexandre).
E mesmo nas variadas vezes que passou férias e Natais no Brasil com o Dr. Ricardo Salgado deve ter pago o hotel do seu próprio bolso e guardado as facturas. É que se não guardou, Marcelo pode estar em sarilhos: depois do recado que mandou hoje aos senhores juízes, ainda se arrisca a ser o próximo arguido da Operação Marquês.
 
Ovar, 13 de março de 2017
Álvaro Teixeira

sábado, 11 de março de 2017

Um ano de presidência: one man show (estatuadesal)

 

(Por Estátua de Sal, 09/03/2017)
marcelo2
Declaração de interesses: não votei em Marcelo. Mas o paradoxo é que, provavelmente, como muitos que nele não votaram, me sinto hoje muito mais confortável com o seu primeiro ano de exercício do que a maioria dos que nele votaram.
A direita anda amuada com Marcelo. Esperava um presidente conspirador, uma versão mais refinada - e por isso mais perigosa -, da mão atrás do arbusto,  um fazedor de cenários políticos,  e saiu-lhe um presidente colaborante com o governo, prezando a estabilidade acima de tudo. Esperava um presidente que lhe desse boleia para o regresso à governação conseguida à custa do regresso do diabo e das sete pragas do Egipto nos cornos do mafarrico, e saiu-lhe um presidente que diz e defende que tudo o que for bom para o país terá a sua benção mesmo que seja a esquerda a consegui-lo.
E o país está com Marcelo. Quer com o actor Marcelo, quer com a narrativa Marcelo, quer com o estilo Marcelo. A popularidade do Presidente atinge níveis quase estratosféricos. O estilo não é tudo mas ajuda muito. Marcelo encarna várias simbioses de quase impensável casamento que só ele mesmo conseguiria alcançar. E aí, o mérito é só dele e das suas qualidades e defeitos pessoais. Ser a esquerda da direita, ou a direita da esquerda se preferirem, não é para qualquer um. Ser um republicano monárquico ou um monárquico republicano muito menos. Mas, Marcelo tem conseguido, até ao momento, desatar esses nós e juntar essas dicotomias e oposições.
Tal popularidade tem assentado em dois eixos cruciais. Em primeiro lugar Marcelo não tem tido que gerir grandes conflitos políticos, por uma simples razão: é perito em evitar que os conflitos surjam, segue uma estratégia de medicina preventiva, de forma a não ter que os arbitrar. Como se sabe, os árbitros são sempre os maus da fita, sobretudo para aqueles que se sentem prejudicados pelas suas decisões. E Marcelo, acima de tudo, quer ser sempre o bom da fita, qual xerife justiceiro e imparcial. Qual presidente-rei não quer ser considerado pelos seus súbditos por ser temido mas antes por ser amado.
Nessa senda, o segundo eixo tem assentado na dessacralização da função presidencial. O presidente não está, altaneiro e distante, no alto do seu castelo a reinar. Está sempre no meio do seu povo. Tanto recebe banqueiros como almoça com os sem-abrigo. Tanto bebe sumos de laranja no bar do liceu que frequentou quando jovem (ver foto acima), como usa com todo o à-vontade os talheres de prata em almoços de Estado com personalidades estrangeiras que nos visitam. Mas mais que  esta dualidade,  a causa maior para a popularidade de Marcelo, é ele interpretar tal dualidade de forma genuína e não forçada. Se não fosse genuína, mais tarde ou mais cedo iriam surgir gaffes de desempenho que o povo não perdoaria e a queda do pedestal seria inevitável. Mas não. Antevejo que Marcelo não irá cair tão cedo, e talvez nunca chegue mesmo a cair, optando talvez pelo cúmulo da glória que seria sair de cena pelo seu próprio pé, não se recandidatando. Ele é one man show, uma espécie de artista que sem orquestra ou acompanhamento enche só por si o palco, sem desiludir o público.
Como disse acima, a direita anda amuada com Marcelo. E boa parte da esquerda ainda anda de pé atrás com o presidente e dele desconfia. Como diz o ditado, quando a esmola é demais o pobre desconfia. Mas, digo eu, em boa medida não tem razão para desconfiar. Por um simples motivo: Marcelo não tem alternativa senão apoiar o governo e ajudá-lo a levar a nau da Geringonça a bom porto. Para o não fazer teria que ter à direita do espectro político outros personagens, outras práticas e outras programas políticos. Mas, o que se vislumbra à direita é um grupelho de imbecis a lamber ainda as feridas do seu inesperado afastamento da governação. Sem ideias, sem postura ética, sem qualquer desígnio estratégico para o país a não ser a satisfação de interesses pessoais e de grupos restritos. São demasiado cábulas e maus alunos para passarem no exame do Marcelo-professor que, ao que consta nunca deu notas aos estudantes de acordo com a sua cor política, nem para outorgar benefícios indevidos, nem para discriminar por prejuízos injustificados. É por isso que, nesse aspecto, custa menos a Marcelo aceitar as contribuições para a governação do PCP e do BE, desde que vinda de gente competente - uma espécie de estudantes aplicados -, do que do PSD actual onde ciranda uma manada de incompetentes - ou seja um grupo exemplar de alunos relapsos.
Não quero dizer com isto que Marcelo tenha denegado a sua matriz política identitária original. Essa matriz persiste e materializa-se na defesa de três pilares fundamentais que são as suas linhas, não direi totalmente vermelhas, mas pelo menos cor de rosa choque: a Nato, a União Europeia, e o Euro. Mas como tais linhas são da ordem da macropolítica e da e da inserção do país na geopolítica europeia e mundial e não do foro da política interna corrente; mas como o PS não se propõe, para já ultrapassá-las ou sequer discuti-las - ainda que vá manifestando aqui e ali algum incómodo com tais temas -, a Geringonça, enquanto for este o cenário, terá a benção sincera de Marcelo.
Porque não é uma política de maior equidade na distribuição do rendimento, reposição de salários e pensões, que pode causar engulhos ao Marcelo-cristão praticante, longe disso. Ele que tanto elogia o Papa Francisco, voz que tem colocado grande ênfase na sua pregação nos temas da desigualdade. Logo, neste aspecto, Marcelo tem razão já que está à esquerda da direita, pelo menos da direita fundamentalista e neoliberal que temos a dominar o PSD e o CDS.
Mas se a bandeira da luta contra a desigualdade passar por discutir as causas que a originam (a organização económica capitalista, as assimetrias entre os países europeus da periferia e os do centro, potenciadas por uma integração económica imperfeita e por uma moeda única que é o seu veículo), nesse caso Marcelo já não consegue ir tão longe, e os limites ideológicos da sua formação de homem do sistema, vem ao de cima e aí passa a ser, como bem disse o próprio, a direita da esquerda.
Portugal, como nação antiga que é, talvez tenha uma sagacidade colectiva que só é apanágio das velhas estirpes. E por isso talvez tenha produzido e escolhido o tipo e o estilo de presidente que mais se adequa ao actual momento político, quer em tempos do cenário interno quer em termos do palco mundial. Um pequeno país, num mar infestado de tubarões, só unido e com uma liderança que empolgue e potencie o que têm de melhor pode subsistir e sobreviver. E nessa missão Marcelo, até ver, não tem desiludido.
 
Ovar, 11 de Março de 2017
Álvaro Teixeira

sábado, 2 de julho de 2016

Salgueiro Maia homenageado pelo Presidente da República


Salgueiro Maia na Revolução de 25 de Abril

O Capitão de Abril, Salgueiro Maia, foi,ontem homenageado, a título póstumo, pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.
Salgueiro Maia, se fosse vivo, completaria esta ano 72 anos de idade. Foi um homem que nunca aceitou cargos políticos, apesar de ter sido pressionado para os aceitar. Consumado o êxito da Revolução, preferiu voltar ao seu lugar de Comandante da Companhia de Cavalaria, no Quartel de Santarém.

Como disse outro capitão de Abril, Rodrigo Sousa e Castro, na sua página no Facebook, "Mais vale tarde do que nunca".

O presidente da República com a viúva de Salgueiro Maia e os seus dois filhos

Penso que o nosso Presidente da República está a limpar o passado tenebroso do último inquilino do Palácio de Belém, que preferiu dar uma pensão aos ex-Pides do que condecorar Salgueiro Maia.

Agora faltará reabilitar memória do Nobel da Literatura, José Saramago, que foi vilipendiado por essa sinistra figura de seu nome Sousa Lara e que foi Secretário de Estado da Cultura no último governo do sinistro Cavaco Silva.

O prof. Marcelo Rebelo de Sousa continua, desta forma, a retirar os esqueletos que continuam escondidos nos armário do Palácio de Belém e a mandar enterrá-los numa qualquer vala comum, para que não mais assombrem a memória dos portugueses.

Bem haja, Senhor Presidente.


Ovar, 2 de julho de 2016
Álvaro Teixeira

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